BEIRUT/DIYARBAKIR, Turquia (Reuters) - Combatentes do Estado Islâmico atacaram a cidade de Tel Abyad, controlada pela milícia curda síria YPG na fronteira turca, bem como a cidade vizinha de Suluk neste sábado, disseram o porta-voz do YPG Redur Xelil e fontes de segurança turcas à Reuters.
O YPG e forças curdas de segurança interna da Síria foram capazes de "esmagar este ataque e cercar os atacantes", disse Xelil. "Os atacantes foram eliminados", acrescentou. Ele não deu nenhum número de vítimas.
O YPG capturou Tel Abyad do Estado Islâmico no ano passado em uma ofensiva apoiada por ataques aéreos liderados pelos Estados Unidos.
As fontes de segurança turcas disseram que o ataque foi lançado nas primeiras horas deste sábado em duas frentes e que o som de tiros e explosões, audível da cidade de Akcakale do lado turco, continuou por várias horas.
As fontes de segurança e uma testemunha em Akcakale disseram que aviões de guerra que se pensam pertencer à coalizão liderada pelos EUA contra o Estado Islâmico atingiram as posições jihadistas e que o exército turco aumentou as patrulhas em seu lado da fronteira.
A médica Laisa Nolasco perdeu uma mala no trajeto entre o aeroporto e Águas Claras e pede ajuda. Bagagem tinha equipamentos que ela usa para atender crianças
Laisa Nolasco, moradora de São Paulo, desembarcou na noite de ontem (25/2), por volta das 19h30 no aeroporto de Brasília. Tudo corria como o esperado. Até que, ao chegar em casa, ela percebeu que a mala havia sumido.
Após o desembarque, Laisa encontrou com uma amiga que foi buscá-la no aeroporto. “Eu tenho certeza de que coloquei a mala no banco de trás”, afirma. Mas, em algum lugar entre o ponto de partida e a chegada em Águas Claras, a mala foi perdida. “A nossa teoria é que a porta do banco traseiro tenha ficado aberta e a mala caiu”, conta.
Na bagagem, estavam os pertences profissionais de Laila, que está em Brasília a trabalho. A mala é azul, da marca Samsonite (como a da foto) e dentro ela carregava, além de roupas, certificados de medicina, jaleco, carimbos e instrumentos de trabalho.
O caminho percorrido foi: ao sair do aeroporto, o carro passou pelo Setor Policial, EPTG, viaduto de acesso à Águas Claras (próximo ao Walmart), e Avenida das Araucárias.
Se você encontrou a mala perdida, pode entrar em contato pelo telefone (11) 93100-5688 ou (61) 8173-7480.
O técnico do Flamengo, Muricy Ramalho, já havia ventilado a hipótese depois da vitória do rubro-negro sobre o Fluminense em Brasília, e o presidente do clube, Eduardo Bandeira de Mello, esteve em Brasília na tarde desta sexta-feira (26/2), ratificar o acordo com o GDF: o Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha seria a casa do Flamengo no Brasíleirão 2016.
Apesar de a conversa com o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, ter corrido sem problemas, o animado Bandeira de Mello que entrou no gabinete do governador não foi o mesmo que saiu. Informado que a CBF vetou a "transferência de domicílio", Bandeira disse à saída: "A CBF vetou, depois de quase um ano acenando positivamente. Agora, vi que a CBF compactua com os mesmos princípios da Federação do Rio de Janeiro. A diferença é que não xinga a mãe dos outros", criticou, em entrevista ao Correio, lembrando um desentendimento com o presidente da Ferj, Rubens Lopes, na reunião de conselho arbitral do Carioca do ano passado e referindo-se à guerra política que o clube trava com a Federação do Rio. Para o presidente do Flamengo, o não a Brasília é uma prova de que a CBF está incomodada com o clube.
Segundo o secretário-geral da CBF, Walter Feldman, porém, a versão é outra. Também em entrevista ao Correio, o dirigente explicou que o Flamengou pediu para jogar as 19 partidas a que tem direito de mando no Brasíleirão em Brasília, mas que isso não é possível, de acordo com o Regulamento Geral das Competições. "Consultamos o jurídico e, do ponto de vista legal, isso não é possível. Para jogar fora do estado, o Flamengo precisa da concordância dos adversários, isso está previsto no Regulamento Geral das Competições da CBF. Se houver um acordo jogo a jogo com a federação carioca e o adversário...", explicou Feldman.
A grande reforma Na foto acima, a construção da nova casa de Erenice; na imagem abaixo, a residência que foi demolida
Nos últimos dias do ano passado, uma casa de dois pavimentos começou a ser erguida em um terreno de 1.300m² na área mais nobre de Brasília, o Lago Sul. A futura residência, que deve ficar pronta em mais seis meses, tem como dono a empresa Gaya Participações Societárias S/A, cujo principal acionista é o marido da ex-toda-poderosa-ministra Erenice Guerra. Em julho de 2014, a empresa fechou a compra do imóvel por R$ 4,3 milhões, segundo documentos obtidos pelo Correio. O intermediário no negócio foi o contador José João Appel de Mattos, investigado pela Polícia Federal na Operação Acrônimo.
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou R$ 2,7 milhões em pagamentos da Guerra Advogados Associados, empresa de Erenice, para o escritório do contador entre 2011 e 2015. A movimentação foi considerada “atípica”. Enquanto isso, uma casa mais modesta e antiga veio abaixo no terreno da QI 11. No lugar, a residência de dois andares em nome da empresa do marido da ex-ministra, alvo da Operação Zelotes, começou a ser construída para abrigar o casal, que, terminada a reforma em seis meses, vai se mudar para o imóvel, segundo resposta da assessoria ao Correio na noite de ontem.
A casa foi comprada em nome da Gaya, que tem 99% de participação do engenheiro eletricista José Roberto Camargo Campos, o marido da ex-ministra da Casa Civil. Segundo a assessora da empresa, o imóvel foi comprado com “recursos próprios”. Eles usaram a intermediação do contador Appel para evitar pagar mais caro. “Trata-se de estratégia comercial, comum no mercado imobiliário, buscando-se evitar a especulação do preço do imóvel”, disse a assessoria. “A prova é que tão logo a compra do imóvel foi efetivada, as ações da empresa foram transferidas para o seu presidente, José Roberto Camargo Campos, comprovando a total transparência de procedimentos.”
Em entrevista ao Correio, o advogado de Appel, Daniel Gerder, disse que a casa é de Erenice. E afirmou que parte do dinheiro da casa pode ter vindo desses recursos identificados pelo Coaf. Segundo ele, a ex-ministra foi quem pediu a intermediação de Appel, seu contador à época. O objetivo era evitar um aumento de preço se o vendedor soubesse que negociava com uma figura conhecida. “Se alguém fosse vender qualquer coisa para a Erenice, só pelo fato de ser a Erenice, cobraria mais. Qualquer pessoa que for vender uma alguma coisa para a Erenice, o Fernando Henrique (Cardoso, ex-presidente da República), o Ronaldinho (ex-jogador de futebol) vão cobrar mais.” Gerder enfatizou que a compra foi declarada, incluindo as transferências de dinheiro da ex-ministra para Appel, o recebimento dos recursos, e a transferência do imóvel para a ex-chefe da Casa Civil. O contador fez a declaração de Erenice à Receita informando sobre o imóvel, segundo o advogado.
“A única coisa que se quis evitar foi o sobrepreço do imóvel em virtude de ser para a Erenice.” Desde o ano passado, a ex-ministra e outras pessoas consideradas “politicamente expostas” deixaram de ser atendidas pelo contador, a exemplo do pivô da Acrônimo, o empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, o “Bené”, ligado ao governador de Minas, Fernando Pimentel (PT).
A residência, que antes ocupava o espaço da obra, havia sido construída em 1979. Em 2009, foi vendida para um vizinho, que a negociou em 2014 com a Gaya. O contrato de compra foi assinado por Appel em maio daquele ano, 10 dias antes de a Gaya ser criada. A entrada da casa, de R$ 300 mil, foi paga pelo escritório do contador no mesmo mês. Com a empresa criada e os R$ 4,3 milhões depositados na conta bancária do vendedor, a escritura foi repassada à firma, uma sociedade anônima de capital fechado. Em setembro do ano passado, a Administração Regional do Lago Sul atestou a conclusão de obras de demolição da casa antiga. Com isso, a valorização do imóvel deve superar em muito os R$ 4,3 milhões pagos em 2014 por um terreno com uma residência de 35 anos de idade.
Parceria Erenice é investigada na Operação Zelotes. Um contrato mostra que ela e o lobista e ex-integrante do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) José Ricardo Silva, que está preso na Papuda e denunciado por suposta compra de medidas provisórias, assinaram um acordo para defender os interesses da empresa de telecomunicações chinesa Huawei perante a Receita e ao próprio colegiado. O advogado de José Ricardo, Getúlio Humberto de Sá, diz que ele não tinha incompatibilidade legal de atuar como defensor e julgador à época. Erenice admitiu a parceria à Polícia Federal em dezembro. Ela negou receber propina para compra de MPs em favor de montadoras.
Memória
Tráfico de influência
Em novembro de 2010, Erenice Guerra renunciou ao cargo de ministra-chefe da Casa Civil. As denúncias de tráfico de influência e lobby, que envolveram os dois filhos, Saulo e Israel Guerra, inviabilizaram a permanência dela no governo, levando ao pedido de demissão dois dias após a revelação do caso. Erenice tinha sido secretária-executiva da Casa Civil, antes de suceder Dilma Rousseff, que deixou o cargo para concorrer ao Planalto.
Em setembro daquele ano, a Polícia Federal abriu investigação contra Israel Guerra, mas sem incluir a ministra, por não haver indícios de sua participação no caso. Israel e Saulo supostamente intermediavam contratos entre uma empresa de transporte aéreo, por meio de empresa de consultoria, com os Correios, mediante pagamento de propina. Além da facilitação de um empréstimo de R$ 9 bilhões pelo Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) para uma empresa do setor energético.
Erenice redigiu a carta de demissão e, em 16 de novembro, afirmou que passava por “campanha de desqualificação” motivada por “paixões eleitorais”. A ex-ministra justificou a renúncia ao cargo na carta de demissão, alegando “defender sua imagem e a da família”.
Em 2015, Erenice voltou aos holofotes, convocada pela PF para prestar depoimento sobre suposto envolvimento num esquema de compras de medidas provisórias, investigado na Operação Zelotes. A ação da PF apurava irregularidades em julgamentos do Conselho Administrativo de Recursos Federais (Carf). O órgão, ligado ao Ministério da Fazenda, tinha vínculos com uma empresa que recebeu R$ 57 milhões de uma montadora de carros entre 2009 e 2015, em troca da aprovação da MP 471 de 2009.
“Se alguém fosse vender qualquer coisa para a Erenice, só pelo fato de ser a Erenice, cobraria mais” Daniel Gerder, advogado do contador José João Appel de Mattos, sobre a compra
1.300m² Tamanho do terreno da casa comprada por Erenice
Superintendente da Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo (COHAB-SP) e ex- secretário-adjunto de Habitação e de Licenciamento na gestão do prefeito Fernando Haddad, o arquiteto Paulo Ricardo Giaquinto foi responsável por uma reforma no prédio do Instituto Lula, no Ipiranga, em São Paulo. Giaquinto protocolou na subprefeitura do bairro um auto de regularização de uma reforma noInstituto Lula, para legalizar melhorias feitas no imóvel, perante à subprefeitura do bairro. É o que mostra um documento obtido por ÉPOCA. O pedido foi reprovado em 10 de novembro de 2011. Houve dois pedidos de reconsideração, mas a regularização foi novamente negada em 3 de fevereiro de 2012 e 27 de junho de 2012. Em 2013, Giaquinto recebeu pelo menos R$ 40 mil da construtora Odebrecht.
“A reforma era uma ampliação da garagem. O projeto de regularização tinha uma ampliação na garagem, porque foi feito um auditório e mais uns pequenos acertos”, afirmou Giaquinto a ÉPOCA. Sócio do escritório Lowenthal e Giaquinto, ele amite que recebeu da Odebrecht. Nega, no entanto, que os pagamentos estejam ligados a seu trabalho para o Instituto Lula. Afirma que recebeu porque foi contratado para apresentar a licença de execução de obras do Estádio do Corinthians em Itaquera, Zona Leste de São Paulo. Para o Instituto Lula, Giaquinto diz que trabalhou de graça. Afirma que apenas participou da etapa de regularização da reforma - não foi o responsável pelas obras.
Na Subprefeitura do Ipiranga, o processo administrativo da reforma é poupado do acesso ao público. De acordo com a subprefeita Edna Diva Miani Santos, só falta a apresentação de um documento para a regularização. “Não tem nenhuma irregularidade. É só um documento que está faltando. É simplesmente refazer um desenho que foi feito errado”, afirma. O Instituto Lula não se pronunciou sobre a reforma. A construtora Odebrecht informou que “em pesquisa realizada no curto espaço de tempo desde a chegada da solicitação da revista, a Construtora Norberto Odebrecht identificou pagamentos à pessoa jurídica mencionada por serviços prestados. Nenhum deles, entretanto, relacionados ao Instituto Lula”.
Indígena fazia o artesanato para se sustentar longe da aldeia onde vivia. (Foto: Divulgação/MPF)
Um índio da etnia Wai-Wai foi multado em quase R$ 3 milhões pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), em 2009. Nesta sexta-feira (26), o Ministério Público Federal (MPF/PA) se manifestou em parecer enviado à Justiça Federal pedindo que a multa seja anulada por ser desproporcional.
O indígena confeccionava e transportava artesanato feito com penas de aves e foi autuado pelo Ibama em Oriximiná, no oeste do Pará, em 2009, com 132 peças de artesanato. A Defensoria Pública da União (DPU) entrou com ação pedindo anulação da multa e o MPF foi chamado a dar parecer, como fiscal da lei.
"A título de comparação, a Norte Energia, pessoa jurídica responsável pela mais cara obra pública em andamento no Brasil, orçada atualmente em R$ 32 bilhões, foi atuada pelo Ibama em apenas R$ 8 milhões, por crime ambiental inegavelmente mais grave que a conduta praticada pelo indígena”
procurador Camões Boaventura
O procurador Camões Boaventura, de Santarém, chamou a atenção pela desproporcionalidade da multa aplicada. "A título de comparação, a empresa Norte Energia S.A, concessionária da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, foi multada pelo Ibama no valor de R$ 8 milhões por ter provocado a morte de 16 toneladas de peixe. A Norte Energia, pessoa jurídica responsável pela mais cara obra pública em andamento no Brasil, orçada atualmente em R$ 32 bilhões, foi atuada pelo Ibama em apenas R$ 8 milhões, por crime ambiental inegavelmente mais grave - e de mais severa repercussão socioeconômica - que a conduta praticada pelo indígena”, defendeu.
Funai A Fundação Nacional do Índio (Funai), também se manifestou no processo e informou à Justiça que o índio multado pelo Ibama não trabalha com produção em larga escala, nem mesmo com recursos ou tecnologias que causem impacto ambiental sobre a população local de papagaios.
“Ademais, a fabricação de adornos não impacta o meio ambiente nem afeta o modo de vida tradicional da etnia Wai Wai. Ao contrário, fortalece as estratégia de sustentabilidade cultura, ambiental e econômica desse povo”, opinou a Funai.
Diversidade cultural Para o MPF, a atuação do Ibama na aplicação da lei deve considerar obrigatoriamente a diversidade cultural dos povos que habitam o país, em obediência também à Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho.
“A autarquia federal (Ibama) deveria ter considerado que o artesanato constitui uma forma de expressar a identidade étnica, que é o conjunto de aspectos socioculturais identitários, cosmológicos e valores que compõem cada etnia. O artesanato também é uma importante fonte de renda para centenas de povos indígenas no Brasil, especialmente aqueles indígenas que residem em centros urbanos”, diz o parecer.
O índio Timóteo Taytasi Wai-Wai estuda no núcleo urbano de Oriximiná e usava a venda de artesanato para se sustentar longe da aldeia. Depois da autuação e da multa do Ibama, além da dívida, encontra dificuldade para continuar os estudos.
O MPF destaca no parecer que os povos indígenas, com técnicas reconhecidamente sofisticadas de manejo da agrobiodiversidade e tecnologias de baixo impacto ambiental, protegem o meio ambiente em seus territórios, o que se traduz no índice de desmatamento de terras indígenas, que na média não passa de 1%.
“Bastante inferior ao índice encontrado em unidades de conservação gerenciadas pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, órgão do governo brasileiro), por exemplo”.
Informação foi divulgada no pedido de prorrogação feito pela PF à Justiça.
João Santana é marqueteiro do PT e foi preso pela 23ª fase da Lava Jato.
João Santana e sua mulher e sócia, Mônica Moura, foram presos pela PF na 23ª fase da Operação Lava Jato (Foto: Cassiano Rosário/Futura Press/Estadão Conteúdo)
Uma planilha mencionada pela Polícia Federal (PF), no pedido da prorrogação da prisão temporária do marqueteiro do Partido dos Trabalhadores (PT) João Santana e da mulher Mônica Moura, aponta sete pagamentos que somam R$ 4 milhões da Odebrecht a João Santana entre 24 de outubro e 7 de novembro de 2014. A informação foi divulgada pela Revista Época na manhã desta sexta-feira (26).
De acordo com os investigadores, os valores foram debitados de um saldo de origem ainda não esclarecida que eles acreditam ser à margem da contabilidade oficial da Odebrecht. A Polícia Federal diz chamar atenção os valores e os períodos do pagamento.
"Chama a atenção não só a quantidade e os valores vultuosos dos pagamentos feitos em favor de Feira, mas também o fato de que se tratam de pagamentos recentes, realizados já posteriormente ao início da Operação Lava Jato, e também posteriores à primeira medida de busca e apreensão executada em sedes do Grupo Odebrecht no âmbito desta operação", afirma a PF.
A planilha também associa o casal a R$ 23 milhões referentes ao ano de 2008 e correspondentes a eleições municipais no Brasil. São citados os nomes de Gleisi Hoffmann, Marta Suplicy, e Vander Loubet, à época todos no PT. Também é citada a eleição em El Salvador.
Já no ano de 2011 a referência ao casal aparece ligada a pagamentos que somam R$ 26 milhões. Segundo as investigações, os pagamentos em reais desqualificam a argumentação de João Santana e Monica Moura de que os valores pagos pela Odebrecht eram referentes apenas a campanhas no exterior.
Prisão prorrogada Nesta tarde, após o pedido de prorrogação prisão feito pela PF e também pelo Ministério Público Federal (MPF), o juiz federal Sérgio Moro, que é responsável pelos processos oriundos da Lava Jato na primeria instância,prorrogou por cinco dias a prisão temporária do casal e de Maria Lúcia Tavares, funcionária da Odebrecht.
Os três foram presos nesta semana pela 23ª fase da Operação da Lava Jato e estão detidos na carceragem da PF, em Curitiba. A prisão de Maria Lúcia Tavares venceria nesta sexta, já a do casal no sábado (27).
"Os documentos analisados não só demonstram que Maria Lúcia em algum grau gerenciava a contabilidade paralela da Odebrecht, destinada ao pagamento de vantagens indevidas, mas também que Maria Lúcia [funcionária da Odebrecht] tem pleno conhecimento de que o codinome FEIRA – referido na planilha e também nas anotações de Marcelo Bahia Odebrecht – se refere ao casal João Santana e Monica Moura”, diz a Polícia Federal em documento que pede a prorrogação da prisão do trio.
Já Marcelo Bahia Odebrech é presidente afastado da holding Odebrecht. Ele foi detido na 14ª etapa da Operação Lava Jato, em junho de 2015, e, desde então, continua preso. O executivo responde a duas ações penais originadas a partir da Lava Jato por crimes como corrupção e lavagem de dinheiro.
Casal mentiu, diz MPF O MPF também citou no pedido à Justiça Federal, pela prorrogação da prisão temporária do casal e de Maria Lúcia Tavares, o valor de R$ 4 milhões entregues pela Odebrecht a João Santana e Mônica Moura.
A tabela relata a existência de sete pagamentos em que o status da planilha aponta estar "totalmente atendida" – o que demonstra, segundo o MPF, que dos de R$ 24,2 milhões, pelo menos R$ 4 milhões foram entregues pela Odebrecht a João Santana e Mônica Moura, referidos como "Feira", até o dia 3 de julho de 2014.
Inclusive, por essa razão, o MPF afirma que João Santana e Mônica Mourra mentiram nos interrogatórios, já que a tabela apreendida e analisada em conjunto com as anotações manuscritas revela que o casal recebeu efetivamente valores em reais, no Brasil, em 2014. "Valores estes evidentemente vinculados a crimes praticados por executivos do grupo Odebrecht contra a Petrobras", dizem os procuradores no documento.
Outro ponto de mentira do casal, ainda conforme o MPF, seria a negação de ambos sobre o apelido "Feira". "Apesar de João Santana e Mônica Moura terem negado veemente utilizarem o apelido 'Feira' para o recebimento dos valores, as anotações manuscritas apreendidas na residência de Maria Lucia revelaram claramente que a menção 'Feira-Mônica' corresponde ao casal João Santana e Mônica Moura, uma vez que os telefones anotados abaixo de 'Feira' correspondem aos números utilizados por ambos", diz um trecho do documento protocolado no processo eletrônico na Justiça Federal.
Outro lado A construtora Norberto Odebrecht informou que não tem conhecimento da planilha apresentada pela autoridade policial e que não tem como comentar a veracidade ou o significado.
Por meio de nota, o advogado Fábio Tofic, que defende João Santana e Mônica Moura, afirmou que a polícia está desviando o foco do principal – o de que cada centavo que receberam é fruto de trabalho lícito, fruto de trabalho honesto que realizaram. A defesa ainda disse que o casal não é operador de proprina, nem lavador de dinheiro e que nunca teve qualquer contato com o poder público.
O deputado Vander Loubet não quis comentar a denúncia.
A senadora Gleisi Hoffmann disse que desconhece o material citado e não tem nenhuma informação a respeito.
A defesas de Maria Lúcia Tavares não foi localizada.