Ao utilizar o motor de busca da Google para pesquisar imagens de "mão" ou "braço", é preciso fazer scroll várias vezes (e mesmo assim, é difícil) para encontrar uma mão negra, por exemplo. E se experimentar pesquisar por "bebé", vai ver que acontece exatamente o mesmo. Encontrar uma imagem de um bebé que não seja caucasiano é uma tarefa complexa para pesquisa no Google.
Foi por isso que Johanna Burai, ativista e artista sueca, criou o site World White Web (paródia a World Wide Web, o famoso 'www'), onde convida todos os visitantes a contribuírem para uma mudança destes resultados discriminatórios. Em entrevista à revista Vice, a ativista explica que este fenómeno corresponde a uma tentativa de "normalização" da pele branca através da internet. Para encontrar imagens de pessoas que não são brancas, a Google exige que se utilizem termos de pesquisa específicos.
"É uma loucura. Este é um claro exemplo de como a norma de se ser branco se manifesta - o corpo branco é neutro. Os resultados das pesquisas são apenas um exemplo de como ser branco é uma norma da sociedade. Muitas pessoas optam por fechar os olhos aos privilégios que se tem simplesmente por se ser branco, assim como ao racismo sistemático que é vivido por pessoas de outras raças no seu dia-a-dia" diz Johanna.
Para aumentar a diversidade racial na internet, o World White Web apresenta seis imagens de mãos que não são brancas e convida os seus visitantes a promovê-las, fazendo o download e partilhando através das redes sociais. Isto porque, quanto mais um conteúdo for partilhado, mais o sistema da Google o identifica como relevante, fazendo com que as imagens subam na lista de resultados que é apresentada ao utilizador.
O World Withe Web surgiu durante o último semestre de Johanna na Universidade de Design de Estocolmo, na Suécia, e tornou-se no projeto final da estudante, que pretende lutar contra a "brancura da internet". "Quanto mais pessoas partilharem estas imagens, maior é a possibilidade de mudança."