Celina Leão critica a má gestão na Segurança Pública de Brasília e conta os bastidores da eleição para o comando da Câmara Legislativa
A deputada Celina Leão (PPS/DF), uma das principais personagens na articulação para que Joe Valle (PDT) chegasse à presidência da Câmara Legislativa, na disputa com Agaciel Maia (PR), que tinha o apoio do governador Rodrigo Rollemberg, fala da necessidade do Poder Legislativo permanecer independente. Ela fez um balanço do trabalho dos deputados distritais e do Governo de Brasília. Assinalou que “os resultados do executivo estão longe do que o governador prometeu durante sua campanha.” Entre os acertos do GDF admitiu que “o governador conseguiu, já no primeiro ano, montar uma boa equipe econômica. ”
Afirma que as eleições de 2018 terão muitos pretendentes ao Palácio Buriti. Entre eles cita: Tadeu Felippelli, Izalci Lucas,Alberto Fraga, José Roberto Arruda e o próprio governador Rodrigo Rollemberg que deverá buscar a reeleiação.
O transporte, segundo a parlamentar, “continua o mesmo lixo.” Lamenta que apesar das denúncias graves de corrupção feitas pela CPI instalada, no governo passado, nada mudou.” Ela comemora uma notícia que recebeu de Curitiba que vai ser delatado todo o processo aqui de Brasília.
Na avaliação de Celina Leão, “a segurança tem alguns problemas estratégicos. O governo conseguiu fazer com que as forças policiais de Brasília não tivessem uma coordenação e muito menos uma interlocução.” Acho que tem muita má gestão na segurança pública. ”
Na avaliação da ex-presidente da Câmara, “a decisão mais importante do ano, no legislativo,foi rejeitar o aumento de impostos. A deputada disse que “o governo Agnelo foi muito irresponsável. Dobrou a folha de pagamento sem ter como aumentar a arrecadação. E isso se reflete até hoje. ”
Íntegra da entrevista com a deputada Celina Leão (PPS)
A deputada foi uma das protagonistas para a vitória de Joe Valle (PDT) a presidência da Câmara Legislativa. Foi uma resposta ao governo do DF? Houve traição de algum lado?
Celina Leão: Não foi uma ação somente nossa. Doze deputados estavam envolvidos no processo eleitoral do deputado Joe Valle. Muito mais pela essência do que a gente entende que é o poder legislativo, que deve sempre permanecer como um poder independente. Foi um esforço de vários. Foi a grandeza da deputada Sandra Faraj (SD) de abrir mão da candidatura dela, do deputado Welligton Luiz(PMDB), muito importantes nessa articulação. Foram vários personagens. Eu fui mais uma que colaborou, que ajudou nesse processo para que a gente entendesse que o Poder Legislativo deve ser um poder independente, porém, harmônico. Mas que a gente não deve votar no candidato do governador porque é o candidato do governador. Eles começaram o processo legislativo de votação com uma arrogância muito grande, falando que já tinham ganhado e que poderiam começar logo até menosprezando o poder do adversário que era um bloco bem coeso e bem fechado. Ganhou uma Câmara independente, porém altiva, harmônica.
A senhora se considera perseguida ou traída?
Celina Leão: Acredito que o nosso crescimento incomodou muitas pessoas. A gente sabe disso, nosso crescimento incomodou e incomoda. Essa trama que tentaram armar contra nós, o nosso mandato ela foi praticamente desfeita na semana em que a gente pegou o áudio completo. Infelizmente, os grandes veículos deram somente uma vez o áudio completo. Então, a gente tem a certeza da nossa inocência, a gente sempre falou isso, mas a perseguição, ela parece muito mais inveja do que o nosso trabalho, da nossa postura. Mas isso, toda a pessoa pública que cresce passa por isso. Estou está preparada. ”
A senhora identificou quem estava comandando a ação contrária a senhora?
Celina Leão: A gente já identificou alguns personagens: um blogueiro bilionário, um grupo de advogados, algumas pessoas ligadas ao governo. A tentativa foi de tirar o foco do governo. Os próprios autos, falam sobre isso. E a nossa citação é na página 474, depois de 400 páginas contra o governo do Distrito Federal. Uma cortina de fumaça. E isso está bem claro para mim e também para muitos do Poder Judiciário. A gente tem certeza que vai ter o arquivamento disso e vamos sair muito mais fortes do que entramos”.
Qual o balanço que a senhora faz destes dois anos de governo Rollemberg?
Celina Leão: Tive a oportunidade de falar muitas vezes com o governador e sempre fui muito sincera nas minhas colocações. Acho que ele não conseguiu deixar uma marca nestes dois anos de governo e acho muito difícil ele conseguir uma marca no terceiro ano que é um ano pré-eleitoral. É bem complicado. As promessas de campanha ficaram longe de serem cumpridas. A questão da promessa da legalização fundiária e melhoraria nas cidades, nas administrações, que estão aí aos cacos. Parece que tiraram toda a possibilidade de ter uma administração forte na sua região administrativa. Então, acho que o governo está muito longe daquilo que ele se comprometeu a fazer.
A senhora falou nos erros do governo. Alguns acertos que a senhora identifique e que sejam significativos para Brasília?
Celina Leão: Acho que o acerto do governo é que ele, no primeiro ano, conseguiu montar a uma boa equipe econômica. Mas uma equipe econômica não trabalha sem uma equipe que faça o desenvolvimento social, que faça um planejamento para melhorar a base de arrecadação. Mas ele fez, conseguiu num primeiro momento, conter uma crise grave que era a falta de recursos. Isso a gente reconhece e essa casa (Câmara Legislativa) foi fundamental para dar o suporte para que tudo isso também acontecesse. Então, com um certo controle ano passado, a gente percebia isso, uma equipe econômica preparada. Mas acho que só isso.
Transporte no Distrito Federal?
Celina Leão: O transporte continua o mesmo lixo e com as denúncias graves de corrupção que a gente fez no governo passado. O governo tomou a decisão de manter essa licitação de pé. Essa licitação tem dado um prejuízo de 1 bilhão ao ano ao erário. A gente já ganhou isso até na justiça e o governo insiste em manter. Nossa CPI aqui da Casa indiciou 17 pessoas que participaram deste certame. Agora, recebi uma notícia de Curitiba que Sacha Reck vai delatar todo o processo aqui de Brasília. Se ele delatar, aí fica mais tranquilo do governo assumir que realmente tem erro. Quando o governo sabe que tem erro, sabe que o custo do transporte público está muito mais alto, sabe que a licitação foi fraudada e não toma providência é porque alguém está se beneficiando disso, né? Eu acho que, em transporte público, o governo tem errado muito nessa continuidade desse certame criminoso.
Educação?
“O Governo não tem conseguido grandes projetos. Continua no básico do que já existe. ”
Marcia Alencar, Secretária de Segurança
Como vê a questão da segurança no Distrito Federal?
Celina Leão: A segurança tem alguns problemas estratégicos. Primeiro, as forças policiais não respeitam a própria secretária. Nem o próprio governo respeita a secretária (Márcia Alencar) no cargo. Com a secretária ainda exercendo a função, o governador convidou uma pessoa para assumir a pasta. Se eu fosse ela naquele momento, teria pedido minha exoneração porque convidar outra pessoa com alguém ainda na secretaria, é uma falta de respeito do próprio governador.
O governo conseguiu fazer com que as forças policiais de Brasília não tivessem uma coordenação e muito menos uma interlocução entre as forças. Acho que existe má gestão na segurança pública.
O que os deputados distritais podem fazer para contribuir na busca de uma solução?
Celina Leão: O que a gente pode fazer é dar sugestões, como a gente tem dado. Aprovar recursos como aprovamos agora para a segurança pública. Podemos colaborar cobrando do governo, cobrando uma gestão mais firme na segurança pública.
O PT apoiou o candidato contrário ao seu. Durante toda a gestão sempre houve um embate entre a presidente da Câmara e o Partido dos Trabalhadores. Como está esta relação hoje?
Celina Leão: Sempre fui uma adversária muito dura contra os projetos do PT aqui em Brasília. Mas sempre tive uma boa relação com alguns deputados do partido e um respeito com a bancada do PT como um todo. A gente entende a posição da bancada do PT. Acho que foi muito ruim para o partido que sempre afirmou que era contra o governo e votaram no candidato do governo. Se precipitaram para fazer um acordo com o governo para ter uma vaga na mesa. Eles podiam ter feito esse mesmo acordo com a oposição e o Joe Valle que era um candidato com perfil mais de independência. Eles teriam essa vaga também na mesa. Minha relação pessoal com os deputados é de harmonia, de respeito. Eu estou na mesma posição que eu estava. Quem mudou foi o governador Rollemberg.Ele tem uma relação, não sei que relação com o PT e alguns segmentos do PT.
A bancada evangélica tem hoje um poder de fogo respeitável na Câmara Legislativa. A que se deve o crescimento da bancada evangélica no Parlamento?
Celina Leão: Acho que é um crescimento, consequência de que a pessoa abraça uma proposta, um projeto e tem ali um grupo que acredita naquele projeto e defende aquelas bandeiras que são defendidas por alguns deputados. Acho que esse crescimento, em Brasília, é significativo. A última pesquisa da Codeplan, o segmento evangélico era de 40% superior a pesquisa de 2008.A gente sabe que todos os dias a igreja tem crescido e hoje acredito que o segmento evangélico seja de 50% da população ou mais. Mas o Estado é laico, tem que se respeitar todas as religiões, todas as comunidades, sejam elas quais forem. Acho que quando um segmento elege um deputado, principalmente, esse que tem uma bandeira muito forte, muito ligada ao segmento ele dá o recado que ele apoia alguns tipos de projetos e rejeita outros tipos de projetos. Projetos ligados à família e não tolerar essa situação de defesa dos bandidos e não da população como um todo. Essa situação tem sido ampla e é feita nos parlamentos. As pessoas tem buscado votar para ter suas ideias defendidas ali.
Quem, na sua opinião, está se preparando para ser candidato ou candidata a governador? A senhora é candidata?
Celina Leão: Sempre fui muito clara nas minhas colocações desde o começo do meu mandato. Falei que tinha um projeto para deputada federal. Quem sempre falou que eu seria candidata à governadora foi a população. Eu estava nas pesquisas com 15 a 16%. Nunca sai fazendo campanha para governo. Tenho um projeto para ser deputada federal, mas num cenário como esse ninguém sabe. Nós temos vários candidatos que se colocam como pretendentes. O ex-vice-governador Tadeu Felippelli, Izalci Lucas (PSDB), Alberto Fraga (DEM), e o governador deve vir para uma candidatura à reeleição. A gente não sabe quais os outros nomes, mas a gente sabe que vamos ter um cenário extenso. Quem sabe até o próprio José Roberto Arruda (ex-governador) com a suspensão do processo dele lá da caixa de Pandora, possa concorrer. Então, o cenário de 2018 é totalmente incerto, imprevisível. O que esses políticos podem fazer é trabalhar por Brasília até 2018, para a gente ver qual será o real cenário.
O senador Cristovam Buarque, em entrevista à Associação de Blogueiros de Política, afirmou que, no Senado, alguns senadores, de outros Estados, estão questionando o auxílio que Brasília recebe do Governo Federal. Eles alegam que Brasília também elege seu governador, mas o DF recebe vantagens e outros Estados, não. Alegam que isso é injusto?
Celina Leão: Quando o fundo constitucional foi criado, Brasília como capital precisava de um reforço, precisava ter aqui, a melhor segurança, a melhor educação do Brasil. A gente tinha que espelhar a capital do Brasil para todos os Estados. É responsabilidade do Governo de Brasília dar segurança às embaixadas, aos diplomatas, que moram na cidade. Brasília precisa de uma estrutura diferenciada. Na segurança, na Educação e na Saúde é onde pode ser aportado o fundo constitucional. Acho que o governo Agnelo (Agnelo Queiroz) foi muito irresponsável. Ele dobrou a folha de pagamento sem ter como aumentar a arrecadação. E isso está refletindo até hoje. É uma irresponsabilidade grave de um gestor que deixou uma crise enorme que está sendo administrada até agora. Acho que a gente tem condições de provar que o fundo constitucional é importante para nós é fazendo uma boa gestão. Temos que lutar para que isso permaneça porque se Brasília perder o fundo constitucional Brasília irá parar.
Como a senhora vê a reforma da previdência que está sendo proposta pelo atual governo federal?
Celina Leão: Estamos acompanhando um pouco à distância, mas os deputados estão discutindo teses. Há uma tese de que não tem recursos para pagar e outra tese que tem sim recursos para pagar e querem onerar o trabalhador. É um projeto sensível, tem que ter a participação de todos e é necessário um aprofundamento no tema. Se a previdência estiver realmente quebrando é muito melhor garantir um reajuste e todos terem um benefício do que quebrar e ninguém ter direito à previdência. Se tiver que fazer algo é agora, num governo de transição. Depois é pior. É mais difícil discutir isso.
E o Governo Michel Temer? As coisas melhoraram ou pioraram?
Celina Leão: O presidente Michel Temer investiu muito na equipe econômica. Pegou os melhores nomes do Brasil. Acho que se essa equipe econômica que o presidente levou para perto dele não der conta de resolver o problema econômico acho muito difícil alguém ter uma solução. Ele levou gente com currículo, experiência, que dá conta de recriar cenários e fazer o Brasil sair da crise. Claro, estão tomando medidas impopulares, mas que são necessárias.
Tivemos situações constrangedoras este ano na Câmara Legislativa do DF. Inclusive com a Polícia invadindo gabinetes de parlamentares. Não é um privilégio da Câmara Distrital, pois no Congresso Nacional a situação é semelhante. Como a senhora vê essa situação?
Celina Leão: Nenhum político está acima do bem e do mal. Todos nós estamos aí passíveis de sermos investigados. Eu não tenho medo de busca e apreensão, nada disso. O problema é que, muitas vezes, a sociedade faz um pré-julgamento daquilo. Se torna muito mais algo midiático do que verdadeiro.Com todas as buscas, com o Ministério Público oferecendo a denúncia sem ter um material comprobatório citando nosso nome nem nada. Pelo contrário, os autos me inocentam, nem me imputam responsabilidade de qualquer coisa. A gente tem certeza que isso vai passar, mas muitas pessoas que não conhecem, o processo como um todo podem fazer um pré-julgamento. Acho que a sociedade tem que ver isso com naturalidade. Agora tem que ver quem é inocente, quem é culpado. Nunca achei ruim ter uma denúncia, ademais a denúncia é fraquíssima. A gente sabe qual era o objetivo dessa denúncia. Tirar uma crise que estava no colo do GDF e passar para a Câmara, para o Poder Legislativo.
Diante de tudo o que aconteceu, das denúncias, do afastamento, qual sua postura, agora, como deputada, daqui para frente?
Celina Leão: Vou acentuar muito mais a posição de oposição. Já estamos preparando o trabalho de 2017, a gente não tem preguiça de trabalhar, sabe trabalhar. Nós vamos reforçar nossa condição de oposição. Como presidente de uma instituição tinha que criar um equilíbrio, portanto, ficava mais contida. Mas com liberdade de agir e de atuar, no ano que vem vai ser um bom ano para a gente trabalhar.
Qual o desafio da Câmara Legislativa para 2017?
Celina Leão: O desafio é continuar fazendo desta casa o centro das grandes discussões. A gente conseguiu fazer isso nos dois últimos anos. Conseguimos fazer com que a Câmara Legislativa fosse o local dos grandes embates, ouvir a população como um todo. Acho que essa vocação a mesa vai ter e os 24 deputados também. Eu falei uma coisa para o deputado Joe, não tem mais grupo derrotado ou grupo vencedor, nós todos agora vamos trabalhar, os que votaram e os que não votaram nele. Esse é o papel da Câmara, continuar sendo a protagonista da voz do cidadão do Distrito Federal. ”
O que, na sua opinião, a Câmara Legislativa fez de mais importante nesta legislatura e o que, deveria ter feito e não fez?
Celina Leão: A decisão mais importante, na minha opinião, foi a Câmara rejeitar o aumento de impostos. A gente rejeitou seis projetos de aumento de impostos. Esse é um legado que a gente deixa. Tem que se buscar outras formas de arrumar recursos, não aumentando os impostos. O governo deve trazer empresas para o DF e ver formas, mas não onerando o bolso do cidadão. Isso a Câmara Legislativa não vai permitir. Foi um desafio, uma grande discussão com o governo, mas os deputados não permitiram o aumento de impostos.
Outro ponto que eu destaco é a TV Distrital. Está pronta para ser inaugurada, mas não deu tempo. Será agora, na administração do Joe Valle. A TV Distrital é algo que eu queria ter feito, queria ter inaugurado, deixar funcionando, a gente conseguiu dois canais de TV aberta com transmissão ao vivo. Deixou um convênio assinado com a TV Câmara Federal e agora, com canal digital, quando passar na TV Câmara, o próximo canal é a TV Distrital. Nossa expectativa é que a TV funcione já no ano que vem para que a população possa acompanhar de perto o trabalho dos deputados distritais.
Uma questão que tem se discutido muito no DF é a regularização das áreas fundiárias, qual a sua opinião?
Celina Leão: Tem que mudar essa cultura no Brasil de grilagem, de invasão de terras. O Governo tem que tomar as rédeas disso, fazendo a oferta de lotes. Porque você nunca viu um edital de lote na Terração para pobre? Tem que ter, o pobre tem que ter direito de comprar a moradia dele, em algum lugar para ele não comprar do grileiro, para ele não invadir a área pública como tem acontecido em Brasília.
Como avalia a atuação da AGEFIS nesta questão?
Celina Leão: Temos que ter uma política forte de combate a invasão. Sou favorável a uma política forte de combate à invasão, notificar e ter uma política forte neste sentido. Eu só acho que a presidente da AGEFIS, as vezes é infeliz em algumas colocações, na forma de se fazer fazer as coisas. Eu tenho questionado a fórmula de fazer as coisas, área pública é área pública quem utiliza vai ter que pagar em algum momento. Eu tenho combatido muito isso, mas eles tem errado na forma de fazer. A s vezes, não custa nada mandar uma notificação, avisar. Mas acho também que deixar as administrações sem fiscais da AGEFIS e sem máquinas, é consolidar as invasões.
Temos satélites, funcionários públicos e não funcionários atentos com as invasões que podem avisar sobre os movimentos. Porque deixar construir para depois derrubar?
Celina Leão: Eles centralizaram na AGEFIS. Então, o próprio administrador para notificar tem que avisar a AGEFIS.Foi um erro. Eles precisam descentralizar, botar os fiscais nas administrações, colocar o maquinário nas mãos dos administradores com poder de notificação.Com isso, quando começam as invasões, os administradores tem que coibir imediatamente porque é responsabilidade deles. E responsabilizar civilmente o administrador se ele permitir a invasão. Ele terá que combater as invasões 24 horas e terá gente para esse combate. É uma política difícil de fazer, de combater, mas a estratégia do governo está errada. Depois que a invasão começou, há um ano, dois anos, combater é complicado.
Qual sua opinião sobre a implantação de eleições para administradores regionais?
Celina Leão: É um projeto do governador que até hoje não chegou na Câmara Legislativa. Acho que o governador falou isso quando era candidato. Mas depois que ele foi para a máquina pública…
Após eleição da Mesa Diretora, já no recesso, Celina Leão, mais à vontade, conversou com a Agência Digital News. Foto: Edgar Lisboa
Qual o recado que a senhora dá aos colegas parlamentares nessa busca para que a Câmara e Brasília acertem?
Celina Leão: Primeiro, quero agradecer a todos. Em nenhum momento, nós estivemos sozinhos. Tem pessoas que acompanham nosso mandato, tive a força da população que conhece a gente. Esse é o momento de agradecimento para essas pessoas que deram um voto de confiança para nós. O processo no seu desenrolar vem demonstrando a nossa seriedade, a nossa força mas, principalmente, a nossa lealdade com a população do Distrito Federal. 2017 será um ano muito importante. É um ano de vésperas de eleição. É um ano que a população ainda espera muita coisa do trabalho que prestamos. O que eu posso deixar de mensagem para a população é de reconhecimento. Por onde eu tenho ido, a população entende o processo de disputa política pelo qual eu tenho passado e tem nos apoiado. Eu trabalho e sou destemida. Acho que isso é que apavora tantas pessoas. Eu não tenho medo de nada. Porque quem não faz nada de errado, não precisa ter medo de ninguém. Tenho tranquilidade e acredito que 2017 será melhor que 2016.
Fonte: Agência Digital News/ blog edgarlisboa/ Fotos: Adriano Dornellas
NOVAS INCERTEZAS DEVEM ENTRAR NO RADAR DO INVESTIDOR BRASILEIRO
Publicado: 26 de dezembro de 2016 às 08:22
Redação DO LADO EXTERNO, NOVAS PRESSÕES PODEM MEXER COM OS MERCADOS FINANCEIROS (FOTO: DIVULGAÇÃO) O cenário sombrio do fim de 2015 ficou para trás, mas novas incertezas devem entrar no radar do investidor brasileiro em 2017. Os analistas enxergam que o governo de Michel Temer deve continuar avançando na agenda econômica, mas os desdobramentos da Operação Lava Jato podem frustrar os planos no meio do caminho.
Do lado externo, novas pressões podem mexer com os mercados financeiros, mas a principal delas está nos Estados Unidos, agora sob o comando do republicano Donald Trump.
Apesar de a equação parecer de difícil solução, os analistas do mercado avaliam que, em linhas gerais, muito do que marcou as aplicações financeiras neste ano deve se repetir ou, ao menos, acontecer com menos sobressaltos.
Na Bolsa, a confirmação da estabilização ou retomada da economia e o avanço da reforma da Previdência devem garantir mais fôlego às ações. O tamanho da valorização varia de analista para analista. Os mais otimistas enxergam potencial para a Bolsa bater sua máxima histórica, aos 74 mil pontos, durante o segundo semestre.
“O mercado vai trabalhar muito com a discussão da reforma da Previdência, é um dos fatos mais relevantes para o ano que vem”, afirma Paulo Corchaki, diretor da área de Wealth Management do UBS.
Neste jogo de expectativas, nem mesmo a consolidação de que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro mostre, na melhor das hipóteses, um crescimento ainda tímido, na casa de 1%, deve abalar a confiança dos investidores.
“Mesmo que seja alguma coisa entre zero e 1%, registrar crescimento é melhor do que uma recessão de mais de 3%”, completa Corchaki.
A renda fixa vai continuar como alternativa certeira para quem está em busca de rentabilidade com pouco risco.
“Fazendo tudo que precisa ser feito, o Brasil vai ter uma situação fiscal muito mais equilibrada, o que abriria espaço para quedas maiores de juros no longo prazo. Mas isso ainda é um caminho que vai demorar a se concretizar”, afirma Gilberto Abreu, gerente de investimentos do banco Santander.
Parte dos analistas do mercado acredita que a taxa básica de juros da economia, a Selic – hoje em 13,75% –, deve recuar para a casa de um dígito já em 2017. No Santander, por exemplo, a projeção atual é que ela fique em 9,5% ao fim do ano que vem.
Qualquer que seja a estimativa, os títulos do Tesouro continuam a dominar todas as indicações. “No Tesouro, o investidor não tem perda monetária. As perdas estão associadas ao que se deixou de ganhar com aplicações que renderam mais”, explica Juliana Inhasz, professora de Finanças do Insper.
Para quem estiver disposto a testar a renda variável, é a hora de olhar para os fundos multimercados, que mesclam renda fixa com apostas mais arrojadas, como ações, moedas e aplicações no exterior. “O perfil mais conservador deve ter 5% em fundos multimercado”, diz Abreu. (AE)
Em entrevista, o chefe do Executivo fez um balanço das ações de 2016 e antecipou as medidas prioritárias para o ano que vem
postado em 25/12/2016 08:00 / atualizado em 25/12/2016 08:29
Ana Dubeux , Ana Maria Campos , Cristine Gentil , Helena Mader
"Tenho convicção de que, independente de OS, a população vai perceber melhorias na saúde em 2017"
O governo descarta novos aumentos de impostos em 2017, mas não abre mão de outra medida impopular, considerada imprescindível para manter as contas públicas em dia: a reforma da Previdência. Paralelamente ao projeto debatido no Congresso Nacional, o GDF vai propor uma mudança na alíquota de contribuição dos servidores, atualmente de 11%. Alguns estados aumentaram esse percentual para 14%. “É muito importante abrir esse debate, senão a cidade corre o risco de não conseguir pagar os aposentados em um prazo de cinco a 10 anos. A discussão sobre a mudança de alíquota precisa ser feita, de forma aberta e transparente”, explicou o governador Rodrigo Rollemberg, em entrevista ao Correio. Durante a conversa, o chefe do Executivo fez um balanço das ações de 2016 e antecipou as medidas prioritárias para o ano que vem.
Cobrado sobre promessas de campanha que não devem ser entregues até o fim do mandato, como a ampliação do metrô, a implantação da escola integral em toda a rede pública, a realização de concursos e a construção de policlínicas, Rollemberg usou o caos financeiro como justificativa para o descumprimento dos compromissos eleitorais. “Eu comparo compromissos de campanha à intenção de uma família que planejou fazer uma viagem nas férias e não contava com a crise econômica”, explicou. “Mas conseguimos manter o salário em dia, garantimos o pagamento do 13º e de boa parte da dívida que herdamos do governo anterior. Ainda iniciamos um conjunto de obras e de ações muito importantes para a população de Brasília”, acrescentou o governador. Ele ressalta que os senadores do DF poderiam ajudar mais a cidade, em busca de recursos.
A menos de dois anos para a próxima corrida pelo Palácio do Buriti, Rollemberg ainda evita cravar se será ou não candidato à reeleição. “Estamos vivendo um momento de grandes desafios para a cidade e para o Brasil. Só vou tratar de 2018 em 2018. Tenho uma responsabilidade muito grande com Brasília, ainda que as medidas necessárias tenham um custo político alto”, justificou.
O governador explicou ainda seu apoio explícito ao distrital Agaciel Maia (PR) na disputa pela Presidência da Câmara Legislativa. O parlamentar acabou derrotado por Joe Valle (PDT), apesar do empenho de Rollemberg em prol de sua candidatura. “Sou uma pessoa muito transparente. Para o ambiente político, tanto faz articular nos bastidores ou explicitamente, todo mundo acaba sabendo da sua opção”. Durante a entrevista, ele fez um mea-culpa: admitiu uma falha na interlocução com políticos que ajudaram a elegê-lo em 2014. “Reconheço que há deficiências na articulação política. A administração da crise econômica absorve muito e talvez a gente não tenha dado a atenção ideal para esses aliados”.
Que balanço o senhor faz de 2016, um ano marcado pelo embate com os servidores e pela falta de recursos?
Considero que tivemos um ano positivo, especialmente se compararmos com a situação atual do país e de outras unidades da Federação. Quando assumimos o governo, Brasília estava na pior situação e, hoje, olhamos para estados ricos como Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, que estão parcelando salários. Em Brasília, conseguimos manter o salário em dia, garantimos o pagamento do 13º e de boa parte da dívida que herdamos do governo anterior. Ainda iniciamos um conjunto de obras e de ações muito importantes para a população de Brasília.
Quais foram as principais obras?
Citaria a infraestrutura de áreas como Sol Nascente, Porto Rico, Vicente Pires, Buritizinhos e Bernardo Sayão. As obras do Bloco 2 do Hospital da Criança estão bem adiantadas. Essa será uma construção muito importante, que vai oferecer atendimento de média e de alta complexidade de pediatria. No início de 2017, vamos inaugurar a estação de tratamento de Águas Lindas, um empreendimento para garantir a qualidade da água na Barragem do Descoberto, e estamos adiantados com a nossa parte na estação de tratamento de água de Corumbá. Em janeiro, vamos inaugurar o aterro sanitário. Estamos fazendo as obras do trevo de triagem norte, que vai melhorar muito a mobilidade naquela área. A partir do ano que vem, vamos universalizar a educação infantil para crianças de quatro e cinco anos. Embora tenha sido um ano muito difícil, acho que estamos fechando com saldo positivo.
Qual a sua expectativa para 2017? Será um ano mais difícil?
Tenho convicção de que será um ano difícil. O Congresso Nacional e os estados terão que enfrentar pautas difíceis. Mas nossa esperança é de que haja uma retomada da economia, ainda que leve. Isso já traria resultados muito positivos para o DF.
Quais são essas medidas impopulares? Elas serão tomadas em Brasília também?
O que me preocupa como governador de Brasília é que todas as pautas que geram conflito e tensão acabam sobrecarregando as nossas forças de segurança. E 2017 será um ano de grandes manifestações na cidade. O Brasil tem que enfrentar o debate da Reforma da Previdência. Isso tem consequências nas manifestações realizadas na cidade.
Que avaliação o senhor faz da atuação das forças de segurança nas últimas manifestações, quando houve muita depredação?
A polícia cumpriu seu papel. É claro que sempre é possível aperfeiçoar. Percebemos, nas últimas manifestações, que há um conjunto de pessoas, a maioria vinda de fora, que estava com o objetivo específico de promover confusão e depredação. E isso nós não vamos admitir.
O governo fará uma reforma da Previdência local, aumentando a alíquota da contribuição dos servidores?
É muito importante abrir esse debate, senão a cidade corre o risco de não conseguir pagar os aposentados em um prazo de cinco a 10 anos. A primeira medida, que já enviamos à Câmara Legislativa, é o projeto de lei da previdência complementar dos servidores que ingressarem no serviço público a partir de agora. Quanto a isso, não haverá grande dificuldade. Já o debate sobre a mudança de alíquota também precisa ser feito, de forma aberta e transparente.
O senhor teve de usar recursos do Instituto de Previdência dos Servidores (Iprev) em 2015 e em 2016. O GDF vai recorrer a essa medida novamente nos próximos anos?
Espero que não. No primeiro ano, precisamos usar um montante muito maior mas, agora, o valor foi muito menor. O mais importante é que fizemos isso com muita responsabilidade. Repusemos todos os recursos usados para pagar aposentados que entraram no serviço público antes de 2006. Fizemos essa reposição com terrenos em áreas nobres da cidade, como Noroeste e Águas Claras, o que vai dar solidez ao pagamento de aposentadorias futuras. Agora, repusemos os recursos com ações do BRB e o Iprev passa a ser sócio do banco.
O uso de recursos do Iprev é um assunto controverso e há especialistas que indicam a existência de um risco futuro à previdência dos servidores...
Fizemos uma negociação com os sindicatos e trocamos terrenos a pedido deles. Percebemos muita satisfação por parte dos sindicatos. Os técnicos do governo federal apreciaram a operação e entenderam que ela era positiva para o Iprev.
Como o senhor disse, 2017 será um período difícil e, além disso, será um ano pré-eleitoral. O senhor deve ser candidato à reeleição, em um momento de falta de credibilidade do mundo político? Como lidar com esse problema?
Tenho feito as coisas que precisavam ser feitas para o DF. Tenho sido muito responsável com o futuro de Brasília, tomando medidas necessárias, muitas vezes com custo político elevado. Estamos buscando equilíbrio fiscal. Jamais aceitaria ser conhecido como o governador que quebrou Brasília. Quero ser lembrado como o governador que equilibrou as contas públicas, até porque isso é fundamental para colocar em prática as políticas públicas. Estamos combatendo com rigor a cultura da grilagem de terras e democratizando o acesso às áreas públicas com a desobstrução da orla do Lago Paranoá e com a abertura da área à população. Vou continuar fazendo o que entendo que seja correto e necessário.
Já resolveu se será candidato à reeleição?
Estamos vivendo momento de grandes desafios para a cidade e para o Brasil. Só vou tratar de 2018 em 2018. A melhor forma é fazer o que precisa ser feito. Tenho uma responsabilidade muito grande com essa cidade, ainda que as medidas necessárias tenham um custo político alto.
O senhor evita antecipar o debate eleitoral, mas seus potenciais adversários estão se preparando. Nas ruas, a gente já vê adesivos de “Fora, Rollemberg”, assim como houve o “Fora, Temer” e o “Fora, Dilma”. Acha que a disputa já começou?
O Brasil está passando pela maior crise da sua história. Brasília não é uma ilha e também enfrenta esse problema, causado pela irresponsabilidade fiscal. Estamos sendo extremamente responsáveis. Tenho convicção de que no momento do debate político, onde há a oportunidade de contextualizar as coisas, mostrar as medidas tomadas, e as entregas à população, não pensando na próxima eleição, mas nas futuras gerações, grande parte da população vai compreender o nosso esforço.
O custo político é grande principalmente com relação aos reajustes aprovados no governo passado e não pagos pela sua gestão. Isso pode derrotá-lo nas eleições?
Já percebo de parte dos servidores públicos o reconhecimento da impossibilidade de darmos o aumento agora. As pessoas preferem a garantia de ter o salário em dia, que é a segurança das famílias, do que ter um aumento sem receber. Isso acaba com qualquer planejamento familiar. O governo deve ser julgado ao fim da gestão. Não adianta, especialmente em um momento de crise, em que temos que tomar medidas duras em nome do equilíbrio fiscal, querer julgar o governo na metade do trabalho.
O senhor tem recebido muitas críticas de aliados que ajudaram a elegê-lo em 2014. Que avaliação o senhor faz da sua relação com esses aliados?
Eu reconheço que há deficiências na articulação política do governo. A administração da crise econômica absorve muito e talvez a gente não tenha dado a atenção ideal para esses aliados. Mas sempre é tempo de corrigir isso. Às vezes, a imprensa fala que não temos base aliada na Câmara, mas aprovamos 95% dos projetos importantes que encaminhamos. E graças a esses projetos, chegamos ao fim de 2016 em uma situação muito melhor do que a maioria dos estados brasileiros.
Muitos deputados apoiam o governo porque têm cargos, administrações regionais. Qual a mudança em relação a gestões passadas?
Isso ocorre em uma escala muito menor do que ocorria nos outros governos. As secretarias de Saúde, Educação, Segurança Pública, as principais áreas, não sofrem interferência política. Existe alguma composição política, mas é em um alcance menor. É claro que isso tem aspectos positivos, mas amplia as dificuldades de convivência com a Câmara. Ao longo dos últimos dois anos, tivemos uma relação com a Câmara muito positiva.
As eleições para a Mesa Diretora do Poder Legislativo sempre têm a influência do Executivo, mas essa articulação normalmente ocorre nos bastidores. Desta vez, o senhor apoiou abertamente o candidato Agaciel Maia, que acabou derrotado. Esse apoio explícito pode ter atrapalhado?
Eu sou uma pessoa muito transparente. Para o ambiente político, tanto faz articular nos bastidores ou explicitamente, todo mundo acaba sabendo da sua opção. Eu fui muito franco, disse ao deputado Joe, por quem tenho apreço e respeito, que eu precisava fazer uma opção, e que a minha opção era pelo deputado Agaciel, que nesses dois anos foi uma pessoa muito correta com o governo. Não tenho dificuldade nenhuma de convivência com o deputado Joe e tenho certeza que teremos uma parceria muito positiva em defesa dos interesses de Brasília.
No balanço de dois anos de mandato, o governador Rodrigo Rollemberg afirma que a prioridade é equilibrar as contas públicas, evita falar de reeleição em 2018 e diz que senadores poderiam ajudar mais a cidade
Adversários declarados do senhor, como os distritais Wellington Luiz (PMDB) e Raimundo Ribeiro (PPS), chegaram à Mesa Diretora. Isso representa uma preocupação?
A Mesa Diretora é muito presidencialista. Do ponto de vista político, é o cargo de presidente que faz muita diferença. Nas comissões, será importante ter uma correlação de forças importante. Mas qualquer que seja a composição, vamos buscar colocar os interesses da cidade acima de outros. A população está muito atenta, se ela perceber que algum político está colocando interesses pessoais e políticos acima do seu cargo, para prejudicar a cidade, ele que estará em prejuízo.
A contratação de organizações sociais é a principal aposta do governo para a saúde, mas a medida suscita grande resistência de sindicatos, servidores e do Ministério Público. O governo tem um plano B para melhorar a rede pública?
Tenho uma convicção firme de que a implantação das organizações sociais nas UPAs seria muito positiva para a população de Brasília e não criaria tanto conflito com os servidores da saúde. A gente percebe que há resistência ideológica do MP e há resistência dos sindicatos porque eles não querem que haja nenhum modelo de comparação. Isso poderá fragilizar a posição dos sindicatos. Visitei várias organizações sociais que administram equipamentos de saúde em São Paulo, em Goiás, com resultados muito positivos.
Acredita que será possível vencer essa resistência?
Se não existisse dificuldade, já teríamos implantado esse modelo. Vamos tentar superar os obstáculos para implantar as OSs. Mas estamos trabalhando em outras áreas para melhorar o atendimento da saúde. Parte dos nossos problemas da área ainda é fruto das dívidas que herdamos do governo anterior. Ainda devemos R$ 400 milhões da gestão passada. Muitas vezes, empresas que fazem manutenção de equipamentos se recusam a fazer novo contrato se não pagarmos as dívidas de 2014. Só agora, conseguimos renovar os contratos dos tomógrafos e mamógrafos, conseguimos pagar as dívidas ao longo deste ano. Esta semana, conseguimos regularizar o estoque de antibióticos na rede. Mas é uma dificuldade muito grande para isso, muitos medicamentos têm fornecedores exclusivos que se recusavam a fornecer o remédio se não recebessem a dívida de 2014. Por outro lado, a redução da jornada da saúde criou um problema muito grande. A população não sabe, mas todo servidor da saúde hoje tem jornada de 20 horas e isso cria uma dificuldade muito grande para compor escalas. Mas tenho convicção de que, independente de OS, a população vai perceber melhorias na saúde em 2017.
Brasília ainda tem qualidade de vida, mas a gente percebe o crescimento dos índices de criminalidade, especialmente contra o patrimônio. Como deter o avanço da violência?
Conversamos com especialistas de segurança pública, mostramos os dados, que são muito transparentes, e eles ficaram muito impressionados positivamente. A violência tem aumentado muito nos outros estados, mas em Brasília ela está sob controle. No ano passado, tivemos o menor índice de homicídios por 100 mil habitantes dos últimos 22 anos. Este ano, vamos fechar com o menor índice dos últimos 23 anos. Estamos com 15 homicídios a menos, em comparação com o ano passado. Por outro lado, tivemos aumento dos crimes contra o patrimônio ao longo deste ano. Se a gente comparar o período de setembro a dezembro do ano passado, quando já haviam sido adotadas as audiências de custódia, com os mesmos meses deste ano, a gente vai perceber que o aumento foi muito pequeno, o índice praticamente estabilizou.
As audiências de custódia aumentaram a criminalidade?
Elas têm o aspecto positivo de descomprimir o sistema prisional, mas, ao mesmo tempo, isso aumenta os crimes contra o patrimônio porque o sistema prende e solta, prende e solta, e a pessoa acaba cometendo o delito mais de uma vez. Em segundo lugar, temos as influências das manifestações. Tivemos um processo de impeachment em que o país esteve muito dividido, com risco de conflitos, e concluímos esse processo sem nenhum incidente grave. Mas, toda vez que há uma grande manifestação, a gente acaba deslocando um contingente muito grande de policiais para a Esplanada, deixando outras áreas descobertas. Em terceiro lugar, a crise econômica nacional leva ao aumento do desemprego e também pressiona os índices de crimes contra o patrimônio. Estamos fazendo pesquisas para identificar as sete manchas maiores de violência, com definição dos dias e horários em que os crimes ocorrem com maior intensidade, para, a partir daí, ter uma atuação mais efetiva das forças de segurança. Também vamos concentrar projetos sociais proritariamente nessas áreas, com foco na juventude. Grande parte dos crimes é cometida por jovens reincidentes.
“Temer assumiu num momento de grande complexidade e dificuldade. Nesse sentido, temos de ser compreensivos. Entendo que, para o bem do país, nós devemos buscar colaborar para que o governo supere esse momento difícil e para que o país retome o desenvolvimento"
Na área de educação, algumas das principais promessas de campanha foram resolver a falta de creches, a entrega de um tablet por aluno do ensino médio e a garantia da escola integral em todas as escolas. Alguma dessas promessas vai sair do papel?
Eu comparo compromissos de campanha à intenção de uma família que planejou fazer uma viagem nas férias e não contava com a crise econômica. Muitas das coisas que prometemos na campanha, não vamos conseguir cumprir na integralidade, ou não vamos conseguir cumprir no prazo que gostaríamos. Como uma família atingida pela crise econômica replaneja uma viagem, ou a festa de 15 anos da filha. O fato concreto é que muitos desses compromissos estão sendo cumpridos, apesar da crise.
Para a área de educação, qual será seu maior legado?
Em fevereiro, teremos universalizado a educação infantil para crianças de quatro e cinco anos. Isso é um feito extraordinário. Não podemos construir creches para atender essas crianças, mas credenciamos 135 entidades e o governo vai pagar para essas crianças estudarem. Conseguimos que todos os alunos do 3º ano fizessem o simulado para o Enem, e fizemos o Bora Vencer, que é um programa de cursos para estudantes que vão fazer o PAS e o Enem. Para implantar a escola em tempo integral, estamos aguardando a conclusão da escola técnica do Guará, que ficará pronta no ano que vem. Nessa escola, vamos desenvolver um projeto-piloto, e tenho convicção de que vamos transformá-lo em um modelo de educação integral para o país. Vamos integrar a rede de ensino à escola técnica, para garantir, a partir do segundo semestre do ano que vem, o ensino integral para todos os alunos do Guará. Depois, vamos ampliar para todas as regiões.
Como está sua relação com o vice-governador (Renato Santana), depois de vários atritos públicos. Esses episódios estão superados?
Combinei de conversarmos mais neste fim de ano. O episódio está completamente superado. Tenho muito apreço pelo Renato Santana, pelo Rogério Rosso e pelo Arthur Bernardes, que fazem parte do governo.
E com o Reguffe? Ele fez críticas duras ao seu governo em entrevista ao CB.Poder...
Mandei uma mensagem para o Reguffe, quando deu aquela declaração. “Pau que bate em Chico bate em Francisco”, eu disse. Ele ficou todo preocupado...
O que o senhor quis dizer com isso?
Da mesma forma como ele tem uma avaliação do governo, eu tenho uma avaliação do mandato do Reguffe. Eu gostaria de ver um senador de Brasília ajudando mais a cidade do que o senador Reguffe ajuda. Eu reconheço que o governo tem muitas deficiências e muitas são de desarticulação política. Gostaria de estar mais próximo do Reguffe, gosto dele, e aquelas declarações em nada me afastam do senador. Mas aquilo pode servir também para um alerta, para que eu possa me aproximar mais dele, mas para que ele possa também se aproximar mais de Brasília.
Outra crítica que se ouve com frequência é que o projeto para fazer eleição direta para administrador não teve avanço. Foi criado um grupo de trabalho e ficou nisso. O senhor fará a eleição?
A proposta está pronta e será encaminhada para a Câmara Legislativa no ano que vem. Se não encaminhamos ainda foi porque fizemos consulta pública, foram muitas sugestões, e tivemos que fazer uma triagem, ver o que cabia e o que não cabia no projeto. E não tinha ambiente político para encaminhar neste semestre. Quando a gente firma um compromisso de campanha não quer dizer que faremos tudo no primeiro ou no segundo ano de governo. E com toda a franqueza, ninguém imaginava que viveríamos no Brasil dois anos de depressão econômica. É claro que isso mudou os planos e dificultou as coisas. Reguffe fala em dar isenção de imposto para remédios, num ambiente em que é preciso priorizar o aumento de arrecadação. Foi o que disse a ele: não há a menor possibilidade agora. Lá na frente, quando as coisas melhorarem, certamente vamos fazer.
Em relação aos dois outros senadores, Cristovam Buarque e Hélio José, qual a avaliação que o senhor faz?
O Cristovam tem uma atuação política muito focada no plano nacional. Sinto falta de ter senadores mais focados nos temas do DF e na busca de recursos para a cidade. Temos R$ 750 milhões de recursos de compensação previdenciária. Em dois anos, eu não vi nenhum movimento dos senadores Cristovam ou Reguffe para ir ao Ministério da Fazenda para ajudar a liberar esses recursos para o Distrito Federal. Isso não depende do governador e o dinheiro não será para o governador, isso é para a cidade. Se a gente tivesse conseguido esse recurso, talvez nem precisasse usar o dinheiro do Iprev. E o senador Hélio também acho que pode e será bem-vindo se quiser a ajudar a economia do DF.
O senhor começou o mandato aliado da então presidente da Câmara, Celina Leão. Houve um rompimento e, agora, o senhor apoiou a candidatura de Agaciel Maia. A Operação Drácon acabou ajudando o senhor? Como será essa relação com a Câmara Legislativa a partir de agora?
No primeiro ano, tivemos um conjunto de propostas aprovadas pela Câmara Legislativa que foram muito importantes para o DF. A utilização do Iprev, o Refis, foram indispensáveis para que chegássemos no fim do ano com o pagamento dos servidores em dia. Só tenho uma única queixa com relação à Câmara Legislativa: ela fez uma CPI com o propósito desleal de tentar associar a mim ou a minha família condutas irregulares, que jamais tivemos ao longo da gestão. E o destino mostrou que algumas dessas pessoas que estavam se utilizando da CPI para tentar impor ao governo um desgaste acabaram expostas pela própria investigação do Ministério Público. E que não houve envolvimento algum do governo nesse processo.
O fato de a deputada Celina Leão ter ajudado a eleição do Joe Valle, na sua opinião, vai influenciar a Câmara contra o seu governo?
Creio que não. Eu disse ao Joe que tenho uma identidade de propósitos muito grande com ele, uma relação pessoal de muitos anos. Ele é de um partido aliado do PSB desde o primeiro momento. Tenho convicção de que não haverá dificuldade nenhuma nessa convivência entre governo e Câmara Legislativa.
Esses pedidos de impeachment que tramitam na Câmara o preocupam?
Não preocupam porque não há nenhuma base jurídica nem política para isso.
Existe uma expectativa com relação à reforma do secretariado que o senhor fará no primeiro escalão. A mudança será feita para abrigar melhor os aliados?
Estamos chegando à metade do governo. É momento de dar uma sacolejada e fazer com que o governo seja mais ágil em algumas áreas. É também momento de fazer uma avaliação política, secretaria por secretaria, para imprimir as mudanças necessárias para que o governo possa entregar mais à população de Brasília. É claro que temos que fazer isso levando em conta as forças políticas que estão na Câmara Legislativa e que estão representadas na cidade. Mas as mudanças serão pontuais.
Na sua análise desses seis meses de governo Temer, o Brasil está no caminho certo?
Temer assumiu num momento de grande complexidade e dificuldade. Nesse sentido, temos de ser compreensivos. Entendo que, para o bem do país, nós devemos buscar colaborar para que o governo supere esse momento difícil e para que o país retome o desenvolvimento. Qualquer disputa política deve ser deixada de lado.
Com Temer a relação é melhor do que era com a Dilma?
Tenho uma facilidade de diálogo muito grande com o presidente Temer e com o ministro (Henrique) Meireles. Acho que com esse papel que acabei desempenhando de articular o fórum de governadores, tenho convicção e digo isso com humildade, cumpri um papel muito importante de construir uma agenda política positiva e produtiva para o país. Hoje, alguns estados tiveram uma melhora significativa na sua situação em função da articulação desse fórum de governadores. Abri um espaço de interlocução muito grande.
O fato de o presidente Temer ter entre seus principais assessores Tadeu Filippelli, um potencial rival político do senhor, atrapalha ou já atrapalhou essa relação?
Não vejo como possa atrapalhar. A presença de uma pessoa de Brasília só pode ajudar. Eu espero que todos os políticos de Brasília ajudem a cidade neste momento. A disputa política vai se dar em 2018 com toda a naturalidade.
O deputado Chico Vigilante, do PT, apoia mais o seu governo do que muitos aliados diretos. Essa aproximação com o PT numa eleição é provável?
A questão de 2018 será tratada em 2018. Tenho que reconhecer que o deputado Chico Vigilante, embora seja muitas vezes um crítico do governo, tem colaborado com temas de interesse da cidade. Tem tido uma postura positiva em relação à cidade.
Desde o ano passado, havia o risco de uma crise hídrica, o que acabou se confirmando. Os especialistas têm alertado sobre a demora em tomar medidas de mais impacto, tanto da tarifa de contingência quanto do racionamento. O senhor está certo de que as medidas adotadas serão suficientes? Não teme chegar ao fim do mandato e ter de tomar medidas mais impopulares ainda?
Todas as decisões em relação à questão da água foram tomadas do ponto de vista eminentemente técnico. Não houve nenhuma influência política. Hoje, cabe à Adasa e à Caesb definir o que deve ser feito para garantir o abastecimento agora e futuro. Acompanho diariamente o nível da barragem e estou realmente preocupado, mas tenho deixado essas decisões serem tomados do ponto de vista técnico. Inclusive, quanto ao anúncio de um possível racionamento, muitos me aconselharam, dizendo que haveria desgaste político. Mas se essa for a decisão técnica, tem que haver esse alerta à população. Agora, é importante registrar duas coisas: nunca um governo na história de Brasília combateu a ocupação irregular do solo e a grilagem como nós estamos combatendo, que é uma das causas da falta de água. E há 16 anos não se fazia um investimento na ampliação da capacidade hídrica do Distrito Federal.
O senhor acha que o governador Geraldo Alckmin, do PSDB, com os desdobramentos da Operação Lava-Jato, chega a 2018 como candidato do PSDB com apoio do PSB?
Alckmin é uma pessoa de grande envergadura, que administra muito bem o estado de São Paulo e que tem muito boa relação com o PSB. Quem serão os candidatos em 2018? É cedo para dizer. Até porque há uma disputa política dentro do PSDB. Ele será candidato? Será pelo PSDB? Se não for, será por outro partido? São definições que só teremos em 2018.
SENADO AMEAÇA IMPOR MANDATO DE 10 ANOS PARA MINISTROS DO STF
Publicado: 26 de dezembro de 2016 às 00:01 - Atualizado às 00:28
PEC PREVÊ MANDATO DE 10 ANOS, INELEGIBILIDADE E ESCOLHA POR LISTA TRÍPLICE
Após as últimas liminares concedidas pelos ministros Marco Aurélio e Luiz Fux, ganhou força no Senado a PEC 35/2015, estabelecendo mandato de dez anos para os membros do Supremo Tribunal Federal (STF). A PEC, de autoria do senador Lasier Martins (ex-PDT-RS), está pronta para ser votada desde fevereiro deste ano, quando foi aprovada pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado. A informação é do colunista Cláudio Humberto, do Diário do Poder.
A PEC 35 modifica o processo de escolha para ministro do STF e o torna inelegível pelo prazo de cinco anos, após o término do mandato.
Ao defender sua proposta, Lasier Martins disse que a vitaliciedade no cargo pode trazer “vários riscos à estabilidade institucional”.
Pela PEC, além de idades mínima e máxima, para ser ministro do STF serão exigidos notável saber jurídico e 15 anos de atividade jurídica.
O presidente continuará escolhendo ministros do STF, mas a partir de lista tríplice, elaborada por um colegiado de ministros de tribunais.
A maior urgência é arrecadar fundos para realizar a quarentena — procedimento no qual os animais são cuidados e ficam em observação para verificar se têm doenças infecciosas e tratá-las. Os responsáveis pelo local também querem construir um canil coletivo para abrigar os bichinhos.
Outras necessidades do abrigo são: ração, medicamentos, jornais, materiais de limpeza e camas para os bichinhos. Grande parte dos animais chega ao abrigo em situação de risco de morte. Eles são acolhidos, tratados e, posteriormente, disponibilizados para adoção.
Hoje, o local conta apenas com a boa vontade e a colaboração de voluntários que ajudam a tratar os animais, além de organizar e divulgar campanhas em busca de doações.
“O objetivo do Flora e Fauna é dar uma condição de vida melhor para os animais que são abandonados. Eles chegam em situações extremas e nós tentamos cuidar deles e arrumar um lar, onde serão amados e bem tratados”, diz Lorena Figueiredo, 28 anos, voluntária do abrigo.
O Flora e Fauna foi fundado em 26 de maio de 2005, por Orcileni Arruda de Carvalho. No início eram apenas 40 animais. Mas conforme os bichos foram sendo abandonados, o abrigo os acolheu, chegando ao número atual.