Prefeitura de Charqueadas decreta calamidade por demissões na Iesa
Documento será enviado à Câmara para aprovação de vereadores.
Objetivo é liberar recursos municipais para trabalhadores demitidos.
A Prefeitura de Charqueadas, município da Região Carbonífera do Rio Grande do Sul, decretou estado de calamidade pública no final da manhã desta segunda-feira (24). O documento será encaminhado à Câmara Municipal à tarde. Os vereadores terão a missão de aprovar o projeto, assinado pelo prefeito Davi Gilmar Souza, autorizando a liberação de recursos municipais para auxiliar os mil funcionários que foram demitidos da fábrica da Iesa Óleo & Gás.
O prefeito da cidade entende que o decreto irá agilizar o processo de ajuda para atender as famílias dos trabalhadores. A administração municipal fará um cadastro dos funcionários que têm direito a receber dinheiro e outros benefícios, como vale-transporte. De acordo com Davi, a prefeitura também vai solicitar recursos do estado e da União pois não terá condições de arcar com os custos sozinha.
Uma nova reunião com o governo do estado será realizada na tarde desta segunda-feira (24) no Palácio Piratini para verificar se houve avanços em termos de ajuda financeira ou alguma sinalização de solução para o caso. Os integrantes do comitê de crise também deverão cobrar o vice-presidente Michel Temer (PMDB) que, segundo o sindicato da categoria, prometeu avaliar a situação.
Funcionários fazem vigília 'permanente'
Um grupo de aproximadamente 100 trabalhadores iniciou na manhã desta segunda-feira (24) uma vigília em frente à fábrica da Iesa Óleo & Gás, em Charqueadas, para protestar por uma solução contra a demissão em massa de funcionários da unidade da Região Carbonífera do Rio Grande do Sul. A manifestação é liderada pelo Sindicato dos Metalúrgicos (Sindimetal).
Um grupo de aproximadamente 100 trabalhadores iniciou na manhã desta segunda-feira (24) uma vigília em frente à fábrica da Iesa Óleo & Gás, em Charqueadas, para protestar por uma solução contra a demissão em massa de funcionários da unidade da Região Carbonífera do Rio Grande do Sul. A manifestação é liderada pelo Sindicato dos Metalúrgicos (Sindimetal).
O presidente da categoria, Jorge Luíz Silveira de Carvalho, afirma que o grupo deverá seguir no local 24 horas por dia enquanto não for atendido pela empresa. Eles reivindicam que a Iesa assegure os direitos trabalhistas dos funcionários demitidos.
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Justiça tenta notificar Iesa pela 4ª vez
Um oficial de Justiça também está na unidade à procura de algum representante da diretoria para cumprir a notificação do despacho da juíza do Trabalho Lila Paula Flores França, da Vara de São Jerônimo, que suspendeu da demissão em massa dos trabalhadores e determinou licença remunerada ao grupo.
Um oficial de Justiça também está na unidade à procura de algum representante da diretoria para cumprir a notificação do despacho da juíza do Trabalho Lila Paula Flores França, da Vara de São Jerônimo, que suspendeu da demissão em massa dos trabalhadores e determinou licença remunerada ao grupo.
Esta é a quarta tentativa de notificar a empresa. As outras três, durante o fim de semana, fracassaram. O despacho judicial foi emitido no sábado (22), menos de 24 horas depois da ação impetrada pelo MPT, e prevê multa de R$ 100 milhões em caso de descumprimento.
Iesa é investigada na Operação Lava Jato
A Iesa Óleo & Gás investiu R$ 100 milhões na construção da fábrica de Charqueadas para produzir módulos de plataformas de petróleo, em um negócio de R$ 1,3 bilhão com a Petrobras.
A Iesa Óleo & Gás investiu R$ 100 milhões na construção da fábrica de Charqueadas para produzir módulos de plataformas de petróleo, em um negócio de R$ 1,3 bilhão com a Petrobras.
A empresa, que tem mais de mil trabalhadores e gera outros cinco mil empregos indiretos, já enfrentava dificuldades financeiras, tendo entrado, recentemente, com pedido de recuperação judicial. Instalada no Polo Naval do Jacuí, a companhia rescindiu o contrato com a Petrobras, em uma decisão tomada pela estatal na última terça-feira (18).
O presidente da empresa, Valdir Lima Carreiro, e o diretor de operações, Otto Garrido Sparenberg, haviam sido presos pela Polícia Federal na operação Lava Jato. Eles são suspeitos de participar do esquema de pagamento de propina a políticos para obter contratos com a Petrobras. Os executivos já foram liberados.
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