Manifestação em defesa da Petrobras e dos direitos dos trabalhadores, na Rodoviária do Plano Piloto, em Brasília
Centrais sindicais e movimentos sociais que organizaram manifestações nas maiores cidades do País ontem rejeitaram qualquer possibilidade de impeachment da presidente Dilma Rousseff, mas expressaram insatisfação com os rumos de seu governo e fizeram críticas à sua política econômica.
As manifestações foram lideradas por organizações como a CUT (Central Única dos Trabalhadores), o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e a UNE (União Nacional dos Estudantes), entre outros grupos. Os manifestantes apresentaram como bandeiras a defesa da Petrobras e da democracia, dos direitos trabalhistas, da reforma política e da reforma agrária.
Houve críticas ao ajuste fiscal proposto por Dilma, que restringe o acesso a benefícios previdenciários e ao seguro-desemprego.
As manifestações ocorreram em 23 capitais. Segundo estimativas da Polícia Militar, elas mobilizaram pelo menos 26 mil pessoas. Segundo os organizadores, foram 170 mil pessoas. Em São Paulo, o Datafolha calculou que 41 mil pessoas participaram do ato.
O Palácio do Planalto comemorou a ausência de incidentes nas manifestações de sexta. O temor do governo era que eventuais conflitos nas ruas dessem combustível para os protestos convocadas por grupos anti-Dilma para amanhã em 66 cidades.
SÃO PAULO
Das cerca de 41 mil pessoas que participaram do ato em São Paulo, nem todos estiveram presentes durante as quatro horas de protesto, que começou às 14h na frente da sede paulista da Petrobras, na Avenida Paulista, e terminou por volta das 18h na Praça da República, no Centro.
Segundo a contagem do instituto, cerca de 8 mil pessoas estiveram presentes na manifestação do começo ao fim, nas quatro horas.
Conforme o manifesto divulgado há algumas semanas, o objetivo do ato era protestar contra medidas do ajuste fiscal do governo Dilma Rousseff, em defesa da Petrobras e pela democracia e reforma política.
Os organizadores do evento afirmaram que o ato mobilizou 100 mil pessoas. Segundo a Polícia Militar, teriam sido 12 mil.
No Rio, o MST levou assentados de São Paulo e do Paraná para que o engrossar a manifestação. A cidade foi uma das quais onde houve manifestação de centrais sindicais, de grupos estudantis e de sem terra para defender a Petrobras. O MST compareceu ao ato com 20 ônibus, sete do Rio e 13 de fora (oito do Paraná e cinco de São Paulo).
Em Brasília, a manifestação reuniu cerca de mil pessoas, segundo a PM, e os manifestantes. Os integrantes do movimento se encontraram na rodoviária da capital sob forte vigilância da polícia. Entre as cerca de 20 bandeiras, havia duas do PT e duas do PC do B, partidos da base do governo.
As palavras de ordem eram a favor da presidente, contra o que chamavam de golpe, mas também contrárias ao ajuste fiscal, atribuído ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy.
BOLSA PROTESTO
Durante o protesto em São Paulo, manifestantes relataram à reportagem terem recebido "café, almoço e jantar" para estar no ato.
"Ficamos só uma parte. Não precisa ficar até o final", disse a auxiliar de limpeza Gisele Rodrigues, 33, que levou os dois filhos pequenos.
Ela disse que ganhou um apartamento em um sorteio da CUT. "Por isso sempre venho (a atos organizados pela central). Faz parte do pacote."
Com balões e coletes da CUT, alguns estrangeiros participaram do protesto, mesmo sem, aparentemente, saberem quais eram as reivindicações feitas pelos manifestantes.
Perguntados, disseram ter recebido de R$ 30 a R$ 50. Alegando não falar português, não quiseram se identificar.
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