Estado angolano vendeu mais de 41 ME de dívida ao público na última semana
LUSA
Angola colocou no mercado na última semana, no segmento de venda direta de títulos ao público, mais de 4,9 mil milhões de kwanzas (41 milhões de euros) segundo dados do Banco Nacional de Angola (BNA).
De acordo com o mais recente relatório semanal sobre a evolução dos mercados monetário e cambial, a que a Lusa teve hoje acesso, no período entre 09 e 13 de fevereiro, o banco central colocou dívida no valor de 276,7 milhões de kwanzas (2,3 milhões de euros), em Bilhetes do Tesouro, neste segmento.
Esta dívida envolveu maturidades de 91 dias (taxa média de juro de 6,55 por cento), de 182 dias (7,57%) de 364 dias (8,02%).
Acresce a colocação, também ao público, de Obrigações do Tesouro em Moeda Nacional nas maturidades de dois e quatro anos, com taxas de 7% e 7,5% ao ano, no montante global de 4,7 mil milhões de kwanzas (39 milhões de euros).
A venda de dívida diretamente ao público, pelo banco central, foi introduzida este ano pelo Governo angolano.
O BNA acrescenta que para a gestão corrente do Tesouro Nacional, e enquanto operador do Estado, colocou no mercado primário, também na última semana, Títulos do Tesouro no montante de 36,6 mil milhões de kwanzas (305 milhões de euros), entre Bilhetes do Tesouro e Obrigações do Tesouro, com taxas de juro acima de 7% e maturidades entre os dois e os cinco anos.
Entre vendas ao público e operações regulares, o BNA colocou quase 350 milhões de euros em dívida pública entre 09 e 13 de fevereiro.
A Lusa noticiou a 10 de fevereiro que o Governo angolano prevê um endividamento público para 2015 a rondar os 20 mil milhões de dólares (17,6 mil milhões de euros), a captar também junto de investidores privados pagando juros que chegam aos sete por cento.
A informação foi transmitida em Luanda pela diretora de gestão da Dívida Pública angolana, Angélica Paquete, durante a sessão pública de apresentação do plano anual de endividamento púbico para 2015.
Este endividamento é necessário para garantir o financiamento do Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2015, compensando as quebras nas receitas petrolíferas, e distribui-se em partes iguais pelo mercado externo e interno.
"Introduzimos no exercício fiscal de 2015 a possibilidade de os investidores privados ou coletivos poderem aceder ao mercado primário [interno], poderem participar com as suas poupanças", apontou Angélica Paquete, questionada pela Lusa.
O acesso dos investidores privados pode ser feito através de Bilhetes de Tesouro, de prazos mais curtos e com taxas de juro que variam entre os 4,5% (a 91 dias) e os 6% (364 dias), num montante total a colocar pelo Estado equivalente a 402 mil milhões de kwanzas (3,3 mil milhões de euros).
Igualmente acessível a investidores privados através do BNA estão as Obrigações de Tesouro, com maturidades de 2 a 5 anos, e taxas de juro de 7%, descrita pelo Governo angolano como um dos mais altos retornos do mundo neste tipo de produto financeiro.
O Estado angolano espera arrecadar, nesta componente, mais de 480 mil milhões de kwanzas (3,9 mil milhões de euros) este ano, apesar da situação económica e financeira desfavorável no país, face à quebra nas receitas do petróleo.
"A dívida atual é sustentável, não há perigo nenhum. E vamo-nos manter dentro dos limites", disse, na mesma ocasião, o secretário de Estado do Tesouro, Leonel Silva.
PVJ // PJA
Lusa/Fim
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