Ianoni afirma também que as passeatas de sexta-feira mostraram o posicionamento dos trabalhadores de duas formas: “Em primeiro lugar, que eles [os trabalhadores] são contra a ruptura democrática e são completamente a favor do resultado das eleições de 2014. Os trabalhadores não estão apoiando nenhuma medida de “golpe branco”. Eles defendem a democracia e o resultado das eleições. E eles fizeram isso com uma representatividade boa." Na passeata da capital de São Paulo, na Avenida Paulista, a CUT estima que cerca de 100 mil pessoas participaram do ato. A Polícia Militar estima que cerca de 12 mil pessoas foram às ruas.
O segundo ponto proposto pelo professor é que os participantes, principalmente os trabalhadores, se opõem às políticas econômicas adotadas no segundo mandato de Dilma. “Devido às contradições de relações de força, os setores do mercado conseguiram emplacar dentro do governo Dilma um ministro da Fazenda. Os trabalhadores sabem que essa política econômica é resultado dessas relações de força. Os trabalhadores estão mostrando para a sociedade e os que apoiam essas políticas tomadas, que são contra. Tais medidas prejudicam os direitos trabalhistas.”
“O protesto de domingo vai ter outro perfil. Não vai ser o perfil social, popular. Espero que essas pessoas se comportem como os trabalhadores se portaram, com educação e não com a selvageria que demonstraram recentemente. Espero que seja sem tumulto, sem ofensas. Vamos ver se ele conseguem”, completou.
Já para Marcus Ianoni, as passeatas marcadas para domingo são as únicas de caráter exclusivamente direitista desde 1964. Ele lembrou que desde o segundo turno das eleições do ano passado, a tensão no cenário político tem se acirrado e que, após a vitória dos petistas, "a direita começou a se organizar na tentativa de dar um golpe." “Fora do território eleitoral, essa é a primeira vez que eles se organizam em uma passeata de rua. Em 2013, quando ocorreram as manifestações de junho, a direita se apropriou desses movimentos para tentar impor a sua própria agenda”, analisou.
Ambos os especialistas concordam que a crise econômica internacional produz adversidades para a economia do Brasil. No entanto, não existe, segundo Wadih Damous, um motivo para que isso resulte num impeachment da presidente Dilma. Segundo ele, diversos países no mundo vivem o mesmo período de crise na economia. No entanto, ele reforça que o que deve ser feito para consertar os problemas deve estar dentro da lei e dentro da Constituição. “O momento que vivemos é de crise econômica internacional. Diversos países no mundo inteiro têm vivido a mesma coisa que está se passando por aqui. Tudo isso tem que ser resolvido nos termos da democracia. Não existe nenhuma coisa fora do normal acontecendo aqui. A saída não é o golpe que estão propondo”, completou.
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