quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Senado aprova MP que libera licitação em obra de segurança pública Texto autoriza que governos usem Regime Diferenciado de Contratação. Matéria também dá mais prazo para os fim dos lixões e segue para sanção.

O plenário do Senado aprovou nesta quarta-feira (21) a medida provisória que dispensa a administração pública federal, estadual ou municipal de fazer licitação para executar obras na área de segurança pública, como a construção ou reforma de presídios. O texto aprovado pelos senadores é o mesmo aprovado pela Câmara na última semana. Por isso, o texto segue para sanção da presidente Dilma Rousseff.
Os senadores mantiveram no texto a ampliação do prazo para que os municípios acabem com os lixões e os substituam por aterros sanitários, incluída pela Câmara.
A proposta autoriza que, como alternativa à licitação, seja usado o Regime Diferenciado de Contratação (RDC), pelo qual, ao contrário do que acontece em uma licitação, é possível contratar uma única empresa para realizar todas as etapas da obra, desde o projeto até a construção.
Os críticos ao modelo, porém, alegam que há uma simplificação extrema dos projetos, o que compromete as condições de concorrência entre os participantes do processo, além de dificultar o controle dos custos das obras.Esse modelo, entretanto, não permite a assinatura de aditivos contratuais, o que, segundo seus defensores, evita superfaturamento ao longo do processo. Outro argumento a favor do RDC é que a dispensa de licitação para cada uma das fases reduz os prazos e torna a contratação mais rápida.
Aprovado pelo Congresso Nacional em 2011, o RDC foi criado, inicialmente, para acelerar as obras ligadas à Copa e às Olimpíadas, mas acabou estendido para outras áreas da administração pública.
No texto da MP, os deputados também aprovaram um parágrafo que estende a contratação via RDC de obras nas áreas de mobilidade urbana e infraestrutura logística e de serviços de engenharia nos sistemas públicos de ensino.
'Jabutis'
O texto original enviado pelo Executivo ao Congresso tratava apenas da área de segurança, mas, na comissão mista (formada por senadores e deputados) que analisou a medida provisória, foram incluídos diversas emendas que não têm relação com a proposta inicial, os chamados “jabutis”, no jargão parlamentar.
Como a tramitação de uma medida provisória é mais célere do que a de um projeto de lei, os parlamentares costumam usar esse recurso para aprovar rapidamente textos de seu interesse.
Os 'jabutis' aprovados pela Câmara foram mantidos no Senado. O governo defendia que esses outros assuntos incluídos na MP não fossem mantidos no texto final. Agora, caberá à presidente Dilma Rousseff decidir se vetará trechos do texto.
Na última semana, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu proibir o Congresso de inserir em medidas provisórias regras não relacionadas ao texto original elaborado pelo Executivo. A decisão, entretanto, valerá para novas MPs e não invalida regras já aprovadas dentro daquelas já aprovadas pelo Legislativo.
Aterros
Por meio desses "contrabandos" na MP, os deputados aprovaram alterar a lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos e prorrogar até agosto de 2018 o prazo para que as cidades brasileiras se adequem às regras de gerenciamento de resíduos sólidos. De acordo com o texto anterior, o prazo terminou em agosto de 2014.
O texto também prorroga até agosto de 2016 a entrada em vigor do trecho da lei que determina que a elaboração de plano estadual e municipal de resíduos sólidos é condição para os estados os municípios terem acesso a recursos da União destinados a empreendimentos e serviços relacionados à gestão e manejo de resíduos sólidos. De acordo com o texto original, o prazo terminou em agosto de 2012.
Serviços terceirizados
No mesmo texto, foi aprovada uma alteração na Lei de Execução Penal que prevê que serviços complementares, como limpeza, informática e portaria, possam ser terceirizados. Segundo a emenda, a supervisão e fiscalização ficará a cargo do poder público. Funções de direção e chefia, assim como as atividades que exijam o poder de polícia, não poderão ser transferidas.
Outra emenda aprovada autoriza a renegociação de dívidas oriundas de operações de crédito rural e agroindustrial contratadas por produtores rurais e suas cooperativas, no âmbito do Proálcool.
Cartórios
Os deputados também aprovaram mudanças em normas de cartórios. As novas regras estabelecem o princípio da territorialidade, que determina, por exemplo, que, no caso do protesto de uma dívida, o registro seja feito inclusive na cidade de domicílio da pessoa que está com a dívida.

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