sábado, 16 de janeiro de 2016

“Regras europeias não podem mudar consoante o Governo que está em funções” Marisa Matias afirmou esperar que as instituições europeias não tenham “dois pesos e duas medidas” ao incluir o BANIF no défice de 2015, e lembrou que “Bruxelas tem que aprender de uma vez por todas que o que vale é a vontade democrática de quem vive neste país”.

Foto de Paulete Matos
Confrontada com as declarações do Ministro das Finanças, esta quinta-feira, que disse que a intervenção do BANIF “dificulta” a saída de Portugal do Procedimento de Défice Excessivo em 2015, Marisa Matias afirmou esperar que “Bruxelas não faça opções ideológicas” e mude “as regras consoante o Governo que está em funções é mais ou menos simpático para aquilo que ditam as regras de Bruxelas”.
Recorde-se que Marisa Matias já havia criticado, no início do ano, a forma de cálculo dos défices, em que o dinheiro dos contribuintes usado para salvar a banca não conta para o cálculo do défice, mas por exemplo os três mil milhões que faltaram ao serviço nacional de saúde já contam. Marisa criticava, assim, os critérios diferenciados estabelecidos por Bruxelas, aparentemente com base em opções ideológicas, usados como “uma absoluta desculpa apenas para continuar a política de austeridade em Portugal”.
Assim, se em nenhum outro país europeu, inclusivé Portugal, no caso do BES, se corrigiu o défice com base nessa intervenção, Marisa disse não esperar outra coisa senão que “as regras sejam as mesmas”.
"O défice, em outros períodos, em outras alturas, foi calculado a partir das instituições de Bruxelas tendo em conta um conjunto de critérios. Se olharmos para o que se passou com o BES verificamos que houve critérios que foram tidos em conta. Se olharmos para o que se está a passar com o BANIF já vemos que há uma tentativa de alteração das regras", explicou, denunciando que já "está a haver um tratamento muito diferenciado e muito desigual".
A candidata presidencial recordou, igualmente, que Bruxelas e Berlim estiveram “muito confortáveis com oito pedidos de resolução que não foram resolvidos relativamente ao BANIF”, deixando “que se arrastasse o problema da responsabilidade do Governo anterior até este Governo” tomar posse.
"A escolha dos portugueses foi acabar com a austeridade e votar em todas as alternativas que existiam em relação a um Governo que trouxe o ciclo de empobrecimento. Bruxelas tem que aprender de uma vez por todas que o que vale é a vontade democrática de quem vive neste país", concretizou.

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