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quarta-feira, 9 de dezembro de 2015
Hoje às 09h11 - Atualizada hoje às 09h36 Delcídio recebeu propina da Alstom durante governo FHC, diz Cerveró Delação premiada de ex-diretor da Petrobras fala em propina de US$ 10 milhões
Realmente a corrupção existia no governo Fernando Henrique
Cardoso. Não só as declarações feitas pelo jornalista Paulo Francis, como agora
também a delação premiada de Nestor Cerveró confirmam isso.
Transcrevemos
a seguir, a matéria “Delcídio recebeu US$ 10 milhões de propina da
Alstom, diz Cerveró” publicada nesta quarta-feira (9/12) pelo jornal “Folha de S. Paulo”:
O ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró relatou aos
procuradores, na fase de negociação de sua delação premiada, que o senador
Delcídio do Amaral (PT-MS) recebeu suborno de US$ 10 milhões da multinacional
Alstom durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), entre 1999 e
2001.
À época, ele ocupava a diretoria de Óleo e Gás da Petrobras,
e Cerveró era um de seus gerentes. O ex-líder do governo no Senado foi preso no
âmbito da Lava Jato no dia 25, sob acusação de tentar obstruir a investigação
–ele prometera dinheiro a Cerveró para que seu nome não aparecesse na delação
do ex-diretor da estatal. Delcídio do Amaral recebeu propina de US$ 10 milhões da Alstom quando era diretor da Petrobras no governo FHC, diz CerveróO pagamento da propina ocorreu na compra de turbinas para
uma termoelétrica que seria construída no Rio, a TermoRio, por US$ 550 milhões.
A Petrobras tinha pressa em construir termoelétricas por causa do apagão que
ocorreu no governo de FHC entre 2001 e 2002. ENIGMA DECIFRADO
O repasse dos US$ 10 milhões foi intermediado pelo lobista
Afonso Pinto Guimarães, que cuidava dos interesses da Alstom no Rio, segundo a
versão de Cerveró.
Um documento apreendido pela Polícia Federal com o chefe de
gabinete de Delcídio, Diogo Ferreira, que também está preso, trazia as
seguintes inscrições: "Nestor, Moreira, Afonso Pinto" e
"Guimarães Operador Alstom BR pago p/ Delcídio".
A delação de Cerveró, que começou a depor na segunda (7),
esclarecerá o aparente enigma. Moreira é o ex-gerente da Petrobras Luis Carlos
Moreira da Silva, que está sob investigação da Lava Jato e participou do caso
das turbinas, segundo Cerveró.
A TermoRio, a maior termoelétrica do país movida a gás
natural, foi inaugurada em 2006 em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
O relato do suposto suborno pago a Delcídio pela Alstom
estará em um dos 36 anexos da delação do ex-diretor –cada um deles trata de um
caso específico de propina.
Cerveró confirmou que ele próprio recebeu suborno da Alstom
na compra das turbinas, em uma conta na Suíça. Para se livrar de um processo
criminal naquele país, o ex-diretor fez um acordo com procuradores suíços.
O valor da propina e a multa que Cerveró pagou às
autoridades suíças são mantidos sob sigilo.
A Folha revelou, em 2008, que havia suspeitas de pagamento
de propina pela Alstom na construção da TermoRio. Um empresário investigado
pela Polícia Federal relatara às autoridades que emprestou contas que tinha no
Uruguai para que a Alstom pagasse propinas de US$ 550 mil e € 220 mil para que
a Petrobras não atrasasse os pagamentos das turbinas.
Aparentemente, é um caso distinto daquele relatado por
Cerveró em seu acordo.
A Alstom é alvo de uma série de investigações em São Paulo,
sob suspeita de ter pagado propina em contratos com o Metrô, CPTM e empresa de
energia do governo de São Paulo, sempre em governos tucanos.
A empresa nega sistematicamente o uso de suborno para obter
contratos e diz seguir um rígido código de ética.
Cerveró já antecipou aos procuradores que tinha uma relação
de intimidade com Delcídio.
Segundo o ex-diretor, sem o apoio de Delcídio ele não teria
sido escolhido para atuar como gerente na diretoria de Óleo e Gás nem para
ocupar o cargo de diretor da área Internacional da estatal. OUTRO LADO
A Alstom vendeu a sua divisão de energia, que forneceu as
turbinas para a Petrobras, e não comenta o assunto.
A empresa que comprou a divisão da Alstom, a GE, afirmou, em
nota, que concluiu no último mês o negócio. Ela fez a seguinte declaração sobre
o suposto pagamento de propina a Delcídio do Amaral relatado por Nestor
Cerveró: "A GE não comenta especulações e reforça seu compromisso com a
integridade e cumprimento das leis".
O advogado Maurício Silva Leite, que cuida da defesa do
senador Delcídio do Amaral (PT-MS), não quis comentar o relato de Cerveró, sob
o argumento de que não conhece o depoimento.
Os advogados que cuidam da delação de Cerveró, Beno e Alessi
Brandão, também não quiseram comentar o relato de seu cliente sobre o suposto
pagamento de suborno pela Alstom.
A reportagem da Folha procurou Afonso Pinto Guimarães por
seis vezes nos telefones de sua casa no Rio de Janeiro e no celular, mas não
conseguiu contatá-lo. O jornal não conseguiu localizar a defesa do ex-gerente
da Petrobras Luis Carlos Moreira da Silva.
A Petrobras não quis se manifestar sobre o caso.
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