quinta-feira, 2 de julho de 2015

Milhares de emails de Hillary Clinton são divulgados Mais de três mil páginas estão disponíveis na internet

Hillary Clinton trocou milhares de mensagens sobre assuntos nacionais por email pessoal (foto: EPA)
Hillary Clinton trocou milhares de mensagens sobre assuntos nacionais por email pessoal (foto: EPA) SÃO PAULOZGT
(ANSA) - Mais de três mil páginas de emails da então secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, foram divulgados nesta quarta-feira (01) pelo Departamento de Estado.

Os documentos fazem parte das 55 mil páginas de correspondências eletrônicas que a política trocou através de seu email pessoal durante os anos de 2009 e 2013. Esses emails entraram na pauta de seus adversários políticos após ela ter admitido ter tratado de assuntos de interesse nacional por contas privadas, que não receberiam o correto arquivamento conforme prevê a legislação norte-americana.

As 1925 mensagens correspondem ao período de março a dezembro de 2009 e contêm informações sobre o atentado terrorista contra a embaixada dos EUA em Benghazi, na Líbia, em 2012 - sendo complementares às 300 páginas divulgadas no mês passado, por ordem da Justiça.

Todas as 55 mil páginas serão publicadas em blocos até janeiro de 2016. Os emails estão disponíveis no site http://foia.state.gov/Search/Results.aspx?collection=Clinton_Ema il (ANSA)
TODOS OS DIREITOS RESERVADOS. 2013 © COPYRIGHT ANSA

Apple vai lançar iPhone 6C com corpo de metal em 2016, diz especialista

Quando o iPhone 5S foi lançado, a Apple apresentou também o iPhone 5C, um modelo “baratinho”, com acabamento em plástico. Agora, prestes a lançar o iPhone 6S, a empresa já estaria desenvolvendo o iPhone 6C, porém, com corpo de metal e previsão de chegada ao mercado apenas no início do ano que vem.
iPhone 5C vai ganhar sucessor no ano que vem (Foto: TechTudo)iPhone 5C vai ganhar sucessor no ano que vem (Foto: TechTudo)

A Apple deve manter o modelo com uma tela de 4 polegadas, porém, sem o chassi de plástico que fez famoso o 5C. O novo smart colorido terá o revestimento em metal tradicional do iPhone. 
De acordo com Ange Wu, analista da Jefferies, empresa especializada em investimentos financeiros, o material para fabricação do iPhone 6C, e não somente do iPhone 6S e iPhone 6S Plus, já foi até pedido pela Apple para a fabricante Foxconn. 
Maior capacidade de armazenamento
Mas esta não é a única novidade sobre novos iPhones rolando nos últimos dias. Segundo informações da imprensa internacional, o iPhone 6S e o iPhone 6S Plus devem chegar ao mercado ainda este ano, provavelmente, em setembro, e é possível que tenham maiores capacidades de armazenamento.
iPhone 6S teve fotos vazadas nesta semana (Foto: Reprodução/9To5Mac)iPhone 6S teve fotos vazadas nesta semana (Foto: Reprodução/9To5Mac)
O jornal Korean Times fala que a Apple está pensando em investir em uma categoria mais acima dos 128 GB, que são o máximo atual dos iPhones. Especialmente, após a chegada do Apple Music. Recentemente, inclusive, fotos da parte interna dos corpos do 6S foram vazadas pelo site 9To5Mac, indicando que ele está mesmo perto de “sair do forno”.
Procurada pelo TechTudo a Apple explicou que não comenta sobre "futuros projetos, que podem ou não acontecer".
O que vocês esperam do próximo iPhone? Comente no Fórum do TechTudo.

Ex-diretor da Petrobras é preso na 15ª fase da Operação Lava Jato Jorge Luiz Zelada é suspeito de ser beneficiário da corrupção na estatal. Policiais cumprem cinco mandados judiciais, no Rio e em Niterói.

Polícia Federal (PF) deflagrou a 15ª fase da Operação Lava Jato na manhã desta quinta-feira (2) no Rio de Janeiro e em Niterói. Foi preso o ex-diretor da área Internacional da Petrobras Jorge Luiz Zelada.
Ex-diretor da Petrobras Jorge Zelada presta depoimento à CPI da Petrobras do Senado (Foto: Reprodução / TV Senado)Ex-diretor da Petrobras Jorge Zelada presta
depoimento à CPI da Petrobras do Senado
(Foto: Reprodução / TV Senado)
Ao todo, a PF cumpriu cinco mandados judiciais, sendo quatro de busca e apreensão e um de prisão preventiva (sem prazo).
O foco desta fase, que foi batizada de Conexão Mônaco, é o recebimento de vantagens ilícitas na diretoria da Petrobras. Os crimes investigados são corrupção, fraude em licitações, desvio de verbas públicas, evasão de divisas (envio ilegal de recursos ao exterior) e lavagem de dinheiro, segundo a PF.
O ex-diretor da Petrobras foi detido no Rio de Janeiro, em casa, e será encaminhado para a carceragem da PF em Curitiba até o fim da tarde desta quinta-feira, ainda de acordo com  a polícia.
Zelada foi citado pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, um dos delatores do caso, como beneficiário do esquema de corrupção na estatal. Outro delator, Pedro Barusco, o ex-gerente de Serviços da Petrobras, também mencionou Zelada ao explicitar a mediação de Renato Duque, que atuava na diretoria de Serviços, no esquema de pagamento de propina.
Duque está preso no Complexo Médico-Penal em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, e Costa cumpre prisão domiciliar no Rio de Janeiro.
Zelada foi o sucessor de Nestor Cerveró e atuou na área Internacional da Petrobras entre 2008 e 2012. Acusado de receber propina, Cerveró também está preso no Complexo Médico-Penal.
De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), Jorge Zelada teve 10 milhões de euros bloqueados por autoridades do Principado de Mônaco. A defesa do ex-diretor já havia negado que ele mantenha ou tenha mantido conta no exterior.
G1 tentou contato o advogado nesta manhã, mas até a última publicação deste texto não obteve resposta.

14ª fase
A 14ª fase da operação, chamada de "Erga Omnes", foi deflagrada no dia 19 de junho e cumpriu 59 mandados judiciais em SP, RJ, MG e RS. A operação teve como alvo as empreiteiras Odebrecht e Andrade Gutierrez e prendeu os seus respectivos presidentes - Marcelo Odebrecht e Otávio Marques de Azevedo.
Outros dez investigados, a maioria executivos das duas empresas, também foram presos na ação. Três deles tiveram a prisão temporária vencida e foram soltos. Alexandrino de Salles, executivo da Odebrecht, teve a prisão temporária (com duração de 5 dias) convertida em preventiva.
Segundo a PF, há indícios concretos, com documentos, de que os presidentes das empresas tinham "domínio completo" de atos que levaram à formação de cartel e fraude em licitações, além de pagamento de propinas.
Os investigados são suspeitos de crime de formação de cartel, fraude em licitações, corrupção de agentes públicos, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Medicamento para diabéticos ajuda obesos a perder peso


O Liraglutide, um medicamento injetável para diabéticos aprovado no ano passado nos Estados Unidos para a redução de peso, ajudou os obesos a perder uma média de 8 quilos em pouco mais de um ano
O Liraglutide, um medicamento injetável para diabéticos aprovado no ano passado nos Estados Unidos para a redução de peso, ajudou os obesos a perder uma média de 8 quilos em pouco mais de um ano - de acordo com um estudo publicado nesta quarta-feira.
A maioria dos pacientes conseguiu evitar o ganho de peso durante as 56 semanas de duração do estudo do fármaco denominado Saxenda, do laboratório Novo Nordisk, segundo a pesquisa publicada no periódico "The New England Journal of Medicine".
Os testes com Liraglutide foram realizados em 191 cidades de 27 países na Europa, Américas do Sul e do Norte, Ásia, África e Austrália.
Os indivíduos estudados eram maiores de 18 anos e tinham um Índice de Massa Corporal (IMC) igual ou acima de 30.
O IMC é calculado pelo peso em quilo dividido pelo quadrado da altura em metros. Um índice considerado saudável na maioria dos casos está entre 19 e 25.
Das 3.731 pessoas incluídas no estudo, quase dois terços receberam a droga junto com um treinamento para melhorar os hábitos de vida. O restante também melhorou os hábitos, mas recebeu um placebo.
Nem os pacientes nem os médicos tinham conhecimento de quem estava tomando o medicamento.
Entre os que receberam o Liraglutide, foi ministrada uma dose maior do que a prescrita para os pacientes diabéticos (1,8 mg). A medicação foi injetada diariamente.
O grupo que consumiu o placebo perdeu uma média de 2,72 kg, enquanto aqueles que ingeriram o medicamento perderam, em média, três vezes.
Pelo menos 63% dos pacientes que consumiram a droga perderam pelo menos 5% de seu peso corporal, contra apenas 27% do grupo com placebo.
Entre os efeitos colaterais, estão dores gastrointestinais, cálculos biliares e um leve aumento no risco de câncer de mama. Os pesquisadores alertam que mais estudos são necessários no caso deste último.
O Liraglutide foi usado em doses menores para tratar o diabetes nos últimos anos, e alguns pacientes perceberam que o remédio ajuda na perda de peso.
Cerca de 35% dos adultos americanos - pelo menos 100 milhões de pessoas - têm algum tipo de obesidade.

Câmara aprova em 1º turno nova proposta para reduzir maioridade Aprovação ocorreu um dia após PEC semelhante ser derrubada na Casa. Idade penal reduz para 16 anos em homicídio, lesão grave e crime hediondo.

Após polêmica sobre a validade da votação e com as galerias do plenário vazias, a Câmara dos Deputados aprovou na madrugada desta quinta-feira (2) proposta de emenda à Constituição (PEC) que reduz de 18 para 16 anos a maioridade penal para crimes hediondos, homicídio doloso, e lesão corporal seguida de morte. O texto ainda precisa ser votado em segundo turno antes de seguir para o Senado.
A aprovação se deu com 323 votos favoráveis, 155 contrários e 2 abstenções. Eram necessários ao menos 308 votos a favor para a matéria seguir tramitando. De acordo com o presidente da Câmara,Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a votação em segundo turno deverá ocorrer após o recesso parlamentar de julho, já que é preciso cumprir prazo de cinco sessões antes da próxima votação.
Pelo texto, os jovens de 16 e 17 anos terão que cumprir a pena em estabelecimento penal separado dos menores de 16 e maiores de 18. Ao final da votação, deputados seguraram cartazes na tribuna em defesa da proposta e comemoraram com gritos em plenário (veja vídeo acima).
A aprovação da proposta ocorre depois de aCasa derrubar, na madrugada de quarta-feira, texto semelhante, que estabelecia a redução casos de crimes cometidos com violência ou grave ameaça, crimes hediondos (como estupro), homicídio doloso, lesão corporal grave ou lesão corporal seguida de morte, tráfico de drogas e roubo qualificado.
Após a rejeição na noite anterior, Cunha afirmou que a Casa ainda teria que votar o texto principal, mas ressaltou que isso só ocorreria após o recesso parlamentar de julho. No entanto, após reunião com parlamentares favoráveis à redução da maioridade penal, ele decidiu retomar a análise do tema nesta quarta (1º) para apreciar um texto parecido com a proposta rejeitada.

Jovens da União Nacional dos Estudantes (UNE) e da União Nacional dos Estudantes Secundaristas (UNBES) não esperavam a retomada da votação e, por isso, não conseguiram fazer protestos como os mobilizados na noite anterior.

Cunha também não permitiu a entrada dos poucos estudantes que foram à Câmara para defender a derrubada da proposta, alegando que os manifestantes fizeram tumulto na noite anterior. A decisão do presidente da Câmara de votar um texto semelhante ao derrotado de madrugada também gerou bate-boca e questionamentos por parte de deputados contrários ao texto, mas o peemedebista conseguiu prosseguir com a votação.
Durante a sessão, deputados do PT, do PSOL e do PCdoB defenderam a derrubada da PEC. O governo defende alterar o Estatuto da Criança e do Adolescente e ampliar o tempo máximo de internação de 3 para 8 anos.
“Todos nós queremos resolver a questão da violência, da criminalidade, queremos evitar que crimes bárbaros terminem. Mas precisamos, de forma madura e responsável, encontrar qual a alternativa real para resolver o problema. E a alternativa real é alterarmos o Estatuto da Criança e do Adolescente. Os efeitos colaterais dessa redução da maioridade penal são maiores que os alegados benefícios”, disse o deputado Henrique Fontana (PT-RS).
O líder do governo, deputado José Guimarães (PT-CE), também discursou contra a proposta. “Não queremos jovem infrator na rua, mas queremos lugares decentes para que eles sejam punidos. Mas não dá para misturar os jovens com bandidos de alta periculosidade. O que está em jogo é o futuro dessas gerações. É um retrocesso se aprovarmos essas emendas”, afirmou.
Já parlamentares favoráveis à redução da maioridade penal argumentaram que a PEC não soluciona o problema da violência, mas reduz o sentimento de “impunidade”. "Nós sabemos que a redução da maioridade penal não é a solução, mas ela vai pelo menos impor limites. Não podemos permitir que pessoas de bem, que pagam impostos, sejam vítimas desses marginais disfarçados de menores", discursou o líder do PSC, André Moura (SE).
O líder do PMDB, Leonardo Picciani (RJ), um dos articuladores da votação nesta quarta, também defendeu a redução da maioridade penal. "O PMDB afrma a sua posição de maioria pela redução da maioridade penal, nos crimes especificados. Achamos que a proposta é equilibrada, ela é restrita", disse. “A sociedade não aceita mais a impunidade e não deseja mais sentir o medo, o pavor e o receio que vem sentido no dia a dia.”

Emenda apresentada na quarta
A proposta derrubada nesta quarta é produto de uma emenda aglutinativa – texto produzido a partir de trechos de propostas de emenda à Constituição apensadas ao texto que está na pauta do plenário.
Essa emenda foi elaborada pela manhã por deputados do PSDB, PHS, PSD e PSC, e protocolada na Secretaria-Geral da Mesa. No plenário, deputados do PT, do PDT e do PCdoB alegaram que a elaboração de uma proposta com teor muito semelhante ao texto derrubado contraria o regimento. Argumentaram ainda que, para ser votada, a emenda teria que ter sido elaborada e apensada antes da votação ocorrida durante a madrugada.
Cunha rebateu os argumentos citando o artigo 191, inciso V, do regimento interno da Câmara. Conforme esse trecho, na hipótese de rejeição do substitutivo (texto apresentado pelo relator da proposta, como é o caso), “a proposição inicial será votada por último, depois das emendas que lhe tenham sido apresentadas”.

Segundo o peemedebista, como o texto original ainda não havia sido votado, é permitida a apresentação de novas emendas aglutinativas com 
Os parlamentares continuaram a protestar e Cunha chegou a bater boca com eles. “Quando o senhor é chamado de autoritário, o senhor se chateia”, protestou o deputado Glauber Braga (PSB-RJ). Cunha rebateu: “Ninguém vai vencer aqui no berro”.
“Não imagine que o senhor vai nos escravizar, porque não vai. Não imagine que todos os parlamentares vão abaixar a cabeça”, emendou Braga. O deputado Weverton Rocha (PDT-MA) acusou Cunha de “aplicar um golpe”. A deputada Erika Kokay (PT-DF) chamou o presidente da Câmara de Luiz XIV, em referência ao rei francês absolutista, e disse que ele tentava sobrepor a sua vontade a dos parlamentares.
José Guimarães (PT-CE), fez um apelo para que a votação fosse suspensa e a Câmara discutisse como alternativa um projeto de lei que tramita no Senado ampliando de 3 para 10 anos o período máximo de internação de jovens infratores.
Segundo ele, “uma discussão tão importante como essa” não poderia ser tratada “com tamanho radicalismo”. Guimarães argumentou ainda que a aprovação da emenda poderia trazer “sequelas”.
“Reverter [a posição] de ontem para hoje é o melhor caminho? Claro que não, porque pode deixar sequelas”, disse sobre o impacto da redução. No entanto, Cunha não cedeu e continuou a sessão. Os parlamentares contrários à redução da maioridade decidiram, então, obstruir a sessão, utilizando-se de manobras previstas no regimento para postergar ao máximo a votação.

Quem está no volante do Brasil?

A presidente Dilma Rousseff andou no Driverless Car (carro sem motorista), desenvolvido pelo GoogleEm visita ao Google, na Califórnia, a presidente Dilma Rousseff teve a oportunidade ontem de conhecer um dos mais impressionantes avanços tecnológicos dos últimos anos: o carro autônomo, que anda sem motorista (na foto). A inovação tem um impacto semelhante ao causado pelas primeiras “carruagens sem cavalo”, que surgiram no final do século XIX. Parece mágica. Mas todos sabemos que não é. Há programas de computador sofisticados, capazes de interpretar os dados que recebem de câmaras e sensores para governar o automóvel.

Já escrevi aqui que a visita mais importante para Dilma nesta viagem aos EUA seria ao Google, pois ela teria oportunidade de ver e aprender como funcionam as coisas no maior centro de inovação do planeta, o Vale do Silício. Agora tenho dúvidas. É difícil acreditar que um passeio de 20 minutos num carro sem motorista seja capaz de mudar as ideias cristalizadas que ela tem sobre economia e desenvolvimento.

Um empresário desses que negociaram muito com o governo petista, depois acabaram presos na Operação Lava Jato, me descreveu bem como funciona a cabeça de Dilma: “Ela acredita que é possível estabelecer por antecipação um patamar ‘justo’ de lucro para um negócio, depois fazer as contas para saber quanto uma obra tem de custar”. Para ela, dizia o empresário, o governo tem o poder de estabelecer preços. A vida real, todos sabemos, não é bem assim. Preços flutuam, ora negócios são extremamente lucrativos, ora entram no vermelho, e os empreendedores apostam seu capital na maior parte das vezes sem saber como o mercado reagirá na realidade.

Daí vem a importância da inovação. As novas tecnologias permitem, ainda que temporariamente, estabelecer negócios mais saudáveis do ponto de vista financeiro – até que os competidores as copiem, e os preços naturalmente caiam. Depois venha a próxima inovação, e a próxima, e a próxima... Quem se beneficia dessa corrida tecnológica são os consumidores e a sociedade, cujo padrão de vida melhora. Será que o Google investiria tanta energia para desenvolver um carro autônomo se o governo tivesse estabelecido uma licitação com “tabelamento da margem de lucro”, como sonham nossos burocratas desenvolvimentistas?

O naufrágio político do governo Dilma tem origem na sua visão equivocada da economia. O resto é consequência. Quando a regra do mercado é o governo decidir o melhor, nada mais natural que surgirem empresários tentando usar a influência e a corrupção para receber favores do governo, como expliquei aqui na minha série de posts sobre a Lava Jato. Quando a realidade do mercado se impõe, a verdade vem à tona: contas públicas em desequlíbrio, pedaladas fiscais, queda no preço das commodities de que dependem nossas exportações, e a descoberta tardia de que o país pouco – se algo – tem feito para se transformar numa economia movida a inovação. Os investidores se mostram arredios, começa a recessão, a inflação e o desemprego voltam com força. Não é de espantar que a popularidade de DIlma esteja tão baixa.

Em conversas de bastidores, aumentam as menções àquela palavra proibida, que começa com “i”. A vida política está complicadíssima para Dilma. A questão não se resume aos políticos do PT investigados na Operação Lava Jato. Seu principal desafio é outro. Suponha que o Tribunal de Contas da União (TCU) rejeite suas contas do ano passado, após a análise das explicações que seu governo deverá entregar este mês. Não é um cenário improvável. A partir daí, Dilma passará a depender de sua articulação no Congresso para evitar um processo por crime de responsabilidade fiscal.

Olhe então para o Congresso. De toda a confusão de ontem em torno da manobra que aprovou em primeiro turno a lei que reduz a maioridade penal para crimes hediondos, destaca-se uma frase do presidente da Câmara, Eduardo Cunha: “Duvido que alguém tenha condições tecnicamente de contestar uma vírgula”. Ele tem razão. Cunha lidera a oposição velada contra o governo Dilma. Hábil politicamente, conhece como ninguém os trâmites parlamentares. Demonstrou ontem mais uma vez  – quantas já foram só neste ano? – que não há moleza para Dilma no Congesso. O desfecho do embate ainda é incerto. Por ora, a sensação é que o Brasil está dentro de um carro sem motorista – e não tem o software que seria capaz de fazê-lo andar sozinho.
(Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Animais podem ser resgatados de maus-tratos sem mandado judicial

Animais podem ser resgatados de maus-tratos sem mandado judicial
 
É muito comum nas nossas cidades nos depararmos com aquela cena do vizinho que se muda ou se ausenta por longo período e deixa seu pobre e indefeso cão condenado à própria sorte, sob o frio e chuva, sem água e nem comida. Comovidos com a dor e sofrimento diário do bichinho, a vizinhança e transeuntes tentam alimentá-lo, já outros denunciam o abandono à polícia ou desabafam nas redes sociais.
 

Temendo a questão legal da inviolabilidade do domicílio alheio, a maioria das pessoas refutam a ideia de promover o pronto e imediato resgate do animal. Esperam por uma providência do Poder Público, tentam contactar o dono do imóvel ou algum parente conhecido que tenha autorização de lá ingressar sem problemas. Enquanto isso, os maus-tratos vão devorando a saúde do cão que, debilitado, parece sucumbir à negligência de seu proprietário.

Acontece que a regra da inviolabilidade do domicílio, assim como qualquer outra disposta nas nossas leis vigentes, não é absoluta. A própria Constituição Federal é clara ao proclamar que a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito. Igualmente, o Código Penal, após tipificar o delito de violação de domicílio, faz a ressalva de que não constitui crime a entrada ou permanência em casa alheia ou em suas dependências a qualquer hora do dia ou da noite, quando algum crime está sendo ali praticado ou na iminência de o ser.
 
Acertadamente, nossa legislação não elegeu quais infrações penais seriam autorizativas da invasão do domicílio alheio, foi genérica e abrangente. Aí, naturalmente, incluindo os delitos derivados de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, fauna e flora, como, p. Ex., o crime da prática de ato de abuso, maus-tratos, ferimento ou mutilação de animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos - Art. 32, da Lei 9.605/98.

Para quem não é acostumado ao juridiquês, bom ressaltar que o crime do Art. 32 da Lei de Crimes Ambientais possui elementar que pode perfeitamente classificá-lo como crime omissivo permanente, qual seja, "maus-tratos”. O Dicionário Priberam Eletrônico assim define maus-tratos: "conjunto de ações ou comportamentos infligidos a outrem e que colocam em perigo a sua saúde ou integridade física e que constitui delito (pode incluir trabalho impróprio ou excessivo, castigos físicos ou outras punições, alimentação insuficiente, negligência nos cuidados de saúde etc)”.
 
Assim, em síntese, enquanto não cessada a omissão e negligência do dono do animal em situação de grave e periclitante abandono, o crime se protrai no tempo, podendo o sujeito ativo do delito receber voz de prisão em flagrante a qualquer momento, cessando a consumação do crime.

O Código de Processo Penal também chancela a conduta de resgate do animal vítima de maus-tratos, na modalidade omissiva permanente. Prescrevendo que qualquer do povo poderá e as autoridades policiais e seus agentes deverão prender quem quer que seja encontrado em flagrante delito. Ao arremate, esclarece esse Diploma que nas infrações permanentes, entende-se o agente em flagrante delito enquanto não cessar a permanência (Art. 303).

Em conclusão, a garantia (não-absoluta e flexível) da inviolabilidade do domicílio fica condicionada ao atendimento das leis do País, abrangido o respeito, amor e dedicação aos animais e suas necessidades básicas de uma existência digna. 

Caso contrário, o flagrante delito contra o meio ambiente deverá ser contido por pessoa, entidade ou órgão habilitado a promover o resgate do animal, sem excessos, lavrando-se, ato contínuo,a ocorrência policial, para responsabilização civil, penal e administrativa do agente descuidado.