sábado, 9 de janeiro de 2016

“Marcelo representa o país da velha política subserviente à finança" Numa sessão pública em Angra do Heroísmo, Catarina Martins falou das eleições presidenciais e das primeiras medidas aprovadas do acordo que viabilizou o governo. 9 de Janeiro, 2016 - 00:34h

Foto Paulete Matos
Catarina Martins interveio esta sexta-feira à noite numa sessão pública do Bloco de Esquerda em Angra do Heroísmo, onde fez o balanço das primeiras semanas da maioria parlamentar de esquerda, sem esquecer a campanha eleitoral que tem o início oficial nos próximos dias.
Referindo-se às intervenções de Marcelo Rebelo de Sousa sobre “um país divido” ou os “dois países” que resultaram do acordo entre o PS e os partidos da esquerda para formarem uma maioria parlamentar que viabilize um novo governo, Catarina diz que em Portugal existem de facto dois países. “Há um país subserviente aos interesses financeiros, o país da velha política em que se diz uma coisa e o seu contrário, que é representado por Marcelo Rebelo de Sousa. E há outro país, em que o que conta é defender quem vive do seu trabalho, quem trabalhou toda a vida, quem quer trabalhar, e a política que lhe pode responder é uma política de convicções claras e ideias coerentes”.  A conclusão é que este segundo país não podia estar mais longe de Marcelo, prosseguiu Catarina, lembrando tempos recentes em que o agora candidato apoiado pelo PSD e CDS dizia que o problema do país não era a austeridade, mas o facto de o anterior governo não saber explicá-la às pessoas.
A porta-voz do Bloco lembrou que Marisa Matias foi a única candidata a trazer clareza ao debate na campanha eleitoral, dando o exemplo da sua opção por não promulgar o Orçamento Retificativo, devolvendo-o para a Assembleia da República encontrar outra solução para o Banif diferente da imposta por Bruxelas.  “Proteger a Constituição significa ter uma voz forte contra os lóbis que querem instrumentalizar os países”, os mesmos lóbis que Marisa Matias tem combatido no Parlamento Europeu, em dossiers como a governação económica e o combate à fraude fiscal, acrescentou.
“Portugal só terá futuro se fizer uma recuperação de rendimentos”
Parte da intervenção da porta-voz bloquista nesta sessão na ilha Terceira foi dedicada à intensa atividade legislativa das últimas semanas para reverter medidas socialmente gravosas aprovadas pelo anterior governo. A este respeito, destacou a aprovação da reposição dos quatro feriados retirados pelo anterior governo como uma “condição essencial para respeitar quem trabalha e respeitar o salário”.
Também a proibição das execuções fiscais da habitação própria da família, uma proposta antiga do Bloco, foi aprovada esta sexta-feira no parlamento. “Quem já perdeu tudo não pode perder a casa”, justificou Catarina, acrescentando que as habitações de luxo ficam excluídas da medida agora aprovada.
“Quem ganha o salário mínimo ganhará mais no final deste mês, 91% dos contribuintes pagarão menos impostos com os cortes na sobretaxa, os funcionários públicos começam a ver os seus salários a ser repostos, com a garantia que estarão a 100% no final de 2016”.
No capítulo da educação, o fim dos “exames que não serviam para nada a não ser criar stress” e a sua substituição por testes de aferição foi “um passo muito importante” após quatro anos em que “Nuno Crato estilhaçou o consenso nacional sobre educação”, prosseguiu a porta-voz do Bloco.
“Portugal só terá futuro se fizer uma recuperação de rendimentos”, defendeu Catarina Martins, apresentando a diferença, embora “modesta”, dessa  recuperação que começa já a ser sentida: “Quem ganha o salário mínimo ganhará mais no final deste mês, 91% dos contribuintes pagarão menos impostos com os cortes na sobretaxa, os funcionários públicos começam a ver os seus salários a ser repostos, com a garantia que estarão a 100% no final de 2016”.
“Não podemos aceitar os ritmos que a Comissão tenta impor” para acudir à banca
Catarina Martins falou também da última fatura do sistema financeiro apresentada aos contribuintes: “a solução encontrada para o Banif foi ruinosa” e por isso o Bloco se opôs ao Orçamento Retificativo, explicou.
“O Bloco nunca estará ao lado de nenhuma das soluções que continuam a pôr dinheiro dos contribuintes a limpar bancos para privados”, defendeu Catarina Martins. No caso do Banif, “era preciso mais pressão junto da Comissão Europeia para que o banco ficasse na esfera pública”, e foi isso que o Bloco sempre defendeu junto do governo, acrescentou.
“Aceitarmos sempre os ritmos que a Comissão Europeia quer impor significa aceitarmos sempre a decisão mais imediata que apareça à Comissão Europeia”, que neste caso “pôs o Estado Português a capitalizar o Santander, que é o segundo maior banco europeu”, concluiu Catarina Martins.

Nenhum comentário:

Postar um comentário