Cunha é investigado pela Operação Lava Jato. Pela denúncia apresentada pela Procuradoria Geral da República (PGR), o deputado teria recebido propina em um contrato de navios-sonda daPetrobras.
O presidente da Câmara já disse que, mesmo que o Supremo aceite a denúncia e ele vire réu, vai continuar no comando da Casa. Cunha argumenta que "todo mundo tem presunção de inocência".
O caso de Cunha também deverá ser retomado no Conselho de Ética da Câmara, com a possibilidade de que seja votado o relatório preliminar pela continuidade do processo, que pode resultar até na cassação do mandato do parlamentar.
No plenário, os deputados podem votar alguns temas polêmicos. Um deles é um projeto que regulamenta o teto salarial dos servidores públicos de todo o país. Esse teto já existe. A ideia do projeto, defendido pelo governo, é especificar quais benefícios recebidos pelos servidores podem ou não ser contabilizados como salário e devem estar contidos nos limites do teto. Assim, diminuiriam os “supersalários”.
Senado No Senado, o Conselho de Ética se reúne na quarta para decidir o novo relator da representação que apura se Delcídio do Amaral (MS) quebrou o decoro parlamentar ao, segundo investigações do Ministério Público Federal, ter oferecido dinheiro e um plano de fuga para que o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró não o citasse em depoimento de delação premiada.
A suposta proposta foi gravada pelo filho de Nestor Cerveró, Bernardo Cerveró, e serviu de base para o pedido de prisão de Delcídio, que estaria atrapalhando as investigações. O senador ficou 87 dias preso.
Senador Delcídio do Amaral durante discurso na tribuna do Senado (Foto: Pedro França/ Agência Senado/Arquivo)
Na semana passada, o Conselho de Ética considerou o senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO) impedido de continuar na relatoria do caso. De acordo com o entendimento do colegiado, o tucano não poderia seguir como relator porque é membro do bloco da oposição, também composto por PV e DEM, que manifestou apoio à representação em desfavor de Delcídio. A decisão do conselho foi tomada após pedido da defesa de Delcídio pela impugnação de Ataídes.
Segundo a interpretação do senador João Alberto (PMDB-MA), presidente do conselho, poderão concorrer ao cargo de relator, na quarta-feira, apenas os membros da comissão pertencentes aos blocos da Maioria; e União e Força.
Atualmente, apenas os senadores Romero Jucá (PMDB-RR) e Sérgio Petecão (PSD-AC), que são do bloco da Maioria, e o senador Douglas Cintra (PTB-PE), do bloco União e Força, poderiam ser eleitos para a relatoria. O novo relator terá cinco dias úteis para apresentar parecer favorável ou não à continuação do caso.Isso porque não podem ser eleitos para a relatoria membros do bloco de apoio ao governo, formado por PDT e PT, partido de Delcídio; do bloco Socialismo e Democracia, que é composto por PSB e Rede – um dos autores da representação; e do bloco da oposição, composto por PV, PSDB e DEM, sigla que manifestou apoio ao processo em desfavor de Delcídio.
Votações No plenário, a pauta de votações do Senado está trancada por duas medidas provisórias (MPs), que têm prioridade de apreciação em relação aos demais projetos.
Uma das matérias autoriza o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal a adquirirem participação em instituições financeiras públicas ou privadas.
A outra faz parte da chamada reforma administrativa do governo e reduz o número de ministérios de 39 para 31, além de extinguir uma série de cargos e secretarias.
Obra de novo alojamento estudantil paralisada na UFRJ. (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)
Déficit acumuladoNove das 15 maiores universidades federais acumularam déficit de quase R$ 400 milhões em 2015, segundo levantamento do G1 (veja tabela e dados abaixo). Só a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) fechou o ano com déficit de R$ 125 milhões, o maior no levantamento.
Problemas na oferta de serviços, falta de material básico e capacidade limitada para políticas de apoio estudantil são efeitos imediatos da crise.
A cifra parcial com exatos R$ 393,8 milhões é uma amostra de como os cortes impostos pelo Ministério da Educação (MEC) em 2015 afetaram o balanço das maiores entre as 63 universidades federais.
Segundo a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), ao menos um terço das federais pediu socorro ao MEC para fechar as contas no ano passado. O corte atingiu, de modo geral, 10% do valor de custeio e 50% dos investimentos previstos nos orçamentos de todas as universidades federais.
Levantamento mostra situação das maiores instituições a partir do critério de oferta de vagas.
FONTE: universidades federais
* Também procuradas pelo G1, UFAM, UFPR, UFBA e UFRN dizem ter fechado 2015 sem déficit apesar dos cortes do MEC. A UFF não deu informações e a UFSC diz que só terá o dado ao fim do mês. ** Levantamento considerou as 15 instituições que mais vagas oferecem no país, segundo Inep.
O MEC diz que, após reuniões e acompanhamento do impacto das medidas, liberou mais de R$ 200 milhões para 45 das 63 federais. Os cortes foram o resultado de contingenciamento no Orçamento de 2015 por causa da crise financeira no Brasil: o MEC teveR$ 9,42 bilhões bloqueados.
Administradores das universidades, especialistas e representantes dos estudantes apontam soluções que vão desde a necessidade de novas estratégias para captação de recursos até a cobrança de maior empenho do MEC na ajuda a universidades que ampliaram serviços nos últimos anos.
Situação na UFF e UERJ O levantamento do G1 não considera a situação da Universidade Federal Fluminense (UFF). A instituição não retornou os pedidos da equipe de reportagem, que agora aguarda dados via Lei de Acesso à Informação (LAI).
Entretanto, apesar de não entrar na lista inicial por ser bancada pelo governo estadual, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) também vive momento de crise financeira.
A instituição evita usar a palavra déficit para explicar a diferença entre o orçamento e os pagamentos pendentes, mas admitiu, via Lei de Acesso à Informação (LAI), ter R$ 1,04 bilhão de despesas empenhadas de 2015 que ainda precisam ser quitadas. E já prevê dificuldades com o contingenciamento de R$ 530 milhões, metade do orçamento previsto para 2016, por causa da crise financeira no estado.
Vista geral do prédio do Hospital Universitário Clementino Fraga, da UFRJ, no campus Fundão. Hospital foi inaugurado em 1º de março de 1978. (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)
Origem da crise na UFRJ No caso da UFRJ, o pró-Reitor de Planejamento e Desenvolvimento, Roberto Antônio Gambine Moreira, diz que os problemas da instituição já começaram nos cortes de 2014 e foram ampliados pelo aumento de custos.
O déficit tem relação muito forte com o contingenciamento ocorrido no orçamento da UFRJ em 2014, na ordem de R$ 70 milhões, somado ao ‘tarifaço’ aplicado na conta de energia elétrica, que dobrou a conta da UFRJ sem aumento de consumo na mesma proporção, nem suplementação orçamentária voltada para esse fim"
Roberto Antônio Gambine Moreira, pró-Reitor de Planejamento e Desenvolvimento da UFRJ
“O déficit tem relação muito forte com o contingenciamento ocorrido no orçamento da UFRJ em 2014, na ordem de R$ 70 milhões, somado ao ‘tarifaço’ aplicado na conta de energia elétrica, que dobrou a conta da UFRJ sem aumento de consumo na mesma proporção, nem suplementação orçamentária voltada para esse fim”, afirma Moreira.
Por sua vez, o MEC afirma que, em 2015, a UFRJ teve o maior orçamento entre todas as federais, recebendo o equivalente a 5,77% do total liberado às outras instituições. Além disso, a pasta lembra que a UFRJ recebeu R$ 21.122.506,00, o equivalente a 10,56% dos recursos destinados à suplementação orçamentária das federais no ano passado.
"Para reduzir o déficit em 2016, a UFRJ precisa intensificar as suas ações para continuar melhorando a gestão e a eficiência no uso de recursos", informou o MEC em nota.
Assim como na UFRJ, outras universidades do país viram os cortes afetar o funcionamento de atividades básicas e ao menos um terço das instituições federais de ensino superior reivindicaram ao MEC complementos para não terminar o ano no vermelho, segundo dados da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior.
O déficit de R$ 240 milhões, quando aplicado sobre o orçamento dessas oito universidades, soma 3% dos 9,1 bilhões do orçamento inicial previsto pelo MEC. Apesar do percentual baixo, o corte incide justamente sobre a parcela do orçamento que não está comprometida com a folha de salários, que é o maior gasto das universidades.
Subsolo do Instituto de Química da UFRJ: tubulação aparente, sujeira e entulho. (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)
Levantamento nacional O levantamento do G1 considerou as 15 maiores universidades brasileiras pelo critério de oferta de vagas: UFF, UFRJ, UFPB, UFPA, UNB, UFRN, UFBA, UFSC, UFPE, UTFPR, UFMG, UFG, UFPR, UFAM, UFMS, UEMA, USP, UNESP, UERJ e UEG.
Para a equipe de reportagem, UFAM, UFPR, UFBA e UFRN dizem ter fechado 2015 sem déficit apesar dos cortes do MEC. Tanto no casos dessas federais quanto as que declaram ter tido déficit, a saída para fechar o balanço é complementar a diferença com receitas próprias ou rolar o pagamento de compromissos para o exercício posterior.
Também com alto índice de déficit em 2015, a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) fechou o ano de 2015 com saldo negativo de R$ 83,5 milhões. No ano anterior, em 2014, esse déficit foi de R$ 28,9 milhões.
A instituição informou, no entanto, que no ano passado foi possível revisar o planejamento e deixaram de ser executadas obras de ampliação do campus, como a construção de biblioteca, laboratório e salas de aulas. Além do repasse do governo, a UTFPR possui outras receitas provenientes de aluguéis e produções vegetais e animais.
Não (será suficiente para equilibrar as necessidades da instituição), necessitamos uma suplementação na dotação orçamentária de 2016 na ordem de R$ 170 milhões"
Roberto Antônio Gambine Moreira, pró-Reitor de Planejamento e Desenvolvimento da UFRJ
Variações no orçamento Na soma total, a previsão orçamentária para as 15 universidades analisadas no levantamento do G1 apresentou aumento em 2016. No ano passado elas somaram previsão de 17,2 bilhão. Neste ano, o previsto é de R$ 17,4 bilhões.
Entretanto, a variação positiva não é apontada como solução. No caso da UFRJ, o aumento previsto é de 5%. “Não (será suficiente para equilibrar as necessidades da instituição), necessitamos uma suplementação na dotação orçamentária de 2016 na ordem de R$ 170 milhões”, afirma o pró-Reitor de Planejamento e Desenvolvimento, Roberto Antônio Gambine Moreira.
“É fundamental que possamos avançar no debate sobre a matriz de distribuição de recursos, para que a UFRJ supere suas necessidades orçamentárias”, defende Moreira, que apesar disso ressalta que o MEC vem liberando “cotas de limite de empenho” que mantiveram o funcionamento no período em que está ocorrendo a reposição de aulas decorrente da greve em 2015.
Um dos diretores do DCE e conselheiro Universitário da UFRJ pela bancada discente, o estudante de história Raphael Almeida defende a repactuação financeira do governo federal com as universidades. "Com essa situação de cortes, a gente passa do ruim para o horrível", afirma.
O estudante avalia que o problema não é só da UFRJ, lembrando que outras universidades sofreram corte e atrasos de bolsas, paralisação na ampliação de alojamentos estudantis e precarização do serviço de restaurantes universitários.
"50% de vagas de ingresso precisam dessa política de permanência”, defende o estudante, lembrando que a nova reitoria da UFRJ havia comprometido na ampliação do atendimento.
Se alunos apontam problemas, os professores que realizaram greve de três meses em 2015 fazem coro. Para a diretora do Andes (Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior), Olgaíses Cabral Maués, os cortes no orçamento aprofundaram os problemas que também afetam o corpo docente.
“A crise na carreira dos professores não surgiu em 2015 com os ajustes no orçamento, mas foi aprofundada. Não há abertura de novos concursos, os salários estão achatados e a carreira está desestruturada”, afirma Olgaíses.
O ano passado foi tão complicado que até a taxa de câmbio acabou afetando"
César Augusto Tibúrcio Silva, decano de Planejamento e Orçamento da UNB
Universidade de Brasília Na Universidade de Brasília (UNB), os cortes iniciais de R$ 81,2 milhões acabaram em um déficit de R$ 60 milhões. De acordo com o decano de Planejamento e Orçamento da UNB, César Augusto Tibúrcio Silva, o valor só não se transformou em dívida com os fornecedores porque a universidade usou recursos de superávit acumulado em outros anos para quitar os compromissos.
"O ano passado foi tão complicado que até a taxa de câmbio acabou afetando", explicou o decano. Ele explicou que a UNB chegou a cotar prejuízo de R$ 1 milhão com a variação do dólar na importação de equipamentos para pesquisa. "A diferença saiu dos nossos recursos", explica César Augusto Tibúrcio Silva, que aponta que a UNB conta com receita vinda de alugueis de imóveis.
A principal receita para diminuir o impacto dos cortes foi a renegociação de contratos com prestadores de serviços. A contratação da equipe de limpeza, por exemplo, foi alterada de um modelo que considerava postos de trabalho e passou a contratar serviços, levando para a terceirizada a necessidade de gerir também os insumos para o trabalho.
Para 2016, a equipe de planejamento da UNB ainda aguarda a definição de se eventuais novos cortes vão afetar a instituição. "A gente não sabe quanto que isso (corte) vai representar em termos de valor. Estamos finalizando fevereiro sem ter noção de quanto será o corte em investimento. Isso acaba gerando uma insegurança."
Apesar dos dilemas, o decano da UNB ressalta ter visto colaboração do MEC. "O diálogo está funcionando", diz Tibúrcio.
Uma mulher passa por um prédio da Universidade Estadual do Rio de Janeiro ocupado por estudantes. As aulas, paralisadas há 21 dias, serão retomadas nesta quarta-feira (16) (Foto: Tânia Rego/Agência Brasil)
Entre as estaduais, rombo e crise na UERJ Por meio da Lei de Acesso à informação, a UERJ relatou ao G1 ter R$ 1.043.092.289, 00 em despesas empenhadas, que seriam "valores a serem pagos referentes à 2015". Além disso, o orçamento aprovado para 2016 é de R$ 1.124.856.510,00, mas R$ 530.668.516,00 estão contingenciados por causa da crise financeira do estado.
No fim de dezembro, pouco tempo depois de aulas serem suspensas por insalubridade, alunos ocuparam prédio do campus Maracanã contra atrasos nos pagamentos dos salários e bolsas.
À época, além do atrasos em bolsas estudantis, funcionários da universidade e da empresa de limpeza, que presta serviço à Uerj, também estavam sem receber. O movimento levou à suspensão das aulas e ao anuncio da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) de que investigaria os contratos de serviços terceirizados da Uerj.
Nesta terça-feira (23), o novo reitor da Uerj, Ruy Garcia Marques, diz que a maior parte do déficit da instituição é com empresas terceirizadas de manutenção, vigilância e que prestam serviços de alimentação à universidade.
Apesar disso, ele deu valores inferiores ao prestado pela própria UERJ via LAI. "Não é uma dívida, são restos a pagar que ficaram de 2015, deve estar entre R$ 60, 70 milhões. A ideia é que tenhamos um calendário que se desenrole a partir de março, para que se pague, ao mesmo tempo, o mês vigente e o mês anterior", afirmou durante café da manhã com jornalistas.
"A gente tem que racionalizar o quanto puder com as empresas terceirizadas. Não se cogita redução de bolsas de maneira nenhuma”, disse. O reitor usou como exemplo a recisão do contrato, nesta semana, da empresa que faz a limpeza no Hospital Pedro Ernesto. "Os funcionários da empresa anterior não vinham comparecendo e limpeza é essencial, sobretudo num hospital”, disse Marques.
Crise persiste na USP Em São Paulo, o maior problema financeiro é o da Universidade de São Paulo (USP), que é custeada com receitas do governo estadual, destinada a partir de arrecadação de ICMS. A instituição, considerada a melhor universidade brasileira em rankings internacionais, fechou as contas de 2014 com déficit de R$ 1 bilhão.
Ao final de 2015, esse déficit foi de R$ 900 milhões. A perspectiva para 2016 é de que a instituição feche o ano com déficit de R$ 543 milhões. A USP aponta que apenas a folha de pagamento da instituição exige, todos os meses, quase todo o orçamento. Do total do orçamento para 2016, de R$ 5,2 milhões, serão destinados R$ 4,8 bilhões para este fim, o equivalente a 97,4%.
Em 2014, a USP lançou um plano de demissão voluntária para tentar reduzir este custo. Foram 1.433 adesões e uma redução de 4,4% dos gastos com folha de pagamento. Também informou que suspendeu novas contratações, revisou e renegociou contratos.
A atual crise financeira obrigou a universidade a paralisar obras. Estão sendo feitas somente ações emergenciais, como as relacionadas ao Museu Paulista (que completará em agosto o terceiro ano fechado sem que as reformas tenham de fato começado) e à USP Leste. Como alternativa, também foi aprovado no fim do ano passado, um programa que prevê que ex-alunos da USP façam doações em dinheiro ou móveis, ou ainda, patrocinem reformas.
Se o governo vive uma recessão fiscal e por um momento conjuntural não tem condições de suplementar, a escola tem de captar. Se a receita é menor do que a despesa, não tem de haver constrangimento em buscar novas receitas"
Sandro Cabral, professor do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper)
Novas fontes de receitas Sandro Cabral, professor do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper) e licenciado da Universidade Federal da Bahia (UFBA), diz que o momento é propício para criar oportunidades para que as instituições arrecadem receitas próprias e não dependam apenas do repasse do governo.
“Se o governo vive uma recessão fiscal e por um momento conjuntural não tem condições de suplementar, a escola tem de captar. Se a receita é menor do que a despesa, não tem de haver constrangimento em buscar novas receitas”, diz.
Cabral cita como uma das alternativas, por exemplo, a criação de cursos de mestrados profissionais que podem ser cobrados. “Pode ser uma porta para alavancar recurso. O excedente pode ser utilizado para cobrir certos gastos que a fonte do tesouro não cobre.”
Em nota, o MEC disse que, no ano passado, as universidades arrecadaram R$ 573.458.304 em recursos próprios.
"Com as recentes alterações na Lei de Inovação, assim como com a aprovação de Projeto de Lei autorizando a realização de cursos de especialização pagos nas Universidades Federais, a tendência para os próximos anos é de aumento desta arrecadação", informa o MEC.
Outra forma de driblar a crise e otimizar os gastos, segundo o professor do Insper, é revisar e fiscalizar os contratos terceirizados, que geralmente abocanham os serviços de vigilância e limpeza. Até no corpo docente há espaço para reestruturações, na visão de Cabral.
“Um professor de dedicação exclusiva que não produz pesquisa tem de dar uma maior quantidade de horas aulas. Há espaço para racionalização e otimização, fazendo com quem trabalhe pouco, trabalhe mais”, afirma Cabral.
(Recurso próprio) não é bom a custo de qualquer coisa. Somos contra cursos pagos na universidade. Não admitimos, porque daí para se criar um espírito de privatização não custa"
Raphael Almeida, integrante do DCE-UFRJ
Doações de ex-alunos também seriam opção de captação de receita. Cabral lembra que nos Estados Unidos é muito comum ex-alunos doarem grandes montantes às instituições onde se formaram. Em contrapartida ganham salas que levam seus nomes ou de empresas que representam.
“Isso é visto com reserva por universidades públicas, por acharem que abre uma porta para a privatização. Mas é necessário reduzir o nível de dependência do governo federal.”
O temor existente no meio é confirmado no posicionamento do estudante de história da UFRJ. "(Recurso próprio) não é bom a custo de qualquer coisa. Somos contra cursos pagos na universidade. Não admitimos, porque daí para se criar um espírito de privatização não custa", finaliza Raphael Almeida.
Relatora das contas da campanha de Aécio Neves (PSDB-MG) à Presidência da República no TSE, ministra Maria Thereza de Assis Moura pediu explicações sobre 15 supostas irregularidades detectadas nos documentos entregues à corte; entre as mais graves, estão o fato de Aecio ter repassado ao PSDB uma doação de R$ 2 milhões feita pela empreiteira de Marcelo Odebrecht, mas não ter registrado a transação na prestação de contas; além da Odebrecht, o TSE quer saber também por que Aecio recebeu R$ 1,75 milhão da construtora Construbase, mas só declarou R$ 500 mil; ao todo, doações recebidas antes das prestações de contas parciais e que só foram registradas nas prestações finais somam mais de R$ 6 milhões.
- A relatora da prestação de contas da campanha do senador Aécio Neves (PSDB-MG) à Presidência da República no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Maria Thereza de Assis Moura, solicitou do tucano explicações sobre 15 supostas irregularidades detectadas nos documentos entregues à corte.
Entre elas está o fato de Aecio ter repassado para o PSDB uma doação de R$ 2 milhões da Odebrecht, mas não ter registrado a transferência na prestação de contas.
"O comitê financeiro nacional para presidente da República do PSDB registrou em sua prestação de contas o recebimento de doação de R$ 2 milhões, efetuada pelo candidato, no entanto, não há o registro da transferência na prestação de contas", afirma o relatório técnico da Justiça Eleitoral. A Odebrecht é uma das empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato e seu presidente, Marcelo Odebrecht, está preso desde 17 julho.
Segundo dados divulgados pelo Estado de S. Paulo, além da Odebrecht, o TSE aponta também uma diferença entre o valor declarado pela campanha e o montante efetivamente doado pela construtora Construbase. O candidato tucano recebeu R$ 1,75 milhão, mas declarou R$ 500 mil.
A ministra Maria Thereza de Assis Moura quer saber também por que a campanha tucana declarou R$ 3,9 milhões em doações estimáveis apenas na prestação de contas retificadora.
Das 15 irregularidades detectadas pelo tribunal, pelo menos três foram consideradas infrações graves. Elas dizem respeito a doações recebidas antes das prestações de contas parciais e que só foram registradas nas prestações finais, somando mais de R$ 6 milhões.
O PSDB informou por meio de nota que já esclareceu ao TSE todas as dúvidas e ratificou os erros apontados pelo tribunal. Segundo o partido, todos as doações foram registradas com os devidos recibos eleitorais, inclusive as da Odebrecht e Construbase, e as falhas detectadas são erros meramente contábeis.
Saiu no Estadão (link no final do artigo). E com uma visão positiva. Faculdade de Medicina da Unicamp, uma das melhores do país, teve 88,2% dos aprovados provenientes de escola pública.
Sabendo que, nos áureos tempos do vestibular, a seleção para a Medicina Unicamp era até mais rígida do que a da Medicina da USP, só essa manchete já teria que causar estranheza em pessoas que estejam preocupadas com a verdade e não com o mundo idealizado das fanfics de esquerda.
Todos nós sabemos que a qualidade do ensino público não melhorou nas últimas décadas. Muito pelo contrário. Então, como explicar que um dos processos seletivos mais difíceis do Brasil ter tido quase a totalidade das vagas para alunos provenientes da escola pública? Das duas uma: ou os alunos de escolas privadas perderam o interesse em cursar Medicina, o que não seria de se espantar após toda a campanha de demonização dos médicos feita pelo Governo Dilma; ou alguma “engenharia” foi utilizada para obter esse resultado.
Mas basta ler o corpo do artigo e já constatamos que esse resultado nunca deveria ter sido divulgado como algo bom, mas sim como algo extremamente preocupante.
“O curso mais concorrido da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) foi o que teve a maior proporção de alunos aprovados que fizeram todo o ensino médio em escola pública. O resultado foi divulgado nesta sexta-feira, 12, e indicou que, dos 110 selecionados na primeira chamada para Medicina, 97 – ou 88,2% – são oriundos da escola pública. A Unicamp não adota cotas, mas um sistema de bonificação e, pela primeira vez, os aprovados que estudaram em escola pública superaram os de escolas particulares.”
Notem que o jornalista afirma que a Unicamp não adota cotas, como que para dar a entender que não existe privilégios, mas isso está errado. Se é dado um bônus para o aluno proveniente da escola pública, o que o beneficia em comparação ao aluno de escola privada, isso é até pior do que as cotas. Pelo menos as cotas são fixas. Se você estabelece uma cota de 20%, os outros 80% das vagas são garantidos para os alunos que obtiverem melhores notas. Ao se dar uma bonificação, seja lá qual for, você corre sérios riscos de impedir que todos os alunos da rede privada tenham acesso ao curso, o que quase aconteceu esse ano.
Mas a coisa ainda fica pior. Uma leitura adicional mostra como alguns administradores públicos estão impondo suas ideologias e potencialmente destruindo as poucas instituições que ainda fazem um bom trabalho no país, como a Unicamp. Descobrimos que a Unicamp não só bonifica os estudantes provenientes de escola pública, mas também aqueles que se autodeclaram (esse termo que já deixa brecha para a fraude) pretos, pardos e indígenas (PPI). Ou seja, você é branco e teve condições de estudar na escola privada? A Unicamp não te quer lá…
“De acordo com a Unicamp, 51,9% dos estudantes aprovados para as 3.320 vagas disponíveis em 70 cursos de graduação vieram da escola pública. E, desses, 43% são autodeclarados pretos, pardos ou indígenas (PPI). Com esses números, a Unicamp antecipou em um ano o alcance da meta que havia estipulado em 2003, de ter metade dos aprovados vindos de escola pública e 35% de PPIs.”
O que mais surpreende é descobrir que uma Universidade estabeleceu uma meta que é independente de suas ações. Quem tem que estabelecer uma meta para alunos de escolas públicas conseguirem entrar na universidade são os órgãos responsáveis pelo ensino fundamental e médio! Já estabelecer uma meta para PPI constitui puro racismo, tipo “não sabemos quem quer estudar aqui, mas X% terão que ser negros, pardos ou indígenas”.
Como nada é suficientemente ruim, que não possa piorar, ainda nos deparamos com essa informação:
O reitor da Universidade, José Tadeu Jorge, afirmou que “O dia de hoje é uma data histórica, um marco para a Unicamp, um marco para as ações de inclusão das universidades públicas’. Ele ainda classificou o resultado como um sucesso do Programa de Ações Afirmativas e Inclusão Social (PAAIS), que funciona com um sistema de bonificação para esses dois grupos.”
Sucesso de um programa de ação afirmativa, senhor reitor, seria se a Unicamp tivesse um curso preparatório, gratuito para essas populações citadas, que capacitasse os alunos a entrarem na Universidade sem nenhum privilégio. Aliás, descobrimos que nem mesmo dando um pequeno bônus isso adiantou.
“As metas foram alcançadas após mudanças promovidas em 2015 pela universidade. Na disputa do ano passado, os resultados de inclusão foram os piores em cinco anos, com a proporção de oriundos de escolas públicas de apenas 30,2% e 15,7%, de PPIs. Em 2014, a taxa havia sido de 36,9% e 18%, respectivamente.”
Sim!! É isso que você leu. O sistema de bônus foi instituído em 2003 e, em 2015, mesmo assim, os alunos que se beneficiavam desse bônus NÃO CONSEGUIAM SER APROVADOS nos cursos!! Qual a solução? A mesma utilizada para reduzir a taxa de microcefalia no Brasil: mudar os índices.
“À época, a avaliação interna da Unicamp foi a de que seriam necessárias políticas mais agressivas para atingir o objetivo de inclusão. Até 2015, os candidatos tinham direito ao bônus somente na segunda fase do vestibular. Para este ano, os pontos extras passaram a ser acrescidos às notas tanto da primeira como da segunda etapa.”
A esse ponto do texto, a gente já fica se perguntando por que o jornalista nem sequer questionou a correção dessas “políticas mais agressivas”. Aliás, esse termo é bem acertado. É uma política extremamente agressivas com os alunos brancos e provenientes de escolas privadas…
Mas pelo menos deram voz a um crítico (leve) do sistema. Renato Pedrosa, do Departamento de Política Científica e Tecnológica da Unicamp e ex-coordenador do vestibular da universidade na época da criação do sistema de bonificação, afirmou: “Mas é preciso analisar que alunos bem qualificados de escolas particulares podem ter sido prejudicados. A política de bonificação busca equalizar oportunidades, mas não pode causar um desequilíbrio e excluir um grupo bem preparado”.
Mas como funciona esse sistema de bonificação? É uma simples ajuda ou pode realmente desequilibrar a disputa? Vejam as regras do PAAIS:
“Após a 1ª fase do vestibular, serão adicionados 60 pontos à Nota Final da 1ª fase (NF1) e para os convocados para a 2ª fase, serão adicionados 90 pontos à Nota da Redação (NR) e 90 pontos às notas das demais provas da 2ª fase (NF2). Aos participantes do PAAIS que se autodeclararem pretos, pardos ou indígenas (segundo a classificação utilizada pelo IBGE), serão adicionados outros 20 pontos à NF1, e para os convocados para a 2ª fase, serão adicionados mais 30 pontos às NR e mais 30 às NF2.”
Não deixa de ser estranho que as mesmas pessoas que ficam indignadas com os “privilégios” de um filho de classe média, somente porque ele não precisou trabalhar ou estudou em boas escolas, sendo que nada disso é garantia de se aprender e entrar na faculdade, como fica comprovado pelos casos de filhinhos de papai que não entram em boas faculdades, não ficam igualmente indignadas com uma vantagem dada de forma automática para um aluno baseado em raça ou ter estudado em escola pública seja beneficiado. Isso, para eles, não é um privilégio.
Até o momento, estamos comentando sobre as regras utilizadas de forma geral, para qualquer curso superior. Agora vamos falar um pouco especificamente do curso de Medicina. Toda seleção para bons cursos de Medicina é rigorosa e concorrida. Faculdades de Medicina “fáceis” de entrar, geralmente, formam maus profissionais. E por que isso ocorre?
Durante a atividade profissional, o médico precisa ter certas habilidades que não foram avaliadas nas provas de vestibular ou mesmo durante o curso médico. Sangue frio, raciocínio rápido, atuar sobre pressão, tudo isso é qualidade indispensável para um bom médico. Eu tive uma colega de colegial (sim, eu sou do tempo que o ensino médio se chamava colegial) que tirava ótimas notas nos simulados da FUVEST, mas travava durante a prova oficial. Isso ocorreu por dois anos. Um pouco de terapia a ajudou a definir que só queria fazer Medicina porque todos os amigos fariam. Ao definir isso, prestou a FUVEST para Direito e entrou…
Vários colegas meus eram instrumentistas (um deles chegou a ganhar a Medalha Governador do Estado pela sua habilidade no piano) e já estavam aprendendo sua segunda ou terceira língua estrangeira. Um deles era uma cabeça tão privilegiada que, dois anos após sua formatura, decepcionou-se com a vida médica e decidiu fazer Direito na USP ENQUANTO trabalhava como médico e hoje é Juiz do Trabalho. Era esse tipo de pessoa que a FUVEST, com suas provas dificílimas, selecionava para ser médico e atender a população. E a Unicamp não ficava atrás nesse rigor.
Tive colegas que, mesmo sem existir cota ou bônus, estudaram em escolas públicas. Notava-se claramente nesses alunos um esforço e dedicação muito grandes, mas nenhum vitimismo.
Por mais que uma pessoa ache que esse sistema de cota ou bônus seja correto, ou justo, ou necessário, uma coisa essa pessoa não pode negar: a qualidade do ensino público é absurdamente pior que o ensino privado. Como essa mesma pessoa pode acreditar que seis anos de curso de Medicina serão capazes de transformar esse aluno mal formado num médico de qualidade?? Dentro de uma década, esses médicos da Unicamp, que só foram aprovados graças ao bônus, estarão atendendo a população e a boa fama dessa Universidade começará a cair. Podem aguardar!
BAGDÁ (Reuters) - Homens-bomba e combatentes armados atacaram postos do exército e da polícia iraquianos na periferia oeste de Bagdá neste domingo, matando pelo menos 12 membros das forças de segurança e apreendendo posições em um silo de grãos e um cemitério, disseram autoridades.
O maior ataque perto da capital em meses ainda estava ocorrendo, disseram autoridades de segurança que culparam o Estado Islâmico. Uma agência de notícias que apoia o Estado Islâmico disse que o grupo havia lançado um "ataque amplo" em Abu Ghraib.
Homens-bomba em veículos e a pé atacaram posições do governo a 25 quilômetros do centro de Bagdá e próximas do aeroporto internacional, disseram funcionários do governo.
Dezenas de militantes dirigindo Humvees e picapes com metralhadoras atacaram a partir das zonas controladas pelo Estado Islâmico vizinhas de Garma e Fallujah, acrescentaram fontes militares e policiais.