quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Brasil ganha a primeira medalha na Paraolimpíada do Rio

Odair Santos conquistou a prata na prova dos 5.000m no atletismo
ESPORTE ATLETISMOHÁ 6 MINSPOR FOLHAPRESS
O paulista Odair Santos, 35 anos, ganhou nesta quinta-feira (8), no atletismo, a primeira medalha do Brasil na Paraolimpíada do Rio. Santos faturou a prata na prova dos 5.000 m, com o tempo de 15min17s55. O ouro ficou com o queniano Samwel Mushai Kimani (15min16s11), enquanto Wilson BII, também do Quênia, terminou com o bronze.
Num Engenhão com muitos lugares vazios nas arquibancadas, o brasileiro chegou a tomar a liderança da prova no fim, mas acabou ultrapassado por Kimani.Nascido em Limeira, interior de São Paulo, Santos ganhou a sua oitava medalha na história da Paraolimpíada. Ele já havia conquistado três pratas e quatro bronzes contando Atenas-2004, Pequim-2008 e Londres-2012.
Na Grécia, ele subiu ao pódio nos 1.500 m, 5.000 m e 800 m. Na China, ganhou bronze nos 10.000 m, 5.000 m e 800 m. Já na Inglaterra, levou a prata nos 1.500 m.Santos começou a perder a visão aos 9 anos de idade devido a uma retinose pigmentar. Ele ainda enxergava parcialmente quando disputou as Olimpíadas de Atenas e Pequim.
Em 2010, porém, ele perdeu a visão totalmente e mudou de classe a partir dos Jogos de Londres. Com informações da Folhapress.

Cunha é abandonado por 'aliados' na Câmara

Ele não terá a ajuda para se livrar da cassação, já que a maioria que compõe o 'centrão' decidiu não participar da votação sobre o seu mandato



POLÍTICA CASSAÇÃOHÁ 5 HORAS
POR NOTÍCIAS AO MINUTO


Enquanto esteve na presidência da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) contava com o apoio de um grupo composto por um número significativo de partidos, denominado 'centrão'. O mesmo, ele não pode dizer deste momento. Cunha não terá a ajuda deles para se livrar da cassação, já que a maioria que compõe o bloco decidiu não participar da votação sobre que decidirá o tema, prevista para a noite de segunda-feira (12).


De acordo com a Folha de S. Paulo, o "centrão" formava, com o PMDB, a base de sustentação de Cunha, que está afastado do mandato desde 5 de maio por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF). Líderes de dez partidos políticos (PT, PSDB, PSB, DEM, PRB, PDT, PC do B, PPS, PSOL e Rede), que reúnem 238 deputados, já afirmaram que votarão 'em peso' a favor da cassação de Cunha.

Por Aguiasemrumo: Romulo Sanches de Oliveira

Vivo serei traído. Preso serei esquecido? Morto serei lembrado!



19 lojas da Paulista vendem bolsas piratas por até R$ 3 mil, diz relatório

08/09/2016 10h00 - Atualizado em 08/09/2016 10h25

Estudo encomendado por fabricantes na França diz que há 'réplicas top'.
Representante de marcas francesas quer levar denúncia ao Brasil.

Kleber Tomaz, Cíntia Acayaba e Letícia MacedoDo G1 São Paulo

Dezenove lojas de três shoppings populares da Avenida Paulista, tradicional cartão postal de São Paulo, vendem bolsas de luxo falsificadas e outros produtos piratas de marcas famosas. A conclusão está no relatório de uma empresa particular de investigação econômica no Brasil, contratada por fabricantes de artigos de grife da França. O relatório é de caráter sigiloso e ainda não foi encaminhado às autoridades responsáveis por fiscalizar e coibir o comércio ilegal.
De acordo com o documento, mais quatro lojas de um shopping da região central da capital paulista foram flagradas vendendo imitações de etiquetas luxuosas. O G1 teve acesso a vídeos, fotos e trechos do relatório, produzido entre abril e outubro do ano passado (veja o vídeo acima).

Por questões contratuais, o nome do escritório de investigação não é mencionado no documento. Seus detetives encontraram objetos piratas que imitavam artigos das francesas Louis Vuitton, Chanel, Hermès, Dior, Givenchy, das italianas Prada e Gucci, da uruguaia e brasileira Victor Hugo, e da americana Michael Kors em 23 lojas de São Paulo.
Procurada pela reportagem, a União dos Fabricantes (Unifab) da França, que representa as grifes que tiveram seus produtos pirateados em São Paulo, informou que pretende encaminhar a denúncia do relatório a respeito das falsificações para o Ministério das Relações Internacionais francês, para a embaixada da França no Brasil e para o governo brasileiro à espera de providências (leia mais abaixo).
De acordo com o relatório, lojistas, a maioria de origem asiática, comercializavam bijuterias, carteiras, perfumes e bolsas piratas em baias separadas por tapumes de madeira.

O item mais barato encontrado foi um par de brincos falsificados da "Dior Tribale", por R$ 50. O mais caro uma bolsa na cor verde e rosa com suposta pele de serpente imitando a "The Lady Dior", por R$ 3 mil. A marca disse que não possui um modelo de bolsa idêntico ao exposto na loja apontada no relatório.
O preço de uma bolsa original da Chanel vai de R$ 25 mil a R$ 27 mil, uma da Prada, de R$ 9 mil a R$ 12.700 e é possível encontrar uma Louis Vuitton por R$ 5.750.
Pelo levantamento, na Avenida Paulista os objetos falsificados estavam sendo vendidos em dez lojas do Boulevard Monti Mare, em sete do Shopping Paulista Center e outras duas do Shopping Market Paulista. No Centro, eram comercializados em quatro lojas do Shopping 25 de Março.
bolsa falsificada avaliada em R$ 3 mil, segundo relatório de detetives franceses (Foto: Reprodução/Divulgação)bolsa falsificada avaliada em R$ 3 mil, segundo relatório de detetives franceses (Foto: Reprodução/Divulgação)
Em junho e julho deste ano a empresa de investigação revisitou os três shoppings da Avenida Paulista e constatou que as falsificações das marcas famosas continuavam. O Shopping 25 de Março não foi visitado. Em 2 de agosto, o G1 visitou os mesmos shoppings da Paulista e também constatou o comércio dos produtos piratas.
Níveis de falsificação
Em uma estratégia para disfarçar as falsificações, os vendedores classificam os produtos como: “réplica top, réplica ou cópia”, como constatou o estudo.
De acordo com os investigadores é possível notar a falsificação da "cópia" e da "réplica", mas só um especialista conseguiria diferenciar uma "réplica top" de uma original. "Se colocassem essas duas bolsas lado a lado, mesmo alguém que costume comprar bolsas de grife poderia se enganar e achar que as duas são originais", disse ao G1 um dos responsáveis pelo relatório.
Ele e outros detetives do escritório de investigação no Brasil são franceses. Para flagrarem a venda ilegal nos shoppings, eles usaram câmeras escondidas para filmar e fotografar os produtos. Segundo os investigadores, desde a realização do relatório, não ocorreram ações de combate ao comércio ilegal nesses locais.
Para os investigadores, além da qualidade duvidosa, os produtos falsificados diferem dos originais por outro motivo: o local onde são revendidos. De acordo com eles, as marcas de luxo são vendidas somente em lojas próprias ou em estabelecimentos credenciados.
"Todas as 23 lojas mencionadas no relatório não têm essa autorização para vender bolsas e outros objetos", disse um outro detetive. "Portanto, eles são falsificados ou piratas, como vocês chamam no Brasil".
O relatório informa ainda que das 23 lojas que vendem pirataria em São Paulo, 18 têm registro comercial na cidade. E em 15 delas, o sócio é um mesmo chinês. Em outra, o dono é um português e em duas, um brasileiro.
No início deste mês, o G1 procurou os quatro shoppings citados no relatório para comentar o assunto. Boulevard Monti Mare, Market Paulista e 25 de Março pediram para o G1 encaminhar e-mails. O Paulista Center informou que não passaria contatos. De qualquer modo, nenhum deles se manifestou até a publicação desta reportagem.
Shopping Boulevard, na Avenida Paulista, um dos locais onde foram encontradas lojas que vendem produtos piratas, segundo o relatório (Foto: Reprodução/Divulgação)Shopping Boulevard, na Avenida Paulista, um dos locais onde foram encontradas lojas que vendem produtos piratas, segundo o relatório (Foto: Reprodução/Divulgação)
França
Procurada neste ano pela reportagem, a União dos Fabricantes (Unifab) da França, que representa as grifes que tiveram seus produtos pirateados em São Paulo, confirmou algumas conclusões do relatório.

Delphine Sarfati-Sobreira, diretora-geral da organização, disse ao G1 que os investigadores chegaram a mesma conclusão que ela chegou em visita ao Brasil há alguns anos. “A origem dos produtos é a China. São os chineses que coordenam a venda dos produtos falsificados", disse Delphine. "É uma espécie de migração chinesa que veio se instalar no Brasil e que contrabandeia materiais falsificados, como eles fazem no mundo inteiro que seja em Nova York, nos 'mercados das pulgas' na Europa ou em Venti Mille, na Itália.”
A diretora-geral da Unifab, que é especializada em combate à piraria, observa que houve uma evolução na venda dos produtos falsificados e que os produtos são vendidos a preços cada vez mais elevados. “Há 20 anos, os falsificadores vendiam seus produtos baratos. Agora para enganar os consumidores eles vendem os produtos extremamente caros com o mesmo material de antigamente. Os consumidores pensam que frequentemente que são verdadeiros produtos”, explicou. 
Essa valorização do produto acontece, segundo Delphine, principalmente com a ajuda das vendas pela internet já que eles podem fazer o anúncio com uma foto do produto verdadeiro e entregar um falsificado. Já nas lojas, houve uma mudança no discurso. “Os produtos ficaram muito caros também nas lojas, porque tem um discurso que vem junto dizendo que são produtos de fim de série, que vem diretamente da fábrica. Vira uma confusão na cabeça do consumidor”, afirmou. 
A Unifab, que atua na esfera diplomática, informou ainda que pretende encaminhar a denúncia a respeito das falsificações para autoridades francesas e brasileiras.
O Brasil é uma zona prioritária para os membros da Unifab porque há uma quantidade enorme de produtos falsificados que são vendidos no país há muitos anos. “Foi só a partir da falsificação da marca Havaíanas que as autoridades brasileiras começaram a tratar desse problema”, criticou.
Shopping 25 de Março (Foto: Reprodução / Relatório)Foram encontradas bolsas falsificadas em lojas do Shopping 25 de Março, segundo relatório (Foto: Reprodução / Relatório)
Justiça
Em agosto deste ano, a Justiça de São Paulo decidiu que as bolsas da Hermès, uma das marcas pirateadas na capital, são criações artísticas originais e, portanto, não podem ser imitadas. Com essa decisão, foi resolvido o litígio entre a empresa francesa e uma fabricante brasileira, acusada de plagiar uma das linhas da marca estrangeira.

De acordo com a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça (TJ), a 9ª Câmara de Direito Privado condenou a fabricante brasileira a pagar multa diária de R$ 10 mil caso descumpra a decisão judicial.
Fiscalização
Autoridades que fiscalizam a pirataria de produtos de grifes famosas em São Paulo, como  Receita Federal, Polícia Federal (PF) e Polícia Civil, foram procuradas pelo G1.
A Receita respondeu que é de conhecimento do órgão "a existência de estabelecimentos esparsos nos diferentes shoppings da região que vendem produtos ostentando marcas em condições e preços que sugerem a possibilidade de serem contrafeitos", mas que não foi procurada por nenhum órgão a respeito de falsificações de marcas famosas em São Paulo.
Shopping Paulista Center, na Avenida Paulista, apontada no relatório (Foto: Kleber Tomaz / G1)Shopping Paulista Center, na Avenida Paulista, apontada no relatório (Foto: Kleber Tomaz / G1)
A Receita informou ainda que "tem feito aproximadamente 3 mil ações de repressão ao contrabando e descaminho" no país, além de ações fiscalização e combate em São Paulo. O órgão diz ainda que tem conhecimento do tipo de comércio em shoppings da região.
"A Receita Federal não recebeu nenhuma denúncia de estabelecimento específico, mas é de conhecimento da Receita Federal a existência de estabelecimentos esparsos nos diferentes shoppings da região que vendem produtos ostentando marcas em condições e preços que sugerem a possibilidade de serem contrafeitos. A atuação da Receita Federal se restringe, por força de lei, a contrafeitos (vulgo piratas) de origem estrangeira, e o órgão programa suas ações de maneira a oferecer o máximo de retorno para a sociedade com os recursos que dispõe. Caso as mercadorias de que trata o levantamento sejam importadas, os vendedores e importadores estarão sujeitos a apreensão das mercadorias e outras sanções por ocasião de uma fiscalização da Receita Federal", diz a nota.
A PF declarou que "não investiga as lojas onde são vendidas as mercadorias, mas sim as pessoas que trazem esse material." Segundo a Polícia Federa, seu foco de atuação "é o transporte em grande volume nas fronteiras, principalmente no Paraná e Paraguai e no Aeroporto Internacional de Guarulhos", na Grande São Paulo, onde realiza constantemente operações e investigações.
Já a Polícia Civil se posicionou por meio de nota encaminhada ao G1 pela Secretaria da Segurança Pública (SSP). O comunicado informa que a 1ª Delegacia da Divisão de Investigações Gerais (DIG) do Departamento Estadual de Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e a 1ª Delegacia Seccional Centro fazem operações de combate às falsificações nas áreas citadas no levantamento.
"Atuam no combate aos crimes envolvendo falsificação (contrafação), violação de direito autoral e crimes contra a marca, através de investigações que possibilitam o mapeamento das regiões com maior incidência de comércio dos produtos piratas, inclusive as mencionadas pela reportagem", informa a nota da SSP.
Segundo a pasta da Segurança, no primeiro semestre deste ano, a 1ª Seccional fez 189 flagrantes de violação de direito autoral e apreendeu 120.898 objetos.
Em 2015, o Deic realizou 45 operações, apreendendo 5 milhões de produtos. "Esse ano já apreenderam um milhão e meio de objetos." De acordo com a Secretaria, quem for pego vendendo produto pirata por ser condenado a penas de "um mês a um ano de detenção".
A reportagem também procurou a Prefeitura de São Paulo, que informou que a fiscalização dos objetos piratas é feita pela Guarda Civil Metropolitana (GCM), mas nas ruas e não dentro de shoppings.
Shopping Market Place, na Avenida Paulista (Foto: Kleber Tomaz / G1)Shopping Market Place, na Avenida Paulista, também comercializa falsificações, de acordo com o relatório (Foto: Kleber Tomaz / G1
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Economista que estuda crime avalia que presídios são 'imprescindíveis'

Especializado em economia do crime, professor da Furg avalia que penitenciária privada pode ser saída de emergência, mas pode custar caro

Resultado de imagem para fotos Por: Marta Sfredo

Por: Marta Sfredo
08/09/2016 - 04h03min | Atualizada em 08/09/2016 - 04h03min




Graduado em Ciências Econômicas pela Fundação Universidade Federal do Rio Grande (1998) e doutorado pela UFRGS, Cristiano Aguiar de Oliveira dedica-se a estudar temas pouco comuns entre seus colegas economistas: crime, violência e vitimização, com um olhar mais amplo para a vida nas cidades e crescimento econômico. Neste momento em que a prioridade mais urgente é a segurança, todas as abordagens para obtê-la são necessárias, por isso e a coluna procurou Cristiano para dar sua contribuição, sob um ponto de vista mais racional em meio a tanta controvérsia.
O que é economia do crime, e por que estudá-la?
A economia do crime parte do pressuposto de que qualquer indivíduo é um potencial criminoso se o benefício for maior do que o custo. A partir daí, tudo começa a ser discutido. Dentro dos custos, podemos incluir vários indicadores, como renda e emprego. Colocamos esses aspectos no que chamamos de custos de oportunidades. Por exemplo, o indivíduo tem uma alternativa no mercado legal e outra no mercado ilegal. Por que ele opta pelo ilegal? Quando o desemprego aumenta, há mais pessoas com custo de oportunidade menor. A pessoa não teve chance, não teve oportunidade. Ou seja, tem baixo custo de entrada na criminalidade.
Isso significa que a crise econômica tem peso no aumento da criminalidade?
Provavelmente a crise tenha efeito. Mas temos que ter cuidado. Em uma crise de desemprego, quando as pessoas migram do setor legal para o ilegal, há um custo. Esse custo envolvido é de execução e planejamento do crime. As pessoas, depois de perderem o emprego, não saem roubando. É claro que a pessoa com antecedentes tem facilidade maior de voltar a esse mercado.
É conhecimento acumulado no crime?
Isso. Essa pessoa sabe como praticar crimes. Mas tenho muita restrição ao pensamento de que o aumento de roubos está ligado a uma questão econômica. Também tem relação com outros fatores. No roubo, não é apenas a questão do crime em si. O criminoso que se envolve com essa atividade, que é violenta, tem em mente que poderá encontrar reação. É claro que tem uma vantagem muito grande, que os economistas chamam de first move advantage (a vantagem do primeiro movimento). Ou seja, o criminoso escolhe quem vai roubar. Obviamente, há uma uma faixa da população mais vulnerável, crianças, idosos, adolescentes, mulheres.
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Quais são os fatores não relacionados à crise econômica?
Um é a punição. Encaramos a punição de duas formas, a severidade e a probabilidade. Se pensarmos nesse período recente, houve poucas mudanças nas punições. Nada que significasse mudança radical no volume de crimes. Está mais associada à probabilidade da punição. Envolvem várias etapas, desde identificação do indivíduo, inquérito, processo no Ministério Público, sistema carcerário. Um emaranhado que é bem mais complexo.
Quanto maior a impunidade, maior o incentivo ao crime?
Esse é outro aspecto que estudamos, o crime como uma carreira. Ninguém pratica roubos de forma esporádica. Tanto em furtos quanto em roubos, temos vários criminosos de carreira. Optaram por essa atividade como trabalho. A incapacitação que a prisão traz seria um instrumento importante para redução da criminalidade. Não no sentido de colocar essas pessoas na cadeia para sempre. Nesse sentido, não podemos esquecer que prender tem custo, e bastante alto, para a sociedade, que paga em tributos. Estudos mostram que as carreiras no crime não duram muito. Os levantamentos mais generosos apontam para 12 anos. Dependendo do tipo de crime, oito anos. O criminoso acaba preso ou morre. Essa análise levaria à conclusão de que não faz muito sentido prender por muito tempo essa pessoa porque a carreira não duraria muito. Vários dos indivíduos com mais 30 anos, por exemplo, desistiram. Morreram, foram presos ou, por questão de vida, mudaram de comportamento. Tem uma faixa etária crítica, de 18 a 25 anos, em que a maior parte da criminalidade se concentra.
Como a economia do crime vê os sistemas prisionais?
Duas coisas são relevantes nessa questão. Existe um mercado de crime, de demanda e oferta. Há um potencial a ser roubado, que dá dinheiro. Quando uma pessoa é presa, há espaço para que outra ocupe esse lugar. Policiais costumam dizer que, ao prender alguém por tráfico de drogas, enxugam gelo. Todos os crimes têm mercado, e o encarceramento apresenta os seus limites. A taxa de encarceramento tem de ser maior do que a taxa de pessoas dispostas a entrar nesse tipo de crime. No tráfico, fica evidente um grande problema. Quase metade de um centro prisional é formada por detentos por drogas, e, mesmo assim, o volume só aumenta na sociedade. O encarceramento não acompanha o ritmo. Em outros crimes, como roubos e furtos, funciona melhor. Roubo é um crime que preocupa muito a sociedade. O criminoso não leva só carteira, celular, também deixa um trauma na vítima. A incapacitação seria uma forma de reduzir esse tipo de crime. O que vemos na literatura é que o encarceramento reduz criminalidade. Mas tem que ser em volume suficiente para desincentivar o crime.
É mais difícil criar mecanismos contra crimes esporádicos?
A sociedade reage, as pessoas mudam hábitos. Alguns números mostram como os indivíduos reagem diante da alta criminalidade. Segundo a Pesquisa Nacional de Vitimização, com dados ainda de 2012, 77% dos entrevistados não saíam de casa com muito dinheiro, 73% evitavam locais desertos, e 67% procuravam não sair à noite ou voltar tarde para casa. Além disso, 54% deixaram de ir a alguns locais, 52% evitavam pontos com grande concentração de pessoas, 45% não iam a certos bancos, e 25% evitavam algum meio de transporte coletivo. Ou seja, as pessoas perdem liberdade com o aumento dos crimes.
O que funciona melhor, presídios com controle público ou privado?
Nos Estados Unidos, há incentivos para o sistema privado. Criou-se a ideia de que, quanto mais presos, e mais tempo ficassem atrás das grades, seria melhor. As empresas fizeram lobby muito forte no Congresso americano para que não houvesse redução das penas, nem redução da possibilidade de punição. Estava ficando muito caro. No Brasil, estamos em estágio muito diferente. Há um déficit prisional enorme. O Estado não tem recursos para novos complexos de detenção. Uma das grandes barreiras para construção de presídios é a escolha dos locais. Municípios não querem receber presídios. O Estado não tem como criar sistemas de incentivos para que as cidades os recebam. E não conseguimos construir. Temos que resolver esse nó. Se o presídio vai ser público ou privado, pouco interessa. Precisamos hoje, e isso é inquestionável, de presídios. Podemos discutir o que vai sair mais barato para o Estado. Se o governo não tem recursos, a iniciativa privada é uma alternativa. Pensando no Rio Grande do Sul, talvez essa fosse a melhor opção. Mas, com o tempo, a tendência é de que os presídios privados fiquem mais caros.
Por quê?
Devido a uma série de fatores. Há incentivos para manter as pessoas mais tempo presas. E os presídios privados ofereceriam uma qualidade de serviços melhor do que a prestada pelo Estado. Não haveria tantas fugas, por exemplo.
Qual o papel da segurança privada em momentos de aumento na criminalidade?
É uma questão difícil. A segurança privada hoje tem um efetivo três vezes maior no Brasil do que o efetivo da segurança pública. Temos três pessoas na segurança privada para uma na pública. Complementa o trabalho na prevenção. Os dispositivos observáveis, como guaritas, sistemas de alarme visíveis, não têm efeito sobre o crime como um todo. As não observáveis podem diminuir a criminalidade porque o criminoso não sabe se as possíveis vítimas têm essas tecnologias. Pode fazer com que ele não cometa o crime. A segurança privada não substitui a segurança pública no pós-crime. É, na verdade, pré-crime. O nosso maior problema hoje está no pós-crime, que concentra tudo: polícia, perícia, tempo de resposta. Tudo isso é importante para reduzir essas ações. Mas é um processo muito complicado. Em alguns casos, é difícil materializar as provas. Isso explica, em grande parte, por que temos tantas prisões que envolvem drogas, cujas provas são fáceis de apontar.
O mercado de receptação é outro incentivo para o crime?
Sem dúvida. Enquanto houver gente comprando, haverá gente ofertando. Quem vende algo roubado precisa de um fornecedor, de alguém que cometa os crimes.
Qual a contribuição dos estudos sobre a economia do crime?
A forma de montar raciocínios, a capacidade de atacar os pontos que consideramos frágeis ou que precisam ser melhorados. Vale ressaltar que essa análise de custo-benefício não funciona para uma série de crimes, principalmente os muito violentos, que envolvem fatores como impulsos e questões passionais, que estão além do raciocínio lógico. Temos uma quantidade absurda de crimes. No Rio Grande do Sul, foram mais de 60 mil roubos e mais 165 mil furtos em 2014. No Brasil, mais de 1 milhão de roubos por ano, segundo números de 2013. Hoje devemos estar na casa de 1,5 milhão. Ninguém faz isso por impulso nessa quantidade. A economia do crime ajuda a entender os comportamentos. 

É mais importante que as penas sejam cumpridas do que agravadas?
Sem dúvida. E alterar a probabilidade de punição. O indivíduo deve enxergar que existe punição. Mas isso não é a única solução. São muitas necessidades. Não há solução mágica. Não basta mudar a legislação de armas, modificar a maioridade penal. Temos de atacar essa situação em várias frentes, entre as quais a econômica, com emprego, renda e oportunidades. É óbvio que isso também é importante. Faz parte do conjunto, que também leva em conta as punições. 



De Paraolimpíada a Paralimpíada: por que a mudança?

Jefferson Puff - @_jeffersonpuff
  • Há 2 horas
O atleta cadeirante Aaron "Wheelz" Fotheringham deu um mortal através do 0 que encerrava a contagem regressiva para o evento.Image copyrightGETTY IMAGES
Image captionA autoridade máxima do esporte paralímpico deixa claro que é mesmo incorreto se referir à competição como 'Paraolimpíada'
No primeiro dia de competições dos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro, mais de 4 mil atletas de 159 países começam a disputar 528 medalhas distribuídas em 23 modalidades. Em sua 15ª edição, a Paralimpíada já vendeu mais de 1,6 milhão de ingressos e pode tornar-se a segunda com maior público da história.
Mas afinal, por que o megaevento passou a ser chamado de Paralimpíada e não mais Paraolimpíada? Há certo e errado?
A BBC Brasil consultou o Comitê Paralímpico Internacional (CPI) e o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) em busca da resposta e confirmou que até 2011 no Brasil as competições eram chamadas oficialmente de "Paraolimpíada" ou "Jogos Paraolímpicos", e que os participantes eram conhecidos como "atletas paraolímpicos".
Em 2011, no entanto, após os Jogos Panamericanos de Guadalajara, no México, o CPI determinou que todos os comitês nacionais padronizassem o termo "Paralimpíada" e por consequência "Jogos Paralímpicos" e "atletas paralímpicos". O comitê brasileiro acatou a determinação e mudou a terminologia.
Contactado pela BBC Brasil, o Comitê Paralímpico Internacional esclareceu que, desde sua fundação em 1989, usa o termo "Paralímpiada", do inglês "Paralympics", e que nunca se referiu às competições de outra maneira, mas que alguns países optavam por "Paraolimpíada" por questões linguísticas.
Nadador Clodoaldo Silva percorre rampas antes acender piraImage copyrightGETTY IMAGES
Image captionComitê Paralímpico Internacional orientou países sobre a grafia correta do nome dos Jogos
Segundo o CPI, atualmente todos os países que participam dos Jogos já seguiram a determinação e adotam o termo "Paralimpíada". Ou seja, para quem ainda tinha dúvidas, a autoridade máxima do esporte paralímpico deixa claro que é mesmo incorreto se referir à competição como "Paraolimpíada".
Já a história do termo não é tão clara assim. O CPI explica que as origens exatas do termo "Paralimpíada" não são conhecidas e não se sabe quando nem quem usou o termo pela primeira vez, nem o sentido original da palavra quando foi cunhada.
A interpretação atual do CPI é a de que o prefixo grego "para", que significa "paralelo", ou "ao lado", somado à palavra "Olimpíada" formam o termo "Paralimpíada" indicando que o megaevento acontece "em paralelo à Olimpíada" e que os dois movimentos do esporte internacional convivem lado a lado.
Mas a inspiração pode ter sido outra. O próprio CPI indica que no início do movimento paralímpico, em 1948, logo após a Segunda Guerra Mundial, a ideia possa ter sido juntar as palavras "paraplégico" e "Olimpíada", dando origem ao neologismo "Paralimpíada".

De 1948 a 2016

Da primeira edição dos Jogos Paralímpicos, em 1960, em Roma, até a 15ª, no Rio de Janeiro, muita coisa mudou no esporte paralímpico internacional, que ganhou força ao longo dos anos e em 2012, em Londres, chegou a atrair público recorde de 3 milhões de ingressos vendidos.
No Brasil, embora inicialmente as vendas tenham sido consideradas um fracasso, nesta quarta-feira o Comitê Rio 2016 confirmou 1,6 milhão de bilhetes vendidos e contemplou a possibilidade de ultrapassar a marca de Pequim 2008, com 1,7 milhão vendidos, o que colocaria o Rio como a segunda Paralimpíada com maior público da história.
Delegação brasileira na ParalimpíadaImage copyrightGETTY IMAGES
Image captionApesar da primeira edição da Paralimpíada ter ocorrido em 1960, na Itália, a Alemanha já tinha clubes de esportes para surdos desde 1888
Se em 1960 eram 400 atletas de 23 países, hoje o megaevento reúne mais de 4 mil atletas de 159 países. Os Jogos Paralímpicos de Inverno, realizados pela primeira vez em 1976, na Suécia, também ganharam força ao longo dos anos e em sua última edição, em 2014, em Sochi, na Rússia, reuniram 547 atletas de 45 países.
Apesar da primeira edição da Paralimpíada ter ocorrido em 1960, na Itália, a Alemanha já tinha clubes de esportes para surdos desde 1888 e a partir de 1948, no Reino Unido, o esporte paralímpico começou a tomar forma.
Por ordem do governo britânico, em 1944, o médico Ludwig Guttmann abriu um centro de reabilitação no hospital Stoke Mandeville e pouco depois o trabalho passou a incluir competições esportivas com atletas em cadeiras de rodas.
No dia da abertura da Olimpíada de Londres de 1948, Gutmann organizou a primeira competição de tiro em cadeira de rodas, reunindo 16 pacientes que haviam passado por reabilitação, incluindo homens e mulheres.
De 1948 a 1960 o evento continuou ocorrendo a cada quatro anos sob o nome de "Jogos de Stoke Mandeville" e de 1960 a 1988, apesar de já batizada de Paralimpíada, a competição ainda não ocorria nas mesmas cidades da Olimpíada e, portanto, não usava as mesmas arenas e centros esportivos construídos para os Jogos Olímpicos.
Isso só passou a ocorrer a partir dos Jogos de Seul, na Coreia do Sul, em 1988, e dos Jogos de Inverno de Albertville, na França, em 1992, quando o Comitê Paralímpico Internacional, ainda em fase de criação, travou um acordo com o Comitê Olímpico Internacional (COI), dando início à Paralimpíada da forma como a conhecemos hoje.

Apple apresenta seus novos smartphones: iPhone 7 e 7 Plus

O novo iPhone é resistente à água e foi apresentado hoje em evento nos Estados Unidos


 postado em 07/09/2016 16:55 / atualizado em 07/09/2016 18:50
 France Presse

A Apple apresentou nesta quarta-feira duas novas versões de seu famoso iPhone, em um lançamento que busca atrair mais usuários em um mercado global cada vez mais saturado.

O iPhone 7 e o iPhone 7 Plus, com nova tecnologia de câmera, resistência à água e outras características, foram apresentados em um evento em São Francisco.


Tensão na Apple




Resultado de imagem para fotos Apple apresenta seus novos smartphones: iPhone 7 e 7 PlusA Apple apresentou nesta quarta-feira (7) seu novo modelo de iPhone em um contexto tenso, após o escândalo sobre seus impostos e com a queda das vendas de seu smartphone.

A marca da maçã apresentou duas novas versões de seu famoso iPhone, com nova tecnologia de câmera, resistência à água, GPS e outras características - um lançamento que busca atrair mais usuários em um mercado global cada vez mais saturado.

"Desde o início desenhamos o Lightning para ser um grande conector de áudio", disse o vice-presidente da Apple, Phil Schiller, no evento.

"Estamos mudando os fones do iPhone 7 e do 7 Plus para o Lightning, e incluindo-os na caixa com o dispositivo. Também fizemos um adaptador, que estará igualmente na caixa", completou.

Embora a companhia americana controle somente 12% do mercado mundial de smartphones - bem menos do que os 22% de sua grande rival Samsung, de acordo com dados para o segundo trimestre da empresa IDC -, o novo modelo do famoso telefone era muito aguardado pelos fãs e gera especulações há meses.

Sem apresentar uma verdadeira revolução, além das características mencionadas, o iPhone 7 conta com um processador mais potente.

Uma das mudanças mais significativas, que poderá incomodar alguns consumidores, é a eliminação do jack para fones de ouvido, o que vai exigir que o conector seja o multifuncional Apple Lightning, ou um sem fio.

A atualização do iPhone é bem mais cuidadosa neste ano, em que, pela primeira vez desde que o primeiro modelo foi lançado em 2007, as vendas caíram por dois trimestres consecutivos.

Considerando-se o enorme peso do smartphone nos resultados da Apple, o retrocesso afeta o volume de negócios e os lucros, que sofreram uma queda de 15% e 27%, respectivamente, no trimestre encerrado no final de junho.

A Samsung, sua grande concorrente, parece resistir melhor, porque conseguiu aumentar suas vendas graças ao lançamento de dois novos modelos, os Galaxy S7 e S7 Edge. No segundo semestre, porém, poderá sofrer as consequências pela explosão das baterias de seu outro novo modelo, o Galaxy Note 7, que teve milhões de aparelhos recolhidos.

À espera do próximo hit
Resultado de imagem para fotos Apple apresenta seus novos smartphones: iPhone 7 e 7 Plus

"Os novos iPhone não gerarão o mesmo nível de interesse entre os consumidores que os modelos anteriores, mesmo se a demanda inicial for sólida", adiantou Karissa Chua, analista da Euromonitor.

Apesar disso, Chua acredita que a força da marca ajudará a Apple a obter acordos com fornecedores para que mantenha suas margens e aumentem o atrativo de outros serviços, como a Apple Pay.

A apresentação de uma versão melhorada, resistente à àgua, do Apple Watch, o único dispositivo lançado desde o iPad, deve reforçar o ecossistema Apple. Mas provavelmente não será "o novo produto revolucionário de que a Apple precisa", alerta Thomas Husson.

O próximo hit da marca ainda é aguardado, apesar de rumores de projetos de televisão, automóveis, ou de realidade aumentada.

O marketing em torno do lançamento do novo iPhone coincide também com a campanha da Apple contra a multa fiscal de US$ 14,5 bilhões imposta na Europa.

O presidente-executivo da companhia, Tim Cook, classificou como "lixo político" a multa da Comissão Europeia. Na semana passada, o órgão exigiu da companhia o reembolso à Irlanda de uma quantia que, segundo os europeus, corresponde a "benefícios fiscais indevidos".

A Apple e a Irlanda decidiram recorrer da decisão, uma medida criticada pela oposição nesse país.

"Queremos companhias como a Apple na Irlanda, mas isso não quer dizer que devemos fazer vista grossa para a evasão fiscal", afirmou Gerry Adams, líder do partido Sinn Fein, em um debate parlamentar.

Dublin quer manter a imagem de um país favorável às empresas, com um imposto às sociedades de apenas 12,5%. A Comissão Europeia denuncia que a Apple gozou, porém, de um imposto de somente 1% sobre seus lucros europeus em 2013, o qual despencou para 0,005% em 2014.