JUCA BALA PODE SER 3º DOLEIRO A DELATAR O EX-GOVERNADOR DO RIO
Publicado: 18 de fevereiro de 2017 às 09:57
SÉRGIO CABRAL ESTÁ PRESO ACUSADO DE CORRUPÇÃO (FOTO: ABR)
A força-tarefa da Lava Jato no Rio negocia, em estágio avançado, uma nova delação premiada que revelaria detalhes de supostos envios de propinas ao exterior para o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB). Segundo fontes próximas às investigações, o doleiro Vinicius Claret, conhecido como Juca Bala, está em tratativas para assinar o acordo de delação premiada.
A colaboração avança sobre repasses no exterior, que integrantes do Ministério Público Federal (MPF) acreditam que podem chegar a R$ 1 bilhão.
Em outra ponta, os procuradores têm progredido nas apurações sobre fraude em licitações no Estado do Rio que podem atingir o ex-secretário estadual da Saúde Sérgio Cortes. O MPF suspeita da existência de irregularidades na conquista de licitações na área da Saúde.
Cortes acompanhou Cabral na viagem a Paris, em 2009, que se tornou conhecida após a divulgação de fotos de parte da comitiva em uma festa portando guardanapos na cabeça. Além de Cortes e Cabral, o então secretário da Casa Civil, Régis Fichtner, estava no grupo que acompanhava o então governador e virou alvo das investigações.
AUMENTO DA DEMANDA
Juca Bala, brasileiro que morava em Montevidéu, no Uruguai, teria começado a atuar para o esquema de Cabral quando os doleiros Renato e Marcelo Chebar - que já fecharam acordo de delação - passaram a ter dificuldades em tocar a operação do ex-governador. O motivo teria sido o aumento do volume de propina depois de 2007, quando Cabral assumiu o governo do Rio.
Os irmãos doleiros já revelaram como a organização criminosa liderada por Cabral ocultou mais de US$ 100 milhões (cerca de R$ 340 milhões) com o envio de propinas para o exterior. Ambos pediram ao MPF para ter direito a ficar com R$ 34 milhões depositados em uma das contas do ex-governador. E alegaram que maior parte do dinheiro enviado a um banco em Luxemburgo seria recurso próprio.
Sérgio Cortes negou irregularidades durante sua gestão. Procurado na noite de ontem, Régis Fichtner não se posicionou até as 21h. Os advogados de Cabral não responderam aos contatos da reportagem. (AE)
A dieta para o cabelo crescer mais rápido é uma dieta com alimentos ricos em proteína, como ovo e gelatina, por exemplo, porque a proteína ajuda na formação do cabelo, fazendo o cabelo crescer mais rápido e ficar mais bonito.
Além disso, outros nutrientes como a vitamina A, C, ferro e zinco, que podem ser encontrados no suco de laranja ou na cenoura, por exemplo, são fundamentais para o crescimento dos cabelos, fazendo com que o cabelo cresça mais rápido e fique mais brilhante e saudável.
Os alimentos para o cabelo crescer mais rápido são alimentos ricos em proteína, vitamina A, C, ferro ou zinco, como:
Carne, peixe, ovo, leite, queijo, iogurte, gelatina sem açúcar;
Cenoura, tomate, manga, abóbora;
Laranja, limão, morango, kiwi, abacaxi, acerola;
Fígado, feijão, beterraba;
Ostras, sementes de abóbora, amêndoa, amendoim.
Uma boa forma de usar quase todos os alimentos com esses nutrientes é fazendo uma vitamina com leite, cenoura, laranja e sementes de abóbora, por exemplo. Outras receitas em: Receita para o cabelo crescer mais rápido.
Cardápio para o cabelo crescer mais rápido
Este cardápio para o cabelo crescer mais rápido é um exemplo de como consumir os alimentos ricos em proteína, vitamina A, C, ferro e zinco em um dia, de forma equilibrada.
Café da manhã - Iogurte com pedaços de kiwi e granola.
Almoço - Filé de frango grelhado com arroz, feijão e salada de cenoura, alface, abacaxi e queijo. Uma taça de morangos como sobremesa.
Lanche - Vitamina de acerola, leite e sementes de abóbora com uma gelatina sem açúcar para acompanhar.
Jantar - Omelete de queijo e presunto com arroz e salada de tomate, rúcula e beterraba com lascas de amêndoa e gotas de limão. Manga para sobremesa.
Esse cardápio é rico em proteínas, não devendo ser seguido por pacientes com problemas renais, como a insuficiência renal, por exemplo. Por isso, é importante o aconselhamento com um médico ou nutricionista antes de iniciar qualquer dieta.
FUSÃO ENTRE AS COMPANHIAS CRIARIA GIGANTE DO SETOR DE ALIMENTOS
Publicado: 17 de fevereiro de 2017 às 18:59
A KRAFT HEINZ É CONTROLADA PELO MEGAINVESTIDOR NORTE-AMERICANO WARREN BUFFETT E PELO FUNDO DE PRIVATE EQUITY 3G CAPITAL, QUE TEM ENTRE SEUS SÓCIOS O BRASILEIRO JORGE PAULO LEMANN - O HOMEM MAIS RICO DO BRASIL (FOTO: REPRODUÇÃO)
A Kraft Heinz confirmou nesta sexta-feira, 17, a intenção de fusão com a britânica Unilever. Segundo a empresa, foi feita uma oferta de US$ 143 bilhões pela combinação das duas companhias para a criação uma líder no setor de alimentos. Entretanto, a Unilever recusou os termos do acordo.
A Kraft Heinz é controlada pelo megainvestidor norte-americano Warren Buffett e pelo fundo de private equity 3G Capital, que tem entre seus sócios o brasileiro Jorge Paulo Lemann - o homem mais rico do Brasil, segundo lista da revista Forbes, com patrimônio de US$ 27,8 bilhões em 2016.
A Unilever disse ter recebido uma oferta de US$ 50 por ação, composta por US$ 30,23 em dinheiro e o restante em ações no novo grupo, representando um prêmio de 18%. "Isso basicamente subestima a Unilever", disse na sexta-feira. "A Unilever rejeitou a proposta porque não vê qualquer mérito, financeiro ou estratégico, para os acionistas da Unilever. A Unilever não vê a base para mais discussões".
Segundo a nota da Kraft, a empresa se mostrou interessada em trabalhar para chegar a um acordo, mas disse que não há certeza de que uma nova oferta vai ser feita ao Conselho da Unilever. (Com Reuters)
Duas empresas do grupo tiveram bens bloqueados em novembro de 2016. Decisão considerou acordo de leniência firmado com o MPF.
Aline Pavaneli e José ViannaDo G1 PR e da RPC Curitiba
Justiça Federal do Paraná desbloqueou bens de empresas do Grupo Odebrecht devido a acordo de leniência (Foto: Paulo Whitaker/Reuters)
A Justiça Federal do Paraná suspendeu o bloqueio de bens da Construtora Odebrecht e da Odebrecht Plantas e Participações em uma ação por improbidade administrativa decorrente da Operação Lava Jato devido ao acordo de leniência firmado pela empresa.
O pedido de desbloqueio foi feito pelo Ministério Público Federal (MPF), que informou que o acordo de leniência das empresas foi homologado pela 5ª Câmara de Coordenação e Revisão do órgão.
“Fixo o percentual de indisponibilidade em três por cento sobre a receita total por simetria àquele usado pelas rés para subornar. Ora, se para custear a imoralidade, 3% sobre o valor dos contratos não lhes tolhia a libido empresarial, idêntico percentual para restaurar a honra há de ser motivo de júbilo na purgação das condutas deletérias que privatizaram ilegitimamente os bens públicos”, diz a decisão de novembro.Segundo o pedido dos procuradores, o acordo prevê que as empresas não podem sofrer qualquer tipo de restrição “visto que não deverá subsistir pedido de condenação em relação a elas”.
O despacho do juiz federal Friedmann Anderson Wendpap, da 1ª Vara Federal de Curitiba é de 26 de janeiro.
Os bens foram bloqueados em novembro de 2016, a pedido da Advocacia-Geral da União (AGU), por decisão de Wendpap, que determinou o depósito mensal de 3% da receita total das empresas em uma conta judicial.
Além das empresas do Grupo Odebrecht, são réus nesta ação a Construtora OAS, o ex-diretor da Petrobras Renato Duque e do ex-presidente da OAS José Aldemário Pinheiro Filho, conhecido como Léo Pinheiro. Todos são investigados pela Lava Jato .
Benefício a idosos está previsto em lei. Para quem tem menos de 70 anos, saques serão liberados a partir de 10 de março.
Por G1, Brasília
Pessoas com 70 anos ou mais já podem sacar o dinheiro de contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Esse benefício aos idosos é previsto em lei e, portanto, neste caso, não é necessário respeitar o calendário divulgado pelo governo nesta semana para fazer a retirada dos recursos.
Ao todo, a lei prevê 17 hipóteses em que os saques das contas do FGTS, ativas ou inativas, são liberados, entre elas: trabalhadores ou dependentes portadores do vírus HIV; pessoas em tratamento contra o câncer; doentes em estágio terminal em razão de doença grave.
Veja ao final desta reportagem todas as 17 hipóteses em que os saques de contas do FGTS estão liberados e independem do calendário divulgado pelo governo nesta semana.
Calendário
Os saques, para quem tem menos de 70 anos, serão liberados a partir de 10 de março, mas haverá períodos específicos para que as retiradas sejam feitas, de acordo com a data de aniversário do trabalhador. O prazo para os saques termina em 31 de julho.
Uma conta inativa de FGTS é aquela que deixou de receber os repasses de uma empresa, porque o trabalhador, titular dessa conta, deixou o emprego. Mas não são todas as contas inativas que poderão ter os recursos sacados.
Segundo o governo, o trabalhador poderá retirar o dinheiro apenas daquelas contas do FGTS que se tornaram inativas até 31 de dezembro de 2015, ou seja, contas vinculadas a empregos dos quais a pessoa se desligou até essa data.
Portanto, contas que ficaram inativas após 31 de dezembro de 2015, ou contas ativas (vinculadas a empregos a que o trabalhador ainda está ligado), não poderão ter os recursos sacados.
Hipóteses em que os saques de contas do FGTS estão liberados e independem do calendário divulgado pelo governo nesta semana:
Na demissão sem justa causa;
No término do contrato por prazo determinado;
Na rescisão do contrato por extinção total da empresa; supressão de parte de suas atividades; fechamento de quaisquer de seus estabelecimentos, filiais ou agências; falecimento do empregador individual ou decretação de nulidade do contrato de trabalho - inciso II do art. 37 da Constituição Federal, quando mantido o direito ao salário;
Na rescisão do contrato por culpa recíproca ou força maior;
Na aposentadoria;
No caso de necessidade pessoal, urgente e grave, decorrente de desastre natural previsto no Decreto n. 5.113/2004 (clique aqui), que tenha atingido a área de residência do trabalhador, quando a situação de emergência ou o estado de calamidade pública for assim reconhecido, por meio de portaria do Governo Federal;
Na suspensão do Trabalho Avulso por prazo igual ou superior a 90 dias;
No falecimento do trabalhador;
Quando o titular da conta vinculada tiver idade igual ou superior a 70 anos;
Quando o trabalhador ou seu dependente for portador do vírus HIV;
Quando o trabalhador ou seu dependente estiver acometido de neoplasia maligna - câncer;
Quando o trabalhador ou seu dependente estiver em estágio terminal, em razão de doença grave;
Quando a conta permanecer sem depósito por 3 (três) anos ininterruptos cujo afastamento tenha ocorrido até 13/07/90, inclusive;
Quando o trabalhador permanecer por 03 (três) anos ininterruptos fora do regime do FGTS, cujo afastamento tenha ocorrido a partir de 14/07/90, inclusive, podendo o saque, neste caso, ser efetuado a partir do mês de aniversário do titular da conta;
Na amortização, liquidação de saldo devedor e pagamento de parte das prestações adquiridas em sistemas imobiliários de consórcio;
Para aquisição de moradia própria, liquidação ou amortização ou pagamento de parte das prestações de financiamento habitacional concedido no âmbito do SFH.
EX-CAMARGO CORRÊA REVELA À ISTOÉ TER ENTREGUE PROPINA AO PETISTA
Publicado: 17 de fevereiro de 2017 às 22:46 - Atualizado às 22:48
EX-CAMARGO CORRÊA AFIRMA TER LEVADO MALA PESSOALMENTE AO PETISTA
A reportagem de capa da revista Istoé desta semana traz o depoimento do empresário Davincci Lourenço de Almeida, ex-sócio de acionista da Camargo Corrêa, que confirma as inúmeras suspeitas dos investigadores da corrupção no Brasil: Lula recebeu propina de empreiteiras.
Na reportagem, Davincci afirma com todas as letras: "levei uma mala de dólares para Lula". Além disso, o ex-sócio de Fernando de Arruda Botelho, acionista da Camargo Corrêa morto em acidente aéreo há cinco anos, diz ter certeza que Botelho foi, na verdade, assassinado com o objetivo de encobrir o esquema de corrupção na empresa.
Confira abaixo a íntegra da reportagem de Sérgio Pardellas e Germano Oliveira
O personagem que estampa a capa desta edição de ISTOÉ chama-se Davincci Lourenço de Almeida. Entre 2011 e 2012, ele privou da intimidade da cúpula de uma das maiores empreiteiras do País, a Camargo Corrêa. Participou de reuniões com a presença do então presidente da construtora, Dalton Avancini, acompanhou de perto o cotidiano da família no resort da empresa em Itirapina (SP) e chegou até fixar residência na fazenda da empreiteira situada no interior paulista. A estreitíssima relação fez com que Davincci, um químico sem formação superior, fosse destacado por diretores da Camargo para missões especiais. Em entrevista à ISTOÉ, concedida na última semana, Davincci Lourenço de Almeida narrou a mais delicada das tarefas as quais ficou encarregado de assumir em nome de acionistas da Camargo Corrêa: o transporte de uma mala de dinheiro destinada ao ex-presidente Lula. “Levei uma mala de dólares para Lula”, afirmou à ISTOÉ. É a primeira vez que uma testemunha ligada à empreiteira reconhece ter servido de ponte para pagamento de propina ao ex-presidente.
Ele não soube precisar valores, mas contou que o dinheiro foi conduzido por ele no início de fevereiro de 2012 do hangar da Camargo Corrêa em São Carlos (SP) até a sede da Morro Vermelho Táxi Aéreo em Congonhas, também de propriedade da empreiteira. Segundo o relato, a mala foi entregue por Davincci nas mãos de um funcionário da Morro Vermelho, William Steinmeyer, o “Wilinha”, a quem coube efetuar o repasse ao petista. “O dinheiro estava dentro de um saco, na mala. Deixei o saco com o dinheiro, mas a mala está comigo até hoje”, disse. Dias depois, acrescentou ele à ISTOÉ, Lula foi ao local buscar a encomenda, acompanhado por um segurança. “Lula ficou de ajudar fechar um contrato com a Petrobras. Um negócio de R$ 100 milhões”, disse Davincci de Almeida. A atmosfera lúdica do desembarque de Lula na Morro Vermelho encorajou funcionários e até diretores da empresa a posarem para selfies com o ex-presidente. De acordo com Davincci, depois que o petista saiu com o pacote de dinheiro, os retratos foram pendurados nas paredes do hangar. As imagens, porém, foram retiradas do local preventivamente em setembro de 2015, quando a Operação Lava Jato já fechava o cerco sobre a empreiteira. Na entrevista à ISTOÉ, Davincci diz que o transporte dos dólares ao ex-presidente não foi filho único. Ele também foi escalado para entregar malas forradas de dinheiro a funcionários da Petrobras. Os pagamentos, segundo ele, tiveram a chancela de Rosana Camargo de Arruda Botelho, herdeira do grupo Camargo Corrêa. “O Fernando me dizia que a “baixinha”, como ele chamava Rosana Camargo, sabia de tudo”, disse Davincci.
A imersão de Davincci no submundo dos negócios, não raro, nada republicanos tocados pela Camargo Corrêa foi obra de Fernando de Arruda Botelho, acionista da empreiteira morto há cinco anos num desastre aéreo. Em 2011, Davincci havia virado sócio e uma espécie de faz-tudo de Botelho. A sintonia era tamanha que os dois tocavam de ouvido. Foi Botelho quem lhe disse que a mala que carregava teria como destino final o ex-presidente Lula: “A ordem do Fernando Botelho era entregar para o presidente. Ele chamava de presidente, embora fosse ex”. Numa espécie de empatia à primeira vista, os dois se aproximaram quando Arruda Botelho se encantou com uma invenção de Davincci Lourenço de Almeida: um produto revolucionário para limpeza de aviões, o UV30. O componente proporciona economias fantásticas para o setor aéreo. “Com apenas cinco litros é possível limpar tão bem um Boeing a ponto de a aeronave parecer nova em folha. Convencionalmente, para fazer o mesmo serviço, é necessário mais de 30 mil litros de água”, afirmou Davincci.
PARCERIA BOTELHO (ESQ) E DAVINCCI (DIR) ERAM SÓCIOS NA FABRICAÇÃO DE PRODUTOS PARA LIMPEZA DE AVIÕES
Interessado no produto químico inventado por Davincci, o UV30, Botelho abriu com ele uma empresa de capital aberto, a Demoiselle Indústria e Comércio de Produtos Sustentáveis Ltda. Na sociedade, as cotas ficaram distribuídas da seguinte forma: 25% para Fernando de Arruda Botelho, 25% para Rosana Camargo de Arruda Botelho, herdeira do grupo Camargo Corrêa, 25% para Davincci de Almeida e 25% para Alberto Brunetti, parceiro do químico desde os primórdios do UV30. Pelo combinado no fio do bigode, o casal Fernando e Rosana entraria com o dinheiro. Davincci e Alberto, com o produto. Em janeiro de 2012, a Camargo Corrêa lhe propôs o encerramento da empresa. Simultaneamente, a construtora, segundo a testemunha, fez um depósito de US$ 200 milhões nos Estados Unidos, no Bank of América, em nome da Demoiselle. O dinheiro tinha por objetivo promover o produto no exterior e fechar parcerias com a Vale Fertilizantes, Alcoa, CCR, e outras empresas interessadas na expansão do negócio. A operação intrigou Davincci. Mas o pior ainda estaria por vir.
Acidente ou assassinato?
As negociatas também foram reveladas em depoimento ao promotor José Carlos Blat, do Ministério Público de São Paulo, que ouviu Davincci em quatro oportunidades. Blat encaminhou os depoimentos à força-tarefa da Operação Lava Jato, em Curitiba. À ISTOÉ, o promotor disse acreditar que a Camargo Corrêa possa ter usado Davincci como “laranja”. Outro trecho bombástico da denúncia de Davincci à ISTOÉ, reiterado ao Ministério Público, remonta ao acidente fatal sofrido pelo empresário Fernando Botelho no dia 13 de abril de 2012, durante um voo de demonstração, a bordo de um T-28 da Segunda Guerra Mundial, a empresários africanos, com os quais o acionista da Camargo havia negociado o UV30 em viagem à África dias antes. Segundo Davincci, Botelho foi assassinado. O avião, de acordo com ele, foi sabotado numa trama arquitetada pelo brigadeiro Edgar de Oliveira Júnior, assessor da Camargo e um dos gestores das propriedades da empreiteira. Conforme o depoimento, convencido de que o brigadeiro havia lhe dado um aplique, depois de promover uma auditoria interna, Botelho o demitiu na manhã do acidente durante uma tensa reunião, regada a gritos, socos na mesa e bate-bocas ferozes, testemunhada por diretores da Camargo. “O Fernando foi assassinado e o crime tramado pelo brigadeiro Edgar. O avião foi sabotado”, assegura o químico.
Uma sucessão de estranhos acontecimentos que cercaram a tragédia chamou a atenção do Ministério Público. Por exemplo: o caminhão de bombeiros comprado por Botelho exatamente para atender a eventuais emergências no aeródromo de sua propriedade estava trancado no hangar. “Tive que jogar meu carro contra a porta para estourar os cadeados. Peguei o caminhão e fui para o local. Ao chegar lá, as chamas estavam tão altas que não pude chegar muito perto”, afirmou Davincci. Mas o então sócio de Arruda Botelho se aproximou o suficiente para conseguir resgatar o GPS, que havia se descolado da parte externa da aeronave. Porém, o aparelho, essencial para municiar as investigações com informações sobre o voo, não pôde ser conhecido pelas autoridades, segundo Davincci, a pedido do brigadeiro Edgar. “Ele tomou o aparelho das minhas mãos, dizendo que poderia ficar ruim para a família se entregássemos à investigação, e ainda me obrigou a mentir num primeiro depoimento à delegacia”. Com a morte de Fernando de Arruda Botelho, o brigadeiro acabou não tendo seu desligamento da empreiteira oficializado. Já o ex-sócio, desde então, enfrenta um calvário. “Sofri 11 ameaças de morte”, contou.
Motivado pelos depoimentos de Davincci, o caso que havia sido arquivado pela promotora Fernanda Amada Segato em março de 2013 foi reaberto em setembro do ano passado por ordem da promotora Fábia Caroline do Nascimento. As novas investigações estão a cargo do delegado José Francisco Minelli. “Estou na fase da oitiva das testemunhas”, disse à ISTOÉ o delegado. Dois dos quatro irmãos de Fernando de Arruda Botelho, Eduardo e José Augusto, suspeitam de que pode ter havido mais do que um acidente. “Vou ajudar a descobrir a verdade sobre o que aconteceu. Mas um conhecido ligado ao Exército procurou meu irmão (José Augusto) para dizer que estavam convencidos que não foi acidente”, disse Eduardo Botelho em mensagem, ao qual ISTOÉ teve acesso, enviada em janeiro para Davincci.
Irmão de Botelho atesta relato
Por telefone, de sua fazenda em Itirapina, Eduardo Botelho revelou à reportagem de ISTOÉ comungar dos indícios apontados pelo ex-sócio do irmão morto em 2012. “O nível de nojeira da equipe que comandava os negócios do meu irmão era muito grande. Tudo o que aconteceu naquele dia do acidente aéreo foi estranhíssimo. Meu irmão estava sendo roubado. Como ele não tinha controle do que acontecia com o avião, ele pode ter sido sabotado sim. Era fácil sabotar o avião. Ele era da Segunda Guerra. Podem ter mexido no avião no dia da queda”, disse Eduardo Botelho. “Se ele não tivesse morrido naquele dia, iria fazer uma limpeza gigantesca nas fazendas da Camargo”, asseverou o irmão, que rompeu relações com Rosana Camargo, a viúva, há algum tempo. “Uma máfia cercava meu irmão. Como pode um gerente de fazenda que ganha R$ 4 mil comprar quatro casas num condomínio fechado em São Carlos?”, perguntou Eduardo. Sobre Davincci, confirmou que ele e seu irmão eram realmente muito próximos e que, desde a morte de Fernando de Arruda Botelho, os antigos sócios dedicam-se a tentar tomar a empresa dele. “Ele (Davinci) morou na minha casa aqui na fazenda. Meu irmão dizia que eles iriam fazer chover dinheiro com o produto. Depois que meu irmão morreu, tentaram quebrar a patente, criaram outras empresas similares à Demoiselle. Tudo para tirá-lo da jogada”, confirmou.
Uma das empresas às quais o irmão do ex-acionista da Camargo se refere está sediada em São Paulo. No endereço mora Rosana, a bilionária herdeira da segunda maior construtora do País, que, por meio de seus advogados, se disse alvo de “crimes de calúnia, difamação e injúria por parte de Davincci”. “Ele responde a diversas ações judiciais, já tendo sido obrigado pela Justiça a cessar a divulgação de ameaças”, afirmou o advogado Celso Vilardi. A Muniz e Advogados Associados, que também representa a Camargo Corrêa, diz que Edgard de Oliveira Júnior, em razão dos desentendimentos entre os sócios, deixou espontaneamente a sociedade que mantinha com Davincci. “A empresa foi dissolvida, liquidada e a patente colocada à disposição”, afirma. Procurada para confirmar a negociação intermediada por Lula, conforme depoimento de Davincci, no valor de R$ 100 milhões, a Petrobras não respondeu até o fechamento desta edição. William Steinmeyer, da Morro Vermelho, confirma que conhece Davincci (“um cara excêntrico”), mas jura que não recebeu qualquer encomenda dele.
ACROBACIAS INTERROMPIDAS FERNANDO BOTELHO PILOTAVA SEU AVIÂO DA SEGUNDA GUERRA QUANDO BATEU NUM BARRANCO E EXPLODIU
Desde o último mês, a empreiteira se prepara para incrementar sua delação premiada ao Ministério Público Federal. As novas – e graves – revelações, trazidas à baila por ISTOÉ, deverão integrar o glossário de questionamentos aos executivos da empreiteira pelos procuradores da Lava Jato.