Moradores do asfalto têm visão preconceituosa em relação a favelas
Meirelles chamou a atenção para outro fato significativo nessa relação. “No Rio, encontramos muita gente que não disse explicitamente que morava em favela a seu patrão. É muito comum a gente encontrar casos de pessoas que dão uma enroladinha sobre o local onde realmente moram”.
Para Renato Meirelles, criou-se um estigma no país, relacionado à favela, de associar esse território à criminalidade, “que vem da origem da favela, que foi fruto da ocupação e da ausência do Estado”. A consequência disse foi o tráfico se colocar como poder paralelo, observou.
Segundo o presidente do Data Popular, a associação da favela com droga e violência é uma visão estereotipada que, muitas vezes, se alimenta de um conjunto de noticiários negativos vinculados às comunidades. Segundo ele, o retrato que os moradores do asfalto têm dos habitantes de favelas mostra um aspecto cultural.
Meirelles comentou que embora esses dados sejam alarmantes, eles seriam piores há dez anos. “Porque de dez anos para cá, você teve o processo de pacificação das favelas, teve novelas que passaram em favelas ou nas periferias, mostrando outro lado além da violência”. O livro Um país chamado favela, lançado no ano passado pelo instituto, colocou a favela no centro do debate eleitoral.
Até conseguir um emprego é mais difícil, observou, porque a maioria dos moradores de favelas é negra, há uma participação maior de mulheres como chefes de família e as mulheres ganham menos do que os homens. A escolaridade na favela é menor que no asfalto. “Ou seja, a favela tem muito menos oportunidades do que o asfalto para conseguir abrir o seu negócio, para conseguir um emprego de boa qualidade ou melhorar economicamente”.
A pesquisa completa será divulgada no 2º Fórum Nova Favela Brasileira, que ocorrerá no próximo dia 3 de março no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo. Durante o evento, será apresentada a íntegra de outra pesquisa inédita, feita com 2 mil moradores de favelas do Brasil em janeiro deste ano, que retrata a visão deles com relação aos moradores do asfalto, abrangendo ainda aspectos sobre como se divertem, o que consomem e o que compram no interior das favelas, entre outros dados.
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