O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou unanimemente na noite passada uma resolução que traça o roteiro para um processo de paz na Síria, numa rara demonstração de unidade entre as potências mundiais.
O documento põe o selo da ONU num plano negociado em Viena em apelo a um cessar-fogo, início de conversações entre o Governo de Bashar al-Assad e a oposição, e um calendário de cerca de dois anos para montar um governo de unidade nacional e convocar eleições. Não avança, no entanto, quaisquer pistas quanto ao destino de Assad.
No entanto, os obstáculos ao fim da guerra civil na Síria, que já dura há cinco anos e fez pelo menos 250 mil mortos, continuam enormes. Nenhum dos lados tem condições para obter uma vitória militar. E as potências mundiais, apesar de terem conseguido chegar a acordo para votar esta resolução na ONU, continuam divididas sobre quem poderá representar a oposição, bem como qual poderá ser o futuro de Assad.
“O Conselho de Segurança está a transmitir uma mensagem clara de que chegou a altura de parar a matança na Síria e preparar os fundamentos de um Governo que o povo daquela terra que tanto sofreu possa apoiar”, comentou o secretário de Estado norte-americano, John Kerry.
A resolução também pede à ONU que apresente ao Conselho várias opções para monitorizar o cessar-fogo dentro de um mês. As conversações entre o Governo de Assad e a oposição, de acordo com o documento, deveriam arrancar no início de Janeiro – embora Kerry tenha dito que é mais provável que isso aconteça no fim do mês.
As dificuldades não desaparecem só porque foi aprovado este documento, reconheceu o ministro dos Negócios Estrangeiros, Frank-Walter Steinmeier, tendo ao seu lado o seu homólogo chinês, Wang Yi, que recebeu em Berlim. Nenhum de nós subestima as dificuldades e obstáculos que terão de ser suplantados para apagar o fogo da guerra civil na Síria."
"O acordo não é completamente inaplicável, analisando bem a realidade no terreno e o impasse sobre o destino de Assad", afirmou por seu lado Samir Nachar, membro da Coligação Nacional Síria, a principal força política da oposição no exílio, citado pela AFP.
Esta resolução do Conselho de Segurança "é um primeiro passo muito significativo, embora tenha muitas ambiguidades e persistam muitas ideias retrógadas", afirma Karim Bitar, director de investigação no Instituto Francês de Relações Internacionais. "Enquanto russos e americanos parecem dispostos a encontrar um modus vivendi, as potências regionais sunitas continuam a temer que este pragmatismo não garanta um status quo e permita que Assad se mantenha no poder, durante um período de transição demasiado longo", disse à AFP.
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