terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Até agora, apenas 322 refugiados foram recolocados em países da UE Perante a chegada de mais de um milhão de pessoas à Europa, fugidas da guerra e da pobreza, em 2015, a Comissão Europeia anunciou esta segunda-feira que foram recolocados 322 refugiados em 10 dos 28 Estados-membros da UE. Se for cumprido o acordado, ao todo serão acolhidas apenas 160 mil pessoas, sem que haja resposta para as restantes. 19 de Janeiro, 2016 - 00:01h

Uma mãe e os seus filhos em Berkasavo, atravessam a fronteira entre a Sérvia e a Croácia, esperando chegar a um sítio seguro na Europa. 27 outubro de 2015. Foto de Meabh Smith/Trócaire/Flickr.
No balanço divulgado esta segunda-feira, a Comissão Europeia indicou que viajaram dos centros de registo de Itália 240 pessoas para a Bélgica (6), Finlândia (87), França (19), Alemanha (11), Holanda (50), Portugal (10), Espanha (18) e Suécia (39).
Da Grécia foram recolocados 82 requerentes de proteção civil na Finlândia (24), Alemanha (10), Lituânia (4), Luxemburgo (30) e Portugal (14).
Assim, perante a atual crise humanitária que afeta mais de um milhão de pessoas fugidas da guerra e da pobreza, segundo os números divulgados pela ONU em dezembro passado, até agora o Programa de Relocalização de Refugiados da União Europeia apenas respondeu a 0,03 por cento do total de pessoas que chegou à Europa em 2015. Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, o ritmo de acolhimento está muito aquém do previsto e desejável.
Até agora, o Programa de Relocalização de Refugiados da União Europeia apenas respondeu a 0,03 por cento do total de pessoas que chegou à Europa em 2015.
A Comissão Europeia anunciou ainda que 683 pessoas foram repatriadas, sem direito a asilo, e já regressaram aos seus países de origem, nomeadamente Nigéria, Paquistão, Albânia, Geórgia, Kosovo, Arménia e Paquistão.
Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM) e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), 1.000.573 pessoas migrantes e refugiadas chegaram à Europa por mar, e quase 4 mil morreram na perigosa travessia marítima. Entre os que escaparam, a maioria veio da Síria e um quarto são crianças.
Depois de regatearem quotas, os Chefes de Estado da União Europeia comprometeram-se com o acolhimento de 160 mil pessoas, um número demasiado pequeno para responder à atual vaga de exilados, a maior desde a Segunda Guerra Mundial.
O anterior Governo de Passos Coelho tentou que a quota portuguesa fosse ainda mais pequena, mas acabou por ficar estipulado que Portugal irá receber 4500 pessoas refugiadas, vindas do Médio Oriente e África.
Refugiados aprendem português enquanto esperam autorização de residência
Portugal recebeu, a 17 de dezembro, o primeiro grupo de refugiados provenientes da Eritreia, Sudão, Iraque, Síria e Tunísia, que estavam nos centros de acolhimento da Grécia e de Itália. Este grupo é sobretudo formado por casais, existindo seis famílias com filhos menores e um bebé que foram acolhidos por instituições de Lisboa, Cacém, Torres Vedras, Marinha Grande, Penafiel, Ferreira do Zêzere e Alfeizerão.
Na quinta-feira, a diretora nacional do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), Luísa Maia Gonçalves, disse que um segundo grupo de refugiados, também vindos de centros de acolhimento da Grécia e Itália, deverá chegar a Portugal no final do mês de janeiro.
Os 24 refugiados que há um mês estão em Portugal já começaram a ter aulas de português e em breve, segundo o SEF, vão ter autorização de residência provisória que permitirá acesso ao mercado de trabalho.

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