quinta-feira, 30 de março de 2017

Operação da PF contra Picciani e membros do TCE adia votação de resgate a estados em Brasília






CRISE NO RIO

Após a operação "Quinto do ouro" ter prendido preventivamente 5 conselheiros do Tribunal de Contas do Estado do Rio, além de levar Jorge Picciani (PMDB), presidente da ALERJ, para depor sob condução coercitiva, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, adiou a votação do pacote de resgate aos estados prevista para ocorrer hoje.
@fepardal




Picciani é um dos grandes caciques regionais do maior partido de oligarquias no Brasil, o PMDB. Cumprindo o quinto mandato na Assembleia Legislativa do Rio, Jorge Picciani tinha como encargo de sua atual presidência na casa conduzir a aprovação de ataques imensos aos direitos dos trabalhadores, da juventude e do povo pobre do Rio para fazer com que os de baixo paguem pela crise criada pelos capitalistas e seus governos.
Atuando com um centro de gravidade político próprio, Picciani chegou a disparar em diversos momentos críticas ao governo de Pezão, seu colega de partido, dizendo que o governo era "frouxo" e incapaz de conduzir até o fim os ataques necessários, chegando mesmo a aludir à possibilidade de impeachment.
Por isso mesmo, a operação "quinto do ouro", que nessa manhã levou o deputado para depor coercitivamente, abalou os planos de votar o pacote de resgate aos estados em Brasília.
O "resgate" acordado pelos governadores dos estados onde a crise atinge mais fortemente - Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais - com Pezão, governador fluminense, cumprindo papel de destaque, na verdade é um agravamento ao ataque aos trabalhadores nos estados. Inclui não apenas ataques já previstos pelo governo de Pezão, como o aumento da contribuição previdenciária dos servidores, mas também novos ataques impostos pelo governo Temer, como a privatização de empresas públicas (entre as quais a primeira a ser aprovada foi a da CEDAE - empresa de saneamento do Rio cuja privatização foi aprovada na ALERJ sob o comando de Picciani).
Essas seriam as contrapartidas dos estados para o "favor" do governo federal de suspender temporariamente o pagamento da dívida pública dos estados. O primeiro projeto, que Temer tentou aprovar sem sucesso no fim do ano passado, previa o prazo de três anos. Agora, o prazo passou para até seis anos.
Essa semana, a bancada mineira do PMDB exigiu novas mudanças, pois quer oferecer estradas e aeroportos para a privatização ao invés da companhia de saneamento e eletricidade. Tudo parecia certo para aprovação após os novos acordos, até a manhã dessa quarta, 29, o dia da votação.
A operação da PF escancara, mais uma vez, a corrupção estrutural que há no estado capitalista: o PMDB está envolvido até o pescoço, mas também membros do judiciário, os conselheiros do Tribunal de Contas do Estado, que deveriam fiscalizar para evitar fraudes nas contas do estado, mas que recebiam propina para fazer vista grossa com irregularidades em diversos setores, como o de transporte.
A revolta popular com os políticos que evidentemente vem à tona em momentos assim fez o cauteloso Rodrigo Maia, presidente da Câmara, segurar o projeto de resgate. Votar novos ataques a servidores públicos no mesmo dia em que vem à tona novos escândalos de corrupção dos privilegiados membros do legislativo e judiciário pareceu um pouco arriscado demais.
Nós, que somos atacados para preservar os lucros e privilégios desses parasitas da laia de Picciani e dos empresários que subornavam os membros do TCE, não devemos esperar nenhuma saída para a corrupção por parte da Polícia Federal ou do Judiciário. São apenas outra face desse sistema político podre e corrupto, que inevitavelmente está a serviço dos capitalistas. Somente a ação política independente dos trabalhadores pode exigir a estatização de todas as empresas envolvidas em corrupção, o confisco de seus bens, e a fiscalização de todas as contas pelos trabalhadores e usuários, que são os verdadeiros interessados em que os serviços públicos atuem em nosso benefício.










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