segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Diretora do FMI é julgada na França por suposta 'negligência'

Suposta negligência teria originado um importante desvio de dinheiro público quando era ministra da Economia. Julgamento começa nesta segunda (12).


Diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde. (Foto: AFP)
Diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde. (Foto: AFP)

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, será julgada a partir desta segunda-feira (12) na França por uma suposta negligência que originou um importante desvio de dinheiro público quando era ministra da Economia.
Lagarde pode ser condenada a até um ano de prisão e a pagar multa de 15.000 euros.
O julgamento deve prosseguir até 20 de dezembro.
"Tentei fazer meu trabalho o melhor possível dentro dos limites do que sabia", disse Lagarde, 60 anos, em uma entrevista exibida na televisão no domingo à noite.
"A negligência é um delito não intencional. Penso que todos somos um pouco negligentes em alguma parte da vida", completou.
A diretora-gerente do FMI será julgada por uma jurisdição excepcional, a Corte de Justiça da República (CJR), criada com o propósito de julgar os ministros e ex-ministros por delitos cometidos no exercícios de suas funções.
Desde que foi criada em 1993, a CJR condenou três membros do governo. No início do mês, a justiça francesa condenou o ex-ministro da Fazenda do presidente socialista François Hollande, Jérôme Cahuzac, por fraude fiscal e lavagem de dinheiro.
Lagarde, ex-ministra da Economia da França (2007-2011) durante a presidência de Nicolas Sarkozy, é acusada de "negligência" na gestão de um caso que envolve o empresário e ex-ministro socialista Bernard Tapie.
Este último considerava ter sido prejudicado pelo banco público Crédit Lyonnais durante a venda da marca esportiva Adidas em 1994.
Christine Lagarde sempre afirmou que atuou de "boa fé" e sua defesa anunciou que solicitará o adiamento do julgamento.
Para resolver a disputa judicial iniciada por Tapie contra o banco, o ministério da Economia optou em 2007, contra o critério de um órgão consultivo, por recorrer a uma arbitragem privada.


Em 2008, os três juízes arbitrais concederam a Tapie uma indenização de 404 milhões de euros, procedentes de fundos públicos.
Mas a justiça civil anulou a sentença arbitral no início de 2015, por considerar que ocorreu uma fraude. Tapie foi condenado a devolver os 404 milhões de euros.
A justiça francesa acusa Lagarde por "negligência e precipitação" no caso, que "privou o Estado de uma oportunidade de evitar o desvio dos fundos".
Em sua alegação, ela afirma que o recurso da arbitragem foi preparado antes de sua entrada no governo e que não tinha relações pessoais com os personagens do caso.
De fato, Lagarde não atuou na escolha, muito polêmica, dos árbitros.
Lagarde, que foi reconduzida este ano para o comando do FMI, informou que tiraria uma licença da instituição durante o julgamento.





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