sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Investigado na Máfia das Próteses, Daher burla Secretaria de Saúde

Cirurgião plástico reclama de o hospital não estar recebendo por internações com mandado judicial

 postado em 06/10/2016 16:29 / atualizado em 06/10/2016 17:04
 Ana Maria Campos , Otávio Augusto

Reprodução Internet

Em email, apreendido pelos investigadores da Operação Mister Hyde, o cirurgião plástico José Carlos Daher orienta os funcionários do Hospital Daher a não receberem "em hipótese nenhuma" pacientes que chegassem para atendimento com ordem judicial vindos de processos da Secretaria de Saúde.

Daher reclama de o hospital não estar recebendo por esse tipo de internação. A correspondência eletrônica, obtida com exclusividade pelo Correio, chegou aos investigadores por intermédio de um dos interlocutores do médico. "Em nenhuma hipótese, devemos internar qualquer mandado. Os leitos vazios devem permanecer desativados. Os aparelhos devem ser guardados e deve-se criar uma placa a ser pendurada: 'leio em manutenção'", destaca trecho do texto enviado por Daher.

Em outro momento, Daher explica que o hospital tem 15 leitos contratados pelo Executivo local, mas que o "mínimo de pacientes da regulação" deveriam ser internados. A hospitalização deveria ocorrer apenas quando houvesse solicitação da Secretaria de Saúde. "Jamais internar mandado. Haja o que houver", frisa Daher.

A correspondência foi enviada para todo o hospital, em fevereiro. Há pelo menos oito meses a unidade médica estava com a proibição. Até a publicação desta reportagem, a Secretaria de Saúde e o Hospital Daher haviam comentado o caso.

Máfia das próteses: documentos mostram negociação entre Daher e empresário


A segunda fase da ação cumpriu mandados em uma das unidades de saúde mais famosas do Distrito Federal. Os investigadores também prenderam o dono, o cirurgião plástico José Carlos Daher, por porte ilegal de arma



 postado em 07/10/2016 06:00
 Andre Violatti/Esp. CB/D.A Press

O esquema de fraudes em cirurgias articulado por médicos e empresários de órteses e próteses revelado pela Operação Mister Hyde teve novo revés com a deflagração da segunda fase da investigação. Entre os alvos, está o cirurgião plástico José Carlos Daher e o Hospital Daher, no Lago Sul. Na tarde de ontem, o médico acabou preso por porte ilegal de arma de uso restrito, durante busca e apreensão na casa dele, na QL 8 do Lago Sul. Pela manhã, 11 promotores e 20 policiais cumpriram sete mandados de condução coercitiva e cinco de busca e apreensão. Documentos obtidos pelo Correio mostra a negociação entre Daher e o empresário Johnny Wesley Gonçalves Martins, alvo da primeira parte da operação. O esquema pode ter movimentado R$ 30 milhões.

As investigações da Promotoria de Justiça Criminal de Defesa dos Usuários de Serviços de Saúde (Pró-vida) apontam que Daher atuava diretamente nos pagamentos que envolviam órteses e próteses. Em um e-mail ao qual investigadores da Operação Mister Hyde tiveram acesso, o cirurgião plástico notifica os funcionários sobre um “novo acordo”. A correspondência eletrônica trocada em agosto de 2009 detalha a negociação. “Ele (Johnny Wesley) quer operar 50% de seus casos no nosso hospital, o que corresponde a três pacientes por mês”, escreveu Daher. O neurocirurgião Johny Wesley é sócio da TM Medical, empresa de insumos médicos acusada de liderar a fraude. Ele está preso.

Denúncias de destruição de provas e formatação de computadores obrigaram o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e a Polícia Civil a adiantarem a operação. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) será acionado por haver a suspeita de formação de cartel entre as fornecedoras dos materiais e o Hospital Daher. “As primeiras escutas telefônicas já levantavam suspeitas contra o hospital. Um dos médicos investigados na primeira fase havia dito que gostava de operar nesses dois hospitais (Daher e Home) porque recebia dobrado”, explica Maurício Miranda, promotor da Pró-vida.

Os médicos envolvidos, além dos honorários, recebiam das unidades de saúde de 3,5% a 7% e mais quase 30% da distribuidora dos materiais. Mais de 100 pacientes teriam passado por procedimentos desnecessários ou com material vencido ou de baixa qualidade somente em 2016, segundo o MPDFT. Ontem, um consultório usado como sala de cirurgia clandestina foi interditado no anexo do Daher. A diferença entre o Home (alvo na primeira fase) e o Daher é que, no primeiro, quem atuava eram os funcionários. No segundo, notamos uma participação forte do dono no gerenciamento das transações ilegais”, acusou Maurício.

Em correspondência obtida pelo Correio, Daher orienta os funcionários a não receberem “em hipótese nenhuma” pacientes que chegassem para atendimento com ordem judicial vindos de processos da Secretaria de Saúde. Ele reclama de o hospital não ser pago por esse tipo de internação. “Em nenhuma hipótese, devemos internar qualquer mandado. Os leitos vazios devem permanecer desativados. Os aparelhos devem ser guardados e deve-se criar uma placa a ser pendurada: ‘Leito em manutenção’”, destaca trecho do texto enviado por Daher, em fevereiro de 2011. “Jamais internar mandado. Haja o que houver”, frisa.



Cinco funcionários do Hospital Daher prestaram depoimento coercitivamente: Maria de Lourdes da Silva Pinto; superintendente da unidade médica; Wirliane Pires da Silva, chefe do Departamento Financeiro; José Wilson do Bonfim Lopes, médico responsável técnico do Daher; Patrícia Bezerra Mendes, também do Departamento Financeiro; e Marco Aurélio Silva Costa, diretor comercial. Ana Maria Monteiro Machado, ex-funcionária, não foi encontrada na operação desta quinta.





Delatores são ouvidos em ação sobre cassação da chapa Dilma-Temer

No entanto, nenhuma das testemunhas ouvidas nessa fase afirmou que recebeu algum pedido de repasses ilícitos vindos de Dilma ou Temer





POLÍTICA LAVA JATOHÁ 10 MINS
POR NOTÍCIAS AO MINUTO

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ouviu delatores da Lava Jato sobre a origem do dinheiro que financiou a campanha de Dilma Rousseff e Michel Temer em 2014. Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, eles disseram que o montante veio de esquemas de propina.  

Os documentos do processo no qual o PSDB pede a cassação da chapa foram divulgados pelo tribunal e foram anexados os depoimentos dos executivos Ricardo Pessoa (UTC), Flávio Barra e Otávio Marques de Azevedo, ambos ex-funcionários da Andrade Gutierrez, de Eduardo Leite, ex-vice-presidente da Camargo Correa, e dos lobistas Zwi Skornicki e Julio Camargo. 
"É como se o senhor fizesse um seguro de carro: não quer nunca usar, mas paga", comparou Zwi – como lembra a Folha, a delação dele ainda não foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal.  
No entanto, nenhuma das testemunhas ouvidas nessa fase afirmou que recebeu algum pedido de repasses ilícitos vindos de Dilma ou Temer. 

Espanha pressiona Brasil por prisão de acusado de esquartejar família

Liana Aguiar
De Barcelona para a BBC Brasil
Policiais da EspanhaBrasileiro é acusado de matar e esquartejar familiares na Espanha
A Guarda Civil e o Ministério do Interior da Espanha pressionam o Brasil para realizar a prisão de François Patrick Nogueira Gouveia, de 20 anos.
O brasileiro é acusado de matar e esquartejar o tio Marcos Nogueira, a mulher dele, Janaína Santos Américo, ambos de 30 anos, e os dois filhos do casal, de 1 e 4 anos, na cidade de Pioz, nas proximidades de Madri. Ele nega.
A Polícia Federal do Brasil diz porém que é preciso primeiro abrir um inquérito no Brasil e verificar as provas colhidas pelos espanhóis para depois decidir sobre a prisão ou não do suspeito.
O caso, que chocou a Espanha, é considerado como um dos mais brutais registrados na Espanha.
Na manhã desta quarta-feira, os investigadores da Guarda Civil responsáveis pelo caso deram uma entrevista coletiva em Pioz e garantiram que têm uma série de indícios e provas "inquestionáveis" que demonstrariam a autoria do crime.
"Não temos dúvida da autoria. Para nós, o crime já está resolvido", assegurou o comandante Reina, da Unidade Central Operativa (UCO) da Guarda Civil espanhola.
Os investigadores lamentaram que o acusado tenha sido interrogado pela polícia brasileira na Paraíba e liberado, apesar da ordem de busca e captura internacional expedida no dia 22 de setembro.
A Guarda Civil espanhola criticou a falta de ajuda das autoridades brasileiras em desvendar o caso, assunto que teve grande repercussão na imprensa espanhola nesta quarta-feira.
A Polícia Federal do Brasil afirmou que ao contrário do que diz a Guarda Civil, está colaborando com as autoridades espanholas. Até o momento, a instituição colheu material necessário para a identificação formal das vítimas e ouviu depoimentos das famílias.

Sem extradição

Apesar de reconhecer que os cidadãos brasileiros não são extraditáveis à Espanha, a Guarda Civil do país europeu informou que pretende enviar uma comissão ao Brasil para interrogar o acusado, em colaboração com a polícia local.
"Tivemos conhecimento desse depoimento do acusado à polícia brasileira porque vimos um vídeo do advogado dizendo que ele se apresentou. Perguntamos à polícia brasileira, pois até então não tínhamos recebido nenhuma informação oficial de que esta declaração tinha sido realizada", criticou o tenente-coronel Pascual Luís Segura.
Ele reforçou que cabe à polícia brasileira prender o suspeito e que as autoridades espanholas chegaram a um ponto em que têm de aguardar o atendimento do Brasil à ordem internacional de prisão.
O ministro do Interior, Jorge Fernández Diaz, também afirmou à imprensa nesta quarta que o Brasil não tem a obrigação de extraditar um cidadão seu, mas opinou que "é evidente que, se ele está localizado, a polícia brasileira deveria prendê-lo".
A Polícia Federal disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que como a Constituição Federal veda a extradição de brasileiros não é possível efetuar a prisão para este fim.
Por enquanto, a PF ouviu o suspeito e pediu autorização ao Ministério Público para abrir um inquérito para apurar o fato. Depois que receber e avaliar as provas colhidas pelas autoridades espanholas, a polícia brasileira decidirá os suspeito deve ou não ser preso.

Perfil violento

A Guarda Civil espanhola afirmou que Patrick é "violento" e ressaltou que ele tem antecedentes criminais no Brasil. Aos 16 anos, o jovem foi acusado de esfaquear um professor.
Segundo o comandante Reina, o acusado tem características de psicopatia, demonstradas por "sua falta de apego à vida humana e de afetividade" e "seu narcisismo e egoísmo".
O investigador destacou ainda que as vítimas eram "uma família normal e trabalhadora que, como outras tantas, viviam com os recursos que tinham". Ele assegurou que o casal não tinha nenhum envolvimento com o crime organizado, como se chegou a especular.
Um dos pontos-chaves revelados pela investigação foi que Patrick viajou da Espanha para o Brasil apenas dois dias após os cadáveres terem sido encontrados.
Ele tinha passagem aérea de volta para o Brasil comprada para 16 de novembro e adiantou a viagem para 20 de setembro, em meio à divulgação do crime.
Também foram encontrados restos de DNA de Patrick na casa da família, onde os corpos foram encontrados dentro de sacolas e em estado de decomposição.
A Guarda Civil não deixou claro a motivação do acusado, que, especula-se, pode ter sido passional. O órgão não trabalha com a hipótese de ele ter contado com a ajuda de algum cúmplice, mas também não descarta a possibilidade.
O irmão do tio morto, Walfran Campos, está na Espanha acompanhando as investigações e tenta arrecadar fundos para repatriar os corpos dos quatro familiares para o Brasil.

Rocha Mattos está preso na Polícia Federal em SP, diz advogada

07/10/2016 08h35 - Atualizado em 07/10/2016 08h35

Aline Rocha Mattos disse que prisão de ex-magistrado é ilegal e vai recorrer.
Pedido de prisão foi baseado em decisão no STF sobre segunda instância.

Kleber TomazDo G1 São Paulo

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Brasília, DF. 25/10/2005. O juiz afastado João Carlos da Rocha Mattos presta depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos, no Congresso Nacional, em Brasília (Foto: Beto Barata/Estadão Conteúdo/Arquivo)Rocha Mattos depõe na CPI dos Bingos (Foto: Beto Barata/Estadão Conteúdo/Arquivo - 25/10/2005)
O ex-juiz federal João Carlos da Rocha Mattos, condenado a 17 anos de prisão pelos crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, está preso desde quarta-feira (5) na sede da Polícia Federal (PF) em São Paulo. Ele era procurado pela Polícia Federal desde junho, quando o Superior Tribunal de Justiça (STJ) expediu ordem de prisão contra o ex-magistrado.
 Nesta manhã, o G1 procurou a advogada Aline da Rocha Mattos, que disse ser a atual mulher do ex-juiz, e confirmou a prisão do marido.
"Até onde eu sei é [uma prisão] ilegal porque é uma situação prescrita", falou Aline, que não quis dar detalhes de como foi a prisão: se Rocha Mattos se entregou à PF ou foi preso pelos agentes. "O que sei é que a defesa dele já entrou com um recurso de revisão criminal no STF [Supremo Tribunal Federal]".
Aline, que também atua como advogada na defesa do marido, pediu para a reportagem procurar os outros advogados que defendem Rocha Mattos. O G1 não conseguiu localizá-los e também não conseguiu encontrar assessor da PF para comentar o assunto.
A prisão de Rocha Mattos havia sido pedida pelo Ministério Público Federal (MPF). O pedido foi feito com base em decisão recente do Supremo Tribunal Federal (STF) que passou a permitir o início do cumprimento de pena já a partir da condenação em segundo grau. Antes da mudança, ocorrida em fevereiro, a prisão só podia acontecer após o trânsito em julgado da sentença (ou seja, quando não havia mais chance de recorrer).

Rocha Mattos já havia sido condenado por outros crimes, em 2003, após ser apontado pelo MPF como mentor de uma organização criminosa especializada em negociar decisões judiciais. A quadrilha que o juiz supostamente chefiava foi acusada de diversos crimes, como prevaricação, peculato, corrupção, fraude processual e tráfico de influência.
A Procuradoria chegou a suspeitar que o  ex-juiz teria fugido após a decretação da prisão.
O esquema foi descoberto durante as investigações da Operação Anaconda, da PF, no mesmo ano. Mattos ficou quase oito anos na cadeia. Em abril de 2011, quando já estava em regime semiaberto (saía para trabalhar durante o dia e voltava para a prisão à noite), ele foi libertado e passou a cumprir prisão domiciliar.
Dinheiro na Suíça
Mattos é acusado de movimentar milhões de dólares sem origem declarada em uma conta na Suíça. Em outubro do ano passado, após decisão da Justiça, o equivalente a mais de R$ 77 milhões foram repatriados para os cofres públicos do Tesouro Nacional. O valor havia sido depositado pelo ex-juiz em um banco suíço e seria fruto de "incontáveis crimes contra a administração pública brasileira", de acordo com o MPF. Além da pena de prisão, o ex-juiz foi condenado ao pagamento de uma multa de 303 salários mínimos.
A ex-mulher dele, Norma Regina Emílio Cunha, e um irmão dela também foram condenados. O ex-cunhado de Mattos foi sentenciado pela prática de evasão de divisas e teve a pena de prisão de três anos e seis meses substituída por prestação de serviços e pagamento de R$ 10 mil a uma instituição social indicada pela Justiça. Ele também deverá pagar multa, no valor de 60 salários. Já Norma foi condenada a 15 anos e dois meses de prisão e a pagar 257 salários de multa
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MPF denuncia três ex-servidores do Hospital Sarah por roubar remédios

Foto: Marcos Santos / USP Imagens

O trio extraviou medicamentos de tratamento de pacientes com dificuldade de locomoção e de tumores no sistema nervoso



O Ministério Público Federal (MPF/DF) apresentou à Justiça duas ações contra três ex-funcionários do Hospital Sarah de Brasília, por terem roubado remédios da unidade de saúde. As investigações revelaram que, entre maio e agosto de 2010, os três inseriram dados falsos no sistema de movimentação de remédios para encobrir o extravio de 24 frascos de toxina botulínica (botox) e de 60 cápsulas de temozolomida, utilizados para tratamento de pacientes com dificuldade de locomoção e de tumores no sistema nervoso, respectivamente.
Walison de Oliveira Gois, Itamar Rodrigues da Silva e Josemberque Pereira da Silva Costa responderão por inserção de dados falsos em sistema de informações (crime previsto no art. 313-A do Código Penal) e por improbidade administrativa.
As ações do Ministério Público foram embasadas em inquérito policial instaurado a partir de informações reunidas pela empresa responsável pela administração dos hospitais da Rede Sarah, que indicou o desaparecimento dos fármacos.
A conduta dos ex-funcionários foi apurada em processo administrativo interno, que teve o resultado enviado à Polícia Federal. A sindicância instaurada pela Rede Sarah começou a partir da constatação do desaparecimento de dez frascos de toxina botulínica. Ao fazer uma checagem de rotina, um funcionário verificou que faltavam dez unidades do remédio em relação à planilha manual de controle. A diferença também foi constatada no sistema informatizado.
Com o objetivo de tentar descobrir o que havia acontecido, o servidor informou a falha aos colegas. O problema é que, poucas horas depois, ao verificar novamente o sistema informatizado, o farmacêutico responsável percebeu que haviam sido feitas movimentações – com datas retroativas- de saída dos dez frascos de Botox desaparecidos. Ainda na fase da sindicância administrativa, a comissão processante acabou descobrindo, além desta, outras movimentações retroativas no sistema, feitas com o uso de login e senha de Josemberque, Walison e Itamar.
De acordo com o MPF, as movimentações deveriam ter como aporte, obrigatoriamente, prescrições médicas e/ou requisições do fármaco. As investigações revelaram que, no caso dos 24 frascos de toxina botulínica (botox) e das 60 cápsulas de temozolomida, as requisições/prescrições foram falsificadas ou sequer existiam.
Descritos os fatos, percebe-se não restar dúvidas de que os requeridos Josemberque, Walison e Itamar agiram violando o ordenamento jurídico, tanto penal quanto cível, na medida em que encobriram os desvios de medicamentos anteriormente ocorrido"
Ivan Cláudio Marx, Ivan Cláudio Marx

Na ação penal enviada ao Judiciário, o MPF argumenta que a conduta dos envolvidos configura a modalidade prevista no artigo 313 -A do Código Penal, que prevê pena de dois a doze anos de reclusão, além de multa. Já em relação à improbidade, a acusação é de que os três envolvidos praticaram atos que causaram prejuízo ao erário, bem como atentaram contra os princípios da Administração Pública, já que violaram os deveres de honestidade e lealdade às instituições.
Nesse caso, o pedido é para que os três sejam condenados com base no artigos 10 e 11 da Lei 8.429/92, com penas que incluem a obrigação de ressarcir o dano causado ao hospital, pagamento de multa, perda de função pública, suspensão de direitos políticos e a proibição de firmar contratos ou receber benefícios fiscais do Estado.

Bancários encerram greve, mas Caixa segue fechada em 7 capitais

06/10/2016 19h24 - Atualizado em 06/10/2016 23h26

Sindicatos regionais realizam assembleias nesta quinta.
Categoria aceitou 3ª proposta feita por bancos, de reajuste salarial de 8%.

Do G1, em São Paulo
Após 31 dias de paralisação, bancários de todos os 26 Estados, mais o Distrito Federal, já decidiram nesta quinta-feira (6) encerrar a greve da categoria após mais de um mês. As agências voltam a funcionar nesta sexta-feira (7).
A exceção são algumas agências da Caixa. Servidores do banco rejeitaram a proposta em capitais de ao menos sete Estados do país: Amapá, Bahia, Maranhão, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e São Paulo.
terceira oferta apresentada pela Fenaban (Federação Nacional do Bancos) na noite de quarta-feira foi de reajuste de 8% em 2016 e abono de R$ 3.500. A proposta também inclui aumento de 10% no vale refeição e no auxílio-creche-babá e de 15% no vale alimentação. Os bancos também se comprometeram a garantir aumento real de 1% em todos os salários e demais verbas.
O acordo proposto pelos bancos tem validade de dois anos. Para 2017, os salários serão reajustados pela inflação (INPC/IBGE), mais 1% de aumento real.
Veja abaixo as regiões que encerraram a greve:
Bancários do Distrito Federal votam durante assembleia no Setor Bancário Sul, nesta quinta (6) (Foto: Mateus Vidigal/G1)Bancários do Distrito Federal votam durante assembleia no Setor Bancário Sul, nesta quinta (6) (Foto: Mateus Vidigal/G1)
ACRE
Por unanimidade, os funcionários de bancos do Acre decidiram aceitar a nova proposta oferecida pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e encerrar a greve que já durava 31 dias. A proposta foi aceita durante assembleia da categoria na tarde desta quinta-feira (6).
ALAGOAS
Os bancários que atuam nas agências do estado de Alagoas aceitaram, durante assembleia realizada na noite desta quianta-feira (06), na sede do Sindicato dos Bancários em Maceió, a proposta da Federação Nacional do Bancos (Fenaban) e encerraram a greve da categoria. Eles retomam às atividades já na manhã desta sexta-feira (07).
AMAPÁ
Bancários do Amapá decidiram, em assembleia geral na noite desta quinta-feira (6), encerrar a greve, segundo o sindicato da categoria. Com o fim da paralisação, agências devem retornar os serviços internos na sexta-feira (7).

AMAZONAS
Os bancários do Amazonas decidiram, durante assembleia realizada nesta quinta-feira (6), encerrar a greve após 31 dias de paralisação. As agências devem voltar a funcionar, na capital e interior, nesta sexta-feira (7).
BAHIA
Na Bahia, os bancários decidiram encerrar a greve. As agências voltam a funcionar nesta sexta-feira (7). Segundo o sindicato da categoria, apenas os servidores da Caixa continuarão parados.
CEARÁ
Bancários de empresas privadas, Banco do Brasil, Banco do Nordeste e Caixa Econômica Federal decidiram retomar atividades já nesta sexta-feira (7) ao aceitar proposta da Federação Nacional dos Bancos.
DISTRITO FEDERAL
Bancários de todos os bancos do Distrito Federal decidiram, em assembleia, encerrar a greve. O retorno aos postos de trabalho deve ocorrer já na manhã desta sexta (7).
ESPÍRITO SANTO
Assembleia dos bancários no Espírito Santo aceitou a proposta dos bancos. As agências voltam a funcionar nesta sexta (7).
GOIÁS
Após 31 dias, os bancários de Goiás decidiram encerrar a greve após assembleias realizadas nesta quinta-feira (6), em Goiânia. A categoria aceitou a proposta da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) que, entre os principais pontos, reajusta o salário em 8%, mais um abono de R$ 3,5 mil.
MARANHÃO
greve dos bancários no Maranhão terminou na maioria das agências dos bancos públicos e privados. O Sindicato dos Bancários do Maranhão (Seeb-MA) informou que apenas as agências da Caixa Econômica Federal seguem sem funcionar normalmente, por tempo indeterminado. Sendo assim, a partir desta sexta-feira (7), os atendimentos nas agências do Banco do Brasil, Banco da Amazônia e Banco do Nordeste serão retomados.
MATO GROSSO
Os bancários de Mato Grosso encerram a greve da categoria que durou pouco mais de um mês. Os profissionais aceitaram a proposta de reajuste salarial de 8% e abono de R$ 3,5 mil ainda este ano. Com a decisão, as mais de 270 agências fechadas em todo o estado, por causa da paralisação, devem voltar a funcionar na sexta-feira (7).
MATO GROSSO DO SUL
Bancários privados, do Banco do Brasil e da Caixa Federal aceitaram proposta da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e decidiram nesta quinta-feira (6) encerrar a greve em Mato Grosso do Sulx, que durou 31 dias.
MINAS GERAIS
Belo Horizonte

Bancários de Belo Horizonte e outras 54 cidades de Minas decidiram nesta quinta-feira (6) encerrar a greve da categoria, de acordo com o Sindicato dos Bancários de BH e Região. O movimento durou 31 dias e foi o mais longo dos últimos anos.

Divinópolis
Em assembleia que começou às 18h30 e durou quase uma hora, os profissionais votaram edecidiram por aceitar a proposta de reajustes oferecida pelos bancos. Todas as 19 agências da cidade voltam a operar normalmente nesta sexta-feira (7), após 31 dias de greve.

Governador Valadares
Após assembleia realizada no início da noite desta quinta-feira (6), bancários decidiram pelo fim da greve em Governador Valadares. Desde o dia oito de setembro que a categoria havia aderido à greve; 22 agências estavam com os trabalhos paralisados ou comprometidos na cidade.
Zona da Mata
O Sindicato dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da Zona da Mata e Sul de Minas (Sintraf)decidiu encerrar a greve dos bancários na região após pouco mais de um mês de paralisação. Em Juiz de Fora, 45 agências chegaram a ter as atividades suspensassendo 24 bancos privados e 21 bancos públicos.
PARÁ
Os bancários de bancos privados encerraram a greve no Pará. A decisão foi anunciada nesta quinta-feira (6), após assembleia categoria que aceitou a proposta de 8% de aumento salarial, mais R$ 3,5 mil de abono, além de reajuste de quinze por cento de vale alimentação e 10% no auxílio creche.
PARAÍBA
Após 31 dias de greve, os bancários da Paraíba decidiram encerrar a paralisação no estado e voltam a trabalhar nesta sexta-feira (7). A decisão foi tomada nesta quinta-feira (6), durante assembleia geral na sede do Sindicato dos Bancários da Paraíba, em João Pessoa, segundo o secretário-geral da entidade, Marcelo Alves. A decisão vale tanto para os bancos públicos quanto para os privados.

PARANÁ
Curitiba

Os bancários dos bancos públicos e privados de Curitiba e da Região Metropolitana decidiram encerrar a greve.
PERNAMBUCO
O Sindicato dos Bancários de Pernambuco votou pelo fim da greve na noite desta quinta-feira (6). Funcionários da rede privadas e dos bancos públicos do Nordeste (BNB) e do Brasil, decidiram pelo fim da paralisação. Os funcionários da Caixa Econômica Federal (CEF) decidiram continuar em greve, com placar de 100 votos a favor e 94 contra.

Caruaru
A greve dos bancários chegou ao fim em Caruaru, no Agreste de Pernambuco. A informação foi divulgada pelo Sindicato dos Bancários do município.
PIAUÍ
Os bancários do Piauí decidiram nesta quinta-feira (6) encerrar a greve da categoria. As agências voltam a funcionar normalmente nessa sexta-feira (7). A terceira oferta apresentada Fenaban (Federação Nacional do Bancos) na noite de quarta-feira foi de reajuste de 8% em 2016 e abono de R$ 3.500.
RIO DE JANEIRO
Bancários privados aceitam proposta da Fenaban e suspendem paralisação nesta quinta-feira (6). A Caixa Econômica Federal rejeitou as propostas e manteve a greve. O Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro confirmou a decisão.
RIO GRANDE DO NORTE
Com exceção dos funcionários da Caixa, cujas agências permanecem fechadas, os bancários do Rio Grande do Norte aceitaram proposta dos bancos e voltam ao trabalho nesta sexta (7).
RIO GRANDE DO SUL
A exemplo dos demais estados do país, os bancários do Rio Grande do Sul aceitaram proposta dos bancários e voltarão ao trabalho nesta sexta (7).
RONDÔNIA
Os bancários de Rondônia decidiram encerrar a greve iniciada há mais de um mês em todo país. A paralisação chegou ao fim após eles aceitarem o acordo que inclui reajuste salarial de 8% e abono de R$ 3,5 mil. Mais de 110 agências bancárias fecharam na greve no estado. O atendimento ao público do estado retorna na sexta-feira (7).
RORAIMA
Os funcionários dos bancos públicos e privados em Roraima decidiram encerrar a greve após 29 dias, segundo informou o presidente do Sindicato dos Bancários de Roraima, Adalto Andrade.
SANTA CATARINA
Os bancários em greve nas regiões de  Criciúma, no Sul catarinense, de Chapecó, no Oeste do estado, e de Joinville, no Norte decidiram encerrar a paralisação. O Sindicato dos Bancários de Florianópolis e região também decidiu pelo fim da greve após aprovação de propostas da Fenaban, do Banco do Brasil e da Caixa. O sindicato é responsável por mais de 20 cidades, incluindo São José, Palhoça, Santo Amaro da Imperatriz, Garopaba e Urubici.

SÃO PAULO
Campinas

Os bancários da região de Campinas aceitaram a proposta patronal e decidiram encerrar a greve em assembleia realizada na noite desta quinta-feira, 6. Eles aprovaram as propostas de acordo com a Fenaban e os aditivos à Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) com Banco do Brasil e Caixa Federal.

Capital, Osasco e Região
Bancários dos bancos privados e do Banco do Brasil das cidades de São Paulo, Osasco e região decidiram encerrar a greve, informou o sindicato que representa a categoria localmente. Já os bancários da Caixa rejeitaram a proposta dos bancos e decidiram manter a greve.
Mogi das Cruzes e Suzano
Agências bancárias privadas e do Banco do Brasil devem abrir normalmente nesta sexta-feira (7) após 31 dias de greve. De acordo com o  Sindicato dos Bancários de Mogi das Cruzes - também responsável por Biritiba Mirim, Salesópolis, Suzano e Poá a decisão foi tomada após assembleia na noite desta quinta. Nessas cidades, apenas as agências da Caixa não devem funcionar, já que os bancários não aceitaram a proposta. Em Itaquaquecetuba, Arujá, Ferraz de Vasconcelos, Guararema e Santa Isabel, todas as agências voltam a funcionar.
Presidente Prudente
Após 31 dias, a greve dos bancários chegou ao fim na noite desta quinta-feira (6), em Presidente Prudente e região. Conforme o presidente do sindicato da categoria, Edmilson Trevizan, os profissionais aceitaram a proposta de reajuste salarial de 8% oferecida pelos banqueiros.
Ribeirão Preto
O Sindicato dos Bancários de Ribeirão Preto (SP) confirmou ter encerrado a greve na cidade após um mês de paralisação. A categoria aceitou uma proposta de reajuste de 8% oferecida pelos bancos para este ano, além da garantia de aumento acima do índice da inflação para 2017, durante assembleia realizada na noite desta quinta-feira (6).
Rio Preto e Araçatuba
Os bancários decidiram por encerrar a greve durante assembleias nesta quinta-feira (6) nas regiões de Rio Preto e Araçatuba (SP). Segundo o sindicato, os trabalhadores bancários, seguindo o movimento nacional, aceitaram a proposta oferecida pela Federação Brasileira de Bancos (Fenaban) de 8% de reajuste e abono de R$3,5 mil.
Santos
Bancários dos bancos privados e do Banco do Brasil da Baixada Santista decidiram encerrar a greve após assembleia realizada na noite desta quinta-feira (6). A categoria retorna ao trabalho já nesta sexta-feira (7). Segundo o Sindicato dos Bancários de Santos e Região (SEEB Santos), os bancários que trabalham na Caixa Econômica Federal decidiram manter a greve.
Sorocaba e Jundiaí
A maioria dos bancários de Sorocaba e região aprovou na noite desta quinta-feira (6) a proposta dos bancos, pondo fim à greve que já durava 31 dias. Após grande mobilização nacional da categoria bancária, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) apresentou na quarta-feira (5), em São Paulo (SP), uma nova proposta para o Comando Nacional dos Bancários.
Vale do Paraíba e Região
Após 31 dias de paralisação, os bancários decidiram encerrar a greve no Vale do Paraíba e região, informou o sindicato que representa a categoria. Eles voltam ao trabalho nesta sexta-feira (7) e as agências funciona, normalmente.
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Assembleia dos bancários do Banco do Brasil de São Paulo, Osasco e região (Foto: Reprodução / Twitter do Sindicato)Assembleia dos bancários do Banco do Brasil de São Paulo, Osasco e região (Foto: Reprodução / Twitter do Sindicato)
Piracicaba (SP)
Em assembleia durante a tarde, a categoria resolveu aceitar a proposta da Federação Nacional do Bancos (Fenaban) de 8% no aumento salarial, pagamento de abono de R$ 3,5 mil, reajuste do vale-alimentação de 15% e aumento de 10% nos vale-refeição e auxílio-creche. Com a decisão, asagências bancárias abrirão normalmente nesta sexta-feira (7).
SERGIPE
O Sindicato dos Bancários de Sergipe (Seeb) confirmou o fim da greve da categoria após 31 dias, que foi aprovada durante uma assembleia dos trabalhadores realizada na noite desta quinta-feira (6), em Aracaju.
TOCANTINS
A greve dos bancários chegou ao fim no Tocantins nesta quinta-feira (6). Conforme presidente do Sindicato dos Bancários do Tocantins (SINTEC-TO), Crispim Batista Filho, a decisão foi durante assembleia na noiete desta quinta-feira. A categoria aceitou a proposta da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), de reajuste de 8% dos salários e mais abono de R$ 3.500.
Greve nacional mais longa
A greve completou 31 dias nesta quinta-feira (6) e supera a de 2004, primeiro ano em que os bancários se uniram para negociar melhores condições para a categoria e que tinha sido a mais longa até então com duração de 30 dias, segundo a Confederação Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT). A greve de 2015 durou 21 dias.
Negociações
Os bancários pediam a reposição da inflação do período mais 5% de aumento real (totalizando 14,78% de reajuste), valorização do piso salarial - no valor do salário mínimo calculado pelo Dieese(R$ 3.940,24 em junho) e PLR de três salários mais R$ 8.317,90.
Antes do início da greve, no dia 29 de agosto, os bancos propuseram reajuste de 6,5%. Novas propostas foram apresentadas nos dias 9 e 28 de setembro, de reajuste de 7%. Todas foram rejeitadas pelos bancários, que decidiram manter a greve por tempo indeterminado.
Impacto nos serviços
A greve afetou os serviços bancários em todo o país, pois algumas situações não podiam ser resolvidas em canais de autoatendimento e outros meios alternativos.
Na quarta-feira (5) 13.123 agências e 43 centros administrativos ficaram fechados segundo a Contraf, o correspondente a 55% dos locais de trabalho em todo o país. O dia em que foi registrado o maior número de agências fechadas foi 27 de setembro, quando 13.449 fecharam as portas.