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Monumento em homenagem aos mortos e desaparecidos políticos é inaugurado em SP
O monumento, concebido pelo artista e arquiteto Ricardo Ohtake, tem seis metros de altura por 12 metros de comprimento e é formado por diversas chapas de aço. Algumas dessas chapas foram pintadas de branco e nelas estão os nomes de 436 mortos e desaparecidos políticos de todo o país. As demais, de aparência enferrujada, significam os diferentes pontos de partida e trajetórias dos militantes. Transpassando a obra, uma lança perfura as hastes e representa as vidas perdidas durante a ditadura.
Presente ao evento, a ministra Ideli Salvatti, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, disse que o monumento “resgata a memória e a verdade” sobre o período. “Todo esse resgate é de fundamental importância para todos aqueles que não vivenciaram o momento. Resgatar a memória, a verdade e fazer justiça é de fundamental importância, principalmente para as novas gerações”, assinalou.
“Este é um momento muito importante, porque é um resgate da história do país para as novas gerações. É um símbolo para todos aqueles que lutaram pela democracia”, disse Adilson sobre o monumento.
Conforme Cristina, o monumento é importante para resgatar a “memória dos acontecimentos e da ditadura militar” e “para que a população, principalmente a mais jovem, saiba o que ocorreu”.
“O monumento é um marco histórico e também um compromisso de que a luta continua, porque a Comissão Nacional da Verdade não informará onde estão os corpos e quem os matou e nem responsabilizará os que mataram. Portanto, a luta continua”, observou Maria Amélia Teles, ex-presa política, integrante da Comissão Estadual da Verdade de São Paulo e membro da Comissão de Familiares dos Mortos e Desaparecidos.
Para o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, a instalação do monumento é representativa. “Muitos órgãos de repressão se instalaram na região do Ibirapuera, que, talvez, seja o parque mais visitado da cidade de São Paulo. É um gesto importante lembrar o que aconteceu em período relativamente recente da história do Brasil e evitar, definitivamente, que nossa liberdade seja comprometida. Esperamos um estado cada vez mais democrático, participativo, livre e que os cidadãos sejam cada vez mais críticos, participativos e soberanos. Para isso, só com eleições periódicas e imprensa livre”, acrescentou o prefeito.
Durante o discurso de Haddad, algumas pessoas, que vivem na região do Parque dos Búfalos, na capital paulista, protestaram contra aprovação de um empreendimento imobiliário no local. Eles pediram uma audiência pública, com a presença do prefeito, para discutir o projeto. Os manifestantes informaram que a construção destruirá o meio ambiente e as nascentes do Parque dos Búfalos.
Fernando Haddad adiantou que a audiência será realizada na próxima segunda-feira (15). Moradores da Favela do Moinho também protestaram durante a inauguração do monumento e cobraram a presença do prefeito na área. Eles reivindicaram instalação de redes de luz, água e esgoto e a reocupação organizada do terreno. Haddad se comprometeu a visitar o local na próxima semana.
Também participaram da inauguração Paulo Vannuchi, da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da Organização dos Estados Americanos (OEA), senador Eduardo Suplicy e Rogério Sottili, secretário municipal de Direitos Humanos, além de vereadores, deputados e membros das comissões municipal e estadual da verdade.
Tags: ditadura, homenagem, inauguração, tortura, vítimas
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