quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Feliz 2015 para todos!


Papa pede renovação moral e espiritual - Renascença

Papa pede renovação moral e espiritual - Renascença

STF proíbe governo de divulgar nomes de exploradores de trabalho escravo

País

STF proíbe governo de divulgar nomes de exploradores de trabalho escravo

Agência Brasil
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, determinou, em caráter liminar, que o Ministério do Trabalho e Emprego se abstenha de divulgar ao público a relação de empregadores flagrados ao submeter trabalhadores a formas degradantes de trabalho ou a condições análogas ao trabalho escravo.
A suspensão da publicação da chamada Lista suja do Trabalho Escravo foi pedida no último dia 22 pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), à qual estão associadas grandes construtoras, como a Andrade Gutierrez, Odebrecht, Brookfield Incorporações, Cyrela, MRV Engenharia, entre outras. De acordo com informações disponíveis no site do STF, em pleno recesso do Poder Judiciário, Lewandowski apreciou o pedido por estar de plantão e apresentou a decisão já no dia seguinte. O veto temporário à divulgação foi decidido com tamanha rapidez devido à atualização do cadastro, que ocorreria esta semana.
Juridicamente, a decisão de Lewandowski suspende os efeitos da Portaria Interministerial MTE/SDH nº 2, de 12 de maio de 2011, que estabelece as regras sobre o cadastro. A decisão também suspende o efeito da Portaria nº 540, do Ministério do Trabalho, de 15 de outubro de 2004, já revogada pela publicação da Portaria Interministerial nº 2.
A consulta às portarias revela que ambas não tratam da divulgação dos nomes dos empregadores, limitando-se a obrigar o Ministério do Trabalho a manter e atualizar a relação das pessoas físicas e jurídicas flagradas e dar conhecimento de seu conteúdo a ministérios, ao Ministério Público Federal, Ministério Público do Trabalho e bancos públicos. Nenhuma das portarias prevê a divulgação automática dos nomes ao público.
Na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 5209, a Abrainc alega que as portarias ministeriais ferem à Constituição Federal e o princípio da separação entre os Poderes, já que, na interpretação da entidade, seria competência do Poder Legislativo editar lei sobre o assunto. A associação também sustenta que os nomes dos empregadores são inscritos na lista sem a existência do devido processo legal, de “forma arbitrária”, ferindo o princípio da presunção da inocência.
“O simples descumprimento de normas de proteção ao trabalho não é conducente a se concluir pela configuração do trabalho escravo”, aponta a Abrainc no pedido de liminar. “Assim como é inconcebível que empregadores submetam trabalhadores à condições análogas às de escravos, também é inaceitável que pessoas sejam submetidas a situações vexatórias e restritivas de direitos sem que exista uma prévia norma legítima e constitucional que permita tal conduta da Administração Pública”, conclui a entidade.
Ao justificar sua decisão, Lewandowski classificou como “odiosa” a prática sub-humana a que alguns empregadores submetem seus funcionários, mas destacou que os gestores públicos devem observar os preceitos constitucionais. “Embora se mostre louvável a intenção em criar o cadastro de empregadores, verifico a inexistência de lei formal que respalde a edição da Portaria nº 2 pelos ministros de Estado”.
Embora ainda precise ser publicada no Diário Oficial da União para entrar em vigor e poder ser revertida quando for apreciada em Plenário, por todos os outros ministros da Corte, a decisão já levou o Ministério do Trabalho a retirar de seu site a relação com os nomes dos empregadores flagrados. Segundo a assessoria do STF, a publicação da decisão só deverá ocorrer em fevereiro, quando o Poder Judiciário retorna do recesso. A primeira reunião com todos os ministros acontecerá no dia 4 de fevereiro, mas não há previsão de quando o processo será julgado. A relatora será a ministra Carmem Lúcia.
A relação deveria ter sido atualizada esta semana. Na última atualização, feita em julho deste ano, a lista trazia 609 nomes de pessoas físicas e jurídicas. A maioria dos flagrantes registrados até então aconteceu no Pará, com 27% do total. Em seguida vinham Minas Gerais (11%); Mato Grosso (9% e Goiás (8%). Entre as atividades econômicas nas quais os fiscais do trabalho encontraram mais condições análogas à escravidão estão a pecuária (40%); produção florestal (25%) e indústria da construção (7%).
Procurado, o Ministério do Trabalho informou, por meio de sua assessoria, que não comentaria a decisão judicial limitando-se a cumprir a liminar até a decisão final do STF. A Secretaria de Direitos Humanos (SDH) da Presidência da República destacou que a Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae) está analisando a decisão e estudando as medidas jurídicas cabíveis. Vinculada à SDH, a Conatrae é o órgão responsável por coordenar e avaliar a implementação das ações previstas no Plano Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo, entre outras atribuições. É composta por representantes de órgãos de Estado e da sociedade civil.
Tags: erradicação, proibição, subumano, supremo, trabalho

Dilma conclui reforma ministerial e anuncia novo ministro das Relações Exteriores

Dilma conclui reforma ministerial e anuncia novo ministro das Relações Exteriores

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014 13:43 BRST
 
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BRASÍLIA (Reuters) - A presidente Dilma Rousseff concluiu nesta quarta-feira sua reforma ministerial e anunciou, por meio de nota, a substituição do ministro das Relações Exteriores, embaixador Luiz Alberto Figueiredo, pelo embaixador Mauro Luiz Iecker Vieira, mantendo no cargo outros 13 ministros.
Vieira foi indicado para a embaixada do Brasil em Washington no final de 2009 e foi chefe de gabinete do ex-ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, no primeiro mandato do governo Luiz Inácio Lula da Silva.
No Itamaraty, Vieira é apontado como hábil e discreto negociador, com capacidade para construir acordos.
Essa capacidade, segundo uma fonte do governo, tem sido muito usada na reaproximação entre Brasil e Estados Unidos, cuja relação ficou desgastada depois da revelação dos programas de espionagem da Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA, dos quais Dilma e a Petrobras teriam sido alvos.
Figueiredo assumirá o lugar de Vieira como embaixador brasileiro em Washington.
Dilma também manteve nos cargos os ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil), Arthur Chioro (Saúde), Eleonora Menicucci (Políticas para as Mulheres), Guilherme Afif Domingos (Micro e Pequena Empresa), Ideli Salvatti (Direitos Humanos), Izabella Teixeira (Meio Ambiente), José Eduardo Cardozo (Justiça), José Elito Carvalho Siqueira (Gabinete de Segurança Institucional), Luis Inácio Adams (Advocacia-Geral da União), Manoel Dias (Trabalho e Emprego), Marcelo Côrtes Neri (Assuntos Estratégicos), Tereza Campello (Desenvolvimento Social e Combate à Fome) e Thomas Traumann (Comunicação Social).
A presidente dará posse a todos os 39 ministros no dia 1o de janeiro, quando também será reconduzida ao cargo.
(Reportagem de Jeferson Ribeiro)

AirAsian: 2 corpos de vítimas chegam à Indonésia

AirAsian: 2 corpos de vítimas chegam à Indonésia

Agência ANSA
As autoridades da Indonésia corrigiram a informação de que 40 corpos de vítimas do voo QZ8501, da Air Asia, teriam sido retirados do mar. Oficialmente, apenas sete corpos foram encontrados e dois deles já chegaram a um aeroporto do país.
Ainda de acordo com informações oficiais, um dos corpos recuperados é de uma comissária de bordo, que foi identificada graças ao uniforme que vestia. Uma das vítimas estava vestindo um colete salva-vidas, o que pode indicar que o piloto tentou pousar a aeronave no mar.
As autoridades afirmaram que encontraram o ponto exato onde o avião está, mas as operações das equipes estão sendo muito prejudicadas por culpa das fortes chuvas que atingem a região.
O avião da Air Asia desapareceu dos radares nas primeiras horas do domingo, enquanto fazia o trajeto entre a Indonésia e Cingapura. Ele partiu às 5h20 do aeroporto Juanda, em Surabaia, e cerca de 40 minutos após a decolagem, ele sumiu. Pouco antes do desaparecimento, o piloto havia pedido uma mudança de rota por causa do mau tempo.
Tags: avião, cingapura, mau tempo, piloto, vítimas

Incra reconhece comunidades quilombolas em dois estados.

País

Incra reconhece comunidades quilombolas em dois estados

Agência Brasil
A Comunidade Dezidério Felipe de Oliveira/Picadinha, noMato Grosso do Sul, foi oficialmente reconhecida e declarada como quilombola pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A decisão foi publicada nesta quarta-feira (31), no Diário Oficial da União.
A portaria informa que o Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID) baseou a delimitação do território dividida em 12 porções. Ao todo, a área ocupa 2.651,3922 hectares (ha) do município de Dourados. Parte dela estava ocupada por fazendas, por isso, para que a declaração fosse possível, o Incra mediou um acordo entre a comunidade e os produtores rurais que ocupavam o local desde os anos 1970.
Segundo o Mapa de Conflitos Envolvendo Injustiça Ambiental e Saúde no Brasil, elaborado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase), 36 famílias descendentes de Dezidério Felipe de Oliveira, que viveu na região antes da abolição da escravatura e mudou-se para o distrito de Picadinha em 1905, reivindicavam 3.738 hectares.
A origem da comunidade, contudo, era questionada pelos produtores rurais, o que gerou conflitos. Nos últimos anos, os quilombolas lutaram tanto pelo reconhecimento da história quanto por políticas públicas para a saúde, educação, produção de alimentos e geração de renda, uma vez que enfrentavam dificuldades para o sustento da comunidade.
Com o acordo e a decisão publicada hoje, o próximo passo será a regularização fundiária, com a retirada da área de ocupantes não quilombolas mediante desapropriação e/ou pagamento de indenização e a demarcação do território. Só após esse processo o título de propriedade coletiva poderá ser concedido.
Além da Comunidade Quilombola Dezidério Felipe de Oliveira, ontem (30), o Incra também reconheceu e declarou como terras da Comunidade Remanescente do Quilombo de Cambará, uma área de 570 hectares no município de Cachoeira do Sul (RS), no Vale do Jacuí.
Fruto da aquisição, por parte de escravos libertos, de partes da então sesmaria da Palma, concedida pela Coroa Portuguesa a Manoel Gomes Porto, em 1797, a comunidade desenvolve hoje agricultura de subsistência e a criação de pequenos rebanhos.
O território foi ocupado por fazendeiros nas últimas décadas. Mas, no caso dessa comunidade, de acordo com informações do Incra os quilombolas posicionaram-se a favor da permanência no território de agricultores familiares não quilombolas que moram e exploram diretamente as propriedades. 
A próxima etapa da regularização fundiária de Cambará é a assinatura do decreto pela Presidência da República declarando as terras de interesse social. Depois, poderão ocorrer as retiradas da área de não remanescentes e a titulação da área.
Tags: federal, governo, portaria, quilombos, reconhecimento

Dilma anuncia os 14 ministros que faltavam

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Dilma anuncia os 14 ministros que faltavam 

A presidente escolheu um time praticamente sem mudanças

Jornal do BrasilMatheus Ferre*
A presidente reeleita Dilma Rousseff (PT) anunciou nesta quarta-feira (31/12) os últimos 14 nomes que faltavam para completar sua equipe de ministros para seu segundo mandato. Dos nomes escolhidos para as pastas, 13 já integravam a equipe da presidente, a única novidade é o diplomata Mauro Vieira, embaixador do Brasil nos Estados Unidos, que comandará a pasta das Relações Exteriores.
As escolhas da presidente reeleita estão sendo apontadas como mais pragmáticas em relação às suas principais mudanças, as pastas da economia e comércio exterior, com o intuito de voltar ao crescimento econômico que marcou seu primeiro mandato. A posse dos novos ministros será no dia 1º de janeiro.
A lista dos 14 nomes escolhidos por Dilma são:
- Advocacia-Geral da União: Luís Inácio Adams
- Assuntos Estratégicos: Marcelo Néri
Casa Civil: Aloizio Mercadante 
- Comunicação Social: Thomas Traumann 
Desenvolvimento Social: Tereza Campello 
- Direitos Humanos: Ideli Salvatti 
- Gabinete de Segurança Institucional: Jose Elito Siqueira 
- Justiça: José Eduardo Cardozo 
- Meio Ambiente: Izabela Teixeira 
- Micro e Pequena Empresa: Guilherme Afif Domingos 
- Políticas para Mulheres: Eleonora Menicucci 
- Relações Exteriores: Mauro Vieira 
- Saúde: Arthur Chioro 
- Trabalho: Manoel Dias
A presidente Dilma Rousseff anunciou nesta terça-feira (30) que o sociólogo Juca Ferreira será o novo ministro da Cultura. Dilma agradeceu a dedicação da ministra interina Ana Cristina da Cunha Wanzeler. 
Na segunda-feira, Dilma anunciou sete novos ministros. Segundo nota divulgada pelo Planalto, Antonio Carlos Rodrigues será o futuro ministro dos Transportes; Gilberto Occhi, da Integração; Miguel Rossetto, da Secretaria Geral; Patrus Ananias, do Desenvolvimento Agrário; Pepe Vargas, de Relações Institucionais; Ricardo Berzoini, das Comunicações. Além deles, também foi anunciado Carlos Gabas, para a Previdência.
Segundo a nota, Dilma agradeceu a dedicação dos ministros Francisco Teixeira (Integração), Garibaldi Alves (Previdência Social), Gilberto Carvalho (Secretaria Geral), Miguel Rossetto (Desenvolvimento Agrário), Paulo Bernardo (Comunicações), Paulo Sérgio Passos (Transportes), Ricardo Berzoini (Relações Institucionais).
A presidente Dilma Rousseff já tinha anunciado anteriormente os seguintes ministros;
Agricultura: Kátia Abreu (PMDB-TO)
Aviação Civil: Eliseu Padilha (PMDB-RS)
Cidades: Gilberto Kassab (PSD-SP)
Ciência e Tecnologia: Aldo Rebelo (PCdoB-SP)
Controladoria Geral da União (CGU): Valdir Simão (sem partido)
Defesa: Jaques Wagner (PT-BA)
Educação: Cid Gomes (PROS-CE)
Esportes: George Hilton (PRB-MG)
Igualdade Racial: Nilma Lino Gomes (sem partido)
Minas e Energia: Eduardo Braga (PMDB-AM)
Pesca: Helder Barbalho (PMDB-PA)
Portos: Edinho Araújo (PMDB-SP)
Turismo: Vinicius Lages (PMDB-AL)
Fazenda: Joaquim Levy
Desenvolvimento e Indústria: Armando Monteiro
Planejamento: Nelson Barbosa
Banco Central: Alexandre Tombini.
*Do Programa de Estágio do JB
Tags: dilma, economia, ministros, política, presidente

Brasil tem 202,7 milhões de habitantes, diz IBGE

País

Brasil tem 202,7 milhões de habitantes, diz IBGE

Portal Terra
O Brasil tem, atualmente, uma população de mais de 202 milhões de habitantes, de acordo com dados do InstitutoBrasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado foi divulgado na terça-feira no Diário Oficial da União. Em números absolutos, são 202.768.562 de pessoas, cerca de 12 milhões a mais do que o registrado pelo instituto no censo de 2010, representando um acréscimo de 5,9%.
A Região Sudeste é a mais populosa, com 85,1 milhões de habitantes. A região menos populosa é a Centro-Oeste, com 15,2 milhões de pessoas. A Região Norte tem 17,3 milhões de pessoas, enquanto o Nordeste tem 56,1 milhões. Já a Região Sul conta com 29 milhões de habitantes.
São Paulo é o Estado mais populoso entre os 26 da federação e o Distrito Federal, com 44 milhões de habitantes. Roraima é o menos populoso, com 496,9 mil habitantes. Apesar de ter o menor território entre as unidades da federação, com 5,7 mil km², o Distrito Federal contabiliza 2,8 milhões de habitantes.
As estimativas do IBGE são usadas para cálculos de indicadores econômicos como censos e também servem como parâmetro para a distribuição do Fundo de Participação dos Estados. O fundo é um repasse feito pela União de parte do dinheiro arrecadado com o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e o Imposto de Renda.
Tags: censo, estimativas, imposto, parâmetro, pessoas, união

Vilã ou melhor amiga? Como a imagem da motocicleta mudou ao longo do tempo.


  • por Roberto Agresti

    Vilã ou melhor amiga? Como a imagem da motocicleta mudou ao longo do tempo

    Propaganda da Honda nos anos 60 nos Estados UnidosNa virada dos anos 1950-1960 a imagem da motocicleta nos Estados Unidos ainda estava ligada à violência das gangues, das quais a mais notória eram os Hell’s Angels. Andar de moto e fazer arruaça, então, parecia ser algo indissociável para a maioria dos norte-americanos.

    Neste contexto uma pessoa dita “de bem” não poderia jamais considerar usar uma motocicleta como meio de transporte sem arcar com os danos à imagem. O cinema evidentemente explorou à exaustão este lado malvado dos motociclistas, sendo o mais notório destes filmes o estrelado por Marlon Brando, intitulado “The Wild One” - no Brasil, “O Selvagem" (relembre motos do cinema).

    Neste clima completamente antimotos a maior fabricante mundial já desde aquela época, a japonesa Honda, se instalou nos Estados Unidos. Corria o ano de 1959 e a empresa queria ampliar seus negócios, atuando diretamente no então maior mercado mundial para qualquer tipo de produto.

    Porém, o entrave não era apenas a motocicleta ser vista como um veículo de bandidos. Havia também um forte ressentimento ante tudo que era japonês, eco do ataque a Pearl Harbor na 2ª Grande Guerra. Apesar de derrotados, os japoneses ainda eram vistos como inimigos. Comprar qualquer coisa deles não passava pela cabeça de muitos americanos.

    o selvagem marlon brandoUma propaganda mudou tudo
    Da abertura da subsidiária em Los Angeles até 1963, quatro anos depois, a Honda literalmente “patinou” nos mercado norte-americano, com vendas baixas e grande dificuldade de se impor como marca de excelência no segmento já reconhecida em outras partes do planeta, como na Europa.

    Todavia, uma importante ação fez as vendas pularem da casa de 40 mil unidades/ano para mais de 200 mil em 1964. Na raiz deste impressionante salto estava a inteligente campanha de publicidade desenvolvida pela agência Grey, cujo slogan não poderia ser mais enfático: “You meet the nicest people on a Honda". Em uma tradução livre para o português, equivaleria a algo como “Você conhece as melhores pessoas em uma Honda”.
    Cartazes, páginas de revistas e demais peças publicitárias mostrando um casal inconfundivelmente americano – ele, uma espécie de James Dean, e ela, um clone de "Jeannie é um Gênio" – montados, felizes, em uma Honda Cub (antecessora da Honda C 100 Dream vendida nos anos 1990 no Brasil), mudaram a sorte da empresa nos EUA.

    Até a dona de casa
    A mágica de convencer os americanos que a motoneta “cavalo de batalha” da empresa, o modelo de duas rodas com motor recordista mundial de produção em todos os tempos (mais de 60 milhões de unidades foram feitas) era um bom presente de natal, de aniversário ou do que fosse, “colou”.

    Com um filme de 90 segundos (veja no YouTube) que estreou no intervalo da transmissão do Oscar de 1963, então o programa com maior audiência na TV americana, mostrando uma dona de casa indo ao supermercado ou ao encontro das amigas para o chá da tarde montada na Honda Cub, a América fez as pazes com a motocicleta. Ela passou a ser considerada um meio de transporte simpático, econômico e prático. O estereótipo de "veículo do mal", senão abolido, estava definitivamente redimensionado.

    No Brasil, a imagem é outra
    Gangues de motocicletas não foram ou são privilégio a América dos anos 1950 ou 1960. A tentação de ser ou parecer agressivo sobre uma moto ainda atrai muitos e povoa a imaginação de muita gente. Felizmente no Brasil, até bem pouco tempo atrás, motocicleta representava apenas um meio de lazer ou de transporte. Nada mais do que isso.

    Todavia, de uma década para cá, aos criminosos descobriram as vantagens da motocicleta para a prática de delitos de vários tipos. Ágil, fácil, rápida, com uma moto chega-se antes, e foge-se antes. Roubos, furtos e assaltos cada vez mais tem a motocicleta como coadjuvante.

    Outro fator que pesa contra a imagem da motocicleta entre nós, brasileiros, vem da má formação dos condutores de veículos, sejam eles motoristas e motociclistas.  Uma mal-educada guerra pelo espaço nas nossas cidades transformou em facções rivais quem faz uso de volante e quem faz uso de guidão. A irresponsabilidade de muitos motociclistas e motoristas tem matado, ferido e aleijado cada vez mais brasileiros. Consequência direta disso e de um momento econômico infeliz é a queda nas vendas das motos menores, chamadas “de entrada”, as mais acessíveis e baratas. Caem as vendas e aumentam, proporcionalmente, os que elegeram a moto inimiga da sociedade.

    À luz da razão a motocicleta não faz mal nenhum, assim como um faca afiada, uma arma de fogo ou uma banana de dinamite. Logicamente será o uso que for feito destes artefatos que determinará o bem ou o mal que eles causarão ao utilizador e à sociedade.

    A genial campanha de publicidade criada 50 anos atrás fez ver aos norte-americanos que japoneses e suas motos eram legais. No Brasil atual há necessidade premente de se entender que o uso de qualquer veículo, seja moto ou carro, demanda enorme responsabilidade.

    Há muito se constatou que o sistema de avaliação para a concessão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) é, especialmente para os motociclistas, pouco eficaz. Para melhorar esta realidade ruim, apenas a criatividade de publicitários não bastaria. À campanhas para o bom comportamento no trânsito deveriam somar-se a efetivas ações do poder executivo e legislativo e a colaboração de formadores de opinião e de toda a sociedade. Só assim poderíamos realmente “conhecer as melhores pessoas” seja ao guidão de uma moto, de um carro, bicicleta ou simplesmente andando a pé.
    (Fotos: Divulgação)
  • por Roberto Agresti

    Painéis tecnológicos podem atrapalhar a concentração dos motociclistas

    Motos - painel 1
    A tecnologia das motocicletas atuais está bem debaixo dos nossos narizes. Cada vez mais modelos têm painéis sofisticados, cheios de conteúdo e recursos variados. E eles estão longe de ser “enganação marqueteira". Oferecer um panorama fiel do comportamento dinâmico da motocicleta em telas de formatos e dimensões variadas é um dos grandes objetivos dos técnicos, cientes de que as novas geração de motociclistas irão se identificar com uma grande interatividade, como a disponível em smartphones e tablets. 

    Dados simples como velocidade e quilômetros rodados, coisa que qualquer painel de uma moto fabricada há 50 ou 30 anos atrás, já não bastam. A regra é oferecer muito mais do que a maioria deseja saber, e assim informar qual a média horária do último percurso, o consumo instantâneo e médio em km/l, a autonomia residual e um mais um calhamaço de informações sobre o motor – temperatura do líquido de arrefecimento e nível do óleo, pressão dos pneus e muito mais. Não importa se nada ou muito pouco disso tudo seja consultado pelo usuário: uma moto “top” que não ofereça essa multiplicidade de dados não merece ser chamada de “top”.
     
    Explorar a atual tecnologia para melhorar o nível de informação do motociclista é correto, e um bom exemplo vindo dos automóveis é oferecer sistemas de navegação por GPS nas motos destinadas aos viajantes inveterados. O mapa fixado ao tanque com fita adesiva ou a mais profissional, mas ainda assim precária, bolsa de tanque com plástico transparente protegendo o precioso roteiro das intempéries é, definitivamente, uma página virada.
    Painel de moto
    Cuidado com distrações
    A vantagem da facilidade de informação nos painéis das motos de maior calibre esbarra, porém, em um certo exagero. Na ânsia de trazer para as motocicletas o máximo da tecnologia disponível, alguns fabricantes parecem ter se descuidado da fundamental necessidade de dar prioridade à concentração na condução.
    Uma coisa é estar confortavelmente sentado no assento de um carro e acessar as inúmeras telas possíveis do computador de bordo. Outra é fazer isso ao guidão. As consequências de uma distração leve para um motorista e para um motociclista são bem diferentes.
    Quem escolhe a motocicleta como meio de locomoção, seja para transporte ou lazer, inegavelmente pertence a um grupo de humanos habilidosos. Ou ao menos deveria. Por mais simples ou altamente tecnológica que sejam, motos exigem bem mais de seus condutores (e não estamos falando do óbvio equilíbrio) do que veículos de quatro rodas. Por serem assim, hábeis, motociclistas tendem ao abuso constantemente. Sob este ponto de vista, por mais geniais que sejam os projetistas criando soluções de consulta por um mero deslocamento do dedo polegar, a teórica vantagem de ter a informação A ou B pode ser derrotada pelo desvio de atenção que isso exigirá.
    Painel de moto


    Novos botões
    De uma maneira geral, as motos com os painéis mais informativos, geralmente as Gran-Turismo ou as big-trail estilo “Adventure”, têm comandos nos punhos plenos de teclas e botões. Por mais experiente que seja o motociclista, o domínio desses comandos demandará tempo e… Desviar a atenção do principal, que é conduzir a moto de maneira segura e 100% concentrado na pilotagem.

    A motocicleta na origem tinha, na mão direita do motociclista, o comando do acelerador e do freio dianteiro. Logo alguém imaginou ser adequado colocar um botão que cortasse a corrente elétrica do motor, e assim nasceu o “engine stop”, dispositivo com dupla finalidade: a segurança de poder “cortar” a potência caso o acelerador trave aberto, por exemplo, ou para fazer a roda parar de girar em caso de tombo,  na azarada hipótese de o piloto ficar preso sob a moto. Agora, nesse mesmo punho direito apareceram o botão da partida elétrica, do seletor do “cruise control” (Honda Gold Wing), do aquecedor de manoplas (algumas BMW) ou o seletor do modo do câmbio automatizado (Honda VFR).
    Punho de moto
    Já no punho esquerdo, em que tradicionalmente a mão acionava apenas a embreagem, a buzina e o comando do pisca-pisca, hoje há também lampejador de farol, seletor do computador de bordo, liga e desliga do ABS, o seletor do comando de suspensões inteligentes, o controle elétrico da bolha para-brisa, o botão de acesso ao sistema de áudio e… Longa lista!
    Punho de moto


    Há de se comemorar que, cada vez mais, motocicletas facilitem a vida de seus usuários. Por meio de instrumentos destinados ao conforto, controle seguro do veículo e à informação geral, seja em aspectos dinâmicos e técnicos, seja sobre rotas a serem seguidas, há boa chance de tornar a vida ao guidão melhor. Mas é importante lembrar que exagero frequentemente leva a erros, e esses se pagam muito caro em um veículos que, repito, para ser conduzido com segurança, exige 100% de concentração, 100% do tempo.  
    *Fotos: Divulgação
SOBRE A PÁGINA
Roberto Agresti escreve sobre motocicletas há três décadas. Nesta coluna no G1, compartilha dicas sobre pilotagem, segurança e as tendências do universo das duas rodas.

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