sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Droga leve, debate duro

Droga leve, debate duro

O mote foi lançado pela ministra da Justiça: deveríamos legalizar a venda de canábis? Pesamos os argumentos a favor e contra, espreitando o que se passa no mundo

0 comentários
 4  2 
 
 
Droga leve, debate duro
Foto: Luís Barra
MAIS SOBRE ESTE TEMA
A imagem da mulher sentada de pernas cruzadas, coroa de flores na cabeça, acompanhada da palavra Nirvana, na montra d'A Loja da Maria, em Lisboa, dá-nos as boas-vindas a este universo que tem tudo para cultivar em casa como se estivéssemos no campo - mas não só. Trata-se de uma das lojas citadas no International High Life Guide, um guia para a indústria do cânhamo - entre outras, como a Barata Tonta, a Bio Folha ou a Cognoscitiva, num total de mais de 30 que percorrem o País, de Matosinhos a Albufeira.
"Somos uma loja de cultivo. Aqui encontra tudo o que precisa para plantar o que quiser. Menos sementes", reconhece o empregado da loja, Fernando, 30 anos, há quatro atrás daquele balcão. Sobre a planta de que todos falam, garante que não se alonga muito nas conversas com clientes: "Quando querem saber mais, indico-lhes a literatura", acrescenta, apontando para os vários guias disponíveis nas prateleiras, uns para principiantes, outros de nível mais avançado, insistindo sempre que ali não se faz apologia daquela droga, nem o seu contrário. "Temos todo o tipo de produtos (fertilizantes, lâmpadas, terras, armários de cultivo, sistemas de rega...) mas nada específico para a canábis", insiste.

 

Isto mesmo que os isqueiros, moinhos e cachimbos que ocupam o móvel de vidro mostrem, sem qualquer disfarce, o desenho da marijuana (afinal, é a loja da maria...joana, um trocadilho que ali encaixa na perfeição) - e aí ficam mais que explícitas as razões que levam cada vez mais pessoas a um certo tipo de agricultura. "Ainda há muito preconceito sobre o consumo mas depois vai-se a ver e toda a gente o faz, às escondidas", garante B., 29 anos, amigo e cliente d'A Loja da Maria - cujo lema é Alegria todo o dia - e que aparece a meio da tarde de um dia desta semana.
No seu entender, a hipocrisia é tão grande que não se está a querer ver como o cânhamo (nome que recebem as variedades da planta canábis) já foi aceite tanto pela indústria alimentar como pela cosmética. "Há lojas de produtos naturais com prateleiras inteiras de artigos desses", garante, insistindo que "tem é de se andar para a frente: já existe, toda a gente consome, enquanto for proibido vai ser sempre o mais apetecido".
Haverá, de facto, ainda um longo caminho a percorrer até à legalização da canábis? Antes de Paula Teixeira da Cruz (ver entrevista ) dar a sua opinião pessoal, como tantos fizeram questão de frisar, já Luís Patrício, o médico psiquiatra que foi fundador e primeiro diretor do Centro das Taipas, pioneiro no tratamento da toxicodependência, se mostrara favorável à sua venda nas farmácias.
"Os políticos devem pensar no benefício de mudar a lei, no que respeita à erva de marijuana, seja para uso terapêutico seja para descompressão social e uso ocasional ou regular", defende, uma posição também explícita no livro Políticas e Dependências-Álcool e (de) Mais Drogas em Portugal, 30 anos Depois (Nova Vega, 388 páginas, €24,38), apresentado em novembro na Assembleia da República e que conta com o prefácio de Manuela Eanes. "O problema da droga é da responsabilidade de todos", escreve a antiga primeira-dama, abrindo espaço à discussão: "Bem sabemos como hoje esta problemática tem uma dimensão diferente da que tinha há vinte anos."
Insistindo que a sua posição se enquadra perfeitamente numa política de redução de danos, Luís Patrício vai mais longe: "Proponho que se pense no benefício da produção própria de erva doméstica, de acordo com regras e objetivos. Não defendo a venda livre, como acontece com o tabaco e o álcool: pronto a usar consome-se muito mais."
À frente do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e Dependências (SICAD), o novo nome do Instituto da Droga e da Toxicodependência, o médico João Goulão é bem mais prudente - e, pelo meio de um discurso cuidado, procura também desfazer outras ideias mais ou menos feitas sobre o assunto. "É uma questão que não tem estado na primeira linha da agenda política mas que merece a pena ser travada", começa para depois assinalar que não se devem misturar o uso recreativo e a utilização terapêutica.
"Uma é do foro médico e tem havido produção de saber científico sobre o seu uso em determinadas patologias, com benefício, como é o caso da esclerose múltipla,  cancro e sida, apesar de haver quem garanta que há alternativas igualmente válidas. A discussão do uso recreativo é de outra ordem e misturadas só trazem ruído. O uso recreativo não seria na farmácia e o uso terapêutico não depende da despenalização mas da regulação."
Em equipa que ganha não se mexe...
Insistindo que não tem resistências a qualquer das abordagens, João Goulão lembra ainda que Portugal foi pioneiro na descriminalização dos consumos, numa política reconhecida e elogiada mundialmente: "Fomos tão longe quanto possível no âmbito das Nações Unidas, que, veja-se, ainda consagra o modelo proibicionista. Temos tido uma evolução globalmente positiva, não vejo uma premência de rever o nosso quadro legal." Ou como se diz no futebol, 'em equipa que ganha não se mexe'.  "Devemos sim acompanhar as experiências que estão a decorrer, no Uruguai, por exemplo, e avaliar os seus resultados", assinala ainda o responsável do SICAD, insistindo que, no caso deste país da América Latina, onde a produção e venda da canábis foi aprovada em 2013, não se trata de liberalização mas de regulação de mercado. "Combater o tráfico e o crime associado são as maiores preocupações, não o seu impacto na saúde." Nos EUA, continua, surge ainda esse cavalo-de-troia que é o uso terapêutico. "Mas que favorece o aparecimento de clínicas onde se prescreve a quem quer que apareça, mesmo que não sofra de patologia", assinala, insistindo que essa mistura de contextos torna tudo pouco sério. "Uma das grandes interessadas nestas alterações é a indústria do tabaco, com vista a um negócio futuro, agora que o tabaco está em declínio", denuncia João Goulão. "Podemos perfeitamente esperar  para decidir se há melhor modelo do que o que temos hoje, e qual."
Assinalando que, em termos de usos problemáticos, neste momento o álcool suplanta as preocupações sobre os outros consumos, João Goulão aproveita ainda o momento para lembrar outras preocupações: "É curioso ver que alguns dos mais acérrimos defensores da legalização destas substâncias são da área ultraliberal. Defendem: vais à tabacaria e tens cigarros e mais isto. Faz o que quiseres, mas se te deres mal, é lá contigo. A nossa posição é diferente: porque proibimos pessoas de conduzir sem cinto? Porque isso também tem impacto no Sistema Nacional de Saúde, que vai cuidar delas se se partirem todas."
Será uma discussão que vai continuar mas dentro de portas, acaba por confidenciar o também presidente do Observatório Europeu das Drogas e da Toxicodependência, agora que estamos em vésperas da Assembleia-Geral Especial das Nações Unidas sob o tema da droga, que vai decorrer em 2016 em Nova Iorque - e os bastidores da política fervilham, a discutir até se as convenções, baseadas no tal modelo proibicionista, vão sobreviver a esse encontro. "Há várias discussões a decorrer. Não as estamos a inaugurar - e, na Europa, precisamos de consensos para essa altura."
Para já, a 'canábis médica' (Sativex, um dos fármacos desenvolvidos), que recebeu a aprovação da Agência Europeia do Medicamento, em 2011, foi já lançada na Áustria, Dinamarca, Finlândia, Alemanha, Itália, Polónia, Espanha, Suécia, Reino Unido e Noruega. Em outros países europeus foi apenas aprovada mas ainda não comercializada. É o caso da Bélgica, República Checa, França, Irlanda, Luxemburgo, Eslováquia, Holanda e... Portugal.
Fuga para a frente?
A verdade é que, além de Passos Coelho, há mais quem discorde da ideia de disponibilizar canábis, sem restrições, para quem quiser, seja por que motivo for. Oiça-se Domingos Neto, psiquiatra que trabalha há mais de três décadas com jovens e adultos com dependências: "O primeiro-ministro fez bem em dizer que [a legalização)] não esta inscrita no programa do Governo", acrescentando que discorda da expressão "droga leve" atribuída à canábis. "É uma droga de fuga, que atira as pessoas para um mundo agradável e o seu  uso regular camufla problemas psicológicos e familiares." O atual diretor da clínica Princípio, em Lisboa, não defende "a perseguição dos canabinoides a tiro de canhão, antes desencorajar o consumo e proibir a venda". Quanto à "febre" da legalização que alastra nos EUA, entende que ali "há um lóbi poderoso a favor da legalização da canábis, que na Europa não é tão evidente". O discurso de Wolfgang Gotz, diretor do Centro Europeu de Monitorização das Droga e da Toxicodependência, é na mesma linha: "A Europa não é os Estados Unidos e até na Holanda os decisores já não estão tão recetivos à ideia de licenciar ou prolongar a existência destas lojas [onde a venda e o consumo são livres], como no passado."
Na América, depois da aprovação da venda para fins medicinais (já em vigor em vários Estados), foi aberto o caminho para a venda com fins recreativos no Colorado e Washington, em 2012, e no Oregon e Alaska, em 2014. Agora, uma dúzia de outros Estados preparam legislação similar, atraídos pelos números apresentados no final de um ano de experiência do Colorado (onde já existiam 100 mil pessoas registadas para fumar por motivos médicos): o desemprego diminuiu para valores de 2008 graças aos empregos gerados nas plantações, empresas de transformação, transportes e lojas e bares da especialidade; a criminalidade diminuiu e os consumos entre os mais jovens também não aumentaram, e o governo recebeu 40 milhões de impostos. Também o caso do Uruguai está a ser seguido atentamente. As áreas de cultivo controladas pelo governo avançaram e as plantações para consumo próprio dispararam (cada pessoa pode ter até seis plantas), mas a regulamentação dos locais de venda tem enfrentado  dificuldades, estando a ser revista. De qualquer forma, os planos do Presidente Jose Mujica começaram a dar frutos, diminuindo a criminalidade associada ao tráfico, sem um aumento visível dos consumos.

 

Há sempre alguém que resiste...
Num dos primeiros centros comerciais do Porto, onde se contam pelos dedos as portas ainda abertas, há hoje uma espécie de irredutíveis invictos (no dicionário, é sinónimo de 'nunca vencidos'!), ali instalados há dez anos. No Planeta Sensi comercializa-se toda a parafernália de apoio ao fumo (mortalhas, filtros, isqueiros ou cachimbos) e ainda, à semelhança d'A Loja da Maria, todo o equipamento e nutrientes para a plantação. De sementes, nem sinal. "São ilegais e por isso não o fazemos. Mas se um dia a comercialização for aprovada, provavelmente sim", assume Kevin Carvalho, 27 anos, funcionário da loja. A procura é grande e "quase todos os dias entram pessoas a perguntar por coisas ilegais, especialmente sementes de canábis".
Mas se é verdade que muitos desses clientes a procuram pelo lado recreativo, em busca das tais propriedades psicotrópicas do THC (tetraidrocanabinol), "também há muitos doentes com cancro ou com epilepsia que procuram o CBD (sigla para canabidiol, outro dos componentes da planta pelos efeitos terapêuticos no sistema nervoso)." A maioria compra as sementes pela internet ou tenta os clubes sociais de canábis em Espanha, onde o cultivo para consumo próprio está regulamentado. Kevin ajuda a explicar como se tratam das plantas. "É uma espécie muito parecida com a do tomate, com o mesmo género de doenças e o mesmo tipo de nutrição." Kevin não tem dúvidas que Portugal tem "ótimas condições para a produção a céu aberto, por causa do clima". Mas, receia, esse dia ainda está longe. "Eu, pelo menos, só acredito quando vir."


Ler mais: http://visao.sapo.pt/droga-leve-debate-duro=f810734#ixzz3SHfBNG2m

Prefeito de Caracas é preso por tentar golpe, diz governo da Venezuela

Prefeito de Caracas é preso por tentar golpe, diz governo da Venezuela

Segundo Maduro, Antonio Ledezma age em parceria com os EUA.
Americanos e oposição venezuelana negaram.

Da AFP
O prefeito de Caracas, o opositor Antonio Ledezma, foi detido por ordem da Procuradoria por tentar promover um golpe de Estado na Venezuela, declarou o presidente Nicolás Maduro, nesta quinta-feira (19).
"O senhor Ledezma, que no dia de hoje foi detido por ordem da Procuradoria, deve ser processado pela Justiça venezuelana para que responda por todos os crimes cometidos contra a paz do país, a segurança e a Constituição", afirmou Maduro, em pronunciamento em rádio e televisão iniciado pouco depois da notícia da prisão de Ledezma.
O presidente reiterou sua denúncia lançada há alguns dias de que a oposição estaria armando, com apoio dos Estados Unidos, uma tentativa de golpe contra seu governo.
Como prova, Maduro citou um documento assinado por Ledezma, pelo também líder opositor Leopoldo López e por María Corina Machado, destituída do cargo de deputada em 2014. Denominado "Acordo Nacional para a Transição", o texto teria sido divulgado pela imprensa local em 11 de fevereiro passado, apresentando uma série de propostas políticas e econômicas.
"Apenas por meio da Justiça, poderemos derrotar essas tentativas de golpe de Estado e dar ao país paz permanente (...) Quem estiver por trás desses atentados golpistas tem de ir pagar (...) na cadeia, tem de ir preso", alegou Maduro.
Antonio Ledezma foi detido por agentes do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin), informaram a mulher do político e fontes da oposição venezuelana.
EUA condenam
Pouco depois da denúncia de Maduro, Washington reagiu, rejeitando as acusações de que o governo Barack Obama estaria por trás de uma conspiração para derrubar o presidente.
"As declarações dadas pelo governo venezuelano de que os Estados Unidos estão envolvidos na conspiração para um golpe e para a desestabilização (desse país) não tem embasamento e são falsas", afirmou a porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaki.
"Os Estados Unidos não promovem a desestabilização na Venezuela, tampouco estamos tentando minar sua economia, ou seu governo", completou Psaki, destacando que Washington continua sendo o principal sócio comercial de Caracas.
Jen Psaki pediu às autoridades venezuelanas que 'parem de tentar distrair a atenção dos problemas econômicos e políticos do país com essas acusações e se concentrem em encontrar soluções reais', por meio do diálogo democrático.
Na Venezuela, a oposição também reagiu rapidamente.
"Levaram Antonio Ledezma com violência (...) Chegaram destruindo tudo que encontravam pelo caminho. Não deram nem tempo de falar", denunciou a mulher do prefeito, Mitzy Capriles de Ledezma, à "Unión Radio".
Segundo Mitzy, vários homens do Sebin, com o rosto coberto, apareceram no gabinete do prefeito para prendê-lo. Ao deixarem o prédio, os agentes "atiraram várias vezes para o alto" para dispersar a multidão que se aglomerou, continuou Mitzy.
O advogado de Ledezma, Omar Estacio, disse à mesma emissora que "não foi apresentado um mandado de prisão", em uma operação que contou, segundo ele, com mais de 80 agentes do Sebin.
"Toda minha solidariedade para o prefeito Ledezma diante dessa inesperada detenção!", escreveu em sua conta oficial no Twitter o prefeito do município metropolitano de Caracas (leste), Ramón Muchacho, também da oposição.
Também pelo microblog, a ex-deputada María Corina Machado tuitou que a detenção de Ledezma é "um ato desesperado da ditadura contra um democrata convicto".
Cerca de meia hora antes do anúncio de sua prisão, o próprio Ledezma alertou no Twitter sobre a chegada dos agentes. "Meu gabinete vai ser revistado neste momento por vários policiais do regime", tuitou.
Ledezma, de 59 anos, é um dos veteranos da oposição venezuelana, já tendo atuado como senador, deputado e governador do antigo Distrito Capital (Caracas).
Ele foi eleito em 2009 e reeleito em 2013 como prefeito de Caracas, região que reúne cinco municípios metropolitanos. Suas funções foram severamente restringidas pelo governo central da Venezuela.
O presidente Maduro acusou Ledezma - ao qual se refere como El Vampiro - de ser um dos promotores das manifestações contra o governo que varreram o país entre fevereiro e maio de 2014. As passeatas terminaram com 43 mortos.
Maduro também denunciou o prefeito pelo envolvimento na estratégia conhecida como "la salida", que teria como objetivo derrubar o presidente. O centro da estratégia seria a promoção de multitudinários protestos na ruas.
Seu principal promotor, Leopoldo López, outro líder da oposição, está detido há um ano, sob a acusação de incitar a violência.
O prefeito de Caracas, Antonio Ledezma (Foto: Roberto Jayme/Reuters)O prefeito de Caracas, Antonio Ledezma (Foto: Roberto Jayme/Reuters)

Ação Civil pública contra o município de Manaus proibindo a morte de animais saudáveis



Pressionando Ministério Púbico e 1 outro/a
Este abaixo-assinado será entregue para:
Ministério Púbico
; Excelentíssimo Senhor Doutor Promotor de Justiça

Ação Civil pública contra o município de Manaus proibindo a morte de animais saudáveis

Excelentíssimo Senhor Doutor Promotor de Justiça de Manaus por meio desta solicitamos uma ação Civil Pública contra o Município de Manaus nos seguintes propósitos:

PROIBIÇÃO DE MORTE DE ANIMAIS QUE NÃO SEJAM NOCIVOS À SAUDE E A SEGURANÇA DE SERES HUMANOS, BEM COMO DE ANIMAIS QUE NÃO ESTEJAM EM FASE DE DOENÇA TERMINAL OU QUE NÃO APRESENTEM QUADRO REVERSÍVEL DE SAÚDE (EUTANASIA)
 
  PROIBIÇÃO DE CAPTURA DE ANIMAIS QUE NÃO SEJA NOCIVOS À SAÚDE E À SEGURANÇA DE SERES HUMANOS, E DE ANIMAIS QUE NÃO ESTEJAM EM FASE DE DOENÇA TERMINAL OU QUE NÃO APRESENTEM QUADRO REVERSÍVEL DE SAÚDE (EUTANASIA) COM RESSALVA, SOMENTE, PARA A CAPTURA DE ANIMAL PARA FINS DE TRATAMENTO VETERINÁRIO E CASTRAÇÃO;
 
 NOS CASOS DE IMPRESCINDÍVEL E COMPROVADA NECESSIDADE DE ALGUM ANIMAL TER QUE SER SACRIFICADO, EM QUALQUER HIPÓTESE QUE IMPLIQUE EM "MORTE DE ANIMAL" NO CENTRO DE CONTROLE DE ZOONOSES, DEVERÁ SER EMITIDO LAUDO MÉDICO VETERINÁRIO, ASSINADO PELO MÉDICO EXECUTOR DO ATO, ATESTANDO AS CARACTERÍSTICAS DO ANIMAL, OU SEU ESTADO DE SAÚDE E A CAUSA DA NECESSIDADE DA MORTE DO ANIMAL, O QUAL SOMENTE PODERÁ TER COMO FUNDAMENTO A NOCIVIDADE À SAÚDE PÚBLICA OU A EUTANÁSIA;
 
 HIGIENIZAÇÃO DE TODOS OS AMBIENTES, CELAS E VEÍCULOS DO CENTRO DE CONTROLE DE ZOONOSES, MANTENDO O AMBIENTE ADEQUADO E LIVRE DE INFECÇÕES, BEM COMO, PERMITINDO A EXPOSIÇÃO DIÁRIA DO ANIMAL SOB A GUARDA DA MUNICIPALIDADE, AO SOL;
 
 FORNECER E MANTER, DE FORMA PERMANENTE E ADEQUADA, INSTRUMENTOS, MEDICAMENTOS, INCLUSIVE ANESTÉSICOS, E FUNCIONÁRIOS DE ASSISTENCIA AOS MÉDICOS VETERINARIOS QUE DESEMPENHAM SUAS ATIVIDADES NO CENTRO DE CONTROLE DE ZOONOSES, BEM COMO EQUIPAMENTOS E INSTALAÇÕES ADEQUADAS PARA CIRURGIAS E ATENDIMENTO CLINICO;
 
 DIVULGAÇÃO MENSAL DAS VERBAS UTILIZADAS NO CCZ NO MUNICÍPIO, PARA CADA DESTINAÇÃO, COM ENCAMINHANDO E ACOMPANHAMENTO DA ENTIDADE DE PROTEÇÃO DOS ANIMAIS.
 

Vale destacar:
DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DOS ANIMAIS
PROCLAMADA PELA UNESCO EM SESSÃO REALIZADA EM BRUXELAS, EM 27 DE JANEIRO DE
1978
Considerando que cada animal tem direitos;
Considerando que o desconhecimento e o desprezo destes direitos levaram e
continuam levando o homem a cometer crimes contra a natureza e contra os
animais;
Considerando que o reconhecimento por parte da espécie humana do direito à
existência das outras espécies animais, constitui o fundamento da coexistência
das espécies no mundo;
Considerando que genocídios são perpetrados pelo homem e que outros ainda
podem ocorrer;
Considerando que o respeito pelos animais por parte do homem está ligado ao
respeito dos homens entre si;
Considerando que a educação deve ensinar à infância a observar, compreender e
respeitar os animais, PROCLAMA-SE:
Art. 1º -
Todos os animais nascem iguais diante da vida e tem o direito a existência.
Art. 2º -
a) Cada animal tem o direito ao respeito.
b) O homem, enquanto espécie animal, não pode atribuir-se o direito de
exterminar os outros animais ou explorá-los, violando este direito. Ele tem o
dever de colocar a sua consciência a serviço dos outros animais.
c) Cada animal tem o direito à consideração, à cura e à proteção do homem.
Art. 3º -
a) Nenhum animal deverá ser submetido a maltrato e a atos cruéis.
b) Se a morte de um animal é necessária, deve ser instantânea, sem dor nem
angústia.
Art. 4º -
a) Cada animal que pertence à uma espécie selvagem, tem o direito de viver
livre no seu ambiente natural terrestre, aéreo ou aquático e tem o direito de
reproduzir-se.
b) A privação da liberdade, ainda que para fins educativos, é contrária a este
direito.
Art. 5º -
a) Cada animal pertence à uma espécie, que vive habitualmente no ambiente do
homem, tem o direito de viver e crescer segundo o ritmo e as condições de vida
e de liberdade, que são próprias da sua espécie.
b) Toda modificação deste ritmo e destas condições impostas pelo homem para
fins mercantis é contrária a este direito.
Art. 6º -
a) Cada animal que o homem escolher para companheiro tem o direito a uma
duração de vida, conforme sua natural longevidade.
b) O abandono de um animal é um ato cruel e degradante.
Art. 7º -
Cada animal que trabalha tem o direito a uma razoável limitação do tempo e
intensidade do trabalho, a uma alimentação adequada e repouso.
Art. 8º -
a) A experimentação animal, que implica em um sofrimento físico e psíquico, é
incompatível com os direitos do animal, quer seja uma experiência médica,
científica, comercial ou qualquer outra.
b) As técnicas substitutivas devem ser utilizadas e desenvolvidas.
Art. 9º -
No caso do animal ser criado para servir de alimentação, deve ser nutrido,
alojado, transportado e morto sem que para ele resulte ansiedade ou dor.
Art. 10 -
a) Nenhum animal deve ser usado para divertimento do homem.
b) A exibição dos animais e os espetáculos, que utilizam animais são
incompatíveis com a dignidade do animal.
Art. 11 -
O ato que leva à morte de um animal sem necessidade, é um biocídio, ou seja,
um delito contra a vida.
Art. 12 -
a) Cada ato que leva à morte de um grande número de animais selvagens, é um
genocídio, ou seja, um delito contra a espécie.
b) O aniquilamento e a destruição do ambiente natural levam ao genocídio.
Art. 13 -
a) O animal morto dever ser tratado com respeito.
b) As cenas de violência de que os animais são vítimas, devem ser proibidas no
cinema e na televisão, a menos que tenham como fim mostrar um atentado aos
direitos do animal.
Art. 14 -
a) As associações de proteção e de salvaguarda dos animais devem ser
representadas a nível de governo.
b) Os direitos do animal devem ser definidos por leis, com os direitos do
homem

CARTA PARA
Ministério Púbico
; Excelentíssimo Senhor Doutor Promotor de Justiça
Ação Civil pública contra o município de Manaus proibindo a morte de animais saudáveis

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Alexandre Abrahão, Juiz de Direito: Em defesa de nova polícia


Milhares de pessoas homenageiam Nisman e desafiam o ‘kirchnerismo’

Milhares de pessoas homenageiam Nisman e desafiam o ‘kirchnerismo’

Silêncio e aplausos marcam marcha em homenagem ao promotor que denunciou Cristina

  • Enviar para LinkedIn1
  • Enviar para Google +1
Dianteira da marcha em Buenos Aires. / DAMIAN DOPACIO (AFP)
Silêncio e aplausos em meio ao vento e à chuva. Essa é a homenagem que dezenas de milhares de pessoas renderam em Buenos Aires à figura de Alberto Nisman, o promotor que morreu em 18 de janeiro, quatro dias depois de denunciar a presidenta. As previsões meteorológicas eram de chuva forte e muitos chegaram com guarda-chuvas. Outros procuraram refúgio debaixo de toldos e árvores. O resultado foi que depois de um mês cheio de insultos, acusações, censuras e críticas, o silêncio se impôs. O silêncio estrondoso de dezenas de milhares de pessoas caminhando lentamente debaixo da chuva.
A marcha foi convocada por cinco promotores como uma homenagem ao companheiro falecido quando se cumpre um mês de sua morte. Era um fato insólito. O Poder Judicial, ou parte dele, jamais havia convocado uma marcha ao longo das últimas três décadas de democracia argentina. Os principais dirigentes da oposição se somaram imediatamente à iniciativa. Mas o Governo viu uma tentativa de desestabilização, uma forma suja de fazer política sob o pretexto de render homenagem ao promotor morto. Entre as duas posições ficou gente como o prêmio Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel, que se mostrou crítico ao Governo e também aos organizadores da marcha, que acusou de oportunismo político.
Havia grande expectativa em relação à decisão que tomaria a ex-esposa de Nisman, a juíza Sandra Arroyo Salgado, mãe de suas duas filhas. Ela mesma havia pedido, semanas antes, que a investigação sobre a morte de Nisman não fosse politizada. Finalmente, participou da marcha com as duas meninas, de 7 e 15 anos. Arroyo Salgado esclareceu, em um comunicado no dia anterior, os motivos pelos quais havia decidido participar com suas filhas: “Nossa presença está voltada a prestar um reconhecimento à pessoa que ele foi e ao funcionário cuja incondicional e valente entrega ao trabalho deve ser destacada”.
Os ministros de Cristina Kirchner alegaram várias razões para explicar sua ausência
Os ministros de Cristina Kirchner alegaram várias razões para explicar sua ausência: que alguns dos promotores que organizavam a marcha só possuem fins políticos, que os dirigentes opositores que se somaram à marcha tampouco pretendiam prestar uma homenagem a Nisman, mas tinham interesse eleitoral quando restam apenas oito meses para que se realizem as eleições presidenciais de 25 de outubro. Mas quem marcou a divisão foi a própria presidenta, que na semana anterior concluiu assim um discurso na Casa Rosada entre os vivas e cantos dos militantes kirchneristas: “E ficamos com o canto, ficamos com a alegria, ficamos com esse grito de ‘viva a Pátria’. E para eles, para eles deixamos o silêncio. Sempre gostaram do silêncio, deixamos para eles o silêncio, que é ou porque não têm nada a falar ou porque realmente não podem falar o que pensam”.
Houve muito silêncio, desde as imediações do Congresso, onde começava a marcha, até a Praça de Maio, onde ela terminava. Era possível ver os mesmos cartazes que foram vistos na noite em que faleceu o promotor: “Verdade e justiça”, “Todos somos Nisman”. “Lamento ver muito pouca juventude e muita gente mais velha”, queixava-se uma manifestante para o canal Todo Noticias, do grupo Clarín. Às vezes se escutava algum coro: “Não temos medo, não temos medo”. Outros gritavam simplesmente “Argentina, Argentina”.
Os locutores perguntavam aos cidadãos por que iam à marcha e as respostas eram muito variadas, mas mostravam um cansaço da política do Governo. Uns reclamavam justiça, alguns recordavam a oposição ao acordo que a Argentina assinou com o Irã (motivo daacusação de encobrimento que Nisman fez contra Cristina Kirchner), outros expressaram seu desejo de lutar por um país para seus netos, alguns se queixavam da corrupção, outros da insegurança... E a maioria dos participantes pertencia à classe média e média alta, a mais crítica ao Governo.
A manifestação mostrou a imagem perfeita da divisão social que a Argentina está sofrendo nos últimos anos.