domingo, 18 de março de 2018

“Nas Minhas Pesquisas, Ciro Gomes Está No Segundo Turno”, Diz Rodrigo Maia








Os poucos mais de 1% de intenção de votos que apresenta nas pesquisas recentes são insuficientes para abalar a autoestima do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Lançado como pré-candidato do partido ao Planalto, Maia assegura que vai disputar a eleição de outubro, não havendo hipótese de, lá na frente, abrir mão do posto para negociar apoio à outra candidatura. “Pode gravar, sou candidato a presidente. Eu quero, respeitando certos erros do passado, representar o que a sociedade brasileira quer, a mudança.”
Por isso, não vê problema em ser um nome sem o apoio direto do governo. “O governo tem um candidato para defender o passado. Eu quero construir uma candidatura para um projeto no futuro.” Essa construção, segundo ele, passa pelo diálogo, que diz ter aprimorado ao exercer a presidência da Câmara, inclusive com o apoio de partidos de oposição. Na avaliação de Maia, Ciro Gomes é o favorito para chegar ao segundo turno. Jair Bolsonaro, por sua vez, não deverá ir tão longe.

O DEM já mudou de nome muitas vezes. Como se monta um discurso mais social do DEM?Primeiro a população não está nesse jogo de partido, ela quer saber o que os partidos pensam. O mais importante que precisamos construir é primeiro um programa para que, depois, esse programa possa lastrear uma candidatura no DEM, que seja a minha. O DEM é um partido que não tem origem em São Paulo, como tem PT e PSDB, na verdade, é o partido dos empreendedores médios. O DEM foi fundamental, e aí que falo do novo momento, os políticos da era da ditadura tinham a compreensão de que o Brasil queria mudança, então decidiram apoiar o Tancredo e eles comandaram a vitória do Tancredo no Colégio Eleitoral. Eles representaram naquele momento a novidade por dentro da política.
Mas, no âmbito nacional, sempre foi um partido de pouco voto. Por que seria diferente agora?Porque eu acredito que, da mesma forma que eles compreenderam que havia um novo ciclo e uma pessoa que representava com mais força, e tinha diálogo com os militares, era a melhor opção para comandar aquele grupo que comandou o Brasil até a entrada do presidente Lula. O PFL foi fundamental na sustentação das reformas do presidente FHC, até representavam mais que o próprio PSDB, através do presidente da Câmara Luiz Eduardo Magalhães. Então, tinha um papel ativo. Só que na hora em que FHC conseguiu implementar o Plano Real e se colocar como candidato, ele esvaziou os novos projetos, e aí começou o novo ciclo. Que poderia ter sido quebrado, ou representado pelo PFL na época pelo Luiz Eduardo, se ele não tivesse falecido.
Mas o PSDB não quer saber disso…Mas o ciclo está aberto, o PSDB, hoje, é o partido mais rejeitado do Brasil, o que contamina o governador Geraldo Alckmin. A pesquisa do meu ponto de vista inviabiliza o Geraldo, sendo um candidato vitorioso no segundo turno. Também não quero aqui ser injusto com o governador Alckmin.
Além do senhor, também tem querendo sair o Henrique Meirelles, Temer, Alckmin… Qual o risco de querer demais e acabar ficando de novo naquela dicotomia de esquerda versus direita? E perder para o Bolsonaro?Mas, nas minhas pesquisas, o Bolsonaro não vai nem para o segundo turno. Pelo que estou acompanhando, a minha projeção, ele terá dificuldade de estar no segundo turno.
Qual a projeção para o segundo turno nas suas pesquisas? O Ciro?De acordo com as minhas pesquisas de opinião, o Ciro estará no segundo turno. Acho que é o candidato mais forte para estar no segundo turno hoje, é claro que está todo mundo na pré-campanha… Acho que o governador Geraldo Alckmin, hoje, tem uma boa base em São Paulo por ser um bom governador. Mas as pesquisas infelizmente deixam muito claro, ele não vai vencer o segundo turno com o Ciro Gomes. Tanto que o Ciro Gomes quer o segundo turno com ele, porque ele sabe que vai vencer, porque a rejeição ao PSDB inviabiliza a vitória. Por isso o DEM resolveu colocar o meu nome. Falam muito: “Ah, vocês colocaram o nome pra negociar”. Negociar o quê? Tem alguma dúvida de que, se o DEM quisesse hoje fazer um acordo…”
O primeiro desafio é fazer que as pessoas acreditem que sua candidatura é para valer.Se eu quisesse hoje ir para São Paulo e colocar junto uma aliança do DEM, que a gente aceitava uma aliança indicando vice lá, se a gente dissesse o presidente da câmara Rodrigo Maia continuará deputado e terá apoio de vocês com a base da Câmara… Você tem alguma dúvida de que o PSDB apoiaria? A equação que as pessoas colocam é completamente equivocada. O DEM não precisa se cacifar para ter em julho o que já teria hoje. O que já tenho não precisava colocar o nome, correr o Brasil, conhecer. O que a pesquisa sinaliza, ou vamos construir um projeto que não é o do PSDB para derrotar o Ciro Gomes, que hoje é o que eu acho que tem mais chance, ou nós vamos entregar o Brasil a uma política que nós acreditamos que não é a melhor para o país. Agora, se tiver outro nome que surja já disparando e viabilizado, forte… É o processo, fiquei esperando aparecer. Não apareceu. Então, dentro da realidade de pesquisa, hoje a rejeição do meu partido e a minha dão a clareza de que se a sociedade compreende o que quero dizer e, assim, tenho muita chance de estar no segundo turno e tenho muita chance de sair vitorioso. Por isso o DEM colocou e eu aceitei a candidatura, de construir um projeto para o Brasil.
A chance de o senhor sair em outro cargo nas eleições é zero?Zero, nenhuma. Sou pré-candidato e serei candidato a presidente do Brasil. Pode gravar. E fico muito feliz porque não podia imaginar que ninguém, olhando a pesquisa com meu nome com 1% no máximo, vai dizer para mim que “vou com vocês de qualquer jeito”. Ouço muito “caminha, porque estaremos com você com certeza se você estiver viabilizado”. Agora, isso aqui é todo dia. Muitos partidos já deixaram claro, muitos parlamentares, prefeitos, amigos, pessoas, deixam claro: você viabilizado, estamos com você. Eu tenho certeza de que esse movimento, quando sinalizar que tem chance, e vai, a gente vai aglutinar um número de forças e vamos ter mesmo com poucos recursos a campanha com melhor capilaridade do Brasil. Vamos ter gente fazendo a nossa campanha em todos os estados brasileiros, na maioria dos municípios, de forma espontânea. Eu quero, respeitando acertos e erros do passado, representar o que a sociedade brasileira quer, que é mudança. E as primeiras começam na redução da máquina pública, seja do Legislativo ou do Executivo. E já deixo os primeiros exemplos: em dois anos economizei quase R$ 600 milhões na Câmara, e acho que a gente pode apresentar uma reforma administrativa para o próximo presidente, deixar esse legado.

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