sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Polícia Federal apreende bens de Eike Batista em operação na casa do empresário Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/negocios/policia-federal-apreende-bens-de-eike-batista-em-operacao-na-casa-do-empresario-15262949#ixzz3QyiaRdsG © 1996 - 2015. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

Polícia Federal apreende bens de Eike Batista em operação na casa do empresário

Foram recolhidos documentos, celulares, relógios e carros, entre eles um Lamborghini de R$ 2,8 milhões e um Porsche

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RIO - A Polícia Federal apreendeu bens de Eike Batista, em operação na casa do empresário realizada nesta sexta-feira, no Jardim Botânico, no Rio. Foram levados seis carros, documentos, quadros e até o telefone celular do empresário, além de um piano e de R$ 80 mil, que, segundo Sérgio Bermudes, seu advogado, eram usados para despesas da casa:
Entre os automóveis apreendidos está o Lamborghini Aventador LP700-4, modelo 2012 — com 700 cavalos, que atinge até 350 quilômetros por hora e chega do zero aos 100 Km/h em apenas 2,9 segundos — avaliado em R$ 2,8 milhões e que decorava a sala do empresário. Também chegou à sede da PF no Rio o Porsche Cayenne de Eike, que custa entre R$ 600 mil e R$ 700 mil.
O Lamborghini Aventador LP700-4 em dois momentos: em cima de reboque, na Polícia Federal do Rio... - Gabriel de Paiva / O Globo
... e na sala da mansão do empresário Eike Batista no Jardim Botânico - Paulo Vitale / Divulgação
A ação foi determinada pela Justiça, para garantir o pagamento de indenizações em caso de condenação do empresário por crimes contra o mercado financeiro. Os bens de Eike e de sua familia foram bloqueados em decisão assinada pelo juiz Flávio Roberto de Souza, da 3ª Vara Criminal da Justiça Federal do Rio. A ordem abrange seus dois filhos mais velhos, de sua ex-mulher Luma de Oliveira e da mãe de seu terceiro filho, Flávia Sampaio. A ordem determina o bloqueio de R$ 3 bilhões em ativos financeiros e imóveis de Eike, Thor, Olin, Luma e Flávia.
— A decisão da Justiça Federal é de uma fúria brutal. O juiz Flávio Roberto de Souza está fazendo uma clara retaliação ao fato de termos questionado sua parcialidade na condução do caso. O processo ainda não foi julgado pelo Tribunal Regional da Justiça Federal (TRF).
Bermudes questionou o fato de a defesa do empresário não ter acesso à decisão que determinou o bloqueio de bens de Eike e familiares esta semana. E afirmou que os advogados criminalistas vão recorrer, mesmo sem ter conhecimento do conteúdo da decisão assinada pela Justiça Federal. O advogado frisou que a equipe da Polícia Federal agiu com cortesia no cumprimento da ordem de busca e apreensão.
— Nós vamos recorrer ao TRF. Não ficou dinheiro nem para comprar comida. O juiz calculou, não sabemos como, em US$ 3 bilhões o prejuízo causado por Eike a vítimas (da crise de suas empresas). Mas esse valor ainda não foi decidido. E só seria decidido depois de uma sentença condenatória transitada em julgado. Só aí essas vítimas poderiam propor uma ação para provar os danos sofridos — disse o advogado.
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A defesa de Eike alega que o juiz fez declarações indevidas sobre a ação penal em que o empresário é acusado dos crimes de manipulação de mercado e uso de informação privilegiada. Em dezembro, os advogados do criador do grupo X contestaram sua parcialidade para seguir conduzindo o processo. A ação ainda será julgada pelo TRF. Nesta quinta-feira, o magistrado declarou não haver impedimento a que ele mantenha os trâmites necessários à continuidade do processo.
O Porsche Cayenne do empresário que também foi levado à PF - Gabriel de Paiva / O Globo
BLOQUEIO CHEGA A R$ 3 BI
O empresário é réu em ação penal no Rio acusado pelos crimes de manipulação de mercado e uso de informação privilegiada (insider trading). O processo de julgamento do empresário teve início em novembro de 2014, quando foi realizada a primeira audiência. Há outras ações contra o criador do Grupo X, iniciadas em São Paulo, pelos crimes de insider trading, falsidade ideológica, indução do investidor ao erro e quadrilha ou bando.
No ano passado, o empresário teve bens bloqueados duas vezes. Na primeira vez, no início do ano, o pedido era de até R$ 122 milhões. Em setembro, em nova operação, o objetivo era bloquear R$ 1,5 bilhão, mas só foram arrestados R$ 117 milhões, que estavam depositados em debêntures (títulos de dívida). O empresário afirmou em entrevista ao GLOBO, na ocasião, que tinha patrimônio negativo de US$ 1 bilhão.


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