quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Saúde precária nas cidades sem acesso rodoviário no Amazonas desafia próximos prefeitos Luke Parry, Patricia Torres, Andre de Moraes e Jesem Orellana Especial para a BBC Brasil*



Embarcações estacionadas no porto de MauésImage copyrightLUKE PARRY, LANCASTER UNIVERSITY
Image captionO porto de Maués, com barcos e grande porte conhecido no Amazonas como "recreios", que fazem transporte para Manaus e cidades menores
De cada três cidades do Amazonas, duas não têm acesso rodoviário, e a qualidade dos serviços de saúde é baixa. Grandes distâncias, corrupção, baixa qualificação e oferta profissional são alguns dos problemas discutidos em períodos eleitorais, mas com pouco aprofundamento e expectativas limitadas de melhorias.
Quando pensamos em saúde precária no Brasil, normalmente imaginamos filas enormes nas unidades de saúde e hospitais públicos lotados. Mas nas cidades ribeirinhas do Amazonas, sem acesso rodoviário, o desafio é muito maior.
Os próximos prefeitos terão que enfrentar problemas que vão além da infraestrutura de atenção à saúde. Combate à corrupção e investimentos em serviços essenciais, como saneamento básico e ambiental, são iniciativas urgentes.
E há a questão logística. São dias, e às vezes semanas, de viagem fluvial dessas cidades até a capital, Manaus. As secretarias de Saúde das cidades têm que atender uma população de ribeirinhos e indígenas que muitas vezes moram a dias da sede do município.
Mapa do Amazonas sem rodovias
Image captionMapa mostrando cidades sem acesso rodoviário do Amazonas
Mas como são as cidades amazônicas sem acesso por rodovias?
Apesar da pouca atenção que recebem, esses municípios somam 43 dos 62 do Estado, com população total de mais de 1 milhão de pessoas. Dessas, 641 mil estão nas cidades e 488 mil na zona rural. O transporte é essencialmente fluvial e as viagens, normalmente longas.

Cidades remotas

Ipixuna é uma das cidades mais remotas do Amazonas e do Brasil. Situada no Rio Juruá, fica a 2,8 mil km de barco da capital.
Balsas que transportam itens de consumo básicos, como gás, combustível e mesmo alimentos não perecíveis para a merenda escolar, podem levar mais de um mês entre Ipixuna e Manaus, durante o período de seca dos rios.
Um barco razo (conhecido como chalana ou 'canoa') na estação seca no RioImage copyrightLUKE PARRY, LANCASTER UNIVERSITY
Image captionBalsas que transportam itens de consumo básicos podem levar mais de um mês entre Ipixuna e Manaus durante a seca
Ipixuna, como a maioria das cidades amazônicas sem acesso rodoviário, é extremamente pobre e desigual. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do município está muito abaixo da média nacional, equiparável ao de países africanos como Uganda, que ocupa a 165ª posição no mundo.
Como agravante, esses municípios têm enfrentado, nos últimos anos, choques climáticos - variações cada vez mais frequentes e severas dos níveis dos rios. Essas mudanças têm superado a capacidade de adaptação a essas variações naturais.
Caapiranga - outro município sem acesso rodoviário, mas bem mais próximo à capital -, enfrentou sua maior cheia e sua maior seca em 2015, segundo os moradores. A enchente cobriu boa parte da área urbana em maio. Durante a seca, em outubro, já era impossível chegar ao porto da cidade.
Nesta semana o Juruá, principal rio que abastece Ipixuna, atingiu sua cota mais baixa já registrada.
O pesquisador André de Moraes caminhando no rio seco para chegar numa comunidade ribeirinha numa ressaca do Rio Solimões durante o verãoImage copyrightLUKE PARRY, LANCASTER UNIVERSITY
Image captionCaapiranga, outro município sem acesso rodoviário, mas bem mais próximo à capital, enfrentou sua maior cheia e sua maior seca em 2015

Floresta de pé

Por outro lado, essas cidades têm uma enorme importância sociocultural, histórica e para o meio ambiente. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais mostram que esses 43 municípios têm uma incrível quantidade da floresta em pé. São quase 1 milhão de quilômetros quadrados cobertos com floresta amazônica - mais do que a área inteira da região Sudeste do Brasil.
Ipixuna tem 98% de sua floresta conservada. O município abriga ao menos três grupos indígenas e dezenas de comunidades ribeirinhas, com amplo conhecimento e dependência dos recursos naturais.
"Eu não vou pra cidade porque lá a gente depende de dinheiro para sobreviver e aqui não, no mínimo temos a comida", conta um ribeirinho morador do Rio da Liberdade.
Apesar das riquezas naturais e culturais e da hospitalidade de sua população, a grande maioria desses municípios não explora o seu potencial turístico.
Crianças brincando de canoa perto de sua comunidade ribeirinha no Rio TeféImage copyrightLUKE PARRY, LANCASTER UNIVERSITY
Image captionEssas cidades têm uma enorme quantidade da floresta em pé

Desafios da saúde

A saúde é um direito constitucional assegurado aos brasileiros por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), que é universal e gratuito. O objetivo 3 da agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável reflete não só os desafios necessários para "Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos", mas o papel estratégico dos futuros prefeitos para reforçar a posição brasileira de melhorar boa parte dos indicadores de mortalidade e adoecimento evitável.
Dados do Ministério da Saúde colocam o Amazonas como um dos Estados com menor esperança de vida ao nascer (70 anos) em 2012.
Adicionalmente, em 2010, apresentou um dos mais baixos índices de médico por habitante do país (1,07 por mil habitantes). Tais dados evidenciam que as condições de vida e saúde nesses municípios sejam ainda piores e mais desafiadoras.
Moradias flutuantes em CaapirangaImage copyrightANDRÉ DE MORAES, MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
Image captionA marca das cheias fica registrada nas casas, e muitos moradores em Caapiranga optam pelos flutuantes como alternativa de moradia
Ipixuna registrou, em 2014, taxa de mortalidade infantil de 37 óbitos por mil nascidos vivos. Mais do que o dobro da média nacional (17) no mesmo ano. As causas, em grande parte, podem estar associadas a problemas de saúde evitáveis, como diarreia, pneumonia e desnutrição.
A melhoria desses indicadores também passa por ações de saneamento básico e ambiental que costumeiramente são desvalorizadas. Apesar do saneamento ser essencial para a prevenção de doenças de veiculação hídrica, mais de 60% dos municípios do Estado não tratam a água que abastece os domicílios. Cerca de 30% sequer têm gestão dos serviços de água.
É o que acontece em Caapiranga, onde a população usa água proveniente de poços privados ou comunitários.
Pessoas usam passarelas em bairro da cidade de Itamarati para evitar cheiasImage copyrightLUKE PARRY, LANCASTER UNIVERSITY
Image captionMoradores deste bairro na cidade de Itamariti, Amazonas, precisam utilizar passarelas (marombas) para fugir das alagações
As péssimas condições de saneamento são agravadas durante enchentes ou fortes chuvas. As precárias fossas, quando existentes, costumam transbordar.
Em Ipixuna, como na maior parte dos municípios do Amazonas, não há coleta de esgoto e 59% dos domicílios na cidade sequer possuem vaso sanitário.
Em vários municípios é comum que uma família tenha que conviver com a péssima condição sanitária de seus vizinhos: "O vizinho construiu sua casinha (latrina no quintal) colada na minha cozinha. Quando chove muito, transborda. Tenho filhos pequenos que brincam no quintal. Já reclamei muitas vezes para a prefeitura, mas nada foi feito", diz um morador de Ipixuna.
Em Jutaí, no rio Solimões, a situação não é diferente: "O vizinho esticou o cano de seu banheiro no meu quintal. Todo o dejeto vem parar aqui. Quando chove é pior. Já chamei várias vezes a prefeitura, mas eles nunca vieram olhar".
Um cidadão da área urbana do Envira mostrando a marca da água do enchente na sua casaImage copyrightLUKE PARRY, LANCASTER UNIVERSITY
Image captionMarca na parede da casa mostra onde chega a água no período de cheias em Envira

Desafios da gestão municipal

Os desafios para melhoria da saúde nesses municípios são enormes. A precariedade está relacionada à pobreza e à desigualdade, resultados de um processo histórico de exploração, abandono e exclusão.
As sucessivas gestões não têm tido compromisso real com o problema. Nas últimas décadas, a atenção dada a esses municípios - nacional ou internacionalmente - tem sido dominada pelos debates ambientais. Enquanto houve investimentos na criação de unidades de conservação, como reservas de desenvolvimento sustentável, há uma escassez de novas ideias para resolver os problemas de quem vive nessas cidades.
Homem no rio JunáImage copyrightLUKE PARRY, LANCASTER UNIVERSITY
Image captionAjudante num barco no Rio Juruá ajustando um motor conhecido como "rabetão"
A saúde esbarra em problemas de capacidade técnica e de gestão. É comum que os secretários municipais não tenham conhecimento técnico na área, cuja indicação seja consequência de interesses políticos, amizade e, não raro, nepotismo.
O sistema de contratação também limita a eficiência do sistema. A maioria dos municípios não tem um quadro de profissionais contratados via concurso público. Isso gera uma grande rotatividade de profissionais, e médicos são contratados para carga horária integral em mais de um município ao mesmo tempo.
Agentes Comunitários de Saúde mudam a cada eleição que a oposição sai vitoriosa, pois é um programa usado eleitoralmente tendo em vista a carência de emprego nos municípios. Cargos comissionados, como os de secretários de Saúde, muitas vezes sequer residem no município, assim como muitos prefeitos.
O combate à corrupção deve ser prioridade para a melhoria da saúde. Investigações recentes do Ministério Público levaram à prisão de três prefeitos e 30 municípios estão sendo investigados por suspeita de desvio de recursos.
Em Santa Isabel do Rio Negro, caso mais recente, a prefeita e familiares delas foram presos acusados de desviar R$ 10 milhões. Em Pauini, no rio Purus, a 10 dias de barco de Manaus, foram desviados R$ 15 milhões dos orçamentos da Saúde e Educação.
O procurador-geral do Estado atribui parte da razão desse cenário à percepção de impunidade que a ausência de fiscalização e dificuldade de acesso provocam.
É também necessário reforçar ações e serviços associados à atenção básica. Por exemplo, a Estratégia de Saúde da Família, que visa oferecer não apenas acesso universal e contínuo a serviços de saúde de qualidade, como também ações de promoção da saúde, prevenção, recuperação e reabilitação.
Isso evita situações mais graves que levam a remoções para tratamento médico-hospitalar fora do município, muitas vezes por via aérea, com gastos altíssimos.
Balsas no rioImage copyrightANDRÉ DE MORAES, MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
Image captionBalsas que transportam derivados de petróleo podem levar mais de um mês entre Manaus e Ipixuna
Os próximos prefeitos também devem estar atentos ao desafiador arranjo do perfil de saúde da população. De um lado, observa-se o aumento da incidência de doenças crônicas, como a hipertensão arterial, a diabetes e diversos tipos de câncer.
De outro, elas coexistem com doenças infecciosas e parasitárias historicamente relevantes, como a malária, as hepatites virais e a tuberculose. Além de problemas novos, como a doença causada pelo vírus Zika.
A melhoria da saúde nesses municípios não é uma tarefa fácil. Mesmo sem a corrupção, persiste o problema da carência de profissionais comprometidos e capacitados e da histórica desigualdade social.
Os próximos prefeitos devem estar cientes desses desafios e criar um ambiente político-institucional favorável à melhoria das condições de vida da população, assegurando o direito básico à saúde nesses municípios historicamente negligenciados, porém encantadores, em meio à floresta Amazônica.
Barco transporta carga no rioImage copyrightLUKE PARRY, LANCASTER UNIVERSITY
Image captionBarcos típicos do interior do Amazonas, neste caso utilizados para fazer transporte de passageiros e carga entre a cidade de Maués e aldeias indígenas
*Este é o segundo de uma série de artigos que será publicada pela BBC Brasil em parceria com o Urban Transformations Network e o UK Economic and Social Research Council (UT-ESRC) sobre presente e o futuro das cidades brasileiras. Os artigos publicados não traduzem a opinião da BBC.

Quais são e o que pensam os novos partidos que disputam as eleições municipais pela 1ª vez

Rafael Barifouse
  • Há 1 hora
Urna eletrônicaImage copyrightTSE
Image captionHoje, o Brasil tem 35 partidos polítivos registrados no TSE
Há 16 anos o eleitor brasileiro não tinha tantos novos partidos para votar em uma eleição municipal quanto neste próximo domingo.
Seis disputarão pela primeira vez os cargos de vereador e prefeito: Partido Ecológico Nacional (PEN), Partido da Mulher Brasileira (PMB), Partido Novo, Partido Republicano da Ordem Nacional (PROS), Rede Sustentabilidade e Solidariedade.
É o mesmo número da eleição de 2000, só superado em 1992, quando houve sete novas legendas. Hoje, o Brasil tem 35 partidos políticos registrados
Dentre as novas legendas deste pleito, PEN, PROS e Solidariedade foram criadas a tempo de disputar as eleições de 2014.
Juntos, estes partidos têm 42.867 candidatos, ou 9% dos 475.839 que disputam estas eleições. A idade média de seus representantes é de 42 anos, ligeiramente abaixo da média geral de 45 anos.
Mas o que leva a um número tão grande de novas legendas neste pleito?

Mudança na lei eleitoral

Cientistas políticos ouvidos pela BBC Brasil apontam duas decisões cruciais da Justiça que criaram um sistema eleitoral que estimula o surgimento de partidos.
Em 2006, o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou a cláusula de barreira, que restringia o acesso ao horário eleitoral gratuito e aos recursos do Fundo Partidário das legendas que não obtivessem ao menos 5% dos votos para deputado federal no país.
Dois anos depois, o STF confirmou a decisão do Tribunal Superior Eleitoral sobre a fidelidade partidária, segundo a qual o mandato pertence ao partido e não ao eleito. A troca de legenda implica na perda do cargo - a não ser que o ocupante do cargo migre para uma nova legenda.
"Essas decisões estimularam a proliferação de partidos. A decisão sobre a fidelidade partidária criou, por exemplo, uma saída para mudar de partido sem perder o mandato", diz o cientista político Cláudio Couto, da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP).
"Sem a cláusula de barreira, criar um partido se manteve como um bom negócio, uma fonte de renda. Com acesso a tempo de TV e rádio e ao Fundo Partidário, é possível barganhar e oferecer vagas a candidatos, que pagam à legenda para bancar a campanha."
No ano passado, o STF disse que a regra só se aplica a eleições proporcionais (vereador, deputado estadual e deputado federal), mas não às majoritárias (prefeito, governador, senador e presidente da República).
Manifestante em protesto de 2013Image copyrightBBC BRASIL
Image captionDesde 2013, brasileiros vão às ruas para dizer que partidos existentes não os representam, avaliam cientistas políticos

Colapso de representatividade

O cientista político Carlos Melo, do Insper, acrescenta que o ano de 2013 marcou um "colapso dos partidos".
"As pessoas foram às ruas dizendo que as legendas existentes não as representavam mais, então, surgiram outras que tentam dar uma resposta àquelas manifestações. A questão é: esses novos partidos representam a população agora?"
Na opinião de ambos os cientistas políticos, os novos partidos destas eleições se dividem em dois grupos. De um lado, Novo e Rede apresentam uma "consistência de propostas e podem agregar algo de novo" à política nacional, diz Couto.
"A Rede, pela esquerda, e o Novo, pela direita, representam setores e demandas que foram às ruas desde 2013", avalia Melo.
Já PEN, PMB, PROS e Solidariedade seriam, nas palavras de Couto, "partidos de adesão, criados para abrigar políticos tradicionais e oferecer apoio parlamentar em troca de cargos e verbas".
Melo afirma que essas legendas surgiram porque alas de partidos existentes "não conseguiam mais chegar ao aparelho estatal e criaram seus próprios para ser possível negociar diretamente com governantes".
A BBC Brasil fez um perfil dos seis novos partidos que disputam estas eleições. As informações têm como base os dados sobre candidaturas divulgados pelo TSE.

PEN

Criado em agosto de 2011, o PEN recebeu seu registro definitivo em julho de 2012, tornando-se o 30º partido brasileiro.
Seus dez mandamentos incluem orientações como "seja amigo da natureza" e "não esqueça de agradecer a Deus pela perfeição do planeta". A sigla diz defender a sustentabilidade "na educação, na saúde, na segurança e no meio ambiente".
Seu idealizador e presidente é o ex-cortador de cana Adilson Barroso, que presidiu o diretório paulista do Partido Social Cristão (PSC) até 2007, quando o deixou após embate com outras lideranças.
Dos seis partidos, o PEN é o que tem o terceiro maior número de candidatos (9.784). Mas disputa a Prefeitura de apenas três capitais: Palmas, Macapá e Florianópolis.
Dentre os três partidos que disputaram as eleições de 2014, é ainda o que chega com a menor expressividade nacional neste pleito. Tem hoje três deputados federais, 15 deputados estaduais e nenhum senador, apenas três suplentes, ou governador.
Até a publicação desta reportagem, o partido não havia respondido a pedidos de entrevista.

PMB

Suêd Haidar discursaImage copyrightPMB
Image captionPMB, presidido por Suêd Haidar (dir.), tem o maior índice de candidatas mulheres do país
O Partido da Mulher Brasileira é a 35ª e mais jovem legenda política do país. Dentre os seis novos partidos, foi o que mais tempo levou entre sua criação, em setembro de 2008, e o registro definitivo, em 29 de setembro de 2015.
Como o nome indica, o partido se define como defensor dos direitos das mulheres. Ao menos nestas eleições, faz jus ao nome, com 43,1% de candidatas mulheres, o maior índice dentre todos os partidos do país - mas ainda em minoria.
Nas disputas para prefeito, 29% dos candidatos do partido são mulheres, enquanto para vereador elas representam 43,5% dos nomes lançados pelo PMB - bem acima do mínimo de 30% estabelecido em lei.
"Conseguimos trazer (mulheres) além do esperado pelo TSE e muito mais que os índices de partidos tradicionais, mas é um processo de longo prazo. Estamos dando o primeiro passo", disse a presidente do PMB, Suêd Haidar, à BBC Brasil.
Com 4343 representantes neste pleito, tem o quarto maior número de candidatos, mas só disputa a Prefeitura de duas capitais - Campo Grande e São Luís - e não lançou candidaturas no Rio Grande do Sul e em Rondônia.
Após ser criado, chegou a ter 20 deputados federais com as adesões à legenda, mas 18 a deixaram no início deste ano tirando proveito da chamada janela partidária, um prazo de 30 dias criado por uma emenda constitucional para que fosse possível trocar de legenda sem perder o mandato. Restaram dois - ambos homens.
"Houve políticos que usaram o partido para fazer a transição, mas o PMB está seguindo seus ideais, e a consciência é de cada deputado que fez isso", diz Haidar.

NOVO

Registrada oficialmente em 22 de setembro de 2015, é dentre as seis novas legendas a que tem o menor número de candidaturas: são 138.
Lançou-se na disputa só em cinco cidades - Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo - e concorre à Prefeitura apenas no Rio. Seu presidente, João Amoedo, diz ter sido algo deliberado.
"Concluímos que só tínhamos estrutura para administrar candidaturas em até seis cidades, e escolhemos dentre os 21 núcleos municipais os que tiveram o melhor desempenho neste primeiro ano de existência", disse ele à BBC Brasil.
A maioria dos seus candidatos são profissionais liberais, principalmente empresários. Enquanto 25,7% dos candidatos do país têm ensino superior completo e incompleto, o índice é de 93,4% no Novo. E 90% se declaram como brancos, em comparação com 52% das candidaturas em geral.
Para escolher representantes, o Novo usou um processo heterodoxo. Os interessados em se candidatar fizeram uma prova para demonstrar alinhamento com suas ideias e propostas e enviaram um vídeo de dois minutos para explicar por que queriam concorrer, como obteriam votos e elencar medidas que tomariam se eleitos.
No caso de candidaturas a prefeito, era ainda preciso ter experiência com gestão e empreendedorismo. Depois, 590 foram chamados para entrevistas.
Amoedo destaca que o Novo foi criado "sem políticos e recursos públicos" e que seu objetivo é "melhorar a vida no país sem concentrar mais poder no Estado". Ele esclarece que o objetivo não é conquistar muitos mandatos.
"Não apostamos no puxador de votos, que seria um atalho para crescer. Queremos espalhar ideias e aprender com o processo para 2018."

PROS

Com 10.587 candidatos, o PROS tem o segundo maior número de representantes nestas eleições dentre as seis legendas.
Registrado oficialmente em setembro de 2013, o partido disputou as eleições em 2014 e elegeu o ex-peemedebista José Melo como governador do Amazonas - ele teve seu mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Estado por abuso de poder econômico e político. No entanto, foi mantido no cargo até seu recurso ser julgado pelo TSE.
Também elegeu na ocasião cinco deputados federais, mas quatro o abandonaram em 2015 de olhos nas eleições municipais. Em contrapartida, recebeu a adesão de seis deputados no início deste ano, com a janela partidária.
Também perdeu nomes de expressão nacional. Ciro Gomes, ex-ministro e ex-governador do Ceará, e seu irmão Cid Gomes, que governou o mesmo Estado, se filiaram ao PROS em 2013 vindos do PSB e deixaram o partido rumo ao PDT no ano passado.
O deputado federal Miro Teixeira fez o caminho inverso e trocou o PDT pelo PROS em 2013. No ano seguinte, se reelegeu, mas deixou a legenda em setembro de 2015 para se filiar à Rede.
A BBC Brasil entrou em contato com a assessoria do partido para discutir a perda de representantes nos últimos meses, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

REDE

Marina SilvaImage copyrightABR
Image captionRede, de Marina Silva, enfrentou contratempos para se registrar no TSE
É o movimento político mais recente dentre os seis partidos. Foi o último a ser criado, em fevereiro de 2013, e enfrentou contratempos até receber o registro oficial, em setembro de 2015.
Seus fundadores tentaram obtê-lo há três anos, para lançar a candidatura da ex-senadora Marina Silva à Presidência, mas foi negado por falta de apoio mínimo necessário. O TSE exigia 492 mil assinaturas, correspondente a 0,5% dos votos para deputados federais nas eleições anteriores (2010), mas a Rede tinha só 442 mil consideradas válidas.
Marina se filiou ao PSB e concorreu primeiro como vice de Eduardo do Campos, do PSB, e, depois, como candidata com a morte do político. Ficou em terceiro lugar, com 22,1 milhões de votos.
Em maio de 2015, a Rede apresentou mais 56,1 mil assinaturas, num total de 498 mil, e obteve o registro.
"A burocracia e o trabalho necessário para montar um partido no país é grande, ainda mais para uma legenda com pouca estrutura", diz José Gustavo Barbosa, porta-voz da Rede.
Em sua estreia em eleições, tem o segundo menor número de candidatos: 3701. Disputa a prefeitura em dez capitais: Rio Branco, Manaus, Macapá, Belém, Goiânia, Cuiabá, Natal, Alagoas, Rio de Janeiro e São Paulo.
Ele diz que o objetivo da Rede é "mudar a forma de fazer política": não fazer alianças por interesses políticos, mas por afinidade de propostas e não se coligar com quem tenha "qualquer questionamento ético."
"Queremos atualizar a política e mostrar que é muito mais do que marketing, loteamento de cargos e acordos para conseguir mais tempo de TV. O resultado da eleição é importante, mas não é a única medida de sucesso."

SOLIDARIEDADE

Apesar de recente, o Solidariedade já nasceu grande ao ser oficializado como o 32º partido do país. Dentre as seis legendas, tem não só o maior número de candidatos - são 14.349, 35% a mais do que o segundo da lista - como o maior número de filiados, 162 mil.
Também tem 271 candidatos a prefeito, o maior número dentre os estreantes, mas se lançou na disputa só em quatro capitais.
Como obteve seu registro em setembro de 2013, concorreu nas eleições de 2014 e elegeu cinco deputados federais. Recebeu adesões desde então e, hoje, tem a maior bancada na Câmara dentre os seis partidos, com 14 integrantes.
Tem muitas lideranças ligadas ao movimento sindical, pois seu fundador e presidente é o ex-metalúrgico Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força. Ele deixou o PDT há três anos para liderar a legenda. É atualmente deputado federal por São Paulo. Na Câmara, foi um dos principais aliados do agora deputado cassado Eduardo Cunha no processo contra ele na Câmara.
A BBC Brasil enviou um pedido de entrevista com Paulinho, mas não recebeu resposta até o fechamento desta reportagem.



SUS terá novo medicamento para pacientes com HIV, a partir de 2017

Inicialmente, o Dolutegravir será ofertado a todos os pacientes que estão começando o tratamento e também a pacientes que apresentam resistência a antirretrovirais mais antigos


O Ministério da Saúde anunciou nesta quarta-feira (28/9) a oferta do antirretroviral Dolutegravir para cerca de 100 mil pacientes que vivem com HIV no Brasil. A previsão da pasta é que o medicamento comece a ser distribuído na rede pública em 2017. Inicialmente, o medicamento será ofertado no Sistema Único de Saúde (SUS) a todos os pacientes que estão começando o tratamento e também a pacientes que apresentam resistência a antirretrovirais mais antigos.

De acordo com o ministério, o medicamento será incluído ao novo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas de Manejo da Infecção do HIV, que deve ser atualizado ainda este ano. Atualmente, o esquema de tratamento das pessoas que vivem com HIV, na fase inicial, é composto pelos medicamentos Tenofovir, Lamivudina e Efavirenz, conhecido como 3 em 1. A partir de 2017, o Dolutegravir associado ao 2 em 1 (Tenofovir e Lamivudina) será indicado no lugar do Efavirenz.

Segundo a coordenadora do departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, Adele Benzaken, o Dolutegravir apresenta um nível muito baixo de efeitos adversos, aspecto considerado bastante importante para a adesão e o sucesso do tratamento contra o HIV. "O acesso a medicamentos que trazem qualidade de vida faz com que as pessoas passem a utilizar a terapia antirretroviral e a viverem mais", explicou.


Economia
A pasta informou ainda que, a partir de uma negociação com a indústria farmacêutica, o governo brasileiro conseguiu reduzir em 70% o preço do Dolutegravir - de US$ 5,10 para US$ 1,50. Segundo o ministro da Saúde, Ricardo Barros, a incorporação da droga não altera o orçamento atual do ministério. "Estamos fazendo o melhor tratamento do mundo com o menor custo", avaliou Barros. "Nós ousamos. Temos clareza de que é possível fazer muito mais com os recursos que temos", completou.

A diretora do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) no Brasil, Georgiana Braga, avaliou a incorporação como um momento histórico para os brasileiros que vivem com o vírus. "É uma resposta à sociedade e uma inovação", disse. "E a negociação de preços vai beneficiar outros países da região e do mundo para que também possam oferecer o medicamento no sistema público deles", concluiu.

Panorama
Desde o começo da epidemia, o Brasil registrou 798.366 casos de aids, no período de 1980 a junho de 2015. No período de 2010 a 2014, o Brasil registrou 40,6 mil novos casos ao ano, em média. Em relação à mortalidade, houve uma redução de 10,9% nos últimos anos, passando de 6,4 óbitos por ano por 100 mil habitantes em 2003 para 5,7 em 2014.

Estudantes reclamam de demora no atendimento on-line do Passe Livre

 postado em 26/09/2016 07:30

De acordo com os usuários, o site pelo qual se faz o cadastramento e toda a comunicação com o órgão não emite respostas. Diretor-geral do DFTrans afirma que problemas são pontuais


Alunos da rede particular do Distrito Federal que dependem do Passe Livre Estudantil para frequentar as aulas relataram problemas no acesso ao benefício e reclamam da demora para solucionar pendências referentes ao recadastramento obrigatório, lançado no início deste ano pelo Transporte Urbano do Distrito Federal (DFTrans), órgão responsável por gerenciar o sistema. De acordo com os usuários, o site pelo qual se faz o cadastramento e toda a comunicação com o órgão não emite respostas e deixa quem precisa do serviço sem saber o que fazer. 

Alguns relatam a diminuição do número de acessos. A universitária Andressa Guimarães, de 21 anos, diz que fica em “desespero” principalmente no fim do mês, já que depende exclusivamente do cartão. “É muito ruim você sair de casa apreensiva, pensando se vai conseguir passar o cartão nos ônibus”, reclama. Estudante de psicologia, Ellen Cristina, 21, diz que o cartão dela foi bloqueado mesmo com todos os documentos para atualização do cadastro entregues no prazo. “Não recebi nenhum e-mail e, depois de meses, continuei não recebendo nenhum. Aguardei o término do recesso, em julho, quando fui orientada a fazer outro cadastro e esperar 30 dias úteis para aprovação e até hoje nada”.

Ello Romanin, 21, afirma que passou pelo processo de recadastramento e teve o cartão renovado, mas com menos acessos. Fez pelo site a solicitação para a extensão do número de vezes que precisa usar o cartão. “Recebi a resposta do pedido após cinco dias e a solicitação foi recusada. Porém, no email constava anexos em nome de outro estudante e dados divergentes. Expliquei para que fossem mais atentos com relação a isso, pois foram vinculados dados pessoais de outra pessoa a mim”, conta. O aluno afirma que tentou enviar o e-mail por três vezes depois, mas sempre recebia uma mensagem automática, indicando que a “caixa de correio do destinatário está cheia e não pode aceitar mensagens no momento”. “Entrei novamente no site, para realizar o mesmo procedimento, já que foi recusado uma vez e simplesmente o site não carregava quando abria a guia de aumento de passes”.

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Germana Gabriella, 21, que também é estudante do ensino superior, disse que, em junho, o DFTrans enviou um e-mail solicitando a busca do novo cartão. Ao utilizá-lo, viu que não passava em nenhuma das linhas que ela havia solicitado autorização. Ao buscar explicações foi informada de que o cartão havia sido duplicado e que estaria na lista de agendamento para emissão de um novo. Há quase três meses, ela tenta contato e diz que não recebeu mais respostas. “Eu tenho custeado a passagem do meu bolso nesse período, inclusive registrei uma reclamação da ouvidora do GDF para ver se eles tomam alguma atitude”, afirma.

De acordo com o diretor-geral do DFTrans, Leo Carlos Cruz, não há número suficiente de reclamações por parte dos estudantes de que o sistema não esteja respondendo ou solucionando os problemas. Segundo ele, há casos pontuais e que, quando identificados, ganham prioridade para que sejam resolvidos. Informou também que, em vários casos, os alunos não comparecem nos dias agendados, e por isso, voltam para a lista de espera. 

Sobre o número de acesso, Leo Carlos afirma que foi adequado para a necessidade da maioria, e que a quantidade estabelecida é de 54 acessos, dando 4 acessos diários, conforme artigo 4º da Lei nº 4.462/2010 (Lei do Passe Livre Estudantil). Quem necessitar a extensão (o que corresponde de 5 a 7% dos estudantes), terá de comprovar pelo sistema e caso seja aprovado, terá o direito garantido.

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL DENUNCIA EX-SERVIDORA DO SENADO FEDERAL

DENÚNCIA É PELOS CRIMES DE PECULATO E FALSIDADE IDEOLÓGICA
Publicado: 28 de setembro de 2016 às 17:17 - Atualizado às 17:59

EX-SERVIDORA PODERÁ SER PROCESSADA POR IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA FOTO: CIELO AZEVEDO

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou à Justiça na última sexta-feira (23) uma ex-servidora pública pela prática dos crimes de peculato e falsidade ideológica. Investigações realizadas por meio de um inquérito policial revelaram que, durante 25 anos, Teresa Mônica Nunes de Barros Mendes acumulou de forma ilegal os cargos de analista legislativa do Senado e de escrivã judicial do Tribunal de Justiça do Piauí (TJ/PI). Além da ação penal, a ex-servidora poderá ser processada por improbidade administrativa e ter de devolver aos cofres públicos os valores recebidos de forma indevida.
Na denúncia, o procurador da República Frederico de Carvalho Paiva explica que o caso foi descoberto em 2010, quando o Senado cedeu a então analista para a Assembleia Legislativa do Piauí. Na época, a Secretaria de Controle Externo do Parlamento Federal realizou uma auditoria que tinha o propósito de registrar os créditos que a Casa deveria receber de estados e municípios em decorrência da cessão de servidores. A partir das informações enviadas pelo TJ, foi possível constatar a irregularidade no caso de Teresa Mendes.
Os documentos reunidos durante a fase preliminar da investigação atestaram que a acumulação indevida dos dois cargos aconteceu entre 26 de fevereiro de 1986 a 19 de abril de 2011, quando a então servidora foi exonerada do Tribunal de Justiça. “Para que a acumulação ilegal fosse possível, a denunciada valeu-se de uma estratégia simples, visto que, no tempo em que permaneceu como servidora do TJPI, esteve afastada, à disposição do governo do estado do Piauí, o que implicou no não exercício das atribuições do cargo de escrivã judicial”, detalha o procurador em um dos trechos da ação penal.
Declaração falsa
Na denúncia – a ser apreciada pela Justiça Federal em Brasília – o MPF destaca, ainda, que para continuar mantendo os dois vínculos e, consequentemente, recebendo os dois vencimentos, Teresa Mendes forneceu informações falsas ao Estado. Em pelo menos duas ocasiões: nos recadastramentos realizados pelo Senado em 2009 e 2010, ela declarou não possuir outros vínculos remuneratórios com instituições públicas ou privadas, uma atitude que configura a prática de falsidade ideológica. Já o peculato se caracteriza pela apropriação indevida de recursos públicos destinados ao pagamento de salários sem a contraprestação do serviço. Neste caso, frisa o procurador, a prática se deu de forma permanente, já que a irregularidade se estendeu por mais de duas décadas.
Para o MPF, há provas tanto da materialidade quanto da autoria dos dois crimes. Por isso, o pedido é para que Teresa Mendes seja condenada na esfera criminal. Somadas, as penas máximas para a prática de peculato e falsidade ideológica podem chegar a 17 anos de reclusão. Em relação à devolução dos valores recebidos de forma irregular (esfera cível), o MPF aguarda uma resposta do Tribunal de Justiça do Piauí quanto ao total que foi pago pelo poder público à ex-servidora para apresentação a ação judicial de improbidade e também para assegurar o ressarcimento ao erário. 

Polícia Federal abre novo inquérito sobre propinas da Odebrecht em 38 obras

Na mira estão obras da empreiteira em todo o país e no exterior. Os empreendimentos foram destacados pelo delegado em relatório da Omertà

N.M/FuturaPress - 5/9/16


 Agência Estado

A Polícia Federal abriu novo inquérito para apurar pagamentos de propinas da Odebrecht em outros contratos, além do que estavam sob investigação na Petrobras pela Operação Lava-Jato. O alvo são 38 negócios identificados nos registros de pagamentos do Setor de Operações Estruturadas da empresa - o chamado "departamento da propina" - nas apurações da 35ª fase, batizada de Operação Omertà, que prendeu nesta segunda-feira, 26, o ex-ministro Antonio Palocci.

O delegado da Polícia Federal Filipe Hille Pace, da equipe da Lava-Jato, em Curitiba, resolveu nesta terça-feira, 27, abrir o novo inquérito. "Resolve: Instaurar Inquérito Policial para amparar as medidas de polícia judiciária decorrentes dada deflagração da 35° fase ostensiva da Operação Lava-Jato, batizada de 'Omertà', especificamente em relação ao núcleo de investigação objeto das medidas cautelares deferidas", informa Pace, em seu despacho.


São apurados suposta prática dos crimes de corrupção ativa passiva, quadrilha, lavagem de capitais e de fraude em licitações. "Foram identificados diversos beneficiários de recursos ilícitos disponibilizados pelo Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht", informa o delegado.


Lista
Na mira da PF estão 38 obras da empreiteira Odebrecht em todo o país e no exterior. Os empreendimentos foram destacados pelo delegado em relatório da Omertà. "Relaciono algumas das obras públicas e/ou consórcios e empresas indicadas no documento mencionado, repetindo que, por se tratarem de arquivos recuperados, estão parcialmente corrompidos, não sendo permitido vincular diretamente as obras e/ou consórcios e empresas indicadas com os beneficiários encontrados e mencionados acima", afirma.

Pace é taxativo. "É indubitável que os nomes que colaciono motivaram pagamento de vantagens indevidas a agentes ainda não identificados", diz. A Omertà investiga as relações de Antonio Palocci com a Odebrecht. Planilha apreendida durante a operação identificou que, entre 2008 e o final de 2013, foram pagos mais de R$ 128 milhões ao PT e seus agentes, incluindo Palocci.

As obras alvo do novo inquérito não tem relação necessária com as propinas pagas ao PT via Palocci. Novos nomes devem surgir, tanto de agentes públicos, como de políticos e operadores.