sábado, 28 de janeiro de 2017

Atingidos por rompimento de Fundão votam etapa de projeto para reconstruir Bento Rodrigues





Ex-moradores aprovaram desenho do novo distrito, tamanho e limites, além da distribuição das ruas.







mariana mapa



Ex-moradores do distrito Bento Rodrigues, devastado pelo desastre com a barragem da Samarco, em Mariana (MG), se reuniram neste sábado (28) em assembleia e aprovaram etapa do projeto urbanístico para a reconstrução do povoado. Foram definidos o desenho do novo distrito, o tamanho e limites, além da distribuição das ruas e quadras. Em 5 de novembro de 2015, a localidade foi destruída no desastre ambiental, que é considerado o maior do Brasil.
A assembleia foi conduzida pela Fundação Renova, criada pela Samarco para reparar os danos causados pelo rompimento da barragem. A votação foi acompanhada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio do promotor de Justiça Guilherme de Sá Meneghin. Os órgãos informaram que houve participação de 80% a 90% das cerca de 230 famílias atingidas no desastre.
Bento Rodrigues foi um dos distritos devastados pela lama de rejeitos da mineração
Segundo o promotor, neste momento, foram repassadas informações sobre a localização das casas e demais edificações, como posto de saúde e igreja, por exemplo. Um dos critérios considerados foi preservar a vizinhança existente antes do desastre. O promotor destacou que, após assistência técnica solicitada em ação movida pelo Ministério Público, foram contempladas alterações para atender reivindicações dos atingidos.
O terreno denominado Lavoura foi escolhido em maio de 2016. De acordo com a fundação, ele tem 66 hectares e fica a oito quilômetros de Mariana. O povoado destruído tinha 54 hectares e ficava a 23,5 quilômetros. Os lotes eram de tamanhos variados e passarão a ter, no mínimo, 250 metros quadrados. O terreno está localizado na estrada entre o antigo Bento e a cidade de Mariana, a cerca de nove quilômetros do distrito destruído pelo “mar de lama”.
“Foi ótimo. A vizinha vai continuar, vizinho com vizinho, por isso que a gente tá feliz. O projeto tem uma semelhança bem próxima do que era o Bento. A gente sabe que não vai ser igual, mas vai ter uma semelhança muito próxima”, disse José do Nascimento de Jesus, 71 anos, conhecido como Zezinho do Bento. Ele preside a Associação Comunitária de Bento Rodrigues e morava no distrito desde 1983. “Nossa ansiedade era por esta votação para avançar as coisas. Estamos cansados de morar na cidade, porque nós não gostamos”, completou. Atualmente, ele reside em um bairro de Mariana.
Conforme a fundação, o projeto aprovado considerou o que foi discutido com as famílias em encontros realizado em julho de 2016. O novo local deverá recuperar, ao máximo, as características originais e os aspectos patrimoniais, urbanísticos e culturais, sobretudo em relação à vizinhança. A comunidade também foi ouvida em encontros realizados neste mês de janeiro.
A reunião deste sábado (28), realizada no Centro de Convenções de Mariana, foi uma etapa do processo de reassentamento. A Renova informou que o próximo passo é o detalhamento de engenharia das casas, da rede de esgoto, das ruas, da terraplanagem, dentre outros. Documentos serão protocolados na Secretaria de Estado de Meio-Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SEMAD) para obter a licença ambiental. A expectativa da Fundação é que a terraplanagem tenha início no mês de julho.
A conclusão das moradias no novo Bento deve levar mais de dois anos. “O projeto arquitetônico, que vai definir como será a estrutura de cada casa, também precisa ser votado. A gente acha que até o início de 2018, o projeto arquitetônico já vai estar aprovado. A expectativa é que em março de 2019, as casas estejam prontas”, disse o representante do Ministério Público.

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