quinta-feira, 9 de julho de 2015

Dilma pede mais espaço para Brics e diz que grupo é 'força motriz' global Presidente discursou em cúpula dos Brics na cidade de Ufa, na Rússia. Ela defendeu reformulação no FMI e falou da 'persistência' da crise mundial.

O presidente russo, Vladimir Putin; o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi; a presidente Dilma Rousseff; o presidente da China, Xi Jinping; e o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, após cerimônia da VII Cúpula do Brics (Foto: Sergei Karpukhin / Reuters)O presidente russo, Vladimir Putin; o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi; a presidente Dilma Rousseff; o presidente da China, Xi Jinping; e o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, após cerimônia da VII Cúpula do Brics (Foto: Sergei Karpukhin / Reuters)

A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quinta-feira (9), na cidade russa de Ufa, que a crise financeira internacional persiste afetando países ricos e os em desenvolvimento e que, na visão dela, os Brics (grupo de países que reúne Brasil, China, Índia, Rússia e África do Sul), continuarão a impulsionar o desenvolvimento global. Ela ainda pediu mais espaço para os países do grupo em organismos de governança mundial, como o Fundo Monetário Internacional e o Conselho de Segurança da ONU.
Dilma fez as declarações durante discurso na sessão plenária da VII Cúpula dos Brics, realizada na Rússia. Em sua fala, ela disse ainda que chegou o fim do "super ciclo" das commodities e que, com a crise financeira, "a recuperação dos países desenvolvidos ainda é lenta e frágil e o crescimento dos países em desenvolvimento foi agora afetado".
"A persistência da crise passou a exigir das nossas políticas econômicas novas respostas. Sabemos que chegamos ao fim do super ciclo das commodities. Sabemos que ainda permanece muita volatildidade no setor financeiro. Os emergentes, principalmente os Brics, estou certa disso, continuarão a ser a força motriz do desenvolvimento global. Seu peso deve se refletir nas instituições de governança internacional, o que reforça a necessidade de reformulação do fundo monetário", afirmou a presidente.
O discurso de Dilma foi acompanhado pelo presidente russo, Vladimir Putin; o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi; o presidente da China, Xi Jinping; e o presidente da África do Sul, Jacob Zuma.
Dilma defendeu também reformulação no Conselho de Segurança da ONU. "O Brasil acredita que um Conselho de Segurança da ONU reformado e ampliado será mais legítimo e eficaz no sentido de garantir a paz internacional e a segurança coletiva", afirmou a presidente.

China proíbe grandes acionistas de vender ações nos próximos 6 meses Tentativa é conter queda nos preços das ações que afeta mercados globais. Agência reguladora irá tratar com severidade qualquer violação da regra.

 80% dos investidores chineses são cidadãos (Foto: Reuters)80% dos investidores chineses são cidadãos (Foto: Reuters)
A agência reguladora de valores mobiliários da China tomou a medida drástica de proibir que acionistas com participações superiores a 5% vendam seus papéis nos próximos seis meses, numa tentativa de conter uma queda nos preços das ações que está começando a perturbar os mercados financeiros globais.
A China Securities Regulatory Commission (CSRC) afirmou em seu site na noite da quarta-feira (8) que irá tratar com severidade qualquer violação da regra. A medida parece já ter surtido efeito e fez os mercados asiáticos fecharem em alta nesta quinta-feira.
A proibição também parece se aplicar a investidores estrangeiros que detêm participações em empresas listadas nas bolsas de Xangai ou Shenzhen, embora a maioria de suas participações seja inferior a 5%.A polícia e a agência reguladora de valores mobiliários da China estão investigando mais de 10 pessoas e organizações por “má intenção” nas negociações das ações, segundo informou nesta quinta-feira (9) a agência Reuters, citando o jornal estatal “China Securities Journal”. A investigação foi centrada sobre as vendas de blue chips (as mais negociadas).
Separadamente, os principais acionistas dos maiores bancos chineses, incluindo ICBC, e empresas, como a Sinopec, prometeram manter suas participações e aumentar suas cotas nas companhias listadas.
Os anúncios ocorrem após o mercado de ações da China mostrar sinais de congelamento nesta quarta-feira, depois que as empresas correram para escapar da turbulência ao suspender suas ações e a CSRC alertou para um "sentimento de pânico" atingindo os investidores.
As ações chinesas perderam mais de 30% dos seus valores desde meados de junho. Para alguns investidores globais, o medo de que a turbulência no mercado chinês desestabilize a economia real é agora um risco maior do que a crise na Grécia.
De fato, o governo dos Estados Unidos está preocupado que a quebra do mercado acionário poderia atrapalhar a agenda de reforma econômica de Pequim.
"A preocupação, que é real, é sobre o que isso significa em relação ao crescimento de longo prazo na China", disse o secretário do Tesouro norte-americano, Jack Lew, nesta quarta-feira, durante um evento em Washington sobre a estabilidade financeira.
"Como é que as autoridades chinesas reagirão a isso e o que isso significa em termos de condições fundamentais da economia?"
Mais de 500 empresas chinesas listadas anunciaram a suspensão das negociações de suas ações nas bolsas de Xangai e Shenzhen na quarta-feira, elevando o total de suspensões a cerca de 1.300 - 45% do mercado ou cerca de 2,4 trilhões de dólares em ações, com as empresas procurando se afastar da carnificina.

Desemprego fica em 8,1% no trimestre até maio, diz IBGE Foi a maior taxa de desocupação para um trimestre até maio desde 2012. Índice supera a do trimestre encerrado em março (7,9%) e em abril (8%).

A taxa de desemprego subiu nos últimos três meses até maio deste ano e chegou a 8,1%, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice está acima do registrado no mesmo trimestre do ano anterior (7%) e supera ainda a do trimestre encerrado em fevereiro (7,4%). No trimestre encerrado em março a taxa foi de 7,9%, e em abril, de 8%.
TAXA DE DESEMPREGO
em % (o mês apontado é quando acaba o trimestre)
76,86,96,96,86,66,56,56,87,47,988,1em %Mai/14Jun/14Jul/14Ago/14Set/14Out/14Nov/14Dez/14Jan/15Fev/15Mar/15Abr/15Mai/156,577,5868,5
legenda
Foi a maior taxa de desocupação para um trimestre de março a maio desde 2012, segundo o IBGE.
Havia 8,2 milhões de pessoas de 14 anos ou mais idade desocupadas no país, na semana em que foi feita a pesquisa, informou o IBGE. "Esta estimativa era de 7,4 milhões no trimestre terminado em fevereiro, apontando aumento de 756 mil pessoas, ou seja, 10,2% que não estavam ocupadas e procuraram trabalho", analisou o IBGE. Em um ano, o contingente de desocupados cresceu 1,3 milhão, ou seja, 18,4%, informou o instituto.
“Foi a maior variação [aumento de 18,4% da desocupação no ano] da série [iniciada no primeiro trimestre de 2012] para este período de comparação”, informou o IBGE.
Segundo Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, o aumento de 10,2% da desocupação, em comparação aos três trimestres móveis anteriores (terminado em fevereiro) também foi o aumento mais intenso do que o observado em anos anteriores para o período analisado.

Os números fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, que substitui a tradicional Pnad anual e a Pesquisa Mensal de Emprego (PME). São investigados 3.464 municípios e aproximadamente 210 mil domicílios em um trimestre, informou o coordenador do IBGE.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Sancionada lei que que torna assassinato de policiais crime hediondo


PSDB não possui moral para atacar ninguém, diz vice-presidente do PT

Sem projeto, convenção do PSDB instala corrida para 2018 

Ataques à presidenta Dilma Rousseff e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva dão o tom da 12ª Convenção Nacional do PSDB que ocorreu, neste domingo (5), em Brasília. O evento reconduziu o senador Aécio Neves ao posto de presidente nacional da sigla.  


Foto: André Dusek/ Estadão Conteúdo
  
Com discursos inflamados, a tônica da convenção foi de ataques à presidenta Dilma Rousseff e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além disso, mesmo sem assumir publicamente a bandeira do impeachment, os tucanos professam que o atual governo pode acabar antes do previsto. “O governo vai retroceder em 2% da sua economia este ano e pode acabar, talvez, antes do que se imagina”, disse o senador Aécio Neves, derrotado por Dilma nas eleições de 2014.

Durante sua fala, Fernando Henrique Cardoso destacou que “o PSDB já mostrou que sabe governar”, ressaltou o ex-presidente, ao acrescentar que “o voto no PSDB é o voto na democracia, na decência e no desenvolvimento”. Um ponto alto da convenção foi a comemoração dos benefícios das privatizações dos governos FHC.

Na linha oposta, quando temas como o fim do fator previdenciário, a redução da maioridade penal e a legalização do aborto, apareciam no debate os caciques tucanos desconversavam.

Mesmo assim, Aécio Neves ainda destacou que o PSDB já deu provas de sua “maturidade política para conduzir o país” e reafirmou que “a história não se reescreve nem é referência de circunstâncias. O que foi construído nos governos do partido [PSDB] está aí para provar”.

Mesmo evitando falar em 2018, muitos dos presentes insinuaram o nome de Aécio Neves, derrotado em 2014, para concorrer nas próximas eleições. Ao final da convenção, o cenário de disputa deixou claro que 2018 já começou.

No entanto, até aqui, a sigla não apresentou projeto de país, pelo contrário, a cantilena dos tucanos continua sendo a de desgastar o governo Dilma, surfar na crise econômica e jogar na conta do governo os esquemas históricos de corrupção, agora investigados no governo Dilma.

Muito cacique para uma oca só

Com a tentativa de anuviar as cisões internas da sigla, a convenção previu que juntamente com a recondução de Aécio Neves ao cargo de presidente, na composição da nova executiva nacional, três nomes de São Paulo foram indicados pelo governador paulista Geraldo Alckmin.

São eles, o deputado federal Eduardo Cury (PSDB-SP), o deputado federal Sílvio França Torres (PSDB-SP), e o ex-deputado José Aníbal, presidente do Instituto Teotônio Vilela. Já o ex-governador Alberto Goldman permaneceu como um dos vice-presidentes da legenda. Os quatro são tidos como homens de Alckmin dentro do PSDB.

O clima de divisão interna do PSDB, ficou claro na última terça-feia (30/06), quando Goldman enviou uma carta à direção nacional da sigla na qual escreve com todas as letras: "Nós não temos um projeto de país".

Ele ainda disparou contra o senador tucano de Minas Gerais e destacou "a falta de debate interno se agravou no período recente de Aécio Neves"

Petrobras na mira dos tucanos

Com um discurso inflamado sobre a retomada do crescimento, o senador José Serra (SP) criticou a política acesso população à serviços e produtos implementada pelo governo desde 2003. "O PT torrou recursos em consumo", disparou o tucano ao falar sobre a política de ampliação da renda de uma parcela dos brasileiros.

Como receita, Serra voltou a destilar seu veneno contra o regime de partilha proposto pelo governo Dilma e a maior empresa brasileira, a Petrobras.

Nordeste 

A Convenção do PSDB também refletiu sobre os resultados das eleições de 2014 e reconfigurou sua estratégia em relação ao Nordeste, região considerada, nas últimas eleições, um dos principais trunfos eleitorais do PT para a vitória de Dilma Rousseff.

A deputada estadual Terezinha Nunes (PSDB-PE) afirmou que a sigla está unida no Nordeste e o objetivo será reverter o cenário em favor dos tucanos. “O Nordeste virou a página e abandonou o PT. E vamos virar a página com um novo governo em 2018”, afirmou a deputada.

Sobre vexame na Venezuela

Na oportunidade foi apresentado um vídeo gravado pela deputada venezuelana Maria Corina, que faz oposição ao presidente Nicolás Maduro. Em poucas palavras, a parlamentar disse que foi importante para os venezuelanos terem recebido a visita de senadores capitaneados por Neves.

A apresentação tentou sanar o vexame da ida dos parlamentares de direita à Venezuela, que sofreu várias críticas de deputados e senadores de diferentes partidos, que taxaram de desastrosa a inciativa do senador mineiro de viajar e se intrometer em assuntos políticos daquele país.
 

Nova prefeita de Madri quer retirar os nomes franquistas das ruas Governo quer garantir o cumprimento da Lei de Memória Histórica

AMPLIAR FOTO
Cruzamento das ruas dos generais Yagüe e Varela. / LUIS SEVILLANO
A Prefeitura de Madri prevê a retirada de todos os nomes das ruas e praças que tenham relação com o bando franquista da Guerra Civil e com a ditadura. Segundo explicou ontem a porta-voz municipal, Rita Maestre, os funcionários querem realizar assim uma das promessas de campanha e garantir o cumprimento, ao pé da letra, da Lei de Memória Histórica – algo que não ocorreu com os governantes municipais anteriores do Partido Popular (PP).
Um dos objetivos do novo governo de Madri é aplicar a Lei de Memória Histórica em relação à simbologia e à nomenclatura que ainda são mantidas na cidade. Ontem, a porta-voz da Prefeitura, Rita Maestre, do Ahora Madrid, disse que o partido prevê “abordar” os nomes das ruas da capital que recordam pessoas, entidades e fatos relacionados com o franquismo. No entanto, admitiu que ainda “não existe um plano concreto” para o início da retirada das placas das ruas.

O Regime em 167 placas de rua

Não existe uma lista oficial. Em 2004, o grupo municipal da Esquerda Unida elaborou uma lista de ruas e praças a partir do livro Toponimia Madrileña. Proceso Evolutivo, de Luis Miguel Aparis. A obra foi publicada na Espanha em 1997.
Nomes duvidosos. Restam ruas como a dos generais Moscardó ou Fanjul que têm uma relação direta com o regime de Franco. Mas outras são mais duvidosas, como o falangista Agustín de Foxá, que também foi escritor, poeta e jornalista.
“Estamos avaliando a aplicação da Lei de Memória Histórica. Acreditamos que ela não está sendo 100% cumprida nas ruas”, informou a funcionária, lembrando que a Prefeitura receberá as propostas dos moradores para rebatizar os logradouros públicos em questão. “Mudaremos os nomes que não se ajustem à Lei estatal de Memória Histórica. Há propostas, mas não existe um plano concreto. Queremos que isto seja feito em coordenação com os distritos e as organizações sociais”, afirmou.
Os outros nomes que deverão submeter-se ao cumprimento da lei incluem, por exemplo, a rua dos Caídos de la División Azul, um contingente espanhol que integrou a Wehrmacht e que, entre 1941 e 1943, lutou junto ao Exército da Alemanha nazista. Outro caso é o da praça Arriba España, situada ao lado do parque Berlim, em Chamartín, e que foi batizada assim em 1947 em homenagem ao lema da Falange Espanhola.
Há também ruas, ginásios municipais ou mesmo institutos que terão de mudar os nomes, como o IES Eijo Garay que foi, além de bispo de Madri-Alcalá, conselheiro nacional das JONS (Juntas de Ofensiva Nacional-Sindicalista) e procurador dos tribunais franquistas.
Também destaca que é um dever democrático a "retirada dos espaços públicos daqueles que deram um golpe de Estado e que fizeram o terrível uso da violência como seu método de acesso ao poder”, segundo um comunicado da associação.Esses dados são compilados em um relatório elaborado pela Associação para a Recuperação da Memória Histórica, que também acrescenta outros nomes de ruas como Juan Ignacio Luca de Tena, que foi diretor do jornal conservador Abc, e que também perderia sua rua, segundo a Europa Press. A Associação pede que não se repita o que ocorreu quando a estátua de Franco foi removida do bairro Nuevos Ministerios, retirada "à noite e sem aviso prévio", e exige a explicação de quem era cada pessoa cujo nome está sendo retirado do espaço em questão.
Em dezembro de 2004, o grupo municipal da Esquerda Unida (IU) tentou que o plenário retirasse todos os nomes de ruas associados com o franquismo. Mas sua proposta foi rejeitada pela maioria no plenário do Partido Popular. Naquela época, o vice-prefeito Manuel Cobo justificou a decisão dizendo que considerava estúpido apagar "40 anos de história".
Por sua vez, o porta-voz municipal do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), Miguel Antonio Carmona, anunciou que apoiaria a iniciativa do Agora Madri. "Os socialistas criaram a Lei da Memória Histórica", lembrou.

Maneiras de ganhar a vida no Brasil que diz adeus ao pleno emprego Nayra, Marisete e Francisco Pedro contam a solução que encontraram após a demissão A morte do ‘curriculum vitae’: dicas para quem está buscando emprego

AMPLIAR FOTO
Após a demissão, Nayra investiu o FGTS em uma franquia. / VICTOR MORIYAMA
Nayra, Marisete e Francisco Pedro, como milhares de brasileiros, perderam seus empregos da noite para o dia. O desemprego que chegou a 6,7% em maio (menos 250 mil postos de trabalho formais só neste ano) obrigou o trio e a muitos outros a mudar seus planos de uma hora para outra, em meio a uma economia que prevê retração de 1,2% em 2015, a pior estimativa para o PIB em 25 anos. Cada um deles buscou alternativas diferentes para driblar a crise: um investiu o dinheiro do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço (FGTS) em uma franquia, outro migrou para a economia informal e o último deseja fazer o trajeto de migração inversa rumo a Pernambuco.
Dois meses após a demissão, foi a vez de seu namorado, Robson Yuki, entrar na lista dos cortes de uma empresa de construção civil, outro setor que está em maus lençóis por conta da fraca atividade econômica brasileira e dos desdobramentos da Operação Lava Jato. “Foi quando decidimos juntar forças, pegar os nossos dinheiros do FGTS e abrir uma franquia nova, a Panda (especializada em cafés, pão de queijo e petit gateau). Nunca almejei ter o meu próprio negócio, mas, após mandar dezenas de currículos, fazer entrevistas de emprego para diversas empresas e não ter nenhum retorno, não sobraram muitas opções”, explica.Nayra Marcula sentiu na pele as consequências dos cortes de mão de obra que o setor automotivo tem implementado – mais de 21.000 vagas já foram eliminadas nas montadoras desde o fim de 2013. Ela foi demitida, no fim do ano passado, de uma empresa de São Paulo que fabricava bancos de carros principalmente para a GM e a Volkswagen. “Eu e mais 30 pessoas fomos demitidas. A empresa tentou muito manter o pessoal, mas, com a queda nas vendas do setor, não tínhamos mais tantos pedidos”, conta Nayra, que trabalhava há quatro anos como analista de Recursos Humanos da empresa.
Nunca almejei ter o meu próprio negócio, mas, após mandar dezenas de currículos, fazer entrevistas de emprego para diversas empresas e não ter nenhum retorno, não sobraram muitas opções”
Nayra Marcula abriu uma franquia após ser demitida.
O casal decidiu escolher uma franquia de investimento mais baixo (cerca de 60.000 reais) e optou pelo ramo de alimentação por julgar ser um setor que sofre menos com as oscilações da economia, já que é uma venda por necessidade e não compulsiva. “Abrimos a loja em abril em Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo, e, pelo menos, conseguimos pagar as contas em dia. Não temos funcionários e o bom é que vendemos lanchinhos rápidos, os valores não são caros”, explica Nayra que pretende recuperar o investimento em 1 ano e meio.
O gerente do Sebrae-SP, Arthur Achôa, explica que, em momentos de recessão econômica, o número de pessoas que decidem empreender por necessidade pessoal, como no caso do casal, aumenta um pouco. “A estimativa é que em São Paulo, de 10 pessoas que procuram a entidade, 3 estão nesta situação de desemprego”, explica. “Esse número oscila de acordo com o cenário econômico”, afirma. Achoâ ressalta também que a opção de investir em franquias é mais comum entre os que estão começando a empreender. “As franquias são um pouco mais seguras de darem retorno pois já possuem um estudo de mercado, já há um planejamento inicial”, explica.

Vivendo de bico

A onda recente de demissões nos mais diversos setores também faz com que trabalhadores que perderam seus empregos com carteira assinada passem a viver de bicos ou como autônomos. O trabalho por conta própria, na maioria dos casos com rendimento inferior a 2.000 reais por mês, representa hoje 18,4% de todas as ocupações nas principais cidades do Brasil. Já os trabalhadores sem carteira assinada no setor privado somam 8,5%, de acordo com a Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE referente ao mês de maio.
O que se nota, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO) e da FGV, é que a desaceleração da economia também estaria alterando o ritmo de redução da informalidade do país. O Índice de Economia Subterrânea no Brasil, que mede o conjunto de atividades de bens e serviços que não são reportados ao governo, teve em 2014 queda de apenas 0,2 ponto porcentual em relação ao ano anterior, um recuo muito pequeno em relação aos outros anos.
“Não há como comprovar essa relação direta, mas numa situação de crise as pessoas precisam encontrar algum tipo de renda elas aceitarão trabalhos informais”, afirma Evandro Guimarães, Presidente Executivo do ETCO.
Marisete Santos, de 51 anos, foi uma das que migrou para o trabalho informal. Ela trabalhou 5 anos como terceirizada no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), na área de limpeza, e foi demitida, sem aviso prévio, com outros 20 funcionários por problemas financeiros da terceirizada. “Entrei em depressão, não achava emprego e decidi vender roupa na rua. Até agora, o que ganho aqui é parecido com o que ganhava antes. Compro tudo em atacado”, diz ela, dona de uma barraquinha em uma estação de metrô de São Paulo. Conta com a ajuda de outras cinco pessoas que não têm carteira assinada e diz que, nos últimos meses, tem percebido um aumento de vendedores informais na área em que trabalha.

De São Paulo para Pernambuco: migração inversa

Também há quem não acredite mais no sonho das grandes metrópoles, como São Paulo, e planeje o retorno a sua cidades de origem. É o caso do pernambucano Francisco Pedro da Silva, de 41 anos. Ele foi demitido há dois meses de uma gráfica na qual trabalhou por mais de 9 anos na capital paulista e escutou, como tantos outros brasileiros, a justificativa de corte de gastos. Agora, sem muitas perspectivas em São Paulo, ele pretende fazer o caminho inverso e voltar para o Nordeste após 23 anos.
Cheguei aqui com 17 anos à procura de emprego e me mantive até então. Naquela época no nordeste, a situação era pior e a migração para cá era a única esperança de uma vida melhor. Percebo que as coisas mudaram.
Pernambucano Francisco Pedro da Silva, de 41 anos
“Cheguei aqui com 17 anos à procura de emprego e me mantive até então. Naquela época no nordeste, a situação era pior e a migração para cá era a única esperança de uma vida melhor. Percebo que as coisas mudaram. Já mandei currículos para várias empresas e nada. Ao que parece, tenho mais perspectivas na minha terra natal”, explica. O plano de Silva é investir parte das verbas que recebeu na hora demissão como indenização em um minimercado em Petrolina, em Pernambuco, ainda que os índices econômicos na região não estejam melhores que o do resto do país. Ele acredita que agora é o momento para ter o próprio negócio. “Estou me preparando, me capacitando para entender melhor as ideias do negócio. Minha principal pendência antes de ir é vender a minha casa, mas agora é a hora certa de voltar com a minha família para Pernambuco.”