Por Jeferson Ribeiro
BRASÍLIA (Reuters) - A abertura de 21 inquéritos contra 49 investigados no Supremo Tribunal Federal (STF), entre eles vários integrantes das cúpulas de partidos aliados, vai aprofundar nos próximos meses a crise política vivida pelo governo Dilma Rousseff na avaliação de fontes do Palácio do Planalto.
Segundo as fontes, que falaram à Reuters sob condição de anonimato, o descontrole do governo sobre a base aliada continuará nas próximas semanas e o clima de desconfiança entre os parlamentares e o Executivo pode se aprofundar, apesar dos esforços recentes de Dilma e seus ministros para reaglutinar a coalizão e superar descontentamentos.
Entre os investigados há parlamentares do PMDB, do PT e do PP, entre os aliados. Políticos do PSDB e do PTB também serão alvos de inquéritos.
Dilma deve se reunir com seus principais ministros durante o fim de semana, segundo uma das fontes, para analisar os desdobramentos da operação Lava Jato, após a divulgação dos políticos que serão investigados. No domingo, o ministro das Relações Institucionais, Pepe Vargas, já foi convocado para uma reunião no Palácio da Alvorada.
Esse cenário de aprofundamento da crise política, na avaliação das fontes, trará mais dificuldades para aprovar medidas impopulares, como o endurecimento das regras para acessar o seguro-desemprego, o abono salarial e as pensões por morte, que buscam atender a necessidade de ajuste fiscal do governo e poderiam gerar uma economia de até 18 bilhões de reais por ano.
Um indício claro deste desdobramento político foi visto nesta semana, quando o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL), rejeitou uma medida provisória editada pelo governo e atrasou a aplicação de uma redução das desonerações tributárias para vários setores da economia, o que poderia gerar uma receita adicional ao governo de cerca de 14,6 bilhões de reais neste ano.
Nesta sexta-feira, o relator das investigações da operação Lava Jato no STF, ministro Teori Zavascki, abriu investigação contra Renan por formação de quadrilha, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
O peemedebista disse, em nota, que dará "todas as explicações à luz do dia e prestarei as informações que a Justiça desejar".
Nenhum comentário:
Postar um comentário