quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Coronéis que defenderam a permanência de ex-comandante da PM pedem aposentadoria

PMDF/DivulgaçãoDivulgação/Polícia Militar

Em novembro do ano passado, um grupo de oficiais ameaçou ingressar na reserva caso Rollemberg exonerasse Florisvaldo Cesar após o atrito com o então secretário Arthur Trindade. Agora, 24 militares, entre coronéis e tenentes-coronéis, deram entrada no pedido do benefício. Boa parte deles é ligada ao ex-comandante


Em um tabuleiro de xadrez, as peças mais importantes são preservadas enquanto outras acabam sacrificadas. No jogo da segurança pública, a Polícia Militar também empreende seus movimentos estratégicos, mas sempre há um grupo que perde a disputa. A crise que colocou em lados opostos o antigo comandante-geral da PMDF, coronel Florisvaldo Cesar, e o então secretário Arthur Trindade custou a cabeça dos dois. Mas o episódio ainda ecoa na corporação e terá um novo desfecho em abril, quando seis coronéis deixarão a corporação. Entre eles, o próprio Cesar.
Eles fazem parte do grupo de oficiais que pediu ao governador Rodrigo Rollemberg (PSB), em 3 de novembro passado, a permanência de Florisvaldo Cesar no cargo. Dois dias depois, quem caiu foi Trindade. E Cesar se manteve no posto até 6 de janeiro, quando Rollemberg o tirou do posto. Pouco mais de um mês após o comandante-geral ser exonerado, os militares cumpriram a ameaça e entraram com pedido de aposentadoria.
Entre os oficiais que vão para a reserva estão os coronéis Glaumer Araújo, chefe do Departamento Geral de Pessoal (DGP); Marcos Aurélio Braga Reis, ex-corregedor da PM; Carlos Alberto Andrade do Nascimento, ex-titular do Comando de Policiamento Regional Oeste; e José Cláudio de Siqueira Carvalho, atual secretário de segurança adjunto. Florisvaldo Cesar (foto) e seu ex-subcomandante, o coronel Josias Seabra, também se aposentarão em abril.
Ao lado deles, 18 tenentes-coronéis deram entrada no pedido de aposentadoria. Dentro da estrutura da PM, esses oficiais são essenciais para o planejamento do policiamento ostensivo, já que grande parte deles ocupa o cargo de comandantes de unidade.
Segundo oficiais ouvidos reservadamente pelo Metrópoles, o grupo ligado a Cesar se sentiu escanteado na corporação. “Embora seja natural a saída de alguns deles, não há como negar que se trata de mais do que uma simples coincidência. Ainda assim, a corporação se ressente dessas aposentadorias, pois estamos falando de policiais qualificados que ainda poderiam contribuir muito com a PMDF”, disse um deles.
Spray de pimenta e truculênciaO episódio que deflagrou a crise entre o comando-geral da PM e a Secretaria da Segurança Pública ocorreu em 28 de outubro passado, quando o Batalhão de Choque foi acionado para dispersar uma manifestação de professores no fim do Eixão Sul. Na ocasião, foram usados sprays de pimenta e balas de borracha. Docentes ficaram feridos e alguns foram encaminhados à delegacia.
A ação foi classificada de truculenta e Arthur Trindade questionou a atuação da PM. Após se indispor com a corporação, pediu exoneração, em 5 de novembro. Na carta de demissão, Trindade disse que “a ação da PMDF contra os professores foi equivocada, do meu ponto de vista. Todos os especialistas que consultei foram unânimes em dizer que houve uso desproporcional da força e que não foram esgotadas as negociações. Pior, a ação foi dirigida diretamente pelo comandante geral, sem consultar o governador ou o secretário de segurança”.
Até então, Florisvaldo Cesar havia vencido a queda de braço. Mas em 6 de janeiro, quando Rollemberg anunciou o nome da nova secretária de Segurança Pública, Márcia de Alencar, o governador também anunciou a troca no comando da PM, com a entrada do coronel Marco Nunes no lugar de Florisvaldo Cesar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário