Crise hídrica: em busca do tempo perdido
Especialistas destacam necessidade de providências imediatas para evitar crises piores no futuro
O especialista explica que a demanda per capta aumentou e a oferta dos reservatórios diminuiu. No entanto, para ele não é somente a falta de chuvas que justifica a queda das demandas. “Mesmo que as chuvas se regularizem, a capacidade de armazenamento está sendo muito reduzida ano a ano. É fundamental que isso seja revisto", disse o professor. Ele destaca a importância do gerenciamento. “A gestão, ofertas, usos múltiplos das águas, preservação e usos complementares devem ser trabalhados de modo prioritário”, disse.
Malu Ribeiro destaca que crises como essa servem para a população aprender e se adaptar a situações críticas. “Na visão da SOS Mata Atlântica, crises graves como essa levam a oportunidades, para fazer com que as pessoas e as autoridades acordem para o que estamos falando há mais de vinte anos”, disse. A política necessária, de acordo com Malu, para que as crises sejam amenizadas é a conservação das florestas e do meio ambiente.
O gerente de Águas Subterrâneas da Agência Nacional de Águas (ANA), Fernando de Oliveira, destacou também que, se as canalizações de transporte de águas fossem consertadas e apenas 15% das perdas no transporte fossem diminuídas, os ganhos para a população seriam notáveis. “Se você reduzir as perdas da rede e tratar o esgoto, se resolve praticamente todo o problema da crise, aumentando a oferta. Se diminuir 15% das perdas de água já melhora muito a situação. No entanto, esse investimento é caro e a longo prazo. É preciso trocar toda a tubulação, acabar com os chamados gatos. Conscientizar a população para a necessidade real do uso”, afirmou.
A ANA destacou que a seca da região Sudeste é a pior dos últimos 85 anos e que, independentemente das políticas públicas feitas, é necessário que se chova para que haja o reabastecimento dos reservatórios.
O gerente Fernando de Oliveira acrescentou que o Brasil tem utilizado as águas de aquíferos presentes no subsolo do nosso território. No entanto, explicou que a utilização dessa água por toda população é inviável. De acordo com o gerente, em algumas áreas as águas estão em posições muito profundas e cercadas por rochas cristalinas, ou seja, a perfuração seria demasiado cara para ser feita. No entanto, segundo ele, algumas áreas do país como Ribeirão Preto, em São Paulo, são completamente abastecidas por águas subterrâneas. “Se não tivéssemos utilizando essas águas subterrâneas, a situação no país seria muito pior. Setenta e dois porcento dos municípios de São Paulo são abastecidos também por águas subterrâneas”, disse Fernando Oliveira. “Se tivesse chovido na média nos últimos dois anos, os problemas não seriam tão graves. Não é possível colocar a culpa toda somente na gestão, São Pedro também não tem ajudado bastante”, afirmou.
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