sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Para Salvar Temer, Centrão Quer Receber Cargos E Verbas Adiantadas




  • 22/09/2017
Integrantes do PP, PR e Solidariedade que, em conversas informais, queixaram-se de não terem recebido o prometido após liberarem Temer de sua primeira denúncia.


Todos disseram que Temer prometeu cargos no segundo e terceiro escalão do governo, além da liberação de emendas, mas boa parte dos indicados ainda não foram nomeados e o dinheiro para as bases está aquém do esperado.
Um importante líder do centrão explicou o caso da seguinte maneira: “na primeira denúncia nos deram um cheque pré-datado que ainda não foi compensado, queremos agora o pagamento à vista”.
Segundo estes deputados, a cobiça ao primeiro escalão do governo, com o pedido de substituição do ministro Antonio Imbassahy, do PSDB, por alguém do centrão, é mais um jogo de pressão do que realmente um pedido específico.
A avaliação de parte da base de Temer é que Imbassahy se tornou um “amigo e confidente” do presidente, por isso, o pedido de seu cargo está mais ligado à estratégia de obter os cargos no segundo e terceiro escalão, bem como à liberação de emendas, do que com a real intenção de obter o ministério.
Temer já foi avisado sobre os interesses, e sabe que até mesmo metade da bancada do seu PMDB está trabalhando da mesma forma que o centrão.
A informação do Palácio, até agora, é de que será preciso manter Imbassahy no governo para assegurar parte do PSDB na votação contra a denúncia e reorganizar os cargos de segundo e terceiro escalão para manter o apoio do centrão.
Além disso, vão tentar mostrar para o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, do DEM do Rio de Janeiro, que o suposto ‘roubo’ de deputados que querem deixar o PSB na verdade não está ligado à pressão do Planalto, mas à vontade dos próprios parlamentares em suas contas eleitorais para a eleição.
Apesar disso, o Planalto deverá trabalhar para que os integrantes do PSB migrem para o DEM, agrando Maia e operando, especialmente, na liberação de emendas aos aliados.
Quanto aos cargos, o Palácio fará sua matemática nos próximos dias para tentar definir como alocar os novos indicados sem exonerar figuras de aliados já antigos.
Nem mesmo a cúpula do governo sabe, hoje, como isso será possível.
por: Severino Motta é repórter do BuzzFeed News, em Brasília

Emenda de última hora tenta abrir uma brecha para garantir candidatura de Lula



  • 22/09/2017
Natália Lambert
Correio Braziliense

Faltando apenas duas semanas para se ter uma proposta de reforma política aprovada e sancionada, um grupo de cinco senadores, coordenados pelo líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), elaborou uma proposta que, além de criar um Fundo Especial de Financiamento de Campanha com previsão de arrecadação de R$ 3,5 bilhões, trata de outras questões como regras para propaganda eleitoral na internet e a criação de Habilitação Prévia de Candidatos.

O texto, segundo especialistas em direito eleitoral consultados pelo Correio, abre brecha para políticos enrolados com a Lava-Jato, a exemplo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, garantirem a candidatura por meio de recursos.

CHANCE DE RECURSO – A proposta prevê que os candidatos que pretendem concorrer em outubro devem entregar uma série de documentos entre 1º de fevereiro e 15 de março do ano eleitoral. Com as certidões, a Justiça Eleitoral fará uma análise prévia dos que podem ser ou não candidatos. A divulgação do resultado será em 15 de maio.
O texto até prevê a possibilidade de reavaliação da candidatura, mas, na opinião dos especialistas, ele gera instabilidade jurídica e cria mais uma chance de recurso, já que o candidato, caso venha a ser condenado após o prazo, tem o trunfo da autorização prévia.

A medida pode beneficiar políticos como o ex-presidente Lula, que já se apresentou como pré-candidato à Presidência da República no ano que vem, mas ainda depende de um julgamento do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), que pode confirmar em segunda instância a condenação do juiz Sérgio Moro por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A expectativa é que o julgamento ocorra somente no fim do primeiro semestre de 2018.

INSTABILIDADE – “Essas novidades criadas com pressa podem ser muito perigosas. O projeto tem tudo para criar polêmica e instabilidade”, comenta um consultor legislativo que prefere não se identificar.

O texto foi baseado em um projeto de lei de autoria do senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) e relatado por Armando Monteiro (PTB-PE). Justamente por ter sido feita às pressas, com a inclusão de muitos temas — alguns rejeitados na Câmara —, a proposta foi criticada na última quarta-feira em plenário e o presidente Eunício Oliveira (PMDB-CE) marcou a votação para a próxima terça.
De acordo com informações da Presidência do Senado, como a prioridade é a criação do fundo para a garantia dos recursos na campanha, o texto deve ser desidratado para que possa ser aprovado e enviado à Câmara a tempo de valer para o ano que vem.

APERFEIÇOAMENTO – Apesar de abrir uma possibilidade polêmica, o juiz Marlon Reis, criador da Lei da Ficha Limpa, vê pontos positivos na idéia, como aperfeiçoamento da legislação, já que uma análise prévia dos candidatos retiraria boa parte dos políticos inelegíveis.

“Casos pontuais que venham a ser condenados depois têm a candidatura cancelada à frente. O projeto ainda corrige uma falha da lei que não exige certidões cíveis, só criminais. Com esses documentos podem ser descobertos casos de inelegibilidade decorrentes de ações de improbidade administrativa”, acrescenta.

SÓ DEPUTADO PRESIDIÁRIO E SECRETÁRIO APARECEM, E CÂMARA ADIA LEITURA DE PEDIDO CONTRA TEMER






    NBO
    22/09/2017



O terceiro-secretário da Câmara, JHC (PSB-AL), tentou abrir a sessão desta sexta-feira (22). Mas faltou quórum para que o Plenário recebesse oficialmente o pedido de nova investigação contra o presidente Michel Temer (PMDB), enviado ontem pelo Supremo Tribunal Federal. Além de JHC, só registrou presença o deputado Celso Jacob (PMDB-RJ), que cumpre pena de 7 anos e 2 meses de prisão em regime semiaberto. Os outros 511 não compareceram.

Jacob cumpre pena desde junho por falsificação de documento público e dispensa de licitação. Desde junho, o deputado deixa o Complexo Penitenciário da Papuda todos os dias pela manhã e trabalha na Câmara até o início da noite, quando retorna à prisão. Ou seja, na prática, a presença dele é obrigatória. Se não comparecer ao Congresso, ele tem de passar o dia todo na Papuda.

Com a falta de quórum, a leitura da denúncia contra Temer só deverá ser feita na próxima terça-feira, dia de sessão deliberativa e grande presença de deputados. O documento elaborado pelo ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot que aponta Temer como integrante, ao lado de outros peemedebistas, de uma organização criminosa com atuação em órgãos públicos, e de obstrução da Justiça tem 260 páginas.

Após a leitura em plenário, o pedido de autorização para o Supremo examinar a nova denúncia contra o presidente seguirá para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), responsável por elaborar um parecer. Temer terá, então, dez dias para apresentar sua defesa. Depois da votação na CCJ, qualquer que seja o resultado, o parecer será submetido aos 513 deputados. Para que o Supremo analise a denúncia é necessário o apoio de pelo menos 342 parlamentares.

O Dono Dos R$ 51 Milhões Em Dinheiro Vivo Pode Ser O Fato Novo




Caminho Da Segunda Denúncia Contra Temer

  • 22/09/2017
A segunda denúncia contra Michel Temer chega com menos apelo à Câmara. Em todos os sentidos. O presidente tem mais força agora do que naquele 2 de agosto, quando os deputados rejeitaram, por 263 votos a 247, a acusação de corrupção passiva alinhavada pelo ex-PGR Rodrigo Janot.
Desta vez, a própria discussão aberta no STF sobre a validade das provas oferecidas pelos executivos do grupo JBS em suas delações parece indicar mais força de Temer e sua turma do PMDB nas preliminares do jogo principal, no plenário da Câmara. Na primeira denúncia, não houve questionamento. O presidente estava mais frágil no Congresso. O estrago político da delação foi grande o bastante para desatar um “feirão” de cargos, emendas e influência no governo no Congresso. Agora, nem isso deve ocorrer naquele dimensão, já que muita “mercadoria” ainda não foi entregue.


“O tal ‘fato novo’ da vez, e que pode realmente mudar o jogo contra Temer no Congresso, é uma eventual delação do ex-ministro Geddel Vieira Lima”
O placar de hoje no STF foi contundente, é claro: 10 a 1 – a única divergência foi do “líder” no STF, ministro Gilmar Mendes. Mas a chicana da defesa do presidente serviu bem ao objetivo de levantar muitas dúvidas sobre as novas acusações de organização criminosa e obstrução de justiça.
Nos bastidores, STF namorou com a devolução do abacaxi à PGR, agora comandada por Raquel Dodge – figura que, diz-se no meio jurídico, deve ser tão implacável quanto Janot, já que precisa afirmar-se diante da corporação, mas certamente menos afobada e mais calculista. O STF também cogitou retardar o sinal verde à Câmara até que ficasse mais claro se as delações, mesmo rescindidas pelo ex-PGR, teriam força legal suficiente para formar convicções.
O tal “fato novo” da vez, e que pode realmente mudar o jogo contra Temer no Congresso, é uma eventual delação do ex-ministro Geddel Vieira Lima. Esse, sim, um comensal de extrema confiança e intimidade do presidente. Um político reputado como sanguíneo, irascível, explosivo e mercurial nas suas relações.
Na primeira denúncia contra Temer, pesava a imagem da mala de R$ 500 mil empurrada na surdina pelo ex-assessor e deputado Rodrigo Rocha Loures pelas ruas de São Paulo. Agora, pesam as várias malas com R$ 51 milhões (!) “descobertas” em um apartamento de Salvador usado por Geddel.
Além da escala incomparável, a situação é bem diferente. Rocha Loures era um “consiglieri” no círculo de Temer. Geddel era vice-Rei, assim como são os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco e o agora detento Henrique Alves – Eduardo Cunha, preso em Curitiba, tinha outra função no grupo.
Tudo somado, as caneladas na base política de Temer, em especial a disputa PMDB x DEM de Rodrigo Maia para ganhar novos deputados na janela de troca partidária, tendem a se acomodar na ‘dolce vita’ brasiliense. Mas o ânimo de Geddel nem as palmeiras imperiais da Praça dos Três Poderes sabem como ficará com mais alguns dias de cárcere na Papuda.
Por isso, Temer quer resolver a parada logo na Câmara. Mas os ritos e o ritual do Parlamento podem ser implacáveis.
via congresso em foco

O futuro do Brasil nas mãos dos desembargadores do TRF-4





TRF da 4ª Região selará o futuro do Brasil. Os desembargadores estão avisados. A responsabilidade pelo que vier é somente deles

Desembargadores do TRF-4: João Pedro Gebran Neto, Leandro Paulsen e Victor Luiz dos Santos Laus (Imagem: Pragmatismo Político)

Marcio Valley, em seu blog
A recente pesquisa encomendada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) ao Instituto MDA Pesquisa deveria ser objeto de profunda reflexão pelos desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Por quê? Vejamos.
Segundo a pesquisa CNT/MDA (1), no 1º turno, Lula venceria em todos os cenários, contra todos os principais candidatos, sempre obtendo cerca de um terço da preferência do eleitorado. Da mesma forma, em todos os cenários Bolsonarofigura em segundo lugar e Marina Silva em terceiro. Ciro Gomes aparece em quarto, quando Aécio Neves é o candidato do PSDB, ou em quinto, quando os tucanos vêm de Alckmin ou Dória.
No 2º turno, Lula também vence em todos os cenários, contra todos os principais candidatos, com votação na faixa de 40% a 42% dos eleitores, com o candidato em segundo, seja quem for, obtendo cerca de 23 a 28% dos votos, exceto Aécio Neves, que obtém míseros 14,8% dos votos. Para um candidato que obteve 48% dos votos no segundo turno da eleição presidencial de 2014 e, por isso mesmo, deveria contar com um excelente recall, trata-se de uma queda vertiginosa, decorrente, claro, das incríveis barbeiragens políticas perpetradas pelo político mineiro, que demonstrou nada ter herdado da sabedoria política do avô Tancredo. Tais barbeiragens foram as catalisadoras do golpe midiático-jurídico-parlamentar sofrido pelo país que devolveu aos pobres e miseráveis o seu lugar na história: a sarjeta da sociedade.
Aécio, hoje, é um fantasma político, não somente em nível nacional, como também em Minas, onde perderia novamente para Dilma para senador (2). A parcela mais desfavorecida devolveu o “favor” a Aécio, lançando-o na sarjeta da política. Não somente ele, mas o PSDB inteiro, como a pesquisa demonstrou.
Portanto, a pesquisa demonstra de forma cabal que o golpe fracassou em seu objetivo principal, que era desmontar o PT e, principalmente, a simpatia do eleitor por Lula. A história de Lula “corrupto” não decolou. O povo assiste políticos de vários partidos, notadamente do PSDB e do PMDB, sendo pegos com a boca na botija, guardando milhões em malas, com provas sólidas de desvio, sem grande estardalhaço da imprensa e sem grande movimentação do aparato jurídico-policial para seguir o dinheiro. Com relação a petistas como José Dirceu, Genoíno e Lula, nada se encontra que induvidosamente não possa ser produto do próprio trabalho. Como nada se encontra, criminaliza-se honorários recebidos por consultorias e palestras, mesmo que existam documentos e vídeos comprovando a prestação dos serviços e mesmo que os rendimentos tenham sido declarados à Receita Federal. Criminaliza-se o uso habitual de bens de terceiros, mesmo que comprovadamente sejam amigos de décadas. Atribui-se a eles a propriedade de imóveis de terceiros, ainda que a escritura e o registro de imóveis digam o contrário. Diz-se ser deles contas bancárias milionárias em nome do delator que o próprio delator utiliza para comprar bens de luxo para si mesmo. Vale tudo.
E nesse vale-tudo, documentos são forjados para instruir processo penal cujo objetivo é tudo, menos condenar um culpado por um crime cometido. De forma estarrecedora, estão chegando evidências de que as supostas provas contra Lula são documentos forjados. Os mesmos documentos provam um determinado fato em um processo da Lava Jato e outro completamente distinto no outro processo, contra Lula (3).
golpe, porém, não somente fracassou nesse objetivo, como destruiu a economia do país ao desconstruir os pilares que a sustentavam, quais sejam, a incrível recuperação, forjada durante os governos petistas, da indústria naval, da construção civil e da prospecção do petróleo. A Lava Jato mirou diretamente nesses alicerces, como se estivessem imbuída da intenção planejada de pôr fim à fuga do Brasil da atração gravitacional dos EUA e sua consolidação como uma liderança econômica relativamente aos países africanos e asiáticos, nítido propósito dos governos petistas. Como não podia deixar de ser, criminalizaram o trabalho de um ex-presidente pela prevalência, no exterior, do interesse nacional. Somente o tempo dirá se, nesse momento histórico, quintas-colunas travestidos de heróis, alguns inclusive utilizando respeitáveis capas negras, como Batman, atuaram para destruir o país e entregar de bandeja nossas riquezas à voracidade do capital estrangeiro.
Ocorre que nada disso passou despercebido pela população, que percebe a farsa e oferece a Lula um pedido de desculpas, na forma de intenção de votos, que deveria partir das instituições jurídicas que sabotaram ou ajudaram a sabotar um projeto de país que esteve muito próximo de se consolidar.
E essas instituições jurídicas, a partir da análise da pesquisa CNT/MDA, terá mais um importante papel a desempenhar: o de decidir se, em 2018, elegeremos um autêntico democrata preocupado com o desenvolvimento do país, como Lula, ou um político que pratica um tipo de nacionalismo extremado, à moda nazista, que é Bolsonaro.
Sim, porque a pesquisa não deixa dúvida alguma: se Lula for retirado do pleito, Bolsonaro vencerá. Segundo a pesquisa, Bolsonaro vence de todos os “medalhões” da política – Aécio, Alckmin, Dória e Ciro Gomes – e somente perde para Marina, todavia dentro da margem de erro. Considerando que a militância fascista de Bolsonaro é muito mais aguerrida do que a da acreana, que ainda conta com a “pecha” de ser ex-petista, que certamente será explorada num eventual segundo turno entre os dois, a possibilidade de Bolsonaro ser o próximo presidente, se Lula não vier candidato, é considerável.
Não há dúvida alguma, na cabeça de quem acompanha a novela Lava Jato, que Sérgio Moro não é isento em relação a Lula e o condenará quantas vezes ele for processado criminalmente perante a 13ª Vara Federal de Curitiba. Se um delator o acusar de ter roubado um picolé de uma criança, sem prova alguma, Moro condenará Lula a não menos do que nove ou dez anos de cadeia, pois o objetivo da Lava Jato não é produzir justiça, mas exterminar o PT e Lula, ainda que contra todas as provas e evidências. Como se sabe, no Brasil, aos olhos da Polícia Federal e da Justiça Federal, é muito mais grave um político utilizar um sítio de um amigo do que possuir um helicóptero apreendido com quinhentos quilos de cocaína.
Como Moro de imparcial nada possui, somente se pode esperar a produção de justiça dos tribunais superiores à 13ª Vara Federal de Curitiba. O histórico das decisões não é muito boa. O relator dos processos da Lava Jato no TRF da 4ª Região é suspeito de possuir relação de amizade ou de compadrio com Sérgio Moro (4). Possua ou não amizade com Moro – o que, se demonstrado, o impediria de relatar os processos – o fato é que sistematicamente mantém ou agrava as penas de Moro. Os demais desembargadores da Turma parecem agir com mais independência e, vez ou outra, reformam, contra a vontade do relator, as sentenças moriáticas.
Apesar da aparente tendenciosidade que vem demonstrando a Justiça Federal, espera-se que tenha a decência e a inteligência de evitar a condenação de Lula em um processo fundado exclusivamente na palavra de delatores. Quem diz isso? Janot, no parecer sobre o caso, ao afirmar a inexistência de prova (5). Ora, ao dar o parecer, Janot encarnava, nada mais, nada menos, do que a função de mais elevada hierarquia dentro do órgão acusador, o Ministério Público Federal. Em outras palavras: o órgão acusador reconhece a inexistência de prova.
O TRF-4, então, possui os seguintes elementos a considerar ao apreciar o recurso de Lula: (a) Moro condenou Lula por um crime (recebimento de 16 milhões de reais em decorrência da corrupção sistêmica na Petrobras, sem vinculação específica a um determinado contrato) diferente daquele que consta da denúncia (recebimento de 3,5 milhões de reais por conta especificamente de três contratos entre a OAS e a Petrobras), ou seja, a acusação não logrou comprovar a culpa de Lula no que concerne aos três contratos; (b) a Polícia Federal e o Ministério Público não conseguiram demonstrar a existência de qualquer pagamento a Lula ou iniciativa sua para favorecer a OAS na obtenção dos contratos, sendo que Moro, em despacho, admite isso, o que sugere o uso desfigurado da teoria do domínio do fato; (c) a sentença não vincula o triplex à corrupção, ainda que tenha determinado seu bloqueio, e reconhece que o registro imobiliário aponta a própria OAS como proprietária; (d) surgem evidências documentais de que a prova utilizada para a condenação foi produto de falsificação.
Enfim, o que não falta, aparentemente, é motivo justo e legal para a sentença de Moro ser reformada in totum ou mesmo anulada.
Independentemente das convicções pessoais de cada desembargador, inclusive as do amigo de Moro, o que está em jogo, agora, é o destino do país. O que deve prevalecer é o bom senso e o espírito democrático. Compete ao povo decidir quem irá nos governar e não à plutocracia judicial.
O TRF da 4ª Região pode agir com isenção e legalidade, assim permitindo o caminhar sereno da democracia, ou fechar os olhos e enfiar a cabeça num buraco. Nesse caso, porém, o risco é de ser o responsável pela assunção de Bolsonaro ao poder.
Tenho convicção de que as pessoas públicas alemãs, no final da década de 1920, não tinham ideia do que aquele jovem espalhafatoso e de discurso raivoso faria ao país. Os desembargadores do TRF-4, porém, sabem perfeitamente o que irão fazer. Ou cumprem o papel constitucional que lhes é reservado ou, em futuro próximo, serão diretamente responsáveis pelos desdobramentos políticos de uma decisão que deveria ser meramente judicial e legal, limitada ao mundo dos autos. É esse o seu papel, nada além disso.
É possível o esvaziamento da candidatura de Bolsonaro a partir da exposição maciça, na campanha, da crueza de seus posicionamentos infames ou devido ao tempo reduzido que terá na propaganda eleitoral? Sim, é possível, mas trata-se de um risco que três desembargadores não têm o direito de imputar a 200 milhões de cidadãos. Eles não representam 70 milhões de brasileiros cada um. Não foram eleitos para isso.
Como pontifiquei em texto anterior (6), Bolsonaro é transparente e não esconde quem é ou suas ideias. Ele produz declarações públicas assumidamente antidemocráticas, homofóbicas, racistas, misóginas, em defesa da tortura, do assassinato puro e simples de criminosos pela polícia, do assassinato de cidadãos que se opuserem ao governo, a favor do fechamento do congresso, a favor da imposição de dogmas religiosos aos cidadãos, contra os indígenas e mais um monte de outras de natureza torpe como essas.
Os desembargadores estão avisados.
A responsabilidade pelo que vier é de vocês.
Referências:

Temer E Cunha Levaram R$250 Milhões Da Caixa





  • 22/09/2017
Lúcio Funaro disse que o grupo formado por Michel Temer, Eduardo Cunha e Henrique Alves recebeu cerca de 250 milhões de reais em propinas decorrentes de créditos da Caixa Econômica Federal.
Diz O Globo:

“Operador financeiro do partido, Funaro disse que Cunha funcionava como um ‘banco de propina’ para deputados e, depois, virava o ‘dono’ dos mandatos de quem era beneficiado.
O doleiro afirmou não saber exatamente o valor da propina repassada a Cunha, ‘mas sabe que este sempre distribuía parte da propina recebida com Henrique Eduardo Alves e Michel Temer, fora outros deputados aliados’”.

Por Aguiasemrumo: Romulo Sanches de Oliveira!

Pela primeira vez na história da República brasileira, temos um presidente denunciado criminalmente por atos de corrupção cometidos no exercício do mandato. Sai um homem de confiança do Temer da cadeia e entra outro e assim por diante. Isso bastaria para que Michel Temer tomasse a decisão de renunciar para abreviar a crise, Michel Temer faz parte do Grupo de bandidos dos Batistas. Assim, se os irmãos Batistas entregaram seus comparsas, melhor para o Brasil, pois preferível o pior à dura verdade, do que uma eternização da mentira e corrupção. O Brasil passou pela trajetória do Impeachment da Dilma e passará também pela trajetória do afastamento do Temer (Artigo 81 CF), pois caso contrário será uma catástrofe MORAL e ÉTICO para o Brasil. Não podemos e eu não defendo qualquer tipo de corrupção ou safadeza de um líder político, independente do Partido.  Afinal, o próprio presidente declarou há meses que ministros denunciados na Lava Jato teriam que renunciar. Agora, o próprio presidente foi atingido, mas ao contrário do que afirmou, promete resistir, junto com seus ministros, muitos deles na mesma situação.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Lula Vê Com Preocupação Fala De Generais E Diz:



 “Crise Só Acaba Com Presidente Eleito”


  • 22/09/2017
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chamou de preocupantes as declarações de generais sobre a hipótese de intervenção militar no Brasil. Reunido nesta quinta-feira (21) com dirigentes petistas, o petista disse é preciso ficar atento às manifestações dos militares.
Na última sexta-feira (15), o general Antonio Hamilton Mourão defendeu intervenção militar como resposta à crise política em palestra realizada na Loja Maçônica Grande Oriente, em Brasília. O comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, decidiu não repreender Mourão e ainda rasgos elogios a ele afirmando que é um “bom soldado, um gauchão”. Mourão também recebeu apoio do ex-comandante brasileiro da Força de Paz no Haiti, general Augusto Heleno: “Meu apoio irrestrito ao meu amigo de longa data e respeitado chefe militar (Mourão)”, escreveu o militar, no Facebook.


Segundo a presidente nacional do PT, a senadora Gleisi Hoffmann, Lula afirmou que “a sociedade civil tem que tomar as rédeas do processo e garantir a democracia”. Ainda segundo Gleisi, o ex-presidente afirmou que as Forças Armadas exercem papel constitucional e que confia nelas.
Em sua fala, Lula reafirmou que só um presidente eleito será capaz de debelar a crise. Ao avaliar o cenário político, ele disse que o PT voltará ao poder, mas herdará o país em piores condições do que recebeu de FHC em 2003.
O ex-presidente cobrou ainda que os petistas concorram à Câmara de Deputados. Segundo ele, os melhores nomes do partido têm de se lançar na disputa. “Não dá para fugir da luta”, afirmou.

Comandante Diz Que Exército Está Comprometido Com A Democracia

O general Eduardo Villas Bôas afirmou em nota nesta quinta que “o Exército Brasileiro é uma instituição comprometida com a consolidação da democracia em nosso país”. No comunicado divulgado pelo Centro de Comunicação Social do Exército, ele cita o episódio envolveu o general Mourão.
Villas Bôas disse ainda que “o comandante do Exército é a autoridade responsável por expressar o posicionamento institucional da Força e tem se manifestado publicamente sobre os temas que considera relevantes”.
“Em reunião ocorrida no dia de ontem [quarta, 20], o comandante do Exército apresentou ao sr. ministro da Defesa, Raul Jungmann, as circunstâncias do fato e as providências adotadas em relação ao episódio envolvendo o General Mourão, para assegurar a coesão, a hierarquia e a disciplina”, diz a nota.
“O comandante do Exército reafirma o compromisso da Instituição de servir à Nação Brasileira, com os olhos voltados para o futuro.”