terça-feira, 28 de abril de 2015

Novo ‘divórcio’ de Marta Suplicy dá a largada para a eleição de 2016


A senadora Marta Suplicy. / GERVÁSIO BAPTISTA (AGÊNCIA BRASIL)
A ex-ministra da Cultura e do Turismo e senadora Marta Suplicy formalizou sua saída nada à francesa do Partido dos Trabalhadores. Em uma carta de quatro páginas entregue nesta terça-feira aos diretórios nacional, estadual e municipal do PT – e em documento protocolado na Justiça Eleitoral –, a ex-prefeita de São Paulo pôs fim ao casamento de 33 anos com a legenda que ajudou a fundar na década de 80. Mas, diferentemente do que ocorreu em 2001, quando se divorciou do ex-senador petista Eduardo Suplicy (em separação explorada à exaustão pela mídia à época), o processo de ruptura com o PT não teve nada de amigável. Marta deixa o partido atirando para todos os lados: acusou a sigla de “se afastar completamente” dos seus princípios ao se envolver em escândalos de corrupção, de trair seus eleitores e, por fim, de “renegar” completamente seu programa partidário.

Embora sua saída não tenha provocado surpresa – os sinais de insatisfação estavam evidentes –, a cúpula petista já declarou que irá à Justiça brigar pelo mandato no Senado, que vai até 2018. A missão não é das mais fáceis: enquanto o PT argumenta que a cadeira é do partido que trabalhou para elegê-la a todos os cargos a que foi eleita em sua carreira (deputa federal, prefeita e, por fim, senadora), Marta sustenta que sua vitória em 2010 foi mérito de sua trajetória: na carta, lembra que foi a primeira mulher eleita senadora pelo Estado de São Paulo, após receber 8.314.027 votos – e que é a justamente a esses eleitores a quem deve fidelidade.“Eu sou mais uma entre as pessoas que se decepcionaram com o PT e não enxergam a possibilidade de o partido retomar sua essência”, afirmou, em entrevista à revistaVeja, apenas dias antes de formalizar sua saída.
Marta foi sondada por vários partidos políticos, que reconhecem a força eleitoral que ela tem sobretudo na periferia da capital paulista. Sua desfiliação antecipa em mais de um ano a disputa pela Prefeitura de São Paulo. O provável, porém, é que ela siga os passos da também ex-prefeita e atual deputada federal Luiza Erundina, que ao deixar o mesmo PT em 1997 por divergências políticas escolheu o PSB: legenda com a qual a senadora vem flertando publicamente já há um tempo.

A senadora tem até outubro para se filiar a uma nova sigla caso queira entrar na corrida eleitoral do ano que vem. Sua entrada na disputa pode ser um obstáculo para a reeleição do prefeito Fernando Haddad (PT), já que ambos têm força entre os mesmos nichos (na periferia, onde há sinais de que o atual prefeito tem problemas, e entre os eleitores da esquerda). Outra pedra no sapato dos petistas é que as justificativas de Marta para deixar a legenda engrossam ocoro anti-PT, que vem ganhando força em São Paulo, um colégio eleitoral que historicamente dá trabalho para os petistas. Além de Marta e Haddad, outros nomes cogitados para a disputa pelo Palácio do Anhangabaú são o de Celso Russomanno (PRB), deputado federal mais votado do país em 2014 (com 1,5 milhão de votos), e do vereador Andrea Matarazzo (PSDB).
Políticos próximos a ela sempre a descreveram como uma pessoa guiada pela "emoção", do tipo que você ou ama ou odeia. Dias antes de formalizar sua ruptura com o PT, Marta apelou justamente ao lado sentimental para antecipar o que faria a seguir. Em artigo publicado na Folha de S.Paulo, falava sobreSteve Jobs para abordar as mudanças nos rumos da vida. O partido não foi citado no texto, mas a mensagem tinha destinatário claro: "Acredito na minha intuição. Às vezes ela dá trabalho e preciso coragem. Para encerrar: a vida é curta, temos de buscar felicidade, sem esquecer que sem sonho ou projeto ela se apequena."

O início do fim

M. N.
Quem conhece Marta Suplicy a define como uma política esperta e sagaz, mas altamente guiada pela emoção. A paulistana de 70 anos fala o que pensa, chora em público, e não tem medo de bater boca com jornalistas, adversários e aliados.
Em 2001, quando era prefeita de São Paulo, chocou a alta sociedade paulistana ao anunciar o fim do casamento de 36 anos com Eduardo Suplicy – anos depois, o divórcio e o romance com o franco-argentino Luis Favre (com quem se casaria anos depois, e se separaria em 2009) foi apontado por muitos como uma das razões pelas quais ela não conseguiu se reeleger ao cargo em 2004.
Marta nunca escondeu o incômodo que sentia pelo modo como o fim de seu casamento com Suplicy foi retratado pela imprensa, que em vários momentos chamou de “machista”. Em mais de uma ocasião, lembrou como jornalistas acampavam diante de sua casa, em um bairro nobre de São Paulo, no auge de sua crise conjugal; como Eduardo Suplicy era chamado pela imprensa de bom moço abandonado, enquanto ela era retratada como a megera que visitava as favelas de São Paulo no alto de seu scarpin de marca. Também sempre retrucou a fama de “durona” – em vários momentos apontou que, se fosse homem, não seria jamais rotulada como “difícil” ou “grossa”.
“Temperamental”, na descrição de petistas próximos a ela, hesitou em apoiar a candidatura de Fernando Haddad em 2012, após ser obrigada a contragosto pelo ex-presidente Lula a retirar sua pré-candidatura. Só aderiu à campanha depois de a presidenta Dilma Rousseff indicá-la para ocupar o Ministério da Cultura, mas negou com veemência que seu apoio tenha sido fruto de uma troca de favores.
Dois anos depois, sua saída do ministério da Cultura causava tanto barulho quanto sua chegada ao cargo. Em carta de demissão entregue em novembro de 2014, criticou o Governo Dilma, já dando sinais de que o fim estava iminente. Meses depois, publicou um artigo na Folha de S.Paulo intitulado “A vaca vai para o brejo”, em que atacava a condução da economia do país e lamentava o envolvimento do partido com o escândalo da Petrobras. A saída de Marta pode ter sido formalizada apenas nesta terça-feira, mas o fato é que, na prática, há muito tempo ela já havia deixado o partido.

Nota oficial do PT

No final da tarde desta terça-feira, o PT divulgou uma nota oficial sobre a saída de Marta, rebatendo as críticas no mesmo tom da senadora. Leia a íntegra da nota.
"O PT recebe com indignação a carta da senadora Marta Suplicy oficializando sua desfiliação do PT.
Apesar dos motivos enunciados, entendemos que as razões reais da saída se devem à ambição eleitoral da senadora e a um personalismo desmedido que não pôde mais ser satisfeito dentro de nossas fileiras. Por isso, resolveu buscar espaços em outros partidos.
Ao contrário de suas alegações, nunca o PT cerceou suas atividades partidárias ou parlamentares. Sucessivamente prestigiada, com o apoio da militância e das direções, Marta Suplicy foi deputada federal, prefeita, senadora e duas vezes ministra.
Lamentavelmente, a senadora retribui, com falta de ética e acusações infundadas, a confiança que o PT lhe conferiu ao longo dos anos.
Ao renegar a própria história e desonrar o mandato, Marta Suplicy desrespeita a militância que sempre a apoiou e destila ódio por não ter sido indicada candidata à Prefeitura de São Paulo em 2012.
Finalmente, é triste ver que a senadora jogue fora a coerência cultivada como militante do PT e passe a se alinhar, de forma oportunista, com aqueles que sempre combateu e que sempre a atacaram."

PT terá de pagar multa por uso indevido de desenho de Dilma Rousseff


A ilustração de Dilma Rousseff, usada na campanha. /SATTU RODRIGUES
O Partido dos Trabalhadores foi condenado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, por três votos a zero, a pagar uma multa de 10.000 reais por dia, caso não retire do site e do material de circulação uma ilustração de Dilma Rousseff, usada sem a autorização de seu autor.
O desenho, que ficou popularmente conhecido durante as eleições do ano passado como Dilma Coração Valente, por causa do slogan da campanha, foi feito pelo artista Sattu Rodrigues com base na foto da presidenta quando foi presa pelo regime militar. No ano passado, Rodrigues entrou na Justiça questionando o uso da imagem sem os direitos autorais pela campanha do PT.
Como não houve acordo com o partido, enquanto o processo rola na Justiça, o advogado do artista, André Marsiglia, que representa o escritório Lourival J. Santos Advogados, entrou com uma ação e conseguiu uma liminar para que todo o material que ainda leve o desenho seja retirado do ar e de circulação. "É uma maneira de prevenir um prejuízo ainda maior enquanto o processo, que é lento, não é julgado", explica Marsiglia. Caso o PT continue utilizando a imagem, está condenado a pagar uma multa de 10.000 reais por dia.
Esse processo que ainda rola na Justiça pede, além da suspensão do uso da imagem, uma indenização por danos materiais e morais. "Danos morais, porque a utilização indevida não deu, sequer, o crédito ao Sattu", explica Marsiglia. "E materiais, porque a imagem foi usada pela publicidade que angariou recursos e lucro a alguém".

MAIS I

Marsiglia não sabe exatamente o valor dessas indenizações, mas calcula que seja alto. "Não sabemos o quanto efetivamente a ilustração trouxe de lucro, mas certamente teve gente que ganhou dinheiro com essa campanha", diz. "Se o ícone da publicidade deles [do PT] foi essa imagem, e eles não gastaram pouco com publicidade, como sabemos, a gente imagina que o valor seria por aí".
Além de estampar camisetas, adesivos, faixas e panfletos durante a campanha, a ilustração da presidenta cobria uma enorme faixa em cima do palco em que ela fezseu discurso da vitória, no dia 26 de outubro.
A essa decisão, tomada nesta terça-feira pelo TJ, cabe recurso. Caso o PT decida recorrer, o caso será julgado pelo Superior Tribunal de Justiça.

Dona da Brastemp e Consul elimina 3 mil empregos no Brasil Empresa disse que cortes devem-se 'à realidade do mercado brasileiro'. Nesta terça, fabricante reduziu projeção de lucro e vendas para 2015.

A Whirlpool Latin America, dona das marcas Brastemp e Consul e maior fabricante de eletrodomésticos do mundo, informou nesta terça-feira (28) que eliminou cerca de 3 mil postos de trabalho no país.
Sem especificar o período dos desligamentos, a empresa disse que a ação deveu-se à "realidade do mercado brasileiro de eletrodomésticos".
"A Whrilpool Latin America informa que, por conta da realidade do mercado brasileiro de eletrodomésticos, readequou seu quadro de pessoal nos últimos meses na ordem de 3 mil colaboradores. Essa redução foi feita, basicamente, por não reposição de vagas em aberto. A Whirlpool reforça sua confiança no Brasil e o contínuo investimento no país", afirma o comunicado.
Em fevereiro, a Whirlpool havia anunciado 15 dias de férias coletivas para 8 mil funcionários em sua fábrica de Joinville, em Santa Catarina. À época, a empresa não comentou os motivos da decisão.
Nesta terça-feira, a empresa divulgou alta em seu lucro líquido, mas reduziu a projeção de lucro e vendas para 2015, prevendo uma queda significativa nas vendas na América Latina principalmente pela situação da economia brasileira.
Alta do dólar e balanço
À Reuters, a Whirlpool disse que a alta do dólar continuará a afetar os lucros este ano. Em fevereiro, a companhia alertou que a menor conversão em dólares das vendas no exterior de suas lavadoras e secadoras, fogões, cooktops e geladeiras poderia reduzir a receita em 2015 em US$ 1 bilhão.
Seu lucro líquido no primeiro trimestre cresceu 19% na comparação anual, para US$ 191 milhões, ou US$ 2,38 por ação. Analistas projetavam lucro de US$ 2,34 por papel para o trimestre.
A receita no trimestre totalizou US$ 4,8 bilhões, em comparação a US$ 4,4 bilhões um ano antes. Analistas em Wall Street previam US$ 5,06 bilhões em vendas no primeiro trimestre.
A companhia disse que reduções de custos e aquisições recentes ajudaram a compensar o impacto do dólar forte e da queda na demanda no Brasil durante o primeiro trimestre.
De acordo com as projeções da companhia, as vendas industriais na América do Norte devem crescer em cerca de 4% neste ano, uma redução ante a projeção anterior de entre 4% a 6%.
A companhia acrescentou que as vendas na América Latina devem cair em 2015 entre 10% a 12%, uma baixa notável ante sua projeção anterior de vendas estáveis a uma queda de 3%.
A empresa manteve as projeções para Europa e Ásia inalteradas.

Supremo concede prisão domiciliar a nove executivos da Lava Jato Tribunal determinou que investigados terão de usar tornozeleiras eletrônicas. Entre os beneficiados pela medida está o dono da UTC, Ricardo Pessoa.

Ricardo Ribeiro Pessoa, presidente da UTC (Foto: Marcos Bezerra/Futura Press/Estadão Conteúdo)Ricardo Pessoa estava preso desde novembro na
carceragem da Polícia Federal em Curitina.
(Foto: Marcos Bezerra/Futura Press/Estadão)
A segunda turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta terça-feira (28), por três votos a favor e dois contra, conceder prisão domiciliar a nove executivos investigados pela Operação Lava Jato. O tribunal, no entanto, determinou que os nove empresários e funcionários de construtoras suspeitas de envolvimento no esquema de corrupção que atuava na Petrobras terão de utilizar tornozeleiras eletrônicas.
Entre os executivos beneficiados pela decisão do STF está o dono da construtora UTC, Ricardo Ribeiro Pessoa, apontado peloMinistério Público Federal como líder do cartel de empreiteiras que pagava propina para fraudar licitações e obter contratos superfaturados na Petrobras.
Dos cinco integrantes da Segunda Turma, votaram pela concessão de prisão domiciliar aos executivos os ministros Teori Zavascki, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Já os ministros Cármen Lúcia e Celso de Melo se manifestaram pela manutenção das prisões preventivas (sem prazo determinado). Não cabem mais recursos para manter os nove executivos presos.
Inicialmente, os magistrados haviam derrubado apenas a prisão preventiva de Ricardo Pessoa, decretada em novembro do ano passado pelo juiz federal Sergio Moro, responsável pela Lava Jato na primeira instância.
Porém, ao final da sessão, o ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo, propôs libertar também outros oito executivos: José Aldemário Pinheiro Filho, Mateus Coutinho de Sá Oliveira, Agenor Franklin Magalhães Medeiros e José Ricardo Nogueira Breghirolli (todos executivos da empreiteira OAS); Gerson de Mello Almada (vice-presidente da Engevix); Sérgio Cunha Mendes (vice-presidente da Mendes Junior), Erton Medeiros Fonseca (executivo da Galvão Engenharia); e João Ricardo Auler, presidente do Conselho de Administração da Camargo Corrêa).
Os noves réus cumprirão medida cautelar semelhante à aplicada ao ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. Um dos delatores da Lava Jato, Costa obteve, em setembro do ano passado, o direito de ficar preso em casa com o uso de tornozeleira eletrônica.
Ricardo Pessoa
No pedido de liberdade feito ao Supremo, a defesa de Ricardo Pessoa alegou que o empresário já deixou a presidência da UTC e que a construtora foi proibida de fechar novos contratos com a Petrobras.
Relator da Lava Jato, Zavascki votou a favor da soltura argumentando que houve mudança nas circunstâncias que justificaram a prisão de Ricardo Pessoa em novembro.
O magistrado destacou que recebeu informações do juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato na primeira instância, de que a ação penal a que Pessoa responde na Justiça Federal já está em sua fase final, com depoimentos de testemunhas, realização de perícias e coleta de provas. “O panorama fático atual é inteiramente diferente. A prisão preventiva exauriu sua utilidade”, ponderou.
Zavaski sustentou que os riscos de novos crimes ou prejuízo às investigações foram reduzidos e podem ser evitados agora com as chamadas medidas cautelares. Tratam-se de restrições que substituem a prisão, como afastamento da empresa, permanência em casa, proibição de contato com outros investigados e de deixar o país, além de monitoramento eletrônico. Em seu voto, o relator determinou que todas essas medidas fossem aplicadas.
“Embora não se negue que a prisão preventiva foi apoiada em elementos idôneos, buscava evitar a reiteração criminosa. É certo que, atualmente, considerado o decurso de tempo, a medida extrema já não se faz mais indispensável, podendo ser substituída por medidas alternativas”, defendeu o Zavascki.
Responsável pela acusação, a Procuradoria Geral da República argumentava que, em liberdade, Pessoa poderia continuar praticando crimes e poderia prejudicar as investigações.
Em seu parecer, favorável à manutenção da prisão do empresário, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ressaltou que Ricardo Pessoa praticou “condutas delitivas” mesmo após a deflagração da Operação Lava Jato, em março de 2014. Também alegou relação do executivo com o doleiro Alberto Youssef, acusado de ser um dos principais operadores do esquema de corrupção.
“A própria proximidade do paciente [Pessoa] com Alberto Youssef é sintomática de que suas atividades eram próprias de alguém que atuava em práticas ilícitas há longa data e estava acostumado com referido contexto delitivo”, destacou Janot.
Além disso, Janot observou que Pessoa, mesmo tendo se afastado do comando da UTC, ainda é sócio majoritário da empresa. Segundo o procurador-geral, a empresa ainda tem contratos e obras em andamento na Petrobras cujos valores ultrapassam R$ 7 bilhões.
'Clube das empreiteiras'
As investigações da Lava Jato apontam que Ricardo Pessoa é suspeito da prática de cartel, corrupção, lavagem de dinheiro e de integrar organização criminosa. Segundo o MPF, ele realizava e coordenava as reuniões do chamado “clube das empreiteiras”, grupo formado por diversas construtoras que corrompiam agentes públicos para obter contratos com a Petrobras.
Ao defender na tribuna a libertação do dono da UTC, o advogado Alberto Toron argumentou que não há riscos de Pessoa continuar a cometer os mesmos atos que o levaram à prisão.
“Não há como se pensar na possibilidade na continuidade delitiva. Há contratos em andamento? Sim, contratos lícitos, sobre os quais não há a menor suspeita”, ressaltou Toron.
“Desde 2012, segundo relato unânime dos delatores Júlio Camargo e Eduardo Mendonça, o tal clube pelo qual se consubstanciaria o cartel acabou. Os tais diretores que constituiriam a ‘banda podre’ já não está mais lá, já foram demitidos”, afirmou em seguida.
Toron também refutou risco de fuga de seu cliente para o exterior ou uma eventual tentativa de atrapalhar as investigações.
“A Operação Lava Jato começa em março de 2014. Foram presos vários diretores da Petrobras. Ele [Pessoa] fugiu para o exterior, empreendeu fuga? Não, ficou aqui. E eu mesmo fui despachar com o juiz Sergio Moro colocando-o à disposição das autoridades”, argumentou o advogado.
Ao final da sustentação oral, o criminalista destacou que Ricardo Pessoa tem 64 anos, é casado, tem filhas e netas e não apresenta periculosidade. “Nada representará um perigo para a sociedade”, enfatizou.
VALE ESTE - Arte Lava Jato 7ª fase (Foto: Infográfico elaborado em 15 de novembro de 2014)

'Irei para o céu', disse brasileiro executado na Indonésia em encontro final Rodrigo Gularte estava sereno ao ver prima pela última vez, disse diplomata que acompanhou reunião; ele foi fuzilado junto com outros sete condenados.

Cruzes com nomes dos condenados foram produzidas com antecedência em Cilacap (Foto: AZKA / AFP)Cruzes com nomes dos condenados foram produzidas com antecedência em Cilacap (Foto: AZKA / AFP)

O paranaense, de 42 anos, foi executado na prisão de Nusakambangan. Familiares tentavam convencer autoridades a rever sua pena e transferi-lo para um hospital após ele ter sido diagnosticado com esquizofrenia.
Rodrigo Muxfeldt Gularte estava sereno nas horas que antecederam sua execução naIndonésia na tarde desta terça-feira, horário de Brasília. Ele alternou momentos de lucidez e delírio e disse que dali iria para o céu, disse um diplomata brasileiro que o viu pela última vez.
Gularte havia sido preso em 2004 no aeroporto de Jacarta com 6kg de cocaína escondidos em pranchas de surfe, e condenado à morte no ano seguinte. Parentes dizem que ele foi aliciado por traficantes internacionais devido ao seu estado mental.
"Daqui irei para o céu e ficarei na porta esperando por vocês", declarou Gularte no encontro final, disse à BBC Brasil o encarregado de negócios do Brasil em Jacarta, Leonardo Carvalho Monteiro, maior autoridade brasileira na Indonésia.
Monteiro acompanhou os disparos da execução à distância, ao lado de Angelita Muxfeldt, prima de Gularte. O fuzilamento ocorreu por volta de 0h25 (horário local, 14h25 em Brasília), disse ele. "Foram vários tiros fortes e ao mesmo tempo". O corpo será levado ao Brasil, onde será enterrado.
Angelita foi a última familiar a ver Gularte, à tarde (horário local). Ela foi para a Indonésia em fevereiro para tentar reverter a execução do brasileiro. Visitava-o regularmente, duas vezes por semana, e disse que, neste tempo, nunca o tinha visto tão calmo.
"Ele não queria que eu chorasse", disse ela a jornalistas, emocionada, após deixar a prisão.
O aviso das execuções foi feito no sábado. Desde então, familiares tiveram permissão para visitar diariamente os presos. Nestes encontros, Gularte fez discursos "delirantes", expressando confiança de que não seria executado, disse o diplomata brasileiro.
Ele citou o desenho Aladdin ao rejeitar fazer seus desejos finais, disse o advogado Ricky Gunawan, que assumiu o caso em março.
O último contato com a mãe foi por telefone na segunda-feira, segundo Gunawan. Clarisse, de 70 anos, havia visitado o filho em fevereiro e retornou ao Brasil. Na ligação, de 20 minutos, ele conversou também com a irmã.
Gularte é o segundo brasileiro a ser executado na Indonésia. Em janeiro, o carioca Marco Archer Cardoso Moreira foi fuzilado, também condenado à morte por tráfico de drogas.
Tom mórbido
Durante todo o dia, no porto em Cilacap, que dá acesso à Nusakambangan, dezenas de jornalistas e populares aguardavam por familiares e diplomatas que deixavam a prisão.
Parentes faziam pedidos emocionados por clemência. A irmã de um dos condenados australianos chegou a desmaiar. Ambulâncias que carregavam caixões entrando na prisão contribuíram com o tom mórbido do caso.
A família nutria esperanças de uma reviravolta final no caso de Gularte, tida como improvável. Antes da execução, a Justiça indonésia havia ignorado recurso da defesa que pedia revisão da decisão do presidente, Joko Widodo, de negar-lhe clemência, disse o advogado.
Outra tentativa de reverter a sentença - o pedido de transferência da guarda de Gularte para sua prima - teve audiência marcada para o dia 6 de maio, depois da execução, o que foi criticado pela defesa do brasileiro.
Outros sete prisioneiros foram executados por fuzilamento junto com Gularte - dois da Austrália, três nigerianos, um ganense e um indonésio. Uma condenada filipina foi poupada de última hora.
As execuções foram realizadas apesar de pressão dos países dos condenados, da Organização das Nações Unidas e de grupos de direitos humanos.
Widodo justificou as execuções - que têm apoio popular na Indonésia - dizendo que o país está em situação de "emergência" devido às drogas. Segundo ele, 33 indonésios morrem todos os dias em consequência de narcóticos.

Brasileiro Rodrigo Gularte é executado na Indonésia Ele foi condenado à morte por tráfico de drogas em 2005. É o 2º brasileiro executado por pelotão de fuzilamento no país este ano.

O brasileiro Rodrigo Gularte, de 42 anos, foi executado na Indonésia na madrugada desta quarta-feira (29) – horário local, tarde de terça-feira (28) no horário de Brasília. Ele havia sido condenado à morte por tráfico de drogas, e a pena foi executada por um pelotão de fuzilamento.
Outros sete condenados por tráfico de drogas foram executados. A única mulher condenada do grupo, a filipina Mary Jane Veloso, não foi executada porque a pessoa que a recrutou para transportar drogas se entregou às autoridades. Mary Jane precisa testemunhar neste outro processo, por isso o presidente filipino pediu que sua execução fosse postergada.
O paranaense Gularte foi preso em julho de 2004 depois de tentar ingressar na Indonésia com 6 quilos de cocaína escondidos em pranchas de surfe. Ele foi condenado à morte em 2005.
Gularte é o segundo brasileiro executado no país este ano – em janeiro, Marco Archer Cardoso Moreira, de 53 anos, foi fuzilado. Ele também cumpria pena por tráfico de drogas.
O governo brasileiro divulgou nota na qual diz ter recebido com "profunda consternação" a notícia da execução de Gularte. De acordo com o Itamaraty, a presidente Dilma Rousseff enviou carta ao presidente indonésio, Joko Widodo, pedindo a suspensão da pena de morte em razão do "quadro psiquiátrico" do brasileiro.
A filipina Mary Jane Veloso, em foto de 21 de abril, durante celebração do Kartini Day, em homenagem à ativista dos direitos femininos Raden Kartini, na prisão Yogyakarta (Foto: AFP Photo/Tarko Sudiarno/Files)A filipina Mary Jane Veloso, em foto de 21 de abril. Ela seria executada nesta terça, mas o presidente filipino pediu que o cumprimento da pena fosse adiado (Foto: AFP Photo/Tarko Sudiarno/Files)
Gularte foi diagnosticado com esquizofrenia por dois relatórios médicos no ano passado. Em março, uma equipe médica reavaliou o brasileiro a pedido da Procuradoria Geral indonésia, mas o resultado deste laudo não foi divulgado.
Familiares e conhecidos relataram que Gularte passava seus dias na prisão conversando com paredes e ouvindo vozes. Dizem que ele se recusava a tirar um boné, que usava virado para trás, alegando ser sua proteção.
Angelita Muxfeldt, prima de Gularte, passou os últimos meses na Indonésia tentando reverter a decisão. Ela esteve com ele pela última vez na tarde de terça, no horário local, horas antes da execução.
Angelita contou, antes da execução, que não disse ao primo claramente o iria ocorrer, e que ele não sabia o que iria acontecer, apesar de ter sido informado no sábado (25) da morte iminente. Segundo a brasileira, ele sofre de delírios e não entendeu que seria executado, acreditando que ainda seria solto.
Executados
Além do brasileiro, sete outros suspeitos foram executados. Todos foram condenados por tráfico de drogas e tiveram seus pedidos de clemência rejeitados.
Eles são os australianos Myuran Sukumaran e Andrew Chan, os nigerianos Martin Anderson, Okwudili Oyatanze, Sylvester Obiekwe Nwolise e Jamiu Owolabi Abashin e o indonésio Zainal Abidin.
A Austrália e as Filipinas também tentaram diversos recursos para adiar as execuções, além de realizarem pressão diplomática, mas sem sucesso. Após as execuções, a Austrália anunciou que convocou seu embaixador na Indonésia para consultas.
Montagem com fotos de seis dos oito executados à morte por tráfico na Indonésia na terça (28): acima, a partir da esquerda, os australianos Myuran Sukumaran e Andrew Chan o nigeriano Martin Anderson. Abaixo, os nigerianos Jamiu Owolabi Abashin e Sylvester (Foto: AFP Photo)Montagem com fotos de seis dos oito executados por tráfico na Indonésia na terça (28): acima, a partir da esquerda, os australianos Myuran Sukumaran e Andrew Chan e o nigeriano Martin Anderson. Abaixo, os nigerianos Jamiu Owolabi Abashin e Sylvester (Foto: AFP Photo)
Crise diplomática
Em janeiro, o fuzilamento de Marco Archer gerou uma crise diplomática entre o país asiático e o Brasil.
A presidente Dilma Rousseff se disse "consternada e indignada" com o ocorrido e convocou o embaixador brasileiro em Jacarta para consultas.
Em fevereiro, Dilma decidiu adiar o recebimento das credenciais do novo embaixador da Indonésia em Brasília para reavaliar a situação bilateral entre os dois países. Em represália, o Ministério das Relações Exteriores indonésio chamou de volta ao país o embaixador no Brasil, Toto Riyanto, e convocou para uma reunião o então embaixador brasileiro em Jacarta, Paulo Soares, que deixou o comando da chancelaria indonésia em março.
Atualmente, a embaixada do Brasil em Jacarta está sendo chefiada, interinamente, por Leonardo Monteiro, encarregado de negócios da chancelaria indonésia.
A Indonésia reforçou suas penalidades por crimes de tráfico de drogas e voltou a realizar execuções em 2013, depois de uma pausa de cinco anos.

Indonésia executa brasileiro e outros 7 condenados

Oito presos acusados de narcotráfico, entre eles o brasileiro Rodrigo Gularte, foram executados por volta das 14 horas (horário de Brasília), por um pelotão de fuzilamento na Indonésia, após falharem todas as petições de clemência.
Os réus foram executados na ilha de Nusakambanga horas depois de se despedirem de seus familiares e após expirar as 72 horas de prazo desde que a Procuradoria do país asiático ordenou, no sábado passado, a aplicação das sentenças de morte, segundo informou o jornal "The Jakarta Post".
No último momento, as autoridades evitaram o fuzilamento da filipina Mary Jane Veloso, também sentenciada à pena de morte, horas depois de que a mulher que a contratou para transportar droga se entregou à polícia nas Filipinas.
Um décimo detido, o francês Serge Atlaoui, não recebeu a notificação porque está pendente um recurso de apelação.
A família e o governo brasileiro haviam alegado que Gularte tinha esquizofrenia, motivo pelo qual, segundo as leis indonésias, não poderia ser executado, mas as autoridades decidiram aplicar de todo modo a pena de morte. O brasileiro foi preso em 2004 por levar seis quilos de cocaína em uma prancha de surfe.
Junto com Gularte, foram executados os australianos Andrew Chan e Myuran Sukumaran, o ganense Martin Anderson, o indonésio Zainal Abidin e os nigerianos Raheem Agbaje, Silvester Obiekwe Nwaolise e Okwudili Oyatanze.
As execuções foram feitas na prisão de Nusakambangan, situada no sul de Java, a cerca de 830 quilômetros ao sudeste de Jacarta.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o primeiro ministro da Austrália, Tony Abbott, e a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, entre outros governos e organizações internacionais, haviam pedido clemência para os condenados.
No entanto, o governo indonésio do presidente Joko Widodo recusou as petições e pediu que sejam respeitadas as leis de seu país e o uso da pena de morte como medida na luta contra o tráfico de drogas.
Em janeiro, a Indonésia fuzilou outros seis prisioneiros, incluindo o brasileiro Marco Archer, o que causou uma crise diplomática entre os dois países. /COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS