segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Justiça Nega Pedido Para Afastar Diretor-Geral Da PF, Fernando Segovia.








A Justiça Federal do Distrito Federal (JFDF) negou, nesta segunda-feira, um pedido de afastamento do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Fernando Segovia. A decisão do juiz Ed Lyra Leal, da 22ª Vara Cível, foi proferida em uma ação popular protocolada pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).
Na decisão, o magistrado entendeu que as declarações dadas por Fernando Segovia em uma entrevista à imprensa sobre a investigação em um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo o presidente Michel Temer não foram suficientes para o afastamento.

Na entrevista, Segovia afirmou que não há indícios de que o decreto dos Portos sancionado pelo presidente Michel Temer (PMDB) beneficiou a empresa Rodrimar e chegou a sugerir que não houve crime no episódio. A declaração foi dada à agência de notícias “Reuters”.
— No final, a gente pode até concluir que não houve crime. Porque ali, em tese, o que a gente tem visto, nos depoimentos, as pessoas têm reiteradamente confirmado que não houve nenhum tipo de corrupção, não há indícios realmente de qualquer tipo de recurso ou dinheiro envolvidos. Há muitas conversas e poucas afirmações que levem realmente a que haja um crime — disse.
O juiz Ed Lyra ainda ressaltou que o caso está sendo conduzido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso.
“Conquanto se noticie nos autos comportamento inadequado do agente público corréu, tal conduta não se qualifica de gravidade suficiente a justificar a suspensão pretendida, uma vez que ausente demonstração de ato concreto ou mesmo de intenção de interferência na investigação preliminar”, argumentou o juiz.
DODGE PEDE PAEA SEGOVIA SER PROIBIDO DE COMENTAR INQUÉRITO
A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu para o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibir o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Fernando Segovia, de comentar o inquérito que investiga o presidente Michel Temer. A sugestão é que ele seja afastado do cargo caso descumpra a determinação.
Raquel Dodge pediu para o ministro emitir uma ordem judicial determinando que Segovia se abstenha de “qualquer ato de ingerência sobre a persecução penal em curso”, incluindo manifestações públicas sobre as investigações.
A manifestação da procuradora foi motivada por um pedido de parecer feito pelo ministro e ocorreu duas semanas após a entrevista na qual Segovia disse que, no inquérito em que Temer e outros acusados são investigados pela PF, com autorização do ministro Barroso, os “indícios são muito frágeis” e sugeriu que o inquérito “poderia até concluir que não houve crime”.
Na semana passada, Fernando Segovia disse ao ministro Barroso que não pretendeu “interferir, antecipar conclusões ou induzir o arquivamento” do inquérito sobre o presidente Michel Temer. Ao ministro, Segovia ressaltou que suas declarações foram “distorcidas e mal interpretadas” e que não teve intenção de ameaçar com sanções o delegado responsável pelo caso. Segovia também se comprometeu a não dar mais declarações sobre a investigação.
O episódio envolvendo o Porto de Santos é a única investigação em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que envolve o presidente da República, que nomeou Segovia para o cargo no fim do ano passado. Apesar da fala do diretor-geral, o inquérito é conduzido pelo delegado Cleyber Malta Lopes, que tem autonomia para conduzir a investigação. Em janeiro, ele encaminhou 50 perguntas ao presidente sobre o episódio.

Audiência pública vai discutir vulnerabilidade de crianças e adolescentes venezuelanos em Roraima







🇻🇪👶🏻👧🏻🧒🏻Audiência pública vai discutir vulnerabilidade de crianças e adolescentes venezuelanos em Roraima.
🗓em Geral 26 de Fevereiro de 2018
🇻🇪👶🏻👧🏻🧒🏻A OAB Roraima, por meio da Comissão Especial da Criança e do Adolescente, vai promover, na próxima terça-feira, 27, uma audiência pública, no auditório do Centro Universitário Estácio da Amazônia. O objetivo é discutir com várias instituições uma saída para amenizar as condições de vulnerabilidade e de risco que crianças e adolescentes venezuelanos estão enfrentando em Roraima.
🇻🇪👧🏻🧒🏻“É a primeira vez, na história, que se constata um fluxo migratório tão grande na região norte e aqui no Estado, que é um dos estados mais pobres da federação. E nossa preocupação é que não temos como absorver essas pessoas, nenhum Estado do Brasil tem, mas não podemos virar as costas para essas pessoas, trata-se de uma crise humanitária sem precedentes”, observa.
🇻🇪👧🏻🧒🏻👶🏻“Hoje estamos com cerca de 40 mil imigrantes venezuelanos no estado e há muito tempo tem aumentado o número de crianças, desde recém-nascido, nos semáforos da cidade. É realmente uma questão de saúde pública, onde essas crianças estão ao relento, em condições insalubres, sem higiene, sem comida. Trata-se, inclusive. de uma questão de saúde pública. O mínimo de dignidade humana não está sendo assegurado”, ressalta.
🇻🇪Audiência🇻🇪
👶🏻👧🏻🧒🏻🇻🇪O encontro será a partir das 16h e a OAB convidou mais de 20 instituições. Dentre elas, os governos municipais e estadual, Ministério Público, Tribunal de Justiça, Conselhos municipais e estadual de defesa da criança e do adolescente e Ongs.
– Conanda – Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente

– Ministério Público – Promotoria da Infância

– Ministério Público – Promotoria da Saúde

– Ministério Público Federal – MPF

– Defensoria Pública do Estado de Roraima – DPE

– Tribunal de Justiça de Roraima – TJRR

– Assembleia Legislativa de Roraima – ALE

– Secretaria Municipal de Gestão Social (Semges/PMBV)

– Secretaria municipal de Saúde (Semsa)

– Secretaria Estadual do Trabalho e Bem Estar Social (Setrabes)

– Secretaria Estadual de Saúde (Sesau)

– Conselho Estadual da criança e do adolescente

– Conselho Municipal da criança e do adolescente

– Polícia Federal

– Polícia Rodoviária Federal

– Corpo de Bombeiros

– Polícia Militar do Estado de Roraima

– 1ª Brigada de Infantaria de Selva

– Universidade Federal de Roraima (UFRR)

– Conselho Tutelar – Território 1

– Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados – Acnur

– Diocese de Roraima

– Igrejas evangélicas

👩🏻‍💻Alexsandra Sampaio

🎀👩🏻‍💻http://www.roraimaemfoco.com/audiencia-publica-vai-discutir-vulnerabilidade-de-criancas-e-adolescentes-venezuelanos-em-roraima/

Delatores Entregam Frei Chico (IRMÃO DE LULA) Tinha O Codinome “Metralha” E Que A Entrega Do Dinheiro A Ele Era Feita Pessoalmente.







O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva prestou depoimento nesta segunda-feira à Polícia Federal (PF) em inquérito que investiga o pagamento pela construtora Odebrecht de uma mesada no valor de R$ 5 mil para o seu irmão Frei Chico. As informações são do G1.
O depoimento, ocorrido na sede da Superintendência da PF em São Paulo, teria durado duas horas. Lula teria negado o pagamento da quantia a seu irmão.

Os executivos da Odebrecht Hilberto Mascarenhas Alves da Silva Filho e Alexandrino de Salles Ramos Alencar, que fizeram acordo de delação premiada, disse que a empreiteira pagou uma espécie de mesada ao irmão de Lula por um período de 13 anos. Os pagamentos, iniciados em 2003, chegaram a R$ 5 mil por mês e eram feitos pelo “prestígio” do irmão do então presidente.
Segundo Alencar, Lula sempre soube dos pagamentos, apesar dos valores serem repassados por uma iniciativa da Odebrecht.



Barroso: “Nesse Ambiente De Corrupção, Faz Pouca Diferença Saber Se Dinheiro Vai Para Campanha, Para O Bolso Ou Um Pouco Para Cada Um.







Para defender o papel e a postura do Supremo Tribunal Federal diante das dificuldades que o país passa, o ministro Luís Roberto Barroso publicou artigo nesta sexta-feira (23/2) no jornal Folha de S.Paulo. A pedido do jornal, o ministro  respondeu a um texto do professor Conrado Hübner Mendes que criticava o STF.
O ministro Barroso concordou com seis pontos de crítica e para cada uma deu um diagnóstico para solucionar ou um relato do que está sendo feito

São os seis pontos: excessos de processos, excesso de decisões monocráticas, oscilação de jurisprudências, não seguir orientação já firmada por outro ministro, pedidos de vista com caráter obstrutivo e o poder que o relator e o presidente tem para atrasar indefinidamente qualquer julgamento.
Barroso afirmou que o papel do STF é manter o equilíbrio entre os três pilares do Estado democrático de Direito: governo da maioria, limitação do poder e respeito aos direitos fundamentais.
Definiu como “admirável” o papel do Supremo na proteção dos direitos fundamentais. Entre outros exemplos, citou a garantia de direitos plenos aos casais homoafetivos, o direito de aborto para casos de anencefalia, a interpretação protetiva da Lei maria da Penha, a garantia do sistema de cotas nas universidades a proteção das comunidades quilombolas e o fim da exigência de autorização para publicação de biografias.
Alvo de crítica do Hubner, o conceito do papel iluminista do STF foi defendido por Barroso. O ministro disse que em certas conjunturas é preciso empurrar a história.
Leia abaixo o artigo na íntegra:
Quando Tzu Lu, governador de She, perguntou a Confúcio ‘como servir ao príncipe’, ele respondeu: ‘Diga-lhe a verdade, mesmo que o ofenda”
Amartya Sen, “Democracy as a Universal Value” (democracia como um valor universal)
Todas as instituições democráticas estão sujeitas à crítica pública e devem ter a humildade de levá-la em conta, repensando-se onde couber. No dia 28 de janeiro, o professor Conrado Hübner Mendes apresentou neste espaço uma análise severa do Supremo Tribunal Federal. Críticos honestos e corajosos não são inimigos. São parceiros na construção de um país melhor e maior.
Aceitei o convite da “Ilustríssima” para fazer um contraponto. Um dos fascínios das sociedades abertas, plurais e democráticas é a possibilidade de olhar a vida de diferentes pontos de observação.
Diversas das críticas pontuais são irrespondíveis e correspondem a disfunções que eu e outros colegas temos procurado combater.
Muitas das críticas institucionais, no entanto, são injustas. As instituições são como autoestradas: passam por inúmeros lugares e tocam a vida de muitas pessoas. Se alguém fotografar apenas os acidentes do percurso, transmitirá uma imagem distorcida do que elas representam.
Por fim, no tocante à crítica doutrinária —referente aos papéis de uma suprema corte, inclusive o papel iluminista, que eu defendo—, o professor Conrado e eu temos uma divergência antiga, franca e amistosa: considero suas ideias fora de época e de lugar. Por evidente, o debate que aqui se trava é entre dois professores, e não entre um professor e um ministro.
Dificuldades do STF
A primeira crítica pertinente é o excesso de processos: mais de 100 mil em 2017. A segunda, que decorre da primeira, é a monocratização do tribunal, isto é, o número elevado de decisões individuais dos ministros. A explicação para o fato é singela: se o plenário, em um cálculo otimista, só consegue julgar 200 processos por ano, a alternativa é ficar tudo parado ou optar-se pela decisão individual.
A terceira é a oscilação da jurisprudência, ou seja, a variação das decisões conforme o caso concreto. A quarta crítica procedente do professor Conrado é a inobservância, por certos ministros, de orientação firmada pelo plenário.
A quinta crítica volta-se contra os pedidos de vista de caráter obstrutivo. A sexta e última diz respeito ao poder de agenda, pelo qual o relator ou a presidência do tribunal podem atrasar indefinidamente qualquer julgamento. Logo à frente, comentarei cada uma delas, com a cogitação das soluções possíveis.
A crítica individual dirigida a um colega —de que ofende as pessoas, protege os amigos e atua partidariamente— não será objeto de consideração aqui, por motivos éticos óbvios, que todos poderão compreender.
Em larga medida, as dificuldades enfrentadas pelo Supremo Tribunal Federal advêm de competências que ele não deveria ter.
Supremas cortes, na maior parte do mundo, têm como missão institucional interpretar e aplicar a Constituição, com duas finalidades principais: (i) proteger valores e direitos fundamentais, como justiça, igualdade, liberdades individuais e privacidade; e (ii) assegurar o respeito à democracia, traçando os limites de atuação de cada Poder e impedindo que as maiorias políticas manipulem ou falseiem as regras do jogo democrático em benefício próprio.
Por exceção, supremas cortes exercem, também, alguns papéis atípicos, dentre os quais o de atuarem como tribunal penal de primeiro grau para julgamento de determinadas autoridades. A Constituição de 1988 exacerbou essa função, dando ao STF competência para julgar todos os membros do Congresso Nacional.
Essa atribuição suscita inúmeros problemas. O foro privilegiado acarreta a politização indevida da mais alta corte, gera tensões com o Congresso Nacional e desprestígio perante a sociedade, por se tratar de competência que exerce mal.
Soluções
De longa data, desde bem antes de ir para o Supremo, tenho apresentado propostas para enfrentar muitos dos problemas apontados. Diversas delas já vêm sendo debatidas internamente e estão em fase de amadurecimento.
A primeira é a mais óbvia e urgente: o STF não deve admitir mais recursos extraordinários (que respondem por 85% de seus processos) do que possa julgar em um ano. Toda ação que não for selecionada para ser reavaliada pelo Supremo —seleção feita mediante critérios discricionários, mas transparentes— transita em julgado, isto é, o processo acaba.
A segunda proposta é que, admitido o recurso extraordinário, pelo reconhecimento de repercussão geral ao caso —isto é, que a questão discutida tem uma relevância que ultrapassa o mero interesse das partes envolvidas—, seja marcada a data do julgamento, saltando-se um semestre. Vale dizer: todo recurso extraordinário a ser julgado terá data designada de seis a nove meses depois de aceito.
Em terceiro lugar, os relatores teriam que distribuir aos colegas, algumas semanas antes do julgamento, ao menos a ementa (o resumo) do seu voto.
Por fim, um acordo de cavalheiros —que a maioria já pratica— estabeleceria que nenhuma questão institucionalmente relevante seria decidida por algum ministro individualmente.
Ficariam assim resolvidos os problemas de excesso de processos, monocratização, poder de agenda e pedidos de vista. Sim, porque diante da antecedência da pauta e da prévia circulação da síntese do voto, dificilmente haveria necessidade de vista. Nos demais casos, findo o prazo regimental, dar-se-ia a reinclusão automática em pauta.
Quanto à inobservância de orientações do plenário por alguns ministros —o que é a exceção, e não a regra—, trata-se de fato negativo, mas que precisa ser contextualizado: muitos juízes, formados na tradição romano-germânica, ainda não se adaptaram à cultura de respeito aos precedentes, que é uma novidade trazida do direito anglo-saxão. O problema, que é residual, em breve estará superado.
A variação casuística da jurisprudência —que tampouco é a regra— está associada, sobretudo, às competências penais nesses tempos convulsionados e revela que ainda é preciso lutar contra a cultura de leniência e impunidade com a criminalidade do colarinho branco, bem como contra o compadrio em geral.
Por fim, quanto ao foro privilegiado, está em curso o julgamento da proposta de restringi-lo drasticamente, deixando-o limitado aos fatos praticados no cargo e em razão do cargo. A maioria absoluta do tribunal já aderiu a ela.
STF e a democracia
O Estado democrático de Direito envolve três componentes essenciais: governo da maioria, limitação do poder e respeito aos direitos fundamentais. Manter o equilíbrio entre os três termos dessa equação é a missão das supremas cortes.
No tocante à proteção dos direitos fundamentais —uma de suas atribuições principais—, o Supremo teve papel admirável, contribuindo para a derrota de preconceitos e de visões autoritárias da vida. Os exemplos são numerosos.
Em relação à comunidade LGBT, (i) assegurou direitos plenos aos casais homoafetivos e (ii) está em vias de permitir aos transexuais o registro do nome social, independentemente de cirurgia de redesignação de sexo.
No tocante às mulheres, (i) assegurou seus direitos reprodutivos em caso de anencefalia e, em qualquer caso, até o terceiro mês de gestação (decisão da primeira turma); (ii) reforçou a proteção contra a violência doméstica na interpretação da Lei Maria da Penha e nas situações de estupro; e (iii) pôs fim à desequiparação entre o casamento e a união estável, para fins de sucessão hereditária, o que causava grave discriminação à mulher não casada.
Também no que diz respeito à população negra, validou as ações afirmativas (i) no acesso às universidades e (ii) no ingresso nos cargos públicos, (iii) assim como protegeu os direitos das comunidades quilombolas. Quanto aos índios, o Supremo assegurou a demarcação de grandes reservas, que protegem não apenas as populações nativas como também o meio ambiente.
Em matéria de liberdade de expressão, derrubou a interpretação que exigia autorização prévia para a divulgação de biografias e foi extremamente proativo na proteção da liberdade de imprensa. Em tema de liberdade científica, assegurou as pesquisas com células-tronco embrionárias, importante fronteira da medicina contemporânea. E esteve na vanguarda da ética animal, uma percepção que só agora começa a entrar no radar da sociedade, proibindo a briga de galo, a farra do boi e a vaquejada.
Na vida, a gente deve saber comemorar as vitórias.
Outra atribuição decisiva de uma suprema corte é evitar o abuso dos governantes e das maiorias políticas, protegendo as regras do jogo democrático e da moralidade política e administrativa.
Também aqui o tribunal teve momentos de elevação. Um deles foi a proibição do modelo mafioso de financiamento eleitoral por empresas que vigorava no país. Merecem registro, da mesma forma, a validação e a interpretação expansiva da Lei da Ficha Limpa.
A intervenção para impor regras ao procedimento de impeachment, evitando que ele fosse conduzido errática e tendenciosamente, embora tenha gerado alguma incompreensão, foi um dos pontos altos do tribunal. Quanto ao mérito, faltava atribuição constitucional ao Supremo para se pronunciar.
No esforço por promover decência política, o Supremo proibiu o nepotismo nos três Poderes, contribuindo para o enfrentamento da cultura patrimonialista que ainda é onipresente no país. Também procurou impor um mínimo de fidelidade partidária no desmoralizado sistema político brasileiro. E, em muitas situações, foi capaz de conter abuso e desvio de poder, como na recente suspensão cautelar de aspectos inaceitáveis do decreto presidencial de indulto.
Diferentes papeis 
Supremas cortes desempenham três grandes papéis em uma democracia: contramajoritário, representativo e iluminista.
Sua atuação contramajoritária se dá, tipicamente, quando o tribunal declara a inconstitucionalidade de uma lei ou de um ato do Executivo. Essa é a única atribuição que vem expressa na Constituição. Por não enxergarem além da literalidade dos textos, há autores que só reconhecem esse papel.
Cortes constitucionais, porém, desempenham também uma função representativa, quando atendem demandas sociais que não foram satisfeitas a tempo pelo Legislativo. Na história recente do Brasil, proibição do nepotismo, fim do financiamento eleitoral por empresas e fidelidade partidária se inserem nessa categoria: foram decididas na omissão ou contra a vontade do Congresso, para acudir inequívocas reivindicações da sociedade, não acolhidas em razão de um déficit de representatividade.
Já o papel iluminista deve ser exercido com grande parcimônia e autocontenção, em conjunturas nas quais é preciso empurrar a história. Em alguns momentos cruciais do processo civilizatório, a razão humanista precisa impor-se sobre o senso comum majoritário.
A abolição da escravatura ou a proteção de mulheres, judeus, negros, homossexuais, deficientes e minorias em geral foram conquistas que nem sempre puderam ser feitas pelo processo político majoritário. É preciso que um órgão não eletivo ajude a dar o salto histórico necessário.
Exemplos de decisões iluministas de cortes constitucionais: fim da segregação racial nas escolas públicas nos EUA; proibição da tortura de “terroristas” em Israel; abolição da pena de morte na África do Sul; reconhecimento das uniões homoafetivas no Brasil. Há exemplos pelo mundo afora.
Pela posição do professor Conrado Hübner Mendes, nada disso teria acontecido, e viveríamos sob o risco da tirania da maioria e do paternalismo moralista. Com o respeito devido e merecido, essa é uma visão superada desde o segundo pós-guerra.
Contra a corrupção
A corrupção no Brasil, que vem em processo acumulativo desde muito longe, não se manifesta em falhas individuais ou pequenas fraquezas humanas. Ela é fruto de um pacto oligárquico celebrado entre boa parte da classe política, do empresariado e da burocracia estatal para saque do Estado brasileiro.
O modo de fazer política e de fazer negócios no país funciona mais ou menos assim: o agente político relevante indica o dirigente do órgão ou da empresa estatal, com metas de desvio de dinheiro; o dirigente indicado frauda a licitação para contratar empresa que seja parte no esquema; a empresa contratada superfatura o contrato para gerar o excedente do dinheiro que vai ser destinado ao agente político que fez a indicação, ao partido e aos correligionários.
Note-se bem: este não foi um esquema isolado! Este é o modelo padrão. A ele se somam a cobrança de propinas em empréstimos públicos; a venda de dispositivos em medidas provisórias, leis ou decretos; e os achaques em comissões parlamentares de inquérito, para citar alguns exemplos mais visíveis.
Nesse ambiente, faz pouca diferença saber se o dinheiro vai para a campanha, para o bolso ou um pouco para cada um. Porque o problema maior não é para onde o dinheiro vai, e sim de onde ele vem: de uma cultura de desonestidade que foi naturalizada e passou a ser a regra geral.
O Supremo Tribunal Federal tem dado contribuição importante para o enfrentamento desse estado de coisas, ainda que de forma menos vigorosa do que pessoalmente acho que deveria.
De fato, ao longo do julgamento da ação penal 470 (mensalão), pela primeira vez, empresários, políticos e burocratas foram condenados por crimes como corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e gestão fraudulenta de instituições financeiras. Foi uma virada histórica na cultura da impunidade, que abriu caminho para a Operação Lava Jato.
Na sequência histórica, com participação direta ou indireta do STF, vieram a ser presos três ex-presidentes da Câmara dos Deputados, dois ex-chefes da Casa Civil, um ex-secretário de Governo da Presidência da República, ex-governadores, alguns dos maiores empresários do país e um político símbolo da corrupção atávica. Impossível negar que o Brasil já mudou.
Foi decisiva, para essa nova realidade, a decisão de permitir a execução das condenações penais após o segundo grau. Pela primeira vez, ricos delinquentes, que sempre escapavam do sistema penal pela procrastinação indefinida, passaram ser punidos e a colaborar com a Justiça. O impacto prático dessa modificação foi expressivo e abrangente, desbaratando esquemas diversos.
Reação oligárquica 
Sem surpresa, já se fala em voltar atrás. Parte da elite brasileira, inclusive no Judiciário, milita no tropicalismo equívoco de que corrupção ruim é a dos outros, mas não a dos que frequentam os mesmos salões que ela. Infelizmente, somos um país em que alguns ainda cultivam corruptos de estimação.
Como a nova ordem passou a atingir pessoas que se imaginavam imunes e impunes, deflagrou-se, para combatê-la, uma “Operação Abafa” enorme e multifacetada.
Entre os representantes da velha ordem, há duas categorias bem visíveis: (i) a dos que não querem ser punidos pelos malfeitos cometidos ao longo de muitos anos; e (ii) um lote pior, que é o dos que não querem ficar honestos nem daqui para frente. Gente que tem aliados em toda parte: nos altos escalões, nos Poderes da República, na imprensa e até onde menos seria de esperar. Mesmo no Judiciário subsiste, em alguns espaços, a mentalidade de que rico não pode ser preso, não importa se corrupto, estuprador ou estelionatário.
Volta-se aqui à malsinada competência penal do Supremo. Nesse universo de criminalidade, em que se misturam ideologia, desonestidade e projetos de poder, coube ao tribunal o ônus de arbitrar as perdas e danos causados pela tempestade ética, política e econômica que se abateu sobre o Brasil. Seria ingenuidade supor que pudesse escapar ileso, sem desagradar a muitos, de todos os lados.
Onde foi possível, o tribunal exerceu sua função moderadora. Mas seria fantasioso imaginá-lo como uma instância hegemônica, capaz de neutralizar todas as tensões e atritos vindos dos outros dois vértices da praça dos Três Poderes. Com um detalhe: o Supremo é uma instituição plural. Não tem chefe. Hierarquia existe é nas Forças Armadas. Este foi outro filme.
Felizmente, o filme atual exibe um sentimento republicano e igualitário crescente, capaz de vencer essa triste realidade.
Um novo começo
Em um livro notável, intitulado “Por que as Nações Fracassam”(Campus Elsevier), Daron Acemoglu e James A. Robinson exploram as causas da prosperidade e da pobreza nos diferentes países. A principal conclusão da obra é que o sucesso dos países está associado à existência de instituições políticas e econômicas que não sejam apropriadas pelas elites, mas que sejam verdadeiramente inclusivas, capazes de dar a todos segurança, igualdade de oportunidades e confiança para inovar e investir. E promover a “destruição criativa” da velha ordem.
É possível —apenas possível— que o Brasil esteja vivendo um momento de refundação, um novo começo. Aos 30 anos de democracia, as instituições estão sendo construídas e consolidadas. Uma das tarefas mais difíceis é derrotar a cultura da desigualdade, da apropriação privada do que é público e do compadrio no andar de cima, que sempre adiou o futuro do país.
Sem ter conseguido escapar de algumas armadilhas deixadas pelo passado, o Supremo Tribunal Federal tem prestado bons serviços à estabilidade institucional e ao avanço social no Brasil, protegendo as regras do jogo democrático e assegurando o respeito aos direitos fundamentais.
Os aspectos mais problemáticos de sua atuação se deram relativamente a uma competência que ele não deveria ter: a de funcionar como juízo criminal de primeiro grau para políticos encrencados.
Mesmo assim, vem tendo papel decisivo no enfrentamento da corrupção, contribuindo de forma relevante —ainda que nem sempre linear— para atender a imensa demanda por integridade, idealismo e patriotismo que germinou na sociedade brasileira.
Temos andado na direção certa, ainda quando não na velocidade desejada. E, nos dias ruins, há sempre um consolo libertador, que vale para todos e ajuda a mudar o mundo: não importa o que esteja acontecendo à sua volta, faça o melhor papel que puder.


URGENTE!! PGR Decidiu Rescindir Acordo De Delação Premiada Com Wesley Batista, Da JBS








PGR decide rescindir delação de Wesley Batista e de advogado da J&F. Homologação da quebra será analisada pelo STF, que também discute situação do acordo de Joesley
Representantes do grupo J&F, dono da JBS, se reúnem pela primeira vez na próxima terça-feira (27/2) com procuradores da força-tarefa Greenfield para negociar uma repactuação do acordo de leniência. Em maio de 2017, o grupo assinou com o Ministério Público Federal (MPF) um acordo que previa o pagamento de R$ 10,3 bilhões por conta de possíveis crimes praticados por suas empresas.

Considerado o maior acordo da história, a leniência da J&F foi posta em xeque após os acordos de colaboração premiada de seus principais acionistas, Joesley e Wesley Batista, serem rescindidos pela Procuradoria-Geral da República.
Em outubro no ano passado, o MPF abriu um procedimento administrativo para investigar se a J&F descumpriu as cláusulas do acordo firmado em junho de 2017. O motivo do possível descumprimento seria a sonegação de informações sobre uso de informações privilegiadas para obter lucros indevidos (insider trading) à época da divulgação do acordo de delação premiada dos irmãos Batista.
A repactuação terá como base as cláusulas e o valor já acordado. Uma fonte com acesso às tratativas disse ao jornal O Estado de S. Paulo que, por conta das omissões da empresa no primeiro acordo, o valor será aumentado e podem ser incluídas cláusulas mais duras para a empresa.
O jornal mostrou em janeiro que a nova negociação deve incluir o crime de insider trading que teria sido praticado pelos irmãos Joesley e Wesley Batista. Segundo a investigação da Polícia Federal, às vésperas do vazamento da delação, Joesley determinou a venda de 42 milhões de ações da JBS a R$ 372 milhões. Ao mesmo tempo, a própria JBS, presidida por Wesley, passou a recomprar esses papéis, diluindo as perdas com a desvalorização das ações no momento em que a delação fosse divulgada.
Além disso, um dia antes da delação dos executivos da JBS vazarem, a empresa foi a segunda maior compradora de dólar no Brasil, segundo a PF. De acordo com o MPF, somente as operações em dólar somaram R$ 3 bilhões, rendendo lucro de US$ 100 milhões aos empresários.
A primeira reunião para repactuação deve contar com a presença de representantes dos fundos de pensão dos funcionários da Petrobrás (Petros) e da Caixa (Funcef) e dirigentes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Representantes da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), do Tribunal de Contas da União (TCU), da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Controladoria-Geral da União (CGU) também acompanham as negociações, mas ainda não confirmaram presença no encontro.
Questionado, o grupo J&F informou que não se manifestará.

URGENTE! PF Indiciou Criminalmente Jaques Wagner Por Recebimento De Propina Nas Obras Do Estádio Da Fonte Nova







A PF indiciou criminalmente Jaques Wagner por recebimento de propina nas obras do estádio da Fonte Nova.
O Estadão informa que foram enquadrados também o secretário da Casa Civil da Bahia, Bruno Dauster, e Carlos Daltro, ambos ligados à OAS.
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CCJ vota nesta terça extinção da verba indenizatória de distritais




Relatório do distrital Reginaldo Veras recomenda o fim da regalia. Presidente da Casa, Joe Valle quer votação em plenário na semana que vem

POLÍTICA



Felipe Menezes/Metrópoles


Suzano Almeida



A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Legislativa votará, na manhã desta terça-feira (27/2), relatório do presidente do colegiado, Reginaldo Veras (PDT), sobre o fim da verba indenizatória. O Metrópoles teve acesso ao documento de 11 páginas, finalizado nesta segunda (26), que vai recomendar a extinção total da regalia.
Hoje, cada distrital tem direito a ser ressarcido em até R$ 25,3 mil mensais. O dinheiro pode ser usado para fins diversos, como locação de veículos, contratação de serviços de assessoria, manutenção de escritórios políticos e aquisição de combustíveis, entre outros. Essas duas últimas despesas, aliás, são duramente criticadas por Veras em seu relatório.
É difícil cortar na própria carne, pois ninguém quer perder aquilo que já vem agregando aos seus recebimentos. Mas é passada a hora de todos os agentes públicos, inclusive os deputados distritais, fazerem a sua parte e usarem o dinheiro público com eficiência e parcimônia"
Trecho do relatório de Reginaldo Veras, presidente da CCJ
Deputados federais

Para o relator da proposta, os recursos para finalidades como o deslocamento pelo DF se justificariam no caso dos deputados federais, mas não dos distritais, por conta da pouca distância entre as regiões administrativas e a Câmara Legislativa. Reginaldo Veras (PDT) argumenta que as distâncias percorridas pelos deputados não ultrapassam 55km da sede do Poder Legislativo.


Além do mais, a Casa tem realizado audiências públicas nas cidades e ainda há a utilização da internet – meio de divulgação de informações e de prestação de contas bem menos oneroso. O deputado ainda diz que a CLDF possui servidores qualificados, que podem fazer os trabalhos contratados externamente.
A própria Casa, para aproximar os deputados dos cidadãos, tem efetuado reiteradas e constantes audiências públicas itinerantes, sessões ordinárias externas, o que, por si só, já afasta a necessidade do dinheiro público do contribuinte ser utilizado com aluguel de imóveis e outros gastos de manutenção imobiliária. Não mais se justifica [essa despesa], com as reuniões externas da CLDF, o sítio eletrônico, o portal da transparência e a proximidade da sede parlamentar de seus eleitores"
Trecho do relatório de Reginaldo Veras, presidente da CCJ


O relatório destaca também que parlamentos de outros países, como os Estados Unidos e a Austrália, disponibilizam verba indenizatória para seus parlamentares, mas o benefício é alvo de rígida disciplina na utilização dos recursos.
“A Câmara Legislativa não pode querer se comparar com a Câmara dos Deputados nem com legislativos estrangeiros, em face da peculiaridade da Casa distrital, que está bem próxima de seu eleitorado e com despesas que já são custeadas pela própria instituição, com maquinário, informática, internet e assessores parlamentares”, destaca outro trecho do documento de 11 páginas.

Tramitação

Após a análise da CCJ, o projeto de resolução será apreciado em plenário. O tema não chegou a ser debatido na reunião do Colégio de Líderes desta segunda-feira (26). Entretanto, o presidente da Câmara Legislativa, Joe Valle (PDT), acredita que a matéria possa ser votada na próxima terça-feira, 6 de março.
“Se não for na terça-feira, será na quarta-feira ou na quinta-feira. O importante é dizer que o fim da verba indenizatória está consumado”, disse Joe Valle. Segundo o deputado, um grupo de trabalho vai estudar como ficarão os contratos continuados e se haverá algum tipo de recurso para ajudar os deputados em algum de seus gastos. “Se formos estabelecer algum tipo de ajuda, como no caso de combustível, será um valor máximo de R$ 2 mil, o que já é muito menor do que ter R$ 25 mil livres todo mês”, finalizou o presidente da CLDF.
Legalidade

Segundo Reginaldo Veras, a matéria só não foi analisada pela CCJ antes porque foi preciso seguir prazos legais e regimentais. O primeiro passo foi a recondução dos membros do colegiado para novo mandato, uma vez que os antigos expiraram no fim do ano passado. Outro rito a ser seguido foi o prazo de 10 dias para a apresentação de emendas.
A votação na CCJ está marcada para as 10h30 desta terça (27). Para que o relatório seja aprovado, são necessários três dos cinco votos do colegiado. Fazem parte da comissão, além de Reginaldo Veras, Sandra Faraj (SD), Professor Israel Batista (PV), Julio Cesar (PRB) e Celina Leão (PPS). No plenário, o número mínimo para referendar a matéria é de 13 votos.