quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Enquanto Cruzeiro mostra força no campeonato de pontos corridos, Atlético-MG espanta fracassos em mata-matas e vira especialista no assunto nos últimos anos

26/11/2014 17h35 - Atualizado em 26/11/2014 17h35

Raposa regular x Galo copeiro: final expõe mudança de perfil dos rivais

Enquanto Cruzeiro mostra força no campeonato de pontos corridos, Atlético-MG espanta fracassos em mata-matas e vira especialista no assunto nos últimos anos

Por Belo Horizonte
A vitória do Atlético-MG sobre o Cruzeiro, por 2 a 0 (relembre a partida no vídeo abaixo), na primeira partida da decisão da Copa do Brasil, não significou apenas uma importante vantagem para o time alvinegro no jogo de volta. O resultado expôs uma mudança no perfil dos dois principais clubes mineiros, que começou a ser revelada no ano passado. O Galo, que historicamente se dava mal em competições disputadas no sistema de mata-mata, está mais forte neste tipo de torneio, tanto que conquistou a Taça Libertadores do ano passado e a Recopa deste ano. Por sua vez, a Raposa, um dos mais "copeiros" do Brasil, está se especializando nos pontos corridos: conquistou os dois últimos Campeonatos Brasileiros. Por outro lado, não vence um torneio mata-mata desde 2003, quando faturou a Copa do Brasil.

A conquista da Libertadores de 2013 deu fim ao longo jejum atleticano em copas. O time colecionava fracassos neste tipo de competição, caindo em disputas de mata-mata no Brasileirão, na Copa do Brasil e na própria Libertadores. Algumas eliminações foram traumáticas, como as finais do Campeonato Brasileiro de 1977 e 1980 e as semifinais de 1983, 1985, 1986, 1987, 1991 e 1997. 
"Efeito Cuca"
Ano passado, porém, a maldição acabou, e o Atlético-MG, enfim, venceu uma Copa. Na opinião do radialista Roberto Abras, que cobre o clube alvinegro há mais de 40 anos, vários fatores contribuíram para que o time aprendesse a jogar este tipo de torneio.
Cuca; Atlético-MG; Independência (Foto: Bruno Cantini / Site Oficial do Atlético-MG)Para jornalista, Cuca é responsável por mudança de estilo (Foto: Bruno Cantini/ Site Oficial do Atlético-MG)
- O Atlético-MG não sabia jogar o mata-mata. Mas com o Cuca o time aprendeu. Teve sorte. Adotou a postura, está fazendo o resultado. Mas a Arena Independência tem um peso muito grande na mudança dessa história. O time saiu de resultados adversos e conseguiu inverter, e isso foi mentalizado pelos jogadores, que levaram os jogos para o Mineirão e mantiveram a pegada que o time tem no Horto.
O escritor e jornalista Alexandre Simões, autor de seis livros sobre futebol, afirma que o perfil dos jogadores atleticanos nos últimos anos foi fundamental para a mudança.
- Isso foi muito mais de uma característica do grupo de jogadores do que qualquer outra coisa. A gente percebe que o Atlético-MG montou um elenco com espírito copeiro. Leonardo Silva, Victor, Marcos Rocha, Luan, Diego Tardelli. Enfim, a espinha dorsal do time se dá bem em copas. São jogadores de muita entrega e muita luta.
Do lado cruzeirense, a história é inversa. O time que era acostumado a vencer copas vem se dando melhor em torneios de pontos corridos. Os fracassos nas últimas edições da Libertadores e da Copa do Brasil contrastam com o sucesso nos pontos corridos. Desde 2003, a Raposa faturou três Brasileirões, posicionando-se ao lado do São Paulo como o maior campeão desta era.
Segundo Bob Faria, comentarista da TV Globo, o fato de o elenco do Cruzeiro ter sido montado para competições de tiro mais longo não o impede de fazer boas campanhas em mata-mata. Mas o imponderável pode atrapalhar.
Marcelo Oliveira Cruzeiro x Goiás, Mineirão. campeão 2014 (Foto: Douglas Magno)Marcelo Oliveira montou um time "apagado" no aspecto de luta, diz jornalista e escritor (Foto: Douglas Magno)



- Creio que o Cruzeiro dos dois últimos anos foi planejado e construído para ser um time de regularidade. Um elenco homogêneo, com mais recursos que outros para enfrentar competições longas.  Mas isso não quer dizer que não possa vencer mata-matas. É que neste tipo de competição o estado das equipes num determinado dia pode ser mais decisivo. Um dia bom ou ruim pode decidir tudo. Não há tempo de recuperação. As variáveis para um jogo apenas (ou dois) pesam mais do que em competições de regularidade. 
O jogo desta quarta-feira, no Mineirão, às 22h (de Brasília), vai decidir a Copa do Brasil. E, mais do que isto, vai confirmar a nova fase do Galo ou renovar a fama copeira da Raposa. O Atlético-MG saiu na frente. Mas o Cruzeiro segue vivo e confiante na conquista.

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