Denunciada e sem apoio, protetora de cães em Manaus pode ter animais sacrificados
“Denunciaram o barulho, mas não é constante. Eles latem somente quando aparece uma pessoa estranha. Mas, depois que fiz o canil aqui em casa, a situação melhorou muito. E os animais nos protegem, porque anunciam quando tem alguma pessoa estranha. Antes, a praça dos Remédios não tinha muito policiamento”, afirmou a protetora.
Ela apontou que a denúncia foi feita ao CCZ por um homem que se apresentou como juiz da Vara de Meio Ambiente e que não teve o nome revelado.
Na terça-feira (3), ela disse ter recebido a visita de um funcionário do CCZ, informando-a que ela teria sido denunciada e teria um prazo de 30 dias para se livrar dos cães, caso contrário eles seriam enviados para o sacrifício. O funcionário teria dito também que ela poderia abrigar apenas dez animais.
“Ele chegou me intimidando, dizendo que chamaria a polícia, caso eu não o deixasse entrar em casa para retirar os animais. Falou também que eles seriam sacrificados porque o CCZ não é abrigo. Isso não é certo, eu disse para ele que o CCZ deveria fazer o trabalho que eu faço”, desabafou Mussa.
“Eu precisaria de um advogado para ajudar a salvar os bichinhos. Não posso deixar que sejam sacrificados. Sonho em conseguir um pedaço de terra para construir abrigo para eles”, afirmou.
Dívidas acumuladas
Por se sensibilizar com o sofrimento dos cachorrinhos nas ruas, ela tem acumulado dívidas na tentativa de salvá-los. “Peço ajuda e as pessoas no dia [de um resgate] tem pena e depois se esquecem do caso, e nós que queremos saber de salvar, ficamos com dívidas. A gente vai fazendo o que não pode salvar o animal”, ressaltou.
Há 27 anos, Tânia desenvolve trabalho de proteção aos animais. “Quando criança, sempre tive cachorro. Em São Paulo não fazia resgate, mas quando eles apareciam na porta de casa nos dias de chuva eu ajudava. Nesta época tive nove cães”, disse.
“Sem o apoio da população fica muito difícil. Somos uma média de 5 mil envolvidos com a causa, mas quando marcamos uma reunião com o prefeito, aparece meia dúzia, isso enfraquece o movimento”, lamentou.
Por Ive Rylo (Jornal EM TEMPO)
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