No fim de semana deu uma longa entrevista à TSF mas, no dia seguinte, parecia que o tema de conversa tinha sido apenas um: a legalização da venda de drogas leves. O primeiro-ministro apressou-se a esclarecer que o assunto não constava do programa de Governo e que a ministra teria falado "a título pessoal".
Estava à espera de tantas críticas, na sequência das suas declarações?
Em primeiro lugar gostaria de esclarecer que, enquanto ministra da Justiça, estou vinculada ao Programa do Governo. Porém, tal não me impede de ter liberdade de expressão sobre um conjunto de outras matérias. Sou uma pessoa livre e tenciono continuar a sê-lo. O direito à liberdade de expressão é-me muito caro e não só não aceito a diminuição da minha liberdade, como não pactuo com a hipocrisia. Que tal sabermos a opinião de quem se limita a criticar a forma e evita falar da questão em si mesma? O que pensam?
O que está na base da sua convicção nesta matéria? Falou do combate ao crime organizado mas existem também outros argumentos?
A minha convicção pessoal sobre esta matéria resulta das múltiplas leituras, conhecimento e experiências no terreno, ao longo dos anos, e no que para mim é uma evidência: combate ao crime, por exemplo tráfico, branqueamento de capitais, criminalidade organizada, para além dos múltiplos dramas familiares e do uso terapêutico. Acresce que a venda ilegal destas substâncias, muitas vezes adulteradas com outros produtos, provoca problemas ainda mais graves de saúde. Mas, claro, estou a falar da venda regulada.
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