quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Movimento na internet pede a separação do DF do restante do Brasil


Giovanna Bembom/Metrópoles



Batizada de Movimento Brasília Independente, página no Facebook recebeu apoio e muitas críticas





Depois de São Paulo querer a independência do restante do país, e do mascote “Sulito” virar piada na internet no início deste ano, agora é a vez de a capital do país começar um movimento separatista. Uma página no Facebook criada na terça-feira (17/1) se chama Movimento Brasília Independente.
Na foto de capa, a conta traz a frase “Por uma Brasília Livre do Brasil”. Na descrição, os autores afirmam que “Brasília merece seu próprio presidente ou primeiro-ministro”, e que lutarão para que o “Distrito Federal se separe do Brasil e seja um estado autônomo”.
Até a noite de quarta (18), a página tinha apenas 41 curtidas. Nas publicações, havia comentários apoiando o movimento e até mesmo sugerindo o uso de armas. No entanto, a maioria das pessoas que escreviam nas postagens criticava o movimento e fazia chacota da proposta.
Metrópoles tentou conversar com os fundadores da página, mas quem respondeu on-line disse que tudo ainda é “embrionário, polêmico e controverso”. Por isso, o movimento estaria “resguardando as identidades em um primeiro momento”.
DIVULGAÇÃODivulgação
Sulito, mascote do movimento separatista do Sul do país, virou piada na internet
Ainda por meio da página no Facebook, os criadores não quiseram definir como são as pessoas que os seguem. “Podemos dizer que há homens e mulheres, moradores do Distrito Federal, alguns universitários, outros trabalhadores”, afirmaram.
Questionados sobre as metas do movimento, também foram vagos: “O objetivo da página é fazer um manifesto e lançar um movimento. Nós queremos mostrar que o Distrito Federal e Brasília podem muito mais”.
O porta-voz do Movimento Brasília Independente acredita que o grupo vai crescer. “Somos um movimento apartidário, pois não confiamos nos partidos existentes. Queremos ainda convocar as pessoas para o debate. Temos certeza de que convenceremos os brasilienses, ao longo do tempo, a se unirem a nossa causa”, completou.
Com o apoio dos brasilienses achamos que será possível (fazer a separação), apesar de que ainda há muita luta pelo caminho"
Movimento Brasília Independente


Falta até agulha em unidades da rede pública de saúde do DF






Rafaela Felicciano/Metrópoles


Metrópoles teve acesso a mensagens trocadas entre servidores de São Sebastião e Brazlândia. Em alguns locais, não há seringas também








O caos e o desabastecimento de materiais médicos nos hospitais públicos do Distrito Federal chegaram a um patamar inimaginável: faltam agulhas para a aplicação de medicamentos e procedimentos básicos de saúde. O Metrópoles teve acesso à troca de mensagens entre servidores de unidades de São Sebastião e de Brazlândia relatando o problema.
Para cada tipo de procedimento e dependendo do paciente (adulto, criança ou idoso) é utilizado um modelo de agulha, com cores e calibres diferentes, variando de 0,30mm a 1,65mm. De acordo com as conversas entre os funcionários, na falta de um item específico outro está sendo utilizado no lugar, para que pacientes não fiquem sem atendimento.


Em um dos trechos da conversa, uma servidora comenta que as agulhas em Brazlândia acabaram. “Aqui só dizem que está esgotado”. Outra faz menção à medida das agulhas que estão em falta e o sofrimento de alguns pacientes após terem que usar agulhas fora do padrão necessário. “O 24 pra adulto é uma brincadeira. E o 18 para algumas veias é um arrombo!”, disse.



A presidente do Sindsaúde, Marli Rodrigues, afirmou que os servidores que trabalham nos hospitais públicos do DF precisam driblar a falta de materiais, muitas vezes improvisando para evitar que a população fique sem assistência. “Muitas vezes a falta de um determinado insumo pode resultar em um risco à vida do paciente. Estamos acompanhando de perto essa denúncia da falta de agulhas”, disse.
Alguns servidores dizem que os problemas vão além das agulhas e há falta, também, de seringas, que estariam sendo até reutilizadas na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) de São Sebastião. Situação de risco, que aumenta a chance de contaminação. Máscaras e capotes descartáveis também estão em falta na unidade.
Na UPA, por exemplo, só estariam disponíveis seringas de 5ml. Um servidor que trabalha na unidade relatou que auxiliares de enfermagem estão tirando a agulha da seringa para encaixá-las em outras.
“Estão tirando a agulha da seringa de 5 ml, pois é a única que tem. Em seguida, utilizam a agulha em seringas de outras medidas. Reutilizam a seringa depois de lavar”, contou o funcionário, que pediu para não ter o nome divulgado com medo de represálias. Ele garantiu, entretanto, que não há reutilização das agulhas.
Risco totalDe acordo com o médico sanitarista Gustavo Loiola, o risco de contaminação é total quando seringas são reutilizadas, mesmo sendo lavadas após o procedimento. “Em um ambiente hospitalar onde o risco de contaminação está presente a todo instante, usar a mesma seringa em pacientes diferentes é extremamente perigoso, pois resquícios de sangue podem permanecer no reservatório da seringa”, alertou.


Médicos ouvidos pela reportagem também alertam para o perigo da utilização de agulhas de calibres diferentes daqueles específicos para adultos em crianças, por exemplo.
O outro lado
Procurada pela reportagem, a Secretaria de Saúde reconhece que o estoque de agulhas calibre 25 e cateteres flexíveis jelco (agulha mais comprida e de plástico) está baixo, mas ainda há insumos para uso no Hospital Regional de Brazlândia. “A Superintendência da Região de Saúde Oeste abriu processo de compra por PDPAS para que a unidade não fique desabastecida. Paralelamente a isso, tramita na secretaria a compra desses insumos para abastecimento total da rede”, informa a pasta.
Ainda de acordo com a nota de esclarecimento, a secretaria explicou que na UPA de São Sebastião, os servidores utilizam as seringas calibre 3, 10 e 20 e que o cateter flexível jelco ainda está disponível para uso nos pacientes.
Em relação aos capotes e máscaras, a secretaria ressaltou que a rede tem capotes de tecido em estoque e a compra do material descartável está em processo de compra regular. “As máscaras, por sua vez, estão em processo de compra emergencial, com prioridade máxima”, afirmou a nota.
A pasta ressalta que existem seringas disponíveis na rede e garantiu que não procede a informação de que há reutilização deste material na UPA de São Sebastião. “Havendo desabastecimento pontual do produto de uma determinada capacidade, são utilizados outros tipos de seringas, de forma a não deixar o paciente desassistido. Frisa-se, há amplo estoque do insumo na Farmácia Central”, disse a nota enviada pela pasta.

APROVAÇÃO DA JORNADA FLEXÍVEL PODE GERAR EMPREGOS MAIS RAPIDAMENTE



PROJETO DE LEI



ADOTADO COM SUCESSO EM DIVERSOS PAÍSES O TRABALHO INTERMITENTE DISPENSA O CUMPRIMENTO DO HORÁRIO COMERCIAL E PERMITE ESCALADAS VARIÁVEIS
Publicado: 18 de janeiro de 2017 às 19:17



“É UM PROJETO GERADOR DE EMPREGOS”, SUBLINHOU O SENADOR FOTO: AGÊNCIA SENADO


O senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) aguarda pela aprovação em breve no Senado do projeto de lei de sua autoria que institui a jornada flexível de trabalho no Brasil. Para o senador, essa é a chance de ampliar a oferta de empregos com mais rapidez e ajudar a reduzir o elevado número de desempregados no país, superior a 12 milhões. “É um projeto gerador de empregos”, sublinhou.

O PLS 218/2016 está pronto para ser votado em caráter terminativo pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS), em duas sessões, seguindo depois para a Câmara dos Deputados. A proposta insere na CLT novo tipo de relação trabalhista, formalizado pelo “contrato de trabalho intermitente”. Nesse modelo, a contratação será por hora trabalhada e jornada móvel.

Adotado com sucesso em diversos países e ajustado às demandas do mercado atual, o trabalho intermitente dispensa o cumprimento do horário comercial e permite escaladas variáveis conforme o dia da semana. O projeto não tira direitos trabalhistas e ainda favorece, sobretudo, jovens estudantes, principal grupo dentre os desempregados. O PLS 218/2016 é apoiado pelo presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Ives Gandra Martins Filho.


Envolvidos na Lava Jato devem mais de R$ 10 bi aos cofres públicos



Investigações devem ser concluídas até o final de 2017; espera-se que ações gerem mais de R$ 5 bilhões




POLÍTICA FISCOHÁ 13 HORASPOR NOTÍCIAS AO MINUTO


A Receita Federal autuou 107 contribuintes, entre pessoas físicas e jurídicas, envolvidos em esquemas de corrupção com a Petrobras investigados pela Operação Lava Jato.


De acordo com o blog do Josias, no "UOL", as 64 empresas e as 43 pessoas autuadas somam uma dívida de R$ 10,1 bilhões, incluindo Imposto de Renda, CSLL, multa de 150% e juros sobre os tributos devidos.
Das 64 empresas apontadas pela Receita, 53 são empreiteiras. Juntas, elas devem R$ 8 bilhões aos cofres públicos, de acordo com o jornal "Valor".
Outras 17 instituições, sendo bancos e corretoras, estão sendo investigados por supostamente facilitaram e promoveram as ações das empresas e pessoas autuadas.
As investigações, ativas desde 2014, estão previstas para serem concluídas até o final deste ano. A expectativa é que as ações gerem mais de R$ 5 bilhões.

Andrade e UTC vão pagar R$ 195 milhões ao Cade por participação em cartel




Acordo envolve investigação de irregularidades em licitações para obras da Petrobras e para construção da usina nuclear de Angra 3.



Por Fábio Amato, G1, Brasília

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) anunciou nesta quarta-feira (18) que assinou acordos com as empreiteiras Andrade Gutierrez e UTC dentro da investigação de prática de cartel e de conluio em licitações para obras da Petrobras e da usina nuclear de Angra 3.
Pelo acordo, homologado pelo Tribunal do Cade, as duas empreiteiras admitem participação nos crimes, se comprometem a suspender as práticas e a ajudar nas investigações e, ainda, aceitam pagar um total de R$ 196,1 milhões pelas irregularidades cometidas.
Em nota, o Cade informou que, do valor total, R$ 139,1 milhões serão pagos pela UTC em dois Termos de Compromisso de Cessação (TCC). Só no termo envolvendo cartel nas licitações da Petrobras, a construtora se comprometeu a pagar R$ 129,2 milhões o que, segundo o documento, “representa a maior contribuição pecuniária individual já negociada com uma empresa na história do Cade.”
A Andrade Gutierrez, por sua vez, vai pagar R$ 56 milhões também em dois acordos.
Em nota, a Andrade Gutierrez informou que "o acordo divulgado hoje pelo CADE está em linha com sua postura, desde o fechamento do acordo de leniência com o Ministério Público, de continuar colaborando com as investigações em curso."
Já a UTC, também em nota, informa que, entre os compromissos que assumiu com o Cade está "cessar seu envolvimento no ilícito, reconhecer participação na conduta investigada" e "colaborar de forma efetiva com as investigações, como já vem fazendo."
A construtora disse ainda que "pretende, em breve, firmar novos acordos no setor público" e que isso faz parte de um "processo de aprimoramento e a implantação de um novo código de ética e conduta."
Plataforma de Mexilhão, da Petrobras, na Bacia de Santos (Foto: Divulgação)
Plataforma de Mexilhão, da Petrobras, na Bacia de Santos (Foto: Divulgação)
Plataforma de Mexilhão, da Petrobras, na Bacia de Santos (Foto: Divulgação)

Lava Jato

Os acordos foram fechados pelo Cade dentro de um processo administrativo que apura a prática de cartel por construtoras investigadas na operação Lava Jato. Além de Andrade e UTC, funcionários e ex-funcionários das duas empreiteiras também assinaram acordo com o Cade.
O processo administrativo que trata de cartel nas licitações da Petrobras foi instaurado em dezembro de 2015, após a celebração de um acordo de leniência entre o Cade e as empresas Setal Engenharia e Construções e SOG Óleo e Gás, que fazem parte de um mesmo grupo.
Já a investigação do cartel em licitações de Angra 3 dentro do Cade teve início em novembro de 2015, após acordo de leniência com a Camargo Corrêa.
No acordo de leniência, uma empresa admite participação em cartel, que é um acordo para evitar concorrência em licitações, e se compromete a colaborar com a investigação. Em troca, pode ficar livre de multa e de responder processo na Justiça.
O acordo de leniência só pode ser fechado com a primeira empresa que aceita colaborar na investigação. Às demais envolvidas, restam os acordos do tipo TCC, como os firmados pelo Cade com UTC e Andrade Gutierrez.
Ao contrário dos acordos de leniência, os TCCs não evitam que a empresa responda a processo na Justiça nem a extinção completa da punição no próprio Cade. Além disso, há a obrigatoriedade do pagamento da contribuição pecuniária, uma espécie de multa.

16 licitações

Na nota, o conselho informa ainda que os documentos e informações apresentados pela UTC trazem evidências da prática de cartel em dez novas licitações.
Já no acordo com a Andrade Gutierrez, os documentos e informações fornecidos trazem evidências da irregularidade em outras seis licitações.
Com UTC e Andrade, já são três as empresas que firmaram acordo do tipo com o Cade, admitindo participação em cartel para licitações da Petrobras. A primeira foi a Camargo Corrêa, em agosto de 2016.
Em novembro de 2016, o Cade também anunciou um acordo de leniência com a Andrade Gutierrez, executivos e ex-executivos da empreiteira, no qual eles admitem a participação em um cartel para o leilão e as obras de construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará.

Remédio para hepatite C é a aposta da Fiocruz para tratar zika

Edição do dia 18/01/2017
18/01/2017 21h16 - Atualizado em 18/01/2017 21h16

Os vírus da zika e da hepatite C têm enzima chamada RNA polimerase, que ajuda a multiplicação. Agente antiviral sofosbuvir age sobre essa enzima.


Um remédio contra a Hepatite C é a mais nova aposta dos cientistas pro tratamento da zika. O estudo é coordenado pela Fundação Oswaldo Cruz.
Foram apenas oito meses de pesquisas e um resultado que pode salvar vidas.
A descoberta é de pesquisadores da Fiocruz, do Instituto D'Or, da UFRJ, do Instituto Nacional de Doenças Negligenciadas, em parceria com indústrias farmacêuticas.
Thiago Moreno, especialista em antivirais, partiu da semelhança entre os vírus da zika e da hepatite C. Os dois têm uma enzima chamada RNA polimerase, que ajuda a multiplicar o vírus.
Um remédio chamado sofosbuvir - já usado no tratamento da hepatite C - age exatamente sobre essa enzima.
“Trabalhando com remédios que já são aprovados, a gente consegue realizar essa pesquisa de uma maneira mais rápida, mais acelerada. E a gente tem no sofosbuvir um potencial novo, um potencial remédio que poderia ser adaptado para a utilização em zika”, explica Thiago Moreno Lopes e Souza, coordenador do estudo, CTDS/Fiocruz  #
O próximo passo foi testar esse medicamento em laboratório contra o vírus da zika. E o resultado foi mesmo da hepatite C. O teste foi feito em seis tipos de células. Em cinco, o remédio bloqueou a multiplicação e eliminou o vírus da doença, além de ajudar a recuperar células que foram infectadas e preservar as que estavam saudáveis.
As imagens do vídeo deixam bem claro o que acontece. Cada pontinho azul é uma célula saudável do sistema nervoso. Elas são infectadas pelo vírus da zika. Quase todas as células morrem. Na terceira imagem, com o uso do sofosbuvir, 100% dos vírus desaparecem e as células ficam totalmente recuperadas.
A pesquisa foi publicada nesta quarta-feira (18) na revista científica inglesa, “Scientific reports”. E entre todos os medicamentos já testados contra zika, esse tem a grande vantagem de atuar diretamente no vírus, sem afetar o funcionamento da célula.
O estudo mostra que o remédio provoca tantas mutações no vírus que ele não consegue mais se multiplicar.
Mais uma boa notícia nessa luta do mundo contra uma doença que deixou uma geração com sequelas da microcefalia.
“A gente imagina até o segundo semestre terminar os ensaios em animais de laboratório. É um primeiro passo de uma esperança no combate à zika”, diz o coordenador do estudo.
Os pesquisadores esperam começar os testes com pacientes no fim do ano ou no início de 2018
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TEORI DEVE RETIRAR SIGILO DE DELAÇÕES DA ODEBRECHT EM FEVEREIRO



QUASE MIL DEPOIMENTOS


MINISTRO DEVE TORNAR PÚBLICOS 900 DEPOIMENTOS DA ODEBRECHT
Publicado: 17 de janeiro de 2017 às 17:54 - Atualizado às 18:47




Investigadores da Lava Jato trabalham com a previsão de que todo o conteúdo das delações da Odebrecht seja tornado público na primeira quinzena de fevereiro. A divulgação dos relatos de 77 delatores ligados à empresa causa apreensão no mundo político, que deve ser diretamente atingido pelas investigações. A expectativa de investigadores é de que o ministro Teori Zavascki a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, retire o sigilo dos cerca de 900 depoimentos tão logo as delações sejam homologadas. Isso deve ocorrer após o fim do recesso do Judiciário, nos primeiros dias de fevereiro.
Como relator da Lava Jato na Corte, cabe a Teori validar as delações. Para isso, uma equipe do ministro analisa todo o material durante o recesso. O material resultou de uma longa negociação, que se estendeu durante quase todo o ano de 2016.
Nos depoimentos, que serão divulgados em formato de áudio e vídeo, sem transcrições, os delatores relatam propina a políticos e operadores no Brasil e fora do País em troca da conquista de obras públicas, bem como o uso de contas e empresas no exterior para viabilizar pagamentos ilícitos. De acordo com fontes, aliados próximos ao presidente da República, Michel Temer, serão diretamente atingidos pela delação da empresa, o que deve trazer turbulência política para o governo.
Após a homologação dos acordos e divulgação do conteúdo, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a força-tarefa da Lava Jato podem realizar operações e solicitar diligências, como quebra de sigilo bancário e telefônico de investigados.
A previsão é de que o processo de investigação ligado à Odebrecht seja longo, com a distribuição das investigações em vários Estados brasileiros. Isso porque o pagamento de propina ocorreu para conquista de obras de todas as esferas - federal, estadual e municipal. Por isso, a investigação não ficará concentrada em Brasília ou Curitiba.
Um dos depoimentos tidos como cruciais é o do herdeiro do grupo e ex-presidente da empresa, Marcelo Odebrecht. Considerado o "príncipe" das empreiteiras, Marcelo resistiu a aderir ao acordo de delação. Ele é o único executivo do grupo que continua preso em Curitiba (PR) mesmo após a assinatura do acordo, em dezembro. Com a delação firmada, Marcelo Odebrecht cumprirá dez anos de pena no total, sendo que até o final de 2017 permanecerá atrás das grades.
Já o patriarca do grupo e pai de Marcelo, Emílio Odebrecht, revelou em sua delação informações de contexto e histórico da empresa. Emílio poderá passar um ano comandando a reestruturação da empresa, que se comprometeu com novas regras de compliance, antes de iniciar o cumprimento de pena em regime domiciliar.
Delação democrática
A avaliação de fontes que acompanharam a colheita dos depoimentos é de que a delação da Odebrecht é politicamente "democrática". Ou seja, atinge lideranças e siglas de diferentes polos da política nacional.
Em dezembro, o vazamento de um anexo da delação do executivo Cláudio Melo Filho mostrou que senadores, deputados e ministros mantiveram relações com a empresa - seja troca de favores ou ao receber valores para atuar politicamente em benefício da Odebrecht. As revelações do grupo vão gerar os chamados recalls em acordos da Camargo Corrêa e da Andrade Gutierrez. De acordo com investigadores, diante das extensas revelações da Odebrecht, as duas outras empreiteiras precisarão complementar os acordos feitos anteriormente, sob risco de terem os benefícios acertados com o Ministério Público invalidados. (AE)