sábado, 13 de maio de 2017

Mônica Moura entrega reprodução de mensagem que teria sido enviada a Dilma

Marqueteira contou que criou conta de e-mail fictícia para que a então presidente a avisasse sobre avanços da Operação Lava Jato; Dilma diz que informações são falsas.


Documento registrado em cartório reproduz mensagem que teria Dilma como destinatária em conta de e-mail (Foto: Reprodução/PGR)
Documento registrado em cartório reproduz mensagem que teria Dilma como destinatária em conta de e-mail (Foto: Reprodução/PGR)

A marqueteira Mônica Moura entregou ao Ministério Público Federal a reprodução de uma mensagem trocada no e-mail que ela disse ter usado para se comunicar com a ex-presidente Dilma Rousseff.
Segundo ela, a conta de e-mail foi criada para que a ex-presidente pudesse avisar com antecedência sobre avanços da Operação Lava Jato. Mônica afirma que tanto ela quanto Dilma tinham acesso à conta.
A mensagem, que foi registrada em cartório pela empresária, diz o seguinte: "Vamos visitar nosso amigo querido amanhã. Espero não ter nenhum espetáculo nos esperando. Acho que pode nos ajudar nisso, né?".
Mônica explicou no depoimento que enviou essa mensagem a Dilma para avisar que a mensagem foi escrita por ela quando deixou a República Dominicana para se entregar à Polícia Federal no Brasil.
Em nota, Dilma Rousseff afirmou que afirmações das delações do casal são "mentirosas" (leia a íntegra da nota ao final desta reportagem).

E-mail

A conta de e-mail, segundo a delatora, foi criada durante um encontro entre as duas no Palácio da Alvorada. Além das duas, Mônica Moura diz que também estava presente na sala o então assessor especial da presidente Giles Azevedo.
O encontro foi um "chamado urgente" da presidente, segundo o marido de Mônica Moura, o marqueteiro João Santana. Diante da convocação, a marqueteira, que estava de férias, fez um voo bate-volta dos Estados Unidos ao Brasil para se reunir com a petista na residência oficial da Presidência.
A marqueteira conta no depoimento que Dilma estava preocupada com os avanços da Lava Jato, principalmente após os investigadores terem descoberto contas no exterior do então presidente da Câmara, o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
A publicitária afirmou que, na conversa, a petista estava preocupada que as investigações da Lava Jato chegassem às contas dos dois marqueteiros no exterior, o que colocaria Dilma "em perigo".

Conforme Mônica, a ex-presidente sabia que a Odebrecht tinha feito pagamentos da campanha presidencial do PT por meio de "depósitos de propinas na conta do casal".
Diante disso, a delatora conta que decidiu criar uma conta de e-mail para que Dilma a atualizasse sobre avanços da operação. A marqueteira disse que a presidente era atualizada sobre a Lava Jato pelo então ministo da Justiça José Eduardo Cardozo.
Mônica Moura afirma que as mensagens que as duas trocadas não eram enviadas. Para se comunicar, contou Mônica, elas combinaram de redigir mensagens no rascunho para que as mensagens não circulassem.
"Eu mandava a resposta e ela apagava também. Esse era o trato. Era pra estar no rascunho, não mandar e apagar assim que lesse. Assim que era seguro, entendeu?", relatou Mônica no depoimento.
Segundo a delatora, as mensagens eram cifradas, para que apenas as duas entendessem o contexto. Ela afirma que se referia ao marido como "amigo" e que, em algumas oportunidades, enviou mensagens a Dilma para saber a situação da investigação.
"Às vezes eu mandava e-mail perguntando: tem alguma novidade? Eu falava tipo assim: 'nosso amigo está doente? Como que está ele? Tem alguma novidade sobre ele?'. Que era a dica pra ela me dar, se alguma coisa avançou. A essa altura, nós começamos a aparecer bastante no jornal, eu e o João, começava a pipocar coisa", relatou.
Ela afirma então que, no dia 19 de fevereiro de 2016, recebeu uma mensagem "preocupante" de Dilma que, segundo a marqueteira, era um "aviso" de que a situação do casal estava "complicada".
A mensagem dizia: "O seu grande amigo está muito doente, os médicos consideram que o risco é máximo e o pior, a esposa dele, que sempre tratou dele, agora também está doente. Com o mesmo risco, os médicos acompanham dia e noite."
Segundo Mônica Moura, o "médico" era José Eduardo Cardozo, que teria atualizado a presidente sobre a situação dos empresários. "Aí eu recebi essa notícia, aí eu desesperei", diz Mônica.
Leia a íntegra da nota divulgada pela assessoria de Dilma sobre as delações do casal de marqueteiros:
As mentirosas afirmações de João Santana e Monica Moura
12 DE MAIO DE 2017
A respeito das delações feitas por João Santana e Monica Moura, a Assessoria de Imprensa da ex-presidenta Dilma Rousseff esclarece:
1. Mais uma vez delatores presos, buscando conseguir sua liberdade e a redução de pena, constroem versões falsas e fantasiosas.
2. A presidenta eleita Dilma Rousseff nunca negociou doações eleitorais ou ordenou quaisquer pagamentos ilegais a prestadores de serviços em suas campanhas, ou fora delas. Suas determinações sempre foram claras para que a lei seja sempre rigorosamente respeitada. Todos aqueles que trabalharam, ou conviveram com ela, sabem disso.
3. São mentirosas e descabidas as narrativas dos delatores sobre supostos diálogos acerca dos pagamentos de serviços de marketing. Dilma Rousseff jamais conversou com João Santana ou Monica Moura a respeito de caixa dois ou pagamentos no exterior. Tampouco tratou com quaisquer doadores ou prestadores de serviços de suas campanhas sobre tal assunto.
4. É fantasiosa a versão de que a presidenta eleita informava delatores sobre o andamento da Lava Jato. Essa tese não tem a menor plausibilidade. Dilma Rousseff jamais recebeu de quem quer que seja dados sigilosos sobre investigações. Todas as informações prestadas pelo Ministério da Justiça ocorreram na forma da lei. Tal suspeita é infundada e leviana.
5. Causa ainda mais espanto a versão de que por meio de uma suposta “mensagem enigmática” (estranhamente copiada em um computador pessoal), conforme a fantasia dos delatores, a presidenta tivesse tentado “avisá-los” de uma possível prisão. Tal versão é patética. Naquela ocasião, já era notório, a partir de informações divulgadas pela imprensa, que isso poderia ocorrer a qualquer momento.
6. Mais inverossímil ainda é a afirmação de que Dilma Rousseff teria recomendado que os delatores ficassem no exterior, uma vez que todos sabem que mandados de prisão expedidos no Brasil podem rapidamente ser cumpridos em países estrangeiros.
7. É risível imaginar que a presidenta da República recebeu informações de forma privilegiada e ilegal ao longo da Lava Jato. Isso seria presumir que a Polícia Federal, o Ministério Público ou o próprio Judiciário, por serem os detentores e guardiões dessas informações, teriam descumprido seus deveres legais.
8. O governo Dilma Rousseff sempre foi acusado, por diferentes segmentos políticos, de deixar as investigações prosseguirem de forma autônoma, “descontroladas”, não buscando interferir ou obter previamente informações a respeito. E, espantosamente, as acusações agora vão em sentido contrário. É preciso lembrar as declarações do senador Romero Jucá, de que era preciso tirar a presidenta para “estancar a sangria”, “num amplo acordo com Supremo”, “com tudo”.
9. No TSE, foi possível comprovar, nas alegações finais entregues no início desta semana, que tanto João Santana quanto Monica Moura prestaram falso testemunho perante a Justiça. A defesa já pediu investigação e a suspensão dos efeitos da delação premiada, tendo em vista que ambos faltaram com a verdade. As provas estão contidas nos autos do processo no TSE.
10. Dilma Rousseff acredita que, ao final de mais uma etapa desse processo político, como já provado anteriormente em relação a outras mentiras em delações premiadas, a verdade virá à tona e será restabelecida na Justiça.
ASSESSORIA DE IMPRENSA
DILMA ROUSSEFF

Palocci contrata advogado para fazer delação






O ex-ministro Antonio Palocci fechou com Adriano Brettas, advogado que já negociou outras colaborações em delação premiada.

Procurado pelo blog, o advogado disse que não vai se manifestar.

O blog procurou José Roberto Batochio, advogado que vinha defendendo Palocci até agora.

Ele disse que, se Palocci decidir pela delação premiada, deixará a defesa do ex-ministro.

Como a GloboNews mostrou nesta semana, Palocci nunca cogitou deixar de fazer a delação premiada. Discutia apenas o advogado que assumiria as negociações com os investigadores da Lava Jato.

Para o PT,  a delação de Palocci é vista como uma "pá de cal", já que pode confirmar informações da Odebrecht e, principalmente, do casal João Santana e Monica Moura, ex-marqueteiros do PT, de Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula.

O próprio PT avaliava que Palocci iria colaborar. Palocci é visto como um "homem de negócios" pelo partido, diferentemente de Guido Mantega e João Vaccari, considerados "homens do partido".

Petistas lembram que, em meio ao escândalo no primeiro governo Dilma, entre revelar clientes de sua consultoria ou sair do governo, Palocci preferiu "sangrar" e pedir demissão.

Segundo advogados envolvidos no caso, agora, Palocci pode revelar também informações que cruzem com outra operação da Polícia Federal: a Zelotes.

Ataque de hackers 'sem precedentes' provoca alerta no mundo




Um comunicado do serviço europeu de polícia, Europol, informou que o ataque 'exigirá uma complexa investigação internacional para identificar os culpados'.



Ataque Inglaterra (Foto: Reprodução)
Ataque Inglaterra (Foto: Reprodução)


Uma onda de ciberataques "sem precedentes" ainda atingia neste sábado, 13, uma centena de países em todo o mundo, afetando o funcionamento de muitas empresas e organizações, entre elas os hospitais britânicos, a gigante espanhola Telefónica ou o construtor francês Renault.
"O ataque é de um nível sem precedentes e exigirá uma complexa investigação internacional para identificar os culpados", indicou em um comunicado o serviço europeu de polícia, Europol.
O Serviço Público de Saúde britânico (NHS), quinto empregador do mundo, com 1,7 milhão de trabalhadores, parece ter sido a principal vítima no Reino Unido, e potencialmente a mais inquietante, por colocar seus pacientes em risco.
Mas está longe de ser a única. Dezenas de milhares de computadores de uma centena de países, entre eles Rússia, Espanha, México ou Itália, foram infectados na sexta-feira, 12, por um vírus "ransonware", explorando uma falha nos sistemas Windows, exposta em documentos vazados da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA).
O gigante americano do correio privado FedEx, o ministério do Interior russo e o construtor de automóveis francês Renault - que suspendeu sua produção em várias fábricas da França "para evitar a propagação do vírus" - indicaram neste sábado à AFP que também foram hackeados.
Também está envolvida a companhia ferroviária pública alemã. Embora os painéis das estações tenham sido hackeados, a Deutsche Bahn certificou que o ataque não teve nenhum impacto no tráfego.
Segundo a empresa de segurança informática Kaspersky, a Rússia foi o país mais atingido pelos ataques. Os meios de comunicação russos afirmam que vários ministérios, assim como o banco Sberbank, também foram atacados.
O centro de monitoramento do Banco Central russo IT "detectou uma distribuição em massa do software daninho do primeiro e segundo tipo", revela um comunicado do Banco Central citado pelas agências de notícias russas.
As autoridades americanas e britânicas aconselharam os particulares, as empresas e organizações afetadas a não pagarem os hackers, que exigem um resgate para desbloquear os computadores infectados.
"Recebemos múltiplos informes de contágios pelo vírus 'ransonware'", escreveu o ministério americano de Segurança Interior em um comunicado. "Particulares e organizações foram alertados a não pagar o resgate, já que este não garante que o acesso aos dados será restaurado".

'Grande campanha'

Este conjunto de ataques informáticos de envergadura mundial provoca inquietação entre os especialistas em segurança. O vírus bloqueia os arquivos dos usuários e os hackers exigem que suas vítimas paguem uma soma de dinheiro na moeda eletrônica bitcoin para permitir que eles acessem novamente os arquivos.
O ex-hacker espanhol Chema Alonso, agora responsável pela cibersegurança da Telefónica - outro grupo afetado pelo ataque - declarou neste sábado em seu blog que "o ruído midiático que este 'ransonware' produz não teve muito impacto real", já que "é possível ver na carteira bitcoin utilizada que o número de transações" é fraco.
A Forcepoint Security Labs, outra empresa do setor, afirmou, por sua vez, que "uma campanha maior de difusão de e-mails infectados" está sendo realizada, com o envio de 5 milhões de e-mails por hora para divulgar um malware chamado WCry, WannaCry, WanaCrypt0r, WannaCrypt ou Wana Decrypt0r.
O NHS britânico tentou neste sábado tranquilizar seus pacientes, mas muitos deles temem um risco de desordem, sobretudo nas urgências médicas, já que o sistema de Saúde Pública, austero, já estava à beira da ruptura.
"Cerca de 45 estabelecimentos" do Serviço de Saúde Pública foram infectados, indicou neste sábado a ministra britânica do Interior, Amber Rudd, na BBC. Muitos deles foram obrigados a cancelar ou adiar as intervenções médicas.
Rudd acrescentou que "não houve um acesso malévolo aos dados dos pacientes". No entanto, começa a aumentar a pressão sobre o governo conservador a poucas semanas das eleições legislativas de 8 de junho.
O Executivo foi acusado de não ter ouvido os sinais de alerta que advertiam para estes ataques, já que a estrutura informática do NHS é especialmente antiga.
Na sexta-feira, nas redes sociais foram compartilhadas imagens de dezenas de telas de computadores do NHS que mostravam pedidos de pagamento de 300 dólares em bitcoins com a menção: "Ooops, seus arquivos foram encriptados!".
O pagamento deve ser realizado em três dias, ou o preço duplica. Além disso, se a quantidade não for paga em sete dias, os arquivos hackeados serão eliminados, afirma a mensagem.
Embora a Microsoft tenha lançado neste ano uma atualização de segurança para esta falha, muitos sistemas ainda devem ser atualizados, disseram investigadores.
Segundo a empresa Kaspersky Lab, um grupo de hackers chamado "Shadow Brokers" divulgou o vírus em abril alegando ter descoberto a falha da NSA.

Somente uma Revolução para impedir a volta à escravatura no Brasil



  




13 de maio de 1888 é uma emblemática data para nós brasileiros, em especial para os negros “beneficiados” pela Lei Áurea, que agora, 129 anos depois, vimos a possibilidade de o decreto da 


Temer quer agora escravizar negros e brancos em nome de um liberalismo já defenestrado pela História com o advento da Revolução Russa de 1917, no mundo, portanto há 100 anos, e tardia no Brasil com a Revolução de 1930 liderada por Getúlio Vargas.
O fim da escravatura e o nascimento do Estado Liberal no país, cujo período compreendeu apenas 42 anos, entre 1888 e 1930, tinha como mola mestra a “liberdade de contrato” entre patrões e empregados — inclusive para os então recém-libertos escravos.
A “liberdade de contrato” é uma balela, pois a hipossuficiência do trabalhador sempre existirá. Historicamente, o empregador sempre será o polo mais forte numa relação de trabalho (subordinação).
Note o caro leitor que a Reforma Trabalhista de Michel Temer retoma o ultrapassado mantra 129 anos depois, ou seja, dá uma incrível marcha à ré na História repetindo a vigarice da “liberdade de contrato” — significando a volta à escravatura no Brasil.
O interessante nisso tudo é que a precarização do trabalho e a retirada de direitos dos trabalhadores e do povo vai amadurecendo a ideia de que é necessária uma Revolução no Brasil para garantir o Estado Social previsto na Constituição Cidadã de 1988, também criminosamente revogada em menos de um ano.
Uma Revolução Social no Brasil, após 100 anos da Revolução Russa, teria também o condão de revogar as medidas aprovadas pelo ilegítimo governo golpista de Michel Temer.
É preciso que as força vivas brasileiras retomem atualmente o ideário revolucionário; as entidades classistas e partidárias urgem discutir a realização de uma revolução social, com direção, até mesmo para impedir um quadro de “convulsão social” onde governo não governa e as corporações se põem em movimento sem rumo claro e definido, cada qual lutando pelos seus interesses particulares.
Somente uma Revolução impede a volta da escravatura no Brasil.

Por Aguiasemrumo: Romulo Sanches de Oliveira

“um peso, duas medidas”, significando ”tratar uns com justiça e outros com injustiça, ter condutas diversas diante de situações idênticas, aplicar a lei ou a regra com mais ou menos rigor de acordo com a conveniência”

Vocês já pararam pra pensar quantas escolas, creches, moradias dignas, cestas básicas, quantos brasileiros pobres foram prejudicados pela ânsia desenfreada de um grupo de corrupção.

Interessante chamar de vossa excelência quem se encontra na lava-jato e chamar de “vagabundo” o honrado trabalhador? Brasileiro, desempregado por causa da corrupção.

Indivíduo que pratica atividades criminosas com legitimidade de poder público deveria devolver em dobro tudo que recebeu, sem dó e sem piedade, inclusive os salários.





sexta-feira, 12 de maio de 2017

Carmen Lúcia, Rosa Weber e a desigualdade de gênero no STF



Sociedade

Machismo




por Tory Oliveira — publicado 12/05/2017 02h00, última modificação 11/05/2017 16h41
Crítica expressa por presidente da Corte revela como tribunais seguem sendo espaços dominados por homens, nos quais a ascensão feminina é hostilizada

Rosinei Coutinho/Nelson Jr/STF
As ministras do STF Carmen Lucia e Rosa Weber
'Eu e a ministra Rosa, não nos deixam falar, então nós não somos interrompidas', desabafou a presidente da Corte, Carmen Lúcia

Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, sem dúvidas, chegou ao topo de sua profissão e exerce uma posição de liderança. Ou, ao menos, assim deveria ser. Um diálogo sobre ela e a outra mulher membro da Corte, Rosa Weber, revela como, ainda que de maneira sutil, a desigualdade de gênero persiste mesmo quando a mais alta corte do País é presidida por uma mulher.
"Eu e a ministra Rosa, não nos deixam falar, então nós não somos interrompidas", afirmou Carmen Lúcia em uma sessão na quarta-feira 10.
O contexto da frase ocorreu após uma sequência de diálogos, transcritos pelo site jurídico Jota, entre os ministros Ricardo Lewandowski, Luiz Fux e Rosa Weber no aparte.
A presidente da Corte concedeu a palavra para a ministra Rosa Weber, para que ela pudesse votar na questão.
"Ministro Lewandowski, o ministro Fux é quem tinha me concedido um aparte", disse Rosa.
"Agora é o momento do voto…", começou Cármen Lúcia.
"Concedo a palavra para o voto integral", fala Fux, em meio aos risos dos demais.
"Como concede a palavra? É a vez dela votar. Ela é quem concede, se quiser, um aparte", cortou Cármen Lúcia. E continuou:
"Foi feita agora uma pesquisa, já dei ciência à ministra Rosa, em todos os tribunais constitucionais onde há mulheres, o número de vezes em que as mulheres são aparteadas é 18 vezes maior do que entre os ministros… E a ministra Sotomayor [da Suprema Corte americana] me perguntou: como é lá? Lá, em geral, eu e a ministra Rosa, não nos deixam falar, então nós não somos interrompidas. Mas agora é a vez de a ministra, por direito constitucional, votar. Tem a palavra, ministra."

A presidente do Supremo refere-se à pesquisa Justice, Interrupted: The Effect of Gender, Ideology and Seniority at Supreme Court Oral Arguments ("Justiça, interrompida: efeitos de gênero, ideologia e senioridade nas sustentações orais na Suprema Corte dos Estados Unidos", em uma tradução livre). A pesquisa é assinada por Tonja Jacobi e Dylan Schweers, da norte-americana Northwestern University Pritzker School of Law.
O artigo centra-se no comportamento daqueles que atuam no âmbito do judiciário nos EUA no momento das sustentações orais. Um dos pontos de análise é justamente a interrupção sofrida quando uma das partes está argumentando.
"Descobrimos que as interações judiciais durante as sustentações orais são fortemente influenciadas pelo gênero, com mulheres [da Suprema Corte] sendo interrompidas de maneira desproporcional pelos colegas homens, bem como por advogados".
Segundo o artigo, pesquisas realizadas desde a década de 1970 concluem que, nos tribunais, mulheres são mais interrompidas por homens do que o contrário. Na verdade, mulheres são mais frequentemente interrompidas tanto por homens quanto por outras mulheres. A chance de um homem ser interrompido, por outro lado, é bem menor. 
A pesquisa mostra que, em 1990, quando havia apenas uma mulher na Suprema Corte dos EUA, 35% das interrupções eram direcionadas a ela. Uma década depois, em 2002, havia duas mulheres presentes entre os magistrados: 45% das interrupções eram direcionadas a elas. Em 2015, com três mulheres, 65% das interrupções foram dirigidas a elas. O mesmo fenômeno de aumento de interrupções não é detectável entre os homens.
"Na verdade", diz o artigo "quanto mais mulheres há na Corte, mais elas são interrompidas. Isso sugere que, ao invés de se adaptarem com o tempo a dividir o espaço com mulheres, os homens podem estar se tornando mais hostis às incursões de mulheres em um espaço tradicionalmente masculino [como a Suprema Corte]".
Não é a primeira vez que a atual presidente do STF - apenas a terceira mulher a compor a Corte na história - mostra desconforto com o machismo. Em 2012, durante o julgamento da constitucionalidade da Lei Maria da Penha, Cármen Lúcia desabafou.
"Alguém acha que uma ministra deste tribunal não sofre preconceito? Mentira, sofre. Não sofre igual - outras sofrem mais que eu -, mas sofrem. Há os que acham que não é lugar de mulher, como uma vez me disse uma determinada pessoa sem saber que eu era uma dessas: 'Mas também agora tem até mulher'. Imagina", desabafou a ministra.
Homens que interrompem
Nos círculos feministas e de discussão sobre gênero, a expressão "manterrupting" (ou, na tradução sugerida por feministas brasileiras, "ominterrupção") é uma velha conhecida. A palavra é uma junção de man (homem) e interrupting (interrupção) e significa, literalmente, homens que interrompem.
Tal comportamento é bastante comum em reuniões, grupos ou palestras mistas. Nessas ocasiões, em geral, uma mulher é impedida de concluir uma frase ou raciocínio porque é constantemente interrompida pelos homens ao seu redor. O fenômeno acontece em reuniões políticas, conversas ocasionais, na sala de aula e até na Suprema Corte. 
Outra demonstração de que o machismo – para além de suas exibições mais violentas – também mora nos detalhes é o fenômeno do "mansplainning", expressão traduzida para o português como "omiexplicação". É quando um homem se presta a explicar didaticamente o óbvio para uma mulher, mesmo quando a mesma é uma autoridade no assunto.
"É quando um homem dedica seu tempo para explicar a uma mulher como o mundo é redondo, o céu é azul, e 2+2=4. E fala didaticamente como se ela não fosse capaz de compreender, afinal é mulher. Mas o mansplaining também pode servir para um cara explicar como você está errada a respeito de algo sobre o qual você de fato está certa, ou apresentar ‘fatos’ variados e incorretos sobre algo que você conhece muito melhor que ele, só para demonstrar conhecimento", explica o texto da ONG Think Olga.

Fracasso da reforma da Previdência não seria um 'desastre', diz Temer


"Não é bom para o Brasil (se reforma da Previdência não passar). Agora, não é um desastre definitivo, porque nós teremos outros meios", afirmou Temer




ECONOMIA ENTREVISTAHÁ 11 HORASPOR FOLHAPRESS


Não será um "desastre" para o país se a reforma da Previdência não for aprovada pelo Congresso, disse o presidente Michel Temer nesta quinta (11). Ele acenou, contudo, com a possibilidade de aumento de impostos para ajustar as contas do país caso o projeto fracasse.

"Não é bom para o Brasil (se reforma da Previdência não passar). Agora, não é um desastre definitivo, porque nós teremos outros meios", afirmou Temer durante entrevista à TV Bandeirantes.
A fala diverge do discurso do governo em torno do projeto, que coloca as mudanças nas regras para aposentadoria como ponto central do ajuste fiscal.
Apesar da relativização do impacto do fracasso do projeto, Temer voltou a afirmar que sem a reforma, programas sociais como o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida seriam afetados.
Outro efeito negativo de uma eventual reprovação do texto seria o aumento da carga tributária, disse o presidente.
"Se [a reforma] não passar, você vai me perguntar: 'Será preciso criar imposto?' Eu não sei, mas de repente se faz necessário, mas o Brasil não vai parar por causa disso", afirmou ao apresentador José Luiz Datena.
A agenda faz parte do esforço do governo de promover as reformas trabalhista e da Previdência em redes de rádio e televisão.
Temer voltou a dizer que a reforma da Previdência atinge os "privilégios", e não a população mais pobre. "O povo não entende hoje mas vai entender ali na frente", disse.
Mas questionado sobre exceções à regra mantidas no texto, como a aposentadoria de militares e policiais, o presidente desconversou.
REFORMA TRABALHISTA
Temer reforçou que eventuais mudanças propostas por senadores no projeto de reforma trabalhista em tramitação na Casa poderão ser "patrocinadas" por uma Medida Provisória.
Com isso, Temer busca evitar que o texto seja alterado e tenha que ser remetido à Câmara.
Ele disse também confiar no senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que publicamente criticou a reforma trabalhista e operou para prolongar sua tramitação.
Segundo o presidente, Renan fez "uma ou outra crítica" sobre a reforma, as quais foram ouvidas em reunião da bancada do partido. "Eu confio no senador Renan, ele tem uma história política exitosa", disse.
Temer afirmou ainda que a reforma "não tira nenhum direito" do trabalhador. Com informações da Folhapress.