sexta-feira, 2 de março de 2018

Brasil gasta R$ 16 bilhões com reprovação de 3 milhões de alunos em 2016, aponta levantamento



País não tem lei que regulamenta a reprovação. Especialistas defendem equilíbrio: apontam que repetência pode levar ao abandono, mas dizem que aprovação automática não é solução.



Por Vanessa Fajardo, G1
 
Repetência gera custo social e R$ 16 bilhões ao Brasil em 2016
Brasil gastou quase R$ 16 bilhões ao reprovar em 2016 cerca de 3 milhões de alunos da educação básica, o equivalente a 10,26% do estudantes da rede pública, de acordo com análise dos dados mais recentes do Censo Escolar. Dos R$ 16 bilhões, aproximadamente R$ 12 bilhões foram usados pelos municípios, responsáveis pelo ensino fundamental (1º ao 9º ano), e o restante, R$ 4 bilhões, pelos estados, que são provedores do ensino médio.
Atingindo um percentual de alunos até três vezes maior do que ocorre em países desenvolvidos, o gasto total da reprovação equivale a cerca de 8% do que foi investido pelo governo federal em educação no ano de 2016. Os números integram o levantamento feito pelo IDados, consultoria de análise especializada em educação, a pedido do G1, com base nos dados do Censo Escolar.
O montante de R$ 16 bilhões é referente ao custo total dos alunos que precisam refazer uma série, e inclui despesas que vão desde material escolar até salários de professores.
O tema divide especialistas e até quem já passou pela experiência de uma reprovação. A educadora Juliana Reis, que hoje é diretora de escola, diz que foi importante sua reprovação aos 14 anos, mas hoje é contra o uso indiscriminado do método (veja mais abaixo).
Estudiosos apontam que o custo social da reprovação é alto, e o tema é inclusive tema de projetos de lei que tramitam no Senado (leia a seguir). Como alternativas à reprovação e à aprovação automática, o G1 ouviu escolas de São Paulo ao Ceará que adotam diferentes estratégias contra a reprovação: aulas no contraturno, recuperação paralela e contínua e até mesmo a organização das séries em "ciclos escolares" (conheça mais sobre as alternativas aqui).

Legislação

Não há uma legislação que regulamente a reprovação escolar no país. Os municípios e estados são livres para definirem seus modelos. Há, entretanto, desde 2011, uma recomendação do Conselho Nacional da Educação (CNE) para que as crianças não sejam reprovadas nos três primeiros anos do ensino fundamental. A progressão continuada é indicada neste período para não comprometer o processo de alfabetização.
Em São Paulo, a aprovação automática foi abolida na gestão do prefeito Fernando Haddad, em 2013. Desde então, os alunos podem repetir ao final de cada ciclo de aprendizagem, caso não correspondam às expectativas de aprendizagem.
Atualmente conselheiro do CNE, Cesar Callegari era secretário de educação municipal de São Paulo à época da mudança. Ele diz que o problema da progressão continuada está na ausência de projetos pedagógicos que garantam a aprendizagem daqueles que passaram de ano sem ter dominado todo o conteúdo.
“O problema todo é que a ideia correta de progressão continuada aliada ao aprendizado se transformou lamentavelmente em uma aprovação automática. Isso deseduca crianças e jovens e descompromete escolas e professores sobre o efetivo aprendizado" - Cesar Callegari.
Por outro lado, segundo Callegari, a repetência, se não acompanhada por medidas que resolvam o aprendizado, pode gerar falsa ideia de que as coisas se resolvem. “A repetência nunca pode ser uma situação de natureza punitiva e de responsabilidade do aluno. Precisa estar acompanhada de uma estratégia da escola, caso contrário gera evasão e a não aprendizagem. Sem estratégia complementar, a repetência é ruim".
"(A reprovação) se não for acompanhada de várias medidas que assegurem o aprendizado, ela se revela em um custo gravíssimo em relação ao desenvolvimento. E esse é o custo mais alto.” - Cesar Callegari

Custo social

Além do ônus econômico, os altos índices de reprovação escolar no Brasil têm o que especialistas chamam de "custo social". Ruben Klein, pesquisador da Fundação Cesgranrio, lembra que a repetência reforça a desigualdade social pois atinge principalmente os alunos mais pobres das Regiões Norte e Nordeste e não brancos.
“Também afeta os meninos mais do que as meninas porque a repetência é tratada como punição e não está ligada somente à questão da aprendizagem. A escola teria de, em vez de repetir, dar apoio aos alunos e fazer avaliações constantes.”
Segundo Klein, o principal efeito da repetência é a evasão escolar. Ele lembra que 15% dos jovens brasileiros com idades entre 15 e 17 anos, que deveriam estar cursando o ensino médio, não estão na escola e este cenário mudou lentamente na última década.
“A repetência é uma doença que precisa ser tratada. A evasão é o sintoma. A grande maioria dos alunos evadidos já repetiram pelo menos uma vez. Só discutimos a evasão, mas o foco está errado, é preciso primeiro resolver a repetência", diz Ruben Klein.

Abandono

Em 2016, um total de 7,5% dos estudantes da rede pública abandonaram a escola no ensino médio, e outros 3,5% nos anos finais do ensino fundamental. De acordo com o pesquisador, cerca de 80% dos alunos que abandonaram a escola repetiram pelo menos uma vez. Além disso, há evidências de que o estudante que precisa refazer uma determinada série não necessariamente aprende.
“Pode haver exceções, mas as avaliações mostram que o aluno não aprende o que deveria aprender no ano que repetiu. A média dos alunos que não estão na idade correta em relação à série geralmente é baixa. Os atrasados sempre têm média pior, a repetência é um desastre.”
João Batista Araújo e Oliveira, presidente do Instituto Alfa e Beto, reforça que a reprovação em massa que há no Brasil traz prejuízos que vão além do custo econômico.
“Há um custo social altíssimo. Não há comprovação de que essa reprovação em massa traga benefícios, na verdade ela revela o fracasso do sistema. É um mal que não tem sido atacado na fonte, com um sistema de recuperação paralelo, por exemplo", diz João Batista Araújo.
Batista não vê a progressão continuada como uma medida que desautoriza o professor. “A autoridade do professor é a capacidade de ensinar, não de reprovar. A autoridade vem da competência.”

Comparação com outros países

Os índices brasileiros de reprovação estão entre os mais altos do mundo. Entre os países latino-americanos que participaram do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) 2015, apenas a Colômbia possui uma taxa de repetência escolar (43%) superior à do Brasil. Entre os jovens brasileiros de 15 anos, 36% afirmaram ter repetido uma série ao menos uma vez.
Na Coreia do Sul e na Finlândia, que registram as taxas mais baixas, respectivamente, apenas 3,6% e 3,8% dos alunos responderam que já haviam sido retidos.
A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontou que a repetência escolar é uma prática mais comum entre os países com baixo desempenho do Pisa e também está associada a níveis mais elevados de desigualdade social na escola.
Em 2016, o país reprovou 9,5% dos alunos do ensino fundamental da rede pública. No ensino médio, o índice foi de 12,9%.
O dado mais recente, de 2016, mostra que os estados da Região Nordeste foram os que mais reprovaram no 3º ano do ensino fundamental. No total, o Brasil gastou com R$ 1,8 bilhão com a reprovação de 341.764 crianças matriculadas nesta série. No Sergipe, o índice de reprovação chegou a 24%, seguindo por Pernambuco, Bahia e Alagoas que ficaram na casa dos 22%.
A Bahia manteve os índices acima dos 22% de reprovação também no 6º e 7º anos. No 6º ano, o Sergipe reprovou cerca de 35% dos alunos e no 7º ano, a repetência atingiu 29% dos alunos.
No ensino médio, a repetência é mais alta no 1º ano. Em 2016, foram reprovados 520.346 alunos que custaram R$ 2,3 bilhões para os estados. Os que mais reprovaram neste ano foram Rio Grande do Sul (32%), Mato Grosso (30%), e Bahia e Espírito Santo (25%).
Mariana Leite, pesquisadora do IDados, lembra que a reprovação raramente é um fenômeno de um ano só. “Normalmente ela é acumulada e faz com que o aluno fique defasado e saia do sistema escolar"
"Mais de 30% dos alunos com 14 anos [idade final do ensino fundamental] já estão atrasados na escola e não estão no 9º ano. Quando chegam ao final do ensino médio, você tem quase 40% dos alunos de 17 anos atrasados na escola.” - Mariana Leite


Juliana Reis, de 36 anos, fez graduação em letras e pedagogia, concluiu o mestrado e agora cursa o doutorado (Foto: Vanessa Fajardo/ G1)


Juliana Reis, de 36 anos, fez graduação em letras e pedagogia, concluiu o mestrado e agora cursa o doutorado (Foto: Vanessa Fajardo/ G1)



Contramão das evidências

Juliana Domingues, de 36 anos, reprovou quando estava na 6ª série (atual 7º ano) na rede estadual de São Paulo, e usou a experiência para mudar o rumo da vida. Ela era indisciplinada, não entregava lições e ria dos professores. Mas sentiu o baque de ver que as amigas avançaram o ano enquanto ficou retida, e a experiência a fez valorizar os estudos.
“Foi um divisor de águas para mim, teve um efeito muito positivo. Foi um ano de reflexão. Comecei a trabalhar e estudar à noite, vi que os alunos eram mais concentrados. Percebi que o estudo era o que iria me abrir as portas”, diz.
Dois anos depois, Juliana passou em um vestibulinho de uma escola técnica para cursar magistério. E não largou mais a carreira em educação: fez graduação em letras e pedagogia, concluiu o mestrado e atualmente faz doutorado. Dos 20 concursos públicos que prestou, foi aprovada em 18 – vários deles em primeiro lugar. E hoje trabalha com diretora de uma escola da rede pública de São Paulo.
Apesar de ter encarado sua própria repetência com algo benéfico, Juliana acha que nos moldes atuais reprovar um aluno traz mais desvantagens do que vantagens. “Avaliar ano a ano se o aluno está apto a avançar é complicado porque cada um tem seu tempo. Repetir um jovem é antecipar um fracasso que nem sempre existe.”
Para Juliana, é fundamental instalar uma cultura de estudo não para aprovar o aluno, e sim, para torná-lo alguém melhor.
“A repetência não pode ser uma mola propulsora de interesse do aluno. O interesse maior tem de estar na escola", diz Juliana Reis.

Progressão continuada x aprovação automática

Há quem defenda que a aprovação automática, ou seja o modelo de fazer com que o aluno avance de uma série para outra, independente do aprendizado assimilado, seja abolida de todas as redes de ensino.
Como o senador Wilder Morais (PP-GO), autor do projeto de lei em tramitação no Senado, que proíbe a progressão continuada na educação básica. O projeto prevê tornar obrigatório que todas as escolas apliquem avaliação de desempenho para que os alunos possam avançar de série.
Reprovação no ENSINO FUNDAMENTAL na rede pública
Índices são em % e se referem a 2016
7,37,313,413,47,87,815,915,96,26,212126,16,19,59,54,64,612,412,46,76,713,313,39,19,111,711,713,113,115,815,812,512,58,38,37,47,44,14,120,620,69,89,8AcreAmapáBahiaDistrito FederalGoiásMato GrossoMinas GeraisParaíbaPernambucoRio de JaneiroRio Grande do SulRoraimaSão PauloTocantins02,557,51012,51517,52022,5
Fonte: Inep/ IDados
Reprovação no ENSINO MÉDIO na rede pública
Índices são em % e se referem a 2016
101011,111,116,816,85,95,918,718,77716,616,68,88,811,811,821,421,414,614,613,313,311,711,710,610,614,114,17,67,69,29,2171718,618,620,820,88,48,411,411,413,613,610,910,916,616,612,912,9AcreAmapáBahiaDistrito FederalGoiásMato GrossoMinas GeraisParaíbaPernambucoRio de JaneiroRio Grande do SulRoraimaSão PauloTocantins02,557,51012,51517,52022,5
Fonte: Inep/ IDados
Custo da reprovação no Brasil
Dados são referentes a 2016
356.762.128356.762.1281.857.910.9141.857.910.9141.105.058.5131.105.058.5132.503.707.0972.503.707.0972.335.516.8102.335.516.8101.169.733.6911.169.733.69115.967.730.47315.967.730.4731º ano do EF2º ano do EF3º ano do EF4º ano do EF5º ano do EF6º ano do EF8º ano do EF9º ano do EF1º ano do EM2º ano do EM3º ano do EMCUSTO TOTAL05G10G15G20G
Fonte: Inep e Siope/ IDados

Tecnologia inteligência artificial




Inteligência Artificial é a ciência e a tecnologia de construção de máquinas inteligentes.

Mulher Carioca Em Carta Aberta Escancara A Violência No Rio: Essa Cidade Já Foi Maravilhosa Um Dia.




  • 02/03/2018




Alice Queiroz
Penso em marcar um chopp com uma amiga que não vejo há anos na Barra da Tijuca, a 15 minutos da minha casa.
Lembro que precisarei passar pela Cidade de Deus na volta, em ambos os caminhos possíveis.
Sinto medo. Desisto.
Preciso ir pra biblioteca estudar. Todos os dias. Fica no Maracanã. Ando até o ponto mais distante da minha casa porque o mais próximo é deserto demais pra eu ficar esperando sozinha. O ônibus passa pela serra Grajaú-Jacarepaguá. Semana passada fiquei presa no tiroteio dentro do ônibus nessa mesma serra, às 8h da manhã.
Sinto medo. Vou com medo mesmo.
Quando não passo pela serra, a origem é o Méier. O ônibus passa pelo Lins. Tiroteio. A outra alternativa é o trem. Preciso andar 10 minutos até a estação sozinha. Assaltos a pedestres quase sempre no caminho.
Sinto medo. Vou com medo mesmo.
Entrando na biblioteca, respiro aliviada. À tarde, preciso de um café pra me manter acordada. Vou à cafeteria que fica a 10 passos da biblioteca. Escondo o celular na roupa pra não ser assaltada a facadas por crianças que roubam transeuntes todos os dias aqui nessa mesma rua.
Sinto medo. Vou com medo.
Um jornalista sobe um morro pra fazer uma matéria. Os traficantes o torturam por mais de duas horas até se convencerem de que ele não era policial. Ele sai com inúmeros machucados. No corpo e na alma. Me arrepio ao ouvir a história e ao ouvir que ele terá que passar por uma cirurgia. Mas sai vivo. Graças a Deus.
Um outro amigo muito próximo sobe outro morro pra levar uma amiga em plena crise de epilepsia pra casa. Quando desce, a pé, pra pegar o ônibus, é interceptado por traficantes que o empurram no chão e apontam uma arma pra sua cabeça até terminarem de fuxicar sua carteira e seu celular pra se convencerem, também, de que ele não é policial, sob gritos de “apaga logo ele” a todo o tempo. Mas saiu vivo. Graças a Deus.
Saio à noite, já de olho na hora pra não voltar tarde. Na volta sinto fome. Penso em parar pra comer um lanche.
Lembro que um grande amigo, uma das melhores pessoas que já conheci, foi brutalmente assassinado enquanto aguardava o que seria sua última refeição. Não subiu o morro, apesar de fazer isso todos os dias por ocasião do seu ofício. Mas esse não saiu vivo.
Foi assassinado no quintal de casa, no bairro onde nascemos e fomos criados.
Uma dor insuportável que não passa.
Essa foi a gota d’água.
Me decido: preciso ir embora.
O medo é uma constante na minha vida.
Quem dera fosse medo de perder o carro ou o celular.
É medo de pensar na minha mãe se perguntando o porquê de ter sido eu nos noticiários dessa vez.
“Mas as praias são lindas”; mas há caveirões e grupos de militares com fuzis atravessados no peito a cada esquina, em plena luz do dia.
Ah, e se você vier pelas praias, cuidado: tem arrastão.
“Mas eu moro onde você passa férias”; mas nas férias eu saio correndo pra tirar férias daqui.
“Mas o Rio é legal porque o carioca é muito gente boa”; MAS O CARIOCA NÃO AGUENTA MAIS.
A Cidade Maravilhosa já era, meu amigo. Acorda.
É guerra civil na porta de casa. A gente dorme ao som dos tiros e acorda com a televisão anunciando que mais 3 filhos crescerão sem pai.
Que maravilha é essa em que ou eu desisto de sair de casa e vivo confinada ou vou da origem ao destino com medo?
Que maravilha é essa em que não sei se tenho mais medo de morrer e deixar meus pais sofrendo ou de vê-los mortos no caminho pra casa?
Que maravilha é essa que me faz repensar a maternidade só por não querer criar meus filhos nesse lugar pavoroso?
A violência aqui é brutal. É barbárie. Sem risadinha. Sem mimimi. Sem segunda chance.
É pena de morte pra quase todo mundo.
Demorou pra passar o celular? A pena é uma facada.
Não saiu do carro quando foi abordado? A pena são 11 tiros.
O Waze te mandou entrar numa rua pra cortar caminho e você foi parar na favela? A pena, com sorte, é uma arma na cabeça, se você acender as luzes internas e abrir os vidros. Sem sorte, a pena é de fuzilamento.
É oficial: estamos reféns da violência.
Não tem chopp com as amigas, não tem rotina tranquila, não tem lanche no Mc Donald’s. Nem de manhã, nem de tarde, nem de noite. Nem na Zona Sul nem na Zona Norte.
A violência é democrática.
Vivemos em um grande cativeiro e não haverá, tão cedo, preço de resgate que pague essa libertação.
Se tiver oportunidade, faça suas malas e saia correndo. Salve a sua família.
Essa cidade já foi maravilhosa um dia.
Mas agora ela já era, meu amigo.
Já era

quinta-feira, 1 de março de 2018

Novos E-Mails De Marcelo Odebrecht Expõe Podridão Do PT De Lula E Palocci







A defesa de Marcelo Odebrecht entregou, nesta quarta-feira (27), 43 e-mails trocados entre 2008 e 2013 ao juiz Sérgio Moro, que é responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância. As mensagens estavam no computador pessoal de Odebrecht e, conforme os advogados, reforçam o que Marcelo disse na delação premiada sobre a relação da Odebrecht com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A defesa afirma que Marcelo só teve acesso a esse conteúdo depois que passou a cumprir prisão domiciliar, em dezembro deste ano. Por conta disso, os e-mails foram encaminhados apenas agora, ainda de acordo com os advogados. Essa é a terceira remessa de e-mails do computador pessoal que Marcelo Odebrecht encaminha para a Justiça. Agora, Moro deve decidir se esse novo material pode ser usado como prova nos processos.

LULA E PALOCCI – Em um dos emails, entregue pela defesa de 21 de junho de 2011, Marcelo Odebrecht diz para um ex-diretor da empresa: “Quando mencionar ao amigo de BG que o acerto do evento foi com italiano/amigo de meu pai, e não com PT, importante não mencionar nada sobre minha conta corrente com italiano pois só ele e amigo de meu pai sabem”, diz a mensagem eletrônica.
A mensagem reforça o conhecimento de Lula sobre a conta corrente mantida com o ex-ministro Antônio Palloci, segundo a defesa de Marcelo Odebrecht. De acordo com as investigações, Palocci era identificado na Odebrecht como italiano e Lula como amigo de meu pai. Segundo as investigações, Palocci administrava a conta de propina que a Odebrecht tinha com o PT.
A defesa também destacou trocas de e-mails que, segundo os advogados, falam do andamento das obras no Sítio Santa Bárbara, em Atibaia.
PROPINAS DE LULA – O Ministério Público Federal (MPF) acusa o ex-presidente de ter ganho as reformas de presente da Odebrecht e da Oas, como propina. Conforme a denúncia, as melhorias no Sítio Santa Bárbara totalizaram R$ 1,02 milhão.
Em outra mensagem eletrônica, de 30 de dezembro de 2010, o engenheiro da Odebrecht escreve para Marcelo e executivos do grupo. “A equipe informou hoje pela manha que esta tudo conforme programado. O mais importante nesse tipo de obra e’ que não ha indefinicoes por parte do proprietário. Eu diria que temos como meta o dia 15 e não havendo imprevistos a alcancaremos. Temos um eng senior que se instalou em Atibaia e esta’ cuidando pessoalmente do assunto com equipe de sua confianca”, diz o e-mail.
Os advogados dizem que a troca de mensagens da qual faz parte contêm citações diretas ao Sítio de Atibaia, demonstrando em que medida Marcelo Odebrecht tomou conhecimento sobre o assunto.
TODOS NEGAM – A defesa de Lula declarou que os e-mails em nada abalam o fato de que o ex-presidente jamais solicitou ou recebeu da Odebrecht, ou de qualquer outra empresa, algum benefício ou favorecimento. A defesa afirmou, ainda, que vai pedir a análise da autenticidade e veracidade dos documentos e que os e-mails contradizem, tanto a delação premiada, como um outro depoimento de Marcelo Odebrecht à Justiça.
O Partido dos Trabalhadores declarou que nunca teve contas secretas, muito menos de propina e que isso é uma falsidade, criada pela Lava Jato e por réus confessos, que contam mentiras em troca da redução de pena e de benefícios econômicos.
A defesa do ex-ministro Antonio Palocci não quis se manifestar.