domingo, 15 de maio de 2016

Ascensão e queda do petismo: da “década da inclusão” ao impeachment

Afastamento de Dilma Rousseff coloca fim a um ciclo de 13 anos de petismo na presidência
BrasíliaLula ouve o discurso de Dilma Rousseff, após a presidenta ser afastada do Governo no dia 12 de maio. Lula ouve o discurso de Dilma Rousseff, após a presidenta ser afastada do Governo no dia 12 de maio. REUTERS
Quando na tarde de 1º de janeiro de 2003 o torneiro mecânico Luiz Inácio Lula da Silvase dirigia ao Congresso Nacional para seu primeiro discurso como presidente, oito de cada dez brasileiros acreditavam que seu Governo seria ótimo ou bom. O nível de esperança, palavra que havia se tornado seu lema na campanha, era o mais alto já visto em um início de mandato presidencial desde a volta da democracia. Depois de circular em um carro aberto cercado por simpatizantes e de ser agarrado até quase cair do automóvel, Lula deixava claro em sua fala seu objetivo pelos próximos anos: “Se ao final do meu mandato todos os brasileiros tiverem a possibilidade de tomar café da manhã, almoçar e jantar, terei cumprido a missão da minha vida”, afirmava, diante dos parlamentares e de milhões de brasileiros que acompanhavam pela TV a chegada do primeiro operário ao topo do poder federal.
O Brasil de 2003 estava em crise e queria mudanças. Fernando Henrique Cardoso, padrinho da estabilidade econômica vinda com o Plano Real, deixava um país com uma inflação de 12,53% acumulada no ano e um crescimento econômico que, às vésperas das eleições, mal passava de 1% no ano. Quase 30% dos brasileiros viviam na pobreza.
Lula chegava ao poder após três tentativas frustradas de vencer a disputa presidencial. Beneficiou-se não só do mau momento que a crise econômica trouxe para a oposição, mas de uma guinada na forma como o partido decidiu tratar a política. Primeiro, propôs ao empresariado, que temia a esquerda, um pacto que assegurava para o mercado um continuísmo na área econômica. Mergulhou no pragmatismo político, que antes condenava, para costurar as alianças que precisava para vencer. E se apoiou no fisiologismo do PMDB para obter maioria no Congresso e poder governar. Aliou suas habilidades de negociador adquiridas quando liderava as históricas greves sindicais da década de 70 com a expertise de políticos petistas como José Genoino e José Dirceu –nove anos depois, condenados no escândalo do mensalão, de compra de votos no Parlamento. O PT estava no auge. As pesquisas mostravam que o partido era o preferido dos brasileiros. O carisma de Lula em seus discursos inflamados agradavam o povo. Surfando na popularidade, ele conseguiu governar sem maiores sobressaltos no Congresso e pode começar a mudança social que prometeu.
Em 2010, último ano de seu Governo, os mais entusiastas se referiam a seu período na presidência como a “década da inclusão”. Por causa de políticas de distribuição de renda como o Bolsa Família, em 10 anos o país conseguiu reduzir em 45% o número de pobres e em 47% o número de extremamente pobres, segundo dados compilados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). No mesmo período, o Programa Luz para Todos, criado para levar energia elétrica para as áreas mais remotas do país, quase universalizou o acesso à luz elétrica no Brasil, tirando do escuro cidades como Queimada Nova, no rincão do Piauí, onde apenas 12,62% das casas tinham energia em 2000 –em 2010, eram 96%. Entre 2002 e 2012, a taxa real de aumento do salário mínimo ao ano foi de 5,26%, diante da redução anual de 0,22% ocorrida na década anterior, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).
A política anticíclica adotada na economia ajudou o país a passar sem sobressaltos pela crise econômica internacional. Estimulou a indústria nacional com a redução de impostos. Com isso, reduziu as taxas de desemprego e inundou o mercado com produtos. Facilitou o acesso ao crédito pessoal e impulsionou o consumo de uma nova classe média que surgia, alçada para fora da pobreza, especialmente no Nordeste do país. Entre 2001 e 2011, o número de domicílios com geladeira, por exemplo, havia subido 12% no país –no Maranhão, 52%; o dos que tinham máquina de lavar, 51% -190% em Alagoas; e o dos que tinham TV a cores, 16% - 51% no Piauí.
Diante da boa aceitação a seu Governo e do impacto positivo gerado pelo boom das commodities  na economia, não foi difícil para Lula, reeleito em 2006, emplacar sua sucessora, em 2010. Dilma Rousseff, sua ex-ministra, ganhou do padrinho político o apelido de mãe do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), um conjunto de obras de infraestrutura posta em prática pelo Governo. Em seu primeiro mandato, Rousseff conseguiu manter e ampliar as conquistas do antecessor. Em 2014, a ONU retirou o país do mapa da fome. Lula conseguia, assim, cumprir sua promessa inicial. Em dezembro deste mesmo ano, a taxa de desemprego atingia o menor índice histórico no mês.
Mas já em 2015, começou o lado B do projeto petista. A economia começaria a dar sinais de que as políticas anticíclicas foram mantidas por muito tempo. No final do ano, o dólar batia recordes e a inflação começava a voltar aos patamares do fim do Governo Cardoso. O desemprego já começava a voltar para a pauta brasileira, depois de uma década sem notícias dele.

GESTÃO PETISTA, EM NÚMEROS

Uma comparação dos principais indicadores e políticas publicas, desde antes do início das gestões petistas (2002), ao final da gestão Lula (2010) e agora
Inflação (IPCA-IBGE)
2002: 12,53%
2010: 5,91%
2016 (últimos 12 meses): 9,28%
Desemprego (IBGE)
2002: 10,5(dezembro)
2010: 5,3% (dezembro)
2016: 10,2% (trimestre encerrado em fevereiro)
Produto Interno Bruto (PIB) em US$
2002: 508 bilhões
2010: 2.209 trilhões
2016: 1.768 trilhões
% de pobres (linha do Governo federal)*
2002: 24,3%
2010: 15,20%
2016: (não disponível)
*indivíduos com renda domiciliar per capta inferior a 140 reais

difícil campanha que levou à reeleição de Rousseff, em 2014, aconteceu em meio a um cenário já tumultuado. A vida do brasileiro havia melhorado da porta de casa para dentro, mas a população exigia serviços públicos à altura dos impostos que pagava, como mostraram os protestos de 2013, que, já no fim, pediam condições melhores de saúde e educação. A condução econômica, vista como desastrosa por especialistas, desagradava o mercado, que rompeu o pacto feito com Lula anos antes. E a base petista nas ruas se encontrava combalida, depois de anos de paciência com um Governo que, em nome da governabilidade, não foi além na implementação das políticas progressistas –para agradar a bancada ruralista na Câmara, deixou de demarcar terras indígenas e de fazer reforma agrária; para agradar os aliados evangélicos, não defendeu o aperfeiçoamento da legislação sobre o aborto. Era o caldeirão perfeito para que o Congresso, que nunca tolerou a falta de tato político da presidenta, se rebelasse.
Nesta quarta-feira, ao sair do Palácio do Planalto com a presidenta mais impopular da história democrática do país, o PT fechou um ciclo de 13 anos, mesmo número de sua legenda, no poder federal. Sai envolvido em um novo escândalo de corrupção, ainda em plena investigação, tratado como o maior de que já se tem história no país. Terá que se reconstruir como partido se quiser ganhar, novamente, a confiança de parte da esquerda que se sentiu traída. Sua principal estrela, Lula, terá que conviver com o fantasma da prisão trazido pela Lava Jato, sem grande parte do capital político que já teve. E a população terá como legado um país que nos últimos anos se tornou socialmente mais justo, mas que ainda espera viver em uma nação melhor e mais ética.

Por Aguiasemrumo: Romulo Sanches de Oliveira

“Quando a filosofia chega, com sua luz crepuscular, a um mundo que declina, é porque alguma manifestação de vida está prestes a desaparecer. Não vem a filosofia para renová-la, mas apenas para reconhecê-la”.
Georg Hegel



Por Aguiasemrumo: Romulo Sanches de Oliveira

Todo esse mar de lama de corrupção, enriquecimentos ilícitos, nos dar a certeza da putrefação da política já que não existe ideologia. Um mandato parlamentar concede ao mau político a fazer negociatas com o erário público de interesses pessoais, sem o mínimo interesse com os sérios problemas e dificuldades enfrentadas pela nação, se esquecendo de que a pátria não é um sistema, nem uma seita, nem um monopólio, nem uma forma de governo; é o céu, o solo, o povo, a tradição, a consciência, o lar, o berço dos filhos e o túmulo dos antepassados, a comunhão da lei, da língua e da liberdade. O voto no Brasil precisa deixar de ser obrigatório, pois a democracia séria e justa contempla esses benefícios a todos que não se identifiquem com as propostas de candidatos.

“Provérbios 12,34. A Justiça faz a grande a Nação, o pecado é a vergonha dos povos.”

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