A deputada era vista constantemente pelos corredores e interferia na composição de cargos comissionados, revela site

07/02/2018 19:53 , atualizado em 07/02/2018 20:21
Em relato para o site Poder360, pessoas de alto escalão do Ministério do Trabalho afirmam que a deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ) já mandava na pasta antes mesmo de ser indicada pelo presidente Michel Temer para o cargo de ministra do Trabalho. Segundo as fontes ouvidas pelo site de notícias, a parlamentar era vista constantemente pelos corredores do edifício sede, em Brasília, e interferia na composição de cargos comissionados.
Além disso, diz a reportagem, Cristiane também costumava indicar pessoas para posições estratégicas no órgão e teria sido responsável pelo remanejamento de desafetos. Essas medidas aconteceram ainda na época em que Ronaldo Nogueira era ministro. Nogueira é do PTB e deixou o posto em dezembro.
Depois da indicação, no começo deste ano, a influência da deputada aumentou, relataram os funcionários da pasta. O ministro interino Helton Yomura é amigo pessoal de Cristiane e trabalhou como assessor e advogado dela em vários momentos, desde quando a parlamentar respondia por uma secretaria de Estado no Rio de Janeiro, informa o Poder 360.
De acordo com a reportagem, uma das medidas que mostram a mão forte de Cristiane são os cortes no setor de combate ao trabalho escravo. Nas últimas semanas, uma operação que iria resgatar trabalhadores escravos no Acre foi cancelada por falta de passagens aéreas. “Foi Yomura quem questionou a compra de sete passagens e impediu a ação”, revela o site.
Ministério do TrabalhoNo início do mês passado, o nome de Cristiane Brasil foi apresentado por seu pai – o presidente do PTB, ex-deputado federal, delator e condenado no Mensalão Roberto Jefferson – a Michel Temer como escolhida da sigla para assumir o cargo de ministra do Trabalho. O presidente da República acatou a sugestão. A nomeação da deputada foi publicada no Diário Oficial da União, mas a posse foi cancelada duas vezes por interferência judicial.
Uma associação de advogados trabalhistas ingressou com ações para barrar a posse da parlamentar porque a futura ministra tem condenação na Justiça do Trabalho por conta de salários e direitos não pagos a um ex-motorista. O caso está, agora, no Supremo Tribunal Federal (STF): a presidente da Corte, ministra Carmén Lúcia suspendeu provisoriamente a transmissão do cargo para Cristiane Brasil até que o plenário se reúna e decida sobre o mérito da questão. A Advocacia-Geral da União (AGU) e a própria deputada têm apela, mas não conseguiram ainda que Cristiane Brasil seja efetivada ministra.
Na última semana, Cristiane Brasil divulgou um vídeo que fez em um barco, acompanhada por quatro homens sem camisa, onde afirmava que “qualquer um pode pedir qualquer coisa na justiça” e negava ter cometido um crime ou infração. O vídeo causou constrangimento ao Palácio do Planalto e ao PTB – o próprio Roberto Jefferson criticou duramente a filha pela postagem. No último domingo (4/2), um áudio da parlamentar ameaçando demitir subordinados caso não se elegesse para a Câmara dos Deputados complicou ainda mais a situação de Cristiane.
No início de janeiro deste ano, a parlamentar foi alvo de outra polêmica, envolvendo, dessa vez, uma viagem de Ano-Novo a Fernando de Noronha. A deputada hospedou-se com um grupo de amigas no hotel de trânsito da Força Aérea Brasileira (FAB) durante a virada do ano. A excursão é atualmente objeto de investigação do Ministério Público Federal de Pernambuco (MPF-PE).
Apesar dos desgastes, tanto o PTB quanto o Palácio do Planalto mantêm a indicação de Cristiane Brasil à pasta do Trabalho, que permanece sem titular.

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