terça-feira, 6 de setembro de 2016

Dilma encontra apoiadores após desembarcar no Rio Grande do Sul

06/09/2016 19h24 - Atualizado em 06/09/2016 21h47

Ex-presidente chegou à Base Aérea de Canoas em avião da FAB.
Ela seguiu de carro para a capital gaúcha, onde vivem familiares.

Guacira MerlinDa RBS TV
A ex-presidente Dilma Rousseff chegou ao Rio Grande do Sul no início da noite desta terça-feira (6). Sob chuva fina, ela desembarcou pouco depois das 19h em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) na Base Área de Canoas, na Região Metropolitana, onde encontrou um grupo de apoiadores que prestaram homenagem a ela, entregando flores.
Cerca de 30 militantes, com bandeiras do PT, estavam à espera de Dilma. De Canoas, Dilma seguiu de carro para a Zona Sul da capital gaúcha, onde tem um apartamento e onde parte de sua família mora.
Dilma deixou o Palácio da Alvorada, em Brasília, por volta das 15h30. Ela vivia na residência oficial da Presidência desde janeiro de 2011, quando assumiu o primeiro mandato.
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Dilma Rousseff é recebida por manifestantes e apoiadores na Base Aérea de Canoas (Foto: José Carlos Daves/Futura Press/Estadão Conteúdo)Dilma Rousseff é recebida por manifestantes e apoiadores na Base Aérea de Canoas (Foto: José Carlos Daves/Futura Press/Estadão Conteúdo)
Na capital gaúcha vivem a filha dela, Paula Araújo, o genro e os dois netos, além do ex-marido Carlos Araújo. Embora tenha nascido em Belo Horizonte (MG), a ex-presidente construiu sua carreira política em Porto Alegre. Ela disse na última sexta (2), porém, que pode "passar um tempo" no Rio de Janeiro, onde a mãe, Dilma Jane, mora.
"Não ficarei em Brasília porque pretendo ir para Porto Alegre e tenho a possibilidade de ficar um tempo no Rio porque minha mãe mora tradicionalmente no Rio de Janeiro", declarou Dilma a veículos estrangeiros na sexta.
Na última quarta (31), o Senado aprovou, por 61 votos a 20, o impeachment de Dilma. Ela foi condenada sob a acusação de ter cometido crimes de responsabilidade fiscal – as chamadas "pedaladas fiscais" no Plano Safra e os decretos que geraram gastos sem autorização do Congresso Nacional.
Apesar disso, os senadores decidiram, em uma segunda votação, manter a petista habilitada para ocupar cargos públicos. Michel Temer assumiu como Presidente da República.
Visita de senadores
Por volta de 9h30 desta terça (6), seguranças fecharam a área de entrada do Palácio da Alvorada. A medida, segundo eles explicaram, era para evitar a aproximação de manifestantes.
Dilma deixou em definitivo o Palácio da Alvorada, em Brasília, e seguiu para Porto Alegre (RS) (Foto: André Dusek/Estadão Conteúdo)Dilma deixou em definitivo o Alvorada e seguiu para
Porto Alegre (Foto: André Dusek/Estadão Conteúdo)
Os senadores do PT, mesmo partido de Dilma, Lindbergh Farias (RJ) e Jorge Viana (AC) fizeram visita à ex-presidente no palácio no final da manhã desta terça. Na saída, eles conversaram com os manifestantes que esperavam a saída de Dilma.
Os senadores ainda afirmaram à imprensa que Dilma está tranquila e que seguirá para Porto Alegre para ficar com a família.
"Essa mulher [Dilma] é de uma força impressionante", disse Lindbergh. "Ela sai daqui de cabeça erguida, como lutou no Senado Federal, como lutou toda a sua vida".
O ex-ministro do Desenvolvimento Agrário dos governos Lula e Dilma, Miguel Rosetto, também esteve com Dilma nesta manhã e também falou com manifestantes, que estavam do lado de fora do Alvorada.
De bonés e bandeiras vermelhas, os manifestantes pediram novas eleições e gritaram palavras de ordem como "Dilma guerreira da pátria brasileira" e "fora Temer".
Servidores
Segundo o Decreto 6.381/2008, após o impeachment, Dilma terá direito a manter oito servidores de sua livre escolha para os seguintes serviços: segurança e apoio pessoal (quatro), assessoria (dois), e motorista (dois). Dois carros oficiais também serão disponibilizados para Dilma.
O decreto também estabelece que os funcionários que vão trabalhar com Dilma serão nomeados em cargos comissionados vinculados à Casa Civil.
A remuneração desses servidores também está prevista no decreto. Dois ocuparão cargos de Direção e Assessoramento Superior (DAS) nível 5 (remuneração mensal de R$ 11.235,00); dois, nível 4 (R$ 8.554,70); dois, nível 2 (R$ 2.837,53); e outros dois, nível 1 (R$ 2.227,85).
Conforme a TV Globo apurou, Dilma teve direito a retornar para Porto Alegre em avião da Força Aérea Brasileira (FAB). Além disso, a União deverá custear as despesas com a transferência do acervo da ex-presidente para a capital gaúcha.

Maia diz que votação de parecer sobre Cunha só iniciará com 420 deputados

06/09/2016 17h51 - Atualizado em 06/09/2016 19h17

Votação final do processo de cassação está marcada para o dia 12 deste mês.
São necessários 257 votos a favor da cassação para ele perder o mandato.

Do G1, em Brasília

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), fala a jornalistas da votação do processo sobre Eduardo Cunha (Foto: Sara Resende/G1)O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), fala a jornalistas da votação do processo sobre Eduardo Cunha (Foto: Sara Resende/G1)
O presidente da Câmara do Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse nesta terça-feira (6) que a votação do parecer que recomenda a cassação do ex-presidente da Casa Eduardo Cunha(PMDB-RJ) só será iniciada com a presença de no mínimo 420 parlamentares em plenário.
A votação que irá decidir sobre a cassação do mandato do peemedebista está agendada para a próxima segunda-feira (12). O parecer do Conselho de Ética, que pede a perda de mandato do peemedebista, o acusa de quebra de decoro parlamentar sob o argumento de que mentiu na CPI da Petrobras a respeito da existência de contas na Suíça em seu nome.
"Vou votar [o parecer] com pelo menos 420, mas espero de 460 a 470 deputados na Casa no dia da votação", afirmou Maia, que disse ter certeza de que haverá quórum na próxima segunda.
Serão necessários 257 votos entre os 512 deputados em exercício para determinar a perda do mandato do deputado do PMDB. O quórum mínimo para que a sessão seja aberta também é de 257 parlamentares.
A sessão está prevista para ter início às 13h, mas os deputados devem analisar quatro medidas provisórias antes de o processo sobre Cunha ser colocado em votação.
De acordo com Rodrigo Maia, todas as decisões relacionadas à sessão, inclusive a possibilidade de fatiamento da votação, serão discutidas em plenário. Há a possibilidade de que, assim como na votação do impeachment de Dilma Rousseff, Cunha consiga manter a elegibilidade, mesmo com a perda de mandato.
No julgamento da petista no Senado, a votação do impeachment foi fatiada em duas. Os senadores decidiram pela perda do mandato presidencial, mas, na segunda votação, mantiveram o direito de ela exercer cargos públicos.
"Não haverá nenhuma decisão isolada minha. Toda as decisões serão tomadas pela maioria do plenário. Não haverá nenhuma decisão monocrática do presidente. [...] O presidente do Supremo decidiu sozinho e vocês geraram polêmica, então é importante que o plenário decida. Vou ser apenas o árbitro", afirmou o presidente da Câmara.
Deputados
O primeiro secretário-geral da Mesa, deputado Beto Mansur (PRB-SP), classificou como "exótica" a votação de impeachment no Senado. Para ele, a Câmara não deve repetir o "erro" cometido pela outra Casa Legislativa.
"A votação vai ser decidida dentro daquilo que normalmente acontece na Câmara dos Deputados nas últimas votações de cassação de mandato parlamentar. Essas questões que aconteceram, por exemplo, no Senado, questões exóticas no meu entender, inclusive eu tenho o entendimento de que aquilo que está escrito na Constituição não cabe absolutamente nenhuma destaque. Na minha opinião o Senado cometeu um erro, mas isso não deve se repetir na Câmara dos Deputados", destacou Mansur.
O líder do DEM na Câmara, Pauderney Avelino (AM), concordou com o primeiro secretário ao dizer que o parecer deve ser votado independente de questões de ordem.
Em contrapartida, o aliado de Cunha, deputado Carlos Marun (PMDB-MS) prometeu apresentar uma questão de ordem com o objetivo de transformar o parecer em projeto de resolução, que permite a criação de destaques. Assim, a votação de cassação de Cunha pode ser dividida em duas.
"Deve ser votado um projeto de resolução. Querem cassar? Cassem. Mas dentro da legalidade. Apresentarei [a questão de ordem] porque é legal", afirmou
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Outubro: pagamento de servidores federais será em conta-salário

Trata-se de um tipo especial de conta que não pode receber outros tipos de depósito a não ser da entidade pagadora



ECONOMIA PLANEJAMENTOHÁ 15 HORAS
POR NOTÍCIAS AO MINUTO


O Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão informou nesta segunda-feira (5) que, a partir do contracheque de setembro, a ser pago em outubro, o pagamento de servidores ativos, aposentados e pensionistas do Executivo Federal será depositado somente em conta-salário. A medida também se aplica ao pagamento de benefícios de anistiados políticos.


Segundo o Planejamento, o crédito será transferido da conta-salário para a conta-corrente ou poupança do servidor, sem a necessidade de qualquer providência dos funcionários públicos. A conta-salário, exigência do Banco Central, serve como garantia de que o pagamento foi efetuado.
Trata-se de um tipo especial de conta que não pode receber outros tipos de depósito a não ser da entidade pagadora. Além disso, não é movimentável por cheques e não pode ser aberta a pedido do próprio titular. A iniciativa de abertura é do empregador, que contrata um banco para fazê-lo.
A conta-salário foi uma das exigências de edital de credenciamento de bancos lançado pelo Ministério do Planejamento. Após o edital ficaram responsáveis pela folha de pagamento dos servidores, a partir de janeiro deste ano: Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Santander, Banrisul, Bradesco, Itaú, HSBC, Banese, Cecoopes, Sicredi e Bancoob.
Numeração
Algumas instituições devem adotar a mesma numeração da conta-corrente ou poupança para a conta-salário, a exemplo do Banco do Brasil, que já usa numeração única. No entanto, destaca o Planejamento, dependendo do banco, poderão ocorrer alterações nos códigos de conta e agência bancária. Nesse caso, os novos números constarão nos contracheques.
O ministério do Planejamento destacou, por fim, que, por se tratar de procedimento em início de implantação, “falhas pontuais” podem ocorrer, como demora na transferência do crédito para conta-corrente ou poupança. “Nesse caso, o interessado deve informa o problema à sua agência”, diz nota do órgão.
O ministério orienta servidores e beneficiados que tiverem dúvidas sobre o pagamento por conta-salário a procurar as unidades de gestão de pessoas do órgão a que estão vinculados. Com informações da Agência Brasil.

Cunha vai ligar para 300 deputados e tentar evitar cassação

Com julgamento marcado para dia 12, o peemedebista tenta de tudo para não ser cassado



POLÍTICA CONCHAVOHÁ 3 HORAS
POR NOTÍCIAS AO MINUTO

A primeira tentativa de contato com os deputados foi o envio de cartas reafirmando sua defesa, mas agora, há seis dias de seu julgamento, Eduardo Cunha (PMDB) ligará pessoalmente para os 300 Deputados Federais para pedir voto contra sua cassação. A informação é da coluna Painel, da Folha de S. Paulo.

No documento enviado na semana passada, o peemedebista diz que sua punição já ocorreu ao ter que renunciar à presidência da Câmara, em julho, e, que sua cassação vai "destruir a vida dele e da família", segundo o jornal O Estado de S. Paulo.
Cunha foi suspenso do exercício parlamentar e da presidência da 









NA REDE De uma Diretas Já a outra, o sentido da luta

É fundamental atualizar cotidianamente a ilegitimidade do governo golpista, recolocando na consciência dos brasileiros o direito de decidir sobre que país queremos

por Emir Sader, para a RBA publicado 06/09/2016 08:43, última modificação 06/09/2016 08:45
Diretas Já
As Diretas Já voltam à ruas. Tucanos e peemedebistas que estavam com o povo em 1984 hoje estão com o golpe
O lema Diretas Já volta à atualidade brasileira, para expressar a vontade do povo de se reapropriar do direito de decidir os destinos do país. Foi o lema fundamental da fase final da luta contra a ditadura e naquele momento significava a rejeição da eleição do primeiro presidente civil depois da ditadura fosse feita por um Colégio Eleitoral recheado de membros biônicos nomeados pela ditadura.
Era a denúncia do caráter ilegítimo do governo que não surgisse do voto popular, expropriado dos brasileiros desde 1964 pelo golpe. Derrotada a Diretas Já, que teve ampla maioria no Congresso, mas sem chegar aos dois terços necessários para mudar a Constituição imposta pela ditadura, veio o governo ilegítimo escolhido pelo Colégio Eleitoral, que acabou colocando na presidência José Sarney, ex-presidente da Arena, o partido da ditadura e que havia comandado, desde o governo militar, a campanha contra as Diretas Já. Era o primeiro presidente do PMDB, eleito sem voto popular
A derrota das Diretas Já teve graves consequências para a restauração da democracia no Brasil. Houvesse eleições naquele momento, muito provavelmente o primeiro presidente civil depois da ditadura seria Ulysses Guimarães, que colocaria em prática o programa do PMDB, que previa não apenas a restauração da democracia, mas também reformas estruturais que democratizassem a economia e as relações sociais no país.
A derrota das Diretas Já fez com que se impusessem uma aliança entre o novo e o velho, as forças que haviam dirigido a luta contra a ditadura e as que apesar de conservadoras, simplesmente não concordavam com o candidato da ditadura – Paulo Maluf. Esse híbrido, que acabou comandado por Sarney, fez da transição um processo formal, vazio, sem conteúdo econômico e social.
Houve um outro presidente originário do PMDB, que assumiu a presidência sem voto, Itamar Franco, que teve a infeliz ideia de entregar a FHC o comando da economia do país, com as consequências funestas que se conhece.
Só bem mais tarde, com os governos do PT, já entrado o novo século, se iniciou um processo de democratização social.
Agora, diante do golpe que levou outro peemedebista sem voto à presidência, a campanha das Diretas Já volta com força. De novo, representa o direito do povo de decidir, pelo seu voto, os destinos do Brasil.
Quem assumiu o cargo de presidente o fez pela usurpação, mediante um processo sem fundamento constitucional e para impor não o programa pelo qual foi eleito duas vezes vice-presidente, mas o programa que foi derrotado quatro vezes nas urnas – portanto, um golpe. O direito do povo de decidir o futuro do país se coloca de novo com força, sob o lema das Diretas Já.
Até que se consumasse o golpe no Senado, não havia consenso entre todas as amplas forças que lutaram pela democracia, sobre o melhor caminho para tentar impedi-lo. Entre a luta simplesmente pela conclusão do mandato da Dilma, a proposta de uma consulta sobre os destinos do país e a de novas eleições, houve dispersão de forças. Agora o quadro ficou claro, não há via de luta senão por novas eleições.
Não importa se é difícil imaginar como se aprovaria essa nova eleição direta. Com esse Congresso, seria absolutamente impossível. Tampouco com esse STF.

No G20, Temer dá 1º passo em 'processo longo' de consolidação internacional como presidente Mariana Schreiber Enviada especial da BBC Brasil a Hangzhou (China)

Líderes do G20Image copyrightAGÊNCIA BRASIL
A 11ª cúpula do G20 - grupo que reúne as maiores economias do mundo - acabou nesta segunda-feira, em Hangzhou, na China, com um saldo considerado favorável ao governo de Michel Temer, que busca consolidar sua legitimidade dentro e fora do país.
No entanto, ainda há um longo caminho para trazer o Brasil de volta ao centro da política internacional, como nos anos do governo Lula (2003-2010), apontam analistas. Na cúpula do G20 de Londres, em 2009, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, chegou a dizer que o petista era "o cara".
Além disso, Temer lidera o país com o pior desempenho econômico do bloco, como uma espécie de "doente em recuperação". Se no ano passado a economia brasileira foi a que menos cresceu entre os membros do G20 (com queda de 3,8%), em 2011 seu índice de crescimento (3,9%) tinha ficado à frente de Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha.
Agora, a controversa troca de comando do país e o debacle econômico dos últimos anos acabam desbotando a imagem externa do Brasil, nota Rafael Cortez, cientista político da consultoria Tendências.
A foto oficial do evento acabou ilustrando bem o atual contexto, já que Temer ficou posicionado na ponta, um tanto isolado do núcleo do G20. Um critério que costuma ser usado para determinar a distribuição dos líderes é a antecedência da confirmação no evento - mas o Itamaraty não tinha conseguido confirmar se foi esse o motivo de Temer ter ficado na margem do grupo até a publicação desta reportagem.
  • Em quatro pontos: o que está em jogo para Temer na cúpula do G20?
  • Temer tenta afastar desconfiança sobre importância dos Brics em seu governo
"O legado do Lula era muito positivo. Ele conseguiu transferir parte de sua popularidade interna para o plano internacional. Dilma em algum momento já havia perdido isso, seja por características pessoais, seja porque a economia brasileira já dava sinais de inconsistência ao longo do seu mandato", opina Cortez.
"E agora com o Temer a gente está em um nível ainda mais baixo nesse sentido, mais difícil para que o Brasil se torne um protagonista", avalia.

Sem brilho

O fato de Temer não ter sido eleito diretamente para o cargo de presidente tira o "brilho" da sua autoridade, acredita também Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da FGV.
Ele, no entanto, considera que a participação no G20 foi um bom começo para o novo mandatário do país. Apesar de ter sido confirmado no cargo apenas poucos dias antes da cúpula, Temer realizou cinco encontros bilaterais enquanto esteve em Hangzhou, com os líderes de Arábia Saudita, Espanha, Itália, China e Japão - os dois últimos respectivamente a segunda e terceira economias do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.
Para Stuenkel, os encontros revelam o pragmatismo dos governantes do G20, que buscam estabelecer rapidamente relações com a nova administração brasileira, sem dar muito peso aos debates sobre a legitimidade do processo contra Dilma.
Já o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, aproveitou a cúpula para fazer encontros bilaterais com seus equivalentes de EUA, França e Canadá.
"O fato de Temer ter se reunido agora (com os líderes) demonstra que os outros o reconhecem como presidente legítimo claramente. Mas acima de tudo demonstra também que o Brasil se mostrou importante demais para ser deixado de lado", acredita Stuenkel.
O professor observa que a participação de Temer no G20 - ao aparecer em imagens ao lado dos demais líderes - serve também para reforçar internamente sua autoridade como presidente junto à população brasileira.
Cortez concorda que o G20 representou uma oportunidade para Temer começar a se consolidar internacionalmente. No entanto, ele considera que alguns fatores internos tendem a alimentar a desconfiança sobre a legitimidade de seu governo lá fora.
Um desses elementos, nota, é o fato de o Senado ter decidido fatiar o julgamento de Dilma, votando separadamente sua cassação e a a análise de seus direitos políticos. Os senadores acabaram condenando a petista, mas mantiveram sua elegibilidade.
G20Image copyrightAGÊNCIA BRASIL
Image captionTemer participou do encontro e teve reuniões bilaterais
"Acho que a forma como o impeachment acabou se encerrando dificultou bastante esse processo de se legitimar perante à comunidade internacional. Já era um desafio grande, porque tampouco ficou claro que o processo era legítimo", opina Cortez.
Outro fator negativo para a imagem de Temer no exterior são os protestos que têm ocorrido nos últimos dias, já que acabam contrariando a imagem que ele tem procurado passar de "pacificação do país".
"Ontem (domingo) à noite os jornais do mundo inteiro falaram dos protestos. Isso é um desafio para ele, porque ele quer passar a mensagem de que vai unir o país", concorda Stuenkel.
Presente no G20, Henrique Meirelles minimizou o possível impacto das manifestações sobre a estabilidade do governo. Palco do principal protesto, São Paulo reuniu 100 mil pessoas contra Temer neste domingo, segundo estimativas dos organizadores.
  • Em primeira entrevista pós-impeachment, Dilma minimiza alianças PT-PMDB nas eleições municipais
Meirelles reconheceu que o tamanho da manifestação era "substancial", mas disse que ainda assim representa um sentimento minoritário da população. "É uma manifestação razoável, mas nós já tivemos manifestação de 1 milhão de pessoas no Brasil (a favor do impeachment de Dilma Rousseff)", ressaltou o ministro.
Meirelles disse à BBC Brasil que o foco das conversas de Temer com os outros líderes foi a intensificação da relação econômica, mas reconheceu que a situação política do país também foi "mencionada".
"A finalidade (dos encontros bilaterais) não é meramente atestar a legalidade da evolução dos acontecimentos do país. Todos que estão acompanhando estão vendo que foi um processo constitucional, democrático", afirmou.
"Às vezes pode-se mencionar isso até, digamos assim, por um dever de ofício, faz-se essa menção. Mas a principal finalidade das bilaterais são exatamente, com a mudança da perspectiva econômica do país, um interesse dos países de aumentar as relações comerciais com o Brasil, as relações com investimento".
As principais resistências ao governo Temer partiram de países vizinhos - Venezuela, Equador e Bolívia chamaram seus embaixadores no Brasil após a conclusão do impeachment, em protesto contra a cassação de Dilma.
Já neste fim de semana, o papa Francisco disse, sem fazer menção direta à troca de governo, que o Brasil "atravessa um momento triste" e que não sabia mais se visitaria o país em 2017, como estava planejando.
G20Image copyrightAGÊNCIA BRASIL
Image captionTemer deve ir à Argentina em breve

Próximas viagens

Nos encontros que teve no G20, Temer recebeu convites para visitas de Estado - viagens que em geral envolvem uma grande comitiva, para vários encontros entre autoridades dos países - a China, Japão e Espanha.
Ainda sem data confirmada, deve ocorrer em breve uma vista de Temer à Argentina. No fim do mês, ele também vai a Nova York, para a Assembleia Geral da ONU, quando deve ter mais encontros bilaterais. Já em outubro, ocorre na Índia o encontro dos Brics - grupo de nações emergentes que inclui também China, Rússia, Índia e África do Sul.
Em seus contatos com outros líderes, Temer tem passado como mensagem principal sua intenção de implementar reformas para recuperar o crescimento econômico - entre elas está a proposta de criar um teto que limite a expansão dos gastos públicos, o que depende de aprovação por ampla maioria do Congresso.
Para Stuenkel, o grande desafio de Temer é "convencer a comunidade internacional não de sua legitimidade mas da sua capacidade de aprovar as reformas" para recuperar o crescimento.

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Bumlai volta para a carceragem da PF nesta terça-feira, afirma advogado

06/09/2016 07h48 - Atualizado em 06/09/2016 07h54

Pecuarista estava em prisão domiciliar para tratamento médico em SP. 
Ele deve passar por uma perícia solicitada pelo MPF ainda nesta terça.

Adriana JustiDo G1 PR
Pecuarista José Carlos Bumlai participa de sessão da CPI do BNDES nesta terça (1º) (Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo)Pecuarista José Carlos Bumlai é réu na Lava Jato (Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo)
O pecuarista José Carlos Bumlai vai voltar para a carceragem da Polícia Federal (PF), em Curitiba, nesta terça-feira (6), segundo o advogado Edward de Carvalho. Bumlai foi alvo da 21ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada em novembro de 2015, e está em prisão domiciliar desde março deste ano devido ao tratamento contra um câncer na bexiga.
O pecuarista responde pelos crimes de corrupção passiva, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. Por causa de complicações no tratamento, Bumlai teve o retorno à prisão adiado por duas vezes pelo juiz Sérgio Moro.
Ele deve chegar à carceragem por volta das 10h, segundo o advogado Edward. A defesa disse que o cliente ainda não está totalmente recuperado do tratamento e que existe a suspeita de outro tumor. "Pedimos uma perícia médica", relatou o advogado.
Ainda nesta terça, Bumlai deve passar por outra perícia média solicitada pelo Ministério Público Federal (MPF) para avaliar as reais condições de saúde. O procedimento foi autorizado pelo juiz Sérgio Moro.
"(...) este órgão ministerial [MPF] já apontara as estranhas peculiaridades da situação médica do nominado que, diante da cessação dos motivos que o mantiveram em prisão domiciliar, sem laudos de exames realizados, informara a necessidade de realização de tratamento em suposto problema cardíaco, o que ocorreria por 12 semanas", disse o MPF.
A Procuradoria também diz que as doenças surgiram só depois do decreto de prisão. "Causa ainda maior perplexidade a reiterada descoberta de novos problemas de saúde ou o início de tratamento de doenças apenas após a decretação da prisão preventiva do investigado", diz.
Investigação
Réu na Lava Jato, Bumlai é acusado de ter contraído um empréstimo fraudulento no Banco Schahin de R$ 12 milhões em 2004. O destinatário final do dinheiro, segundo oMinistério Público Federal (MPF), foi o Partido dos Trabalhadores (PT).
Com relação à acusação de obstrução à Justiça, além do pecuarista, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS), o ex-chefe de gabinete de Delcídio Diogo Ferreira, o banqueiro André Esteves, o advogado Édson Ribeiro e o filho do pecuarista Maurício Bumlai também são réus na ação penal.
No dia 17 de agosto, Bumlai depôs sobre o sítio frequentado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Atibaia (SP), na sede da Polícia Federal em São Paulo. A Operação Lava Jato apura se Bumlai pagou por obras de reforma no sítio e se o imóvel foi dado ao ex-presidente em troca de contratos fechados pela Odebrecht e pela OAS junto à Petrobras.
O sítio está em nome de sócios de um dos filhos de Lula, Fábio Luis Lula da Silva, mas os investigadores suspeitam que o ex-presidente seja o real proprietário e tenha omitido o fato das declarações de renda. Lula nega, e diz que ele e a família frequentam o espaço na condição de amigos dos proprietários.