terça-feira, 5 de abril de 2016

Citados na Lava-Jato estão ligados a 107 offshores, revelam documentos A investigação Panama Papers examinou milhões de arquivos e mostrou como empresas operavam para facilitar transações financeiras ocultas

 France Presse


Paris, França - Políticos, atletas e artistas de todo o mundo estão na linha de tiro após o vazamento histórico de 11,5 milhões de documentos, os chamados "Panama Papers", que envolvem 140 personalidades com empresas em paraísos fiscais. A investigação de mais de 100 meios de comunicação de todo o mundo revelou no domingo que 140 líderes políticos ou personalidades de destaque em escala mundial depositaram dinheiro em paraísos fiscais. Nos documentos são citadas quase 214 mil empresas em paraísos fiscais.

Os documentos foram obtidos a partir de uma fonte anônima pelo jornal alemão Sueddeutsche Zeitung, que os compartilhou com veículos de todo o planeta e com o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ). Todos os documentos procedem do escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca, que tem escritórios em 35 países, especializado em criar empresas e sociedades, e cobrem um período de quase 40 anos.

Brasil
Ao menos 57 envolvidos no escândalo de corrupção da Petrobras no Brasil abriram 107 empresas em paraísos fiscais por meio da Mossack Fonseca. Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, algumas empresas eram até agora desconhecidas da operação Lava Jato, iniciada em 2014 pelo juiz Sérgio Moro, que revelou uma rede de corrupção de licitações manipuladas e de financiamento de campanhas políticas ao redor da Petrobras.

Na lista aparece uma empresa que segundo um delator do esquema de corrupção na Petrobras pertence a Eduardo Cunha, o presidente da Câmara dos Deputados, mas nenhum documento tem sua assinatura, de acordo com as informações do UOL, do O Estado de S.Paulo e da Rede TV, os três integrantes brasileiros da investigação internacional dos "Panama Papers". Em um comunicado, Cunha negou com veemência as versões e "desafiou" qualquer pessoa a provar que tem relação com alguma empresa "offshore".

Possuir uma empresa em um paraíso fiscal não é uma prática ilegal desde que seja devidamente declarada à Receita Federal. Sua natureza, no entanto, pode facilitar atos ilegais ao dificultar que as autoridades identifiquem seus verdadeiros donos. Cunha, que lidera o processo pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff por conta das chamadas pedaladas fiscais, é acusado pelo Ministério Público de ter recebido suborno de pelo menos cinco milhões de dólares no caso Petrobras.

Outros nomes de políticos brasileiros também são citados nos "Panama Papers". Também apareceriam nos documentos novas contas de empreiteiras envolvidas no escândalo da Petrobras, como a Odebrecht, cujo presidente, Marcelo Odebrecht, foi condenado em março a quase 20 anos de prisão. A corrupção na Petrobras, que pode ter perdido pelo menos dois bilhões de dólares com fraudes, é o pano de fundo para a grave crise política que abala o Brasil e que ameaça o mandato de Dilma Rousseff.

Políticos ou colaboradores mencionados
De acordo com a investigação, empresas e pessoas próximas ao presidente russo Vladimir Putin — que aparece citado nos documentos — depositaram dois bilhões de dólares em empresas de fachada. O Kremlin reagiu de maneira imediata e acusou o ICIJ de lançar um "ataque informativo ardiloso". Nos documentos são citados uma dezena de líderes atuais ou que já exerceram o poder, como o primeiro-ministro do Paquistão, o presidente da Ucrânia, o primeiro-ministro da Islândia, o rei da Arábia Saudita e o presidente argentino Mauricio Macri, que negou em um comunicado ter ou ter mantido ativos em um paraíso fiscal.

Além disso, dois líderes que construíram reputação com base na luta pela transparência — o presidente chinês Xi Jinping e o primeiro-ministro britânico David Cameron — têm vínculos familiares com algumas pessoas que aparecem na lista. Segundo a investigação, parentes de Xi Jinping e do ex-primeiro-ministro Li Peng, assim com alguns altos dirigentes chineses, dissimularam suas fortunas em paraísos fiscais por meio de empresas de fachada. As revelações, que cobrem o período entre 1977 e 2005, mencionam também negócios em paraísos fiscais do pai - falecido - de Cameron ou de funcionários próximos a Hugo Chávez, o presidente venezuelano que morreu em 2013.

Estrelas do futebol
Os documentos também implicam dirigentes da Fifa, incluindo o uruguaio Juan Pedro Damiani, membro do comitê de ética da entidade, que teve relações de negócios com três homens citados na investigação. O francês Michel Platini, ex-presidente da Uefa, também é mencionado por supostamente ter utilizado a Mossack Fonseca para administrar empresas em paraísos fiscais. Além disso, o argentino Lionel Messi — que já havia sido incluído em um caso de fraude fiscal na Espanha - e seu pai teriam estabelecido uma empresa de fachada no Panamá para ocultar bens, segundo meios de comunicação espanhóis que colaboraram com a investigação.

Também estão citados na investigação o diretor de cinema espanhol Pedro Almodóvar, Pilar de Borbón, tia do rei da Espanha Felipe VI, e o ator de Hong Kong Jackie Chan.

A investigação revelou, segundo a imprensa espanhola, que Almodóvar e seu irmão Agustín estão vinculados "a uma sociedade (Glen Valley Corporation) registrada nas Ilhas Virgens Britânicas, um território considerado como paraíso fiscal pela Espanha". No Panamá, Ramón Fonseca Mora, diretor e membro fundador da Mossack Fonseca, disse à AFP que considera o vazamento um "crime". "Isto é um crime, um delito. Há um ataque contra o Panamá porque alguns países não gostam que sejamos competitivos para atrair empresas", disse. Mas o diretor do ICIJ, Gerard Ryle, tem opinião diferente: "Acredito que o vazamento constituirá provavelmente o maior golpe já desferido ao mundo dos paraísos fiscais, dado o alcance dos documentos".

Mais de 500 bancos ou suas sucursais trabalharam com o escritório Mossack Fonseca desde os anos 1970 para ajudar os clientes a administrar empresas em paraísos fiscais. O governo do Panamá anunciou em um comunicado que pretende cooperar "vigorosamente" com a justiça "caso se desenvolva algum processo judicial". Na França, o presidente François Hollande prometeu que as revelações devem resultar em investigações judiciais e fiscais no país.

Dilma nega reforma ministerial e ataca 'pautas-bomba' do Congresso


 postado em 05/04/2016 10:35 / atualizado em 05/04/2016 10:52
 Ivan Iunes
A presidente da República, Dilma Rousseff, chamou de especulações as notícias de que esteja discutindo uma reforma ministerial e voltou a classificar como tentativa de golpe o processo de impeachment em tramitação na Câmara dos Deputados. Ao lado do ministro da Defesa, Aldo Rebelo, a petista participou, nesta manhã de terça-feira (5/4), da apresentação do avião cargueiro KC-390. O modelo foi projetado pela Força Aérea Brasileira (FAB) e construído pela Embraer.

Dilma chegou de helicóptero e visitou o interior da aeronave, que substituirá os cargueiros atuais. O governo brasileiro encomendou 28 aviões to tipo KC-390 por R$ 7,2 bilhões. Ele tem capacidade de transportas até 26 toneladas de cargas e pode ser utilizado também em operações de busca, resgate, evacuação transporte de militares, reabastecimento e combate a incêndio.

De acordo com a presidente, o governo não avalia mudança de ministro hoje, mas não descartou trocas depois da votação do impeachment. “Especulações que fazem sobre ministérios, mudanças no governo, são especulações sem base na verdade, sem consulta ao Palácio do Planalto. (...) O governo não está avaliando nenhuma mudança hoje”, disse Dilma. Responsável pela articulação política do governo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estaria negociando pastas com PR, PSD e PP em troca de apoio ao governo na votação do impeachment.

A presidente voltou a acusar o processo em concurso na Câmara dos Deputados como uma tentativa de golpe e defendeu que um possível afastamento da Presidência devido às pedaladas fiscais não pacificará o país. “Acham que, ao de tirar um governo legitimamente eleito, esse país vai ficar tranqüilo e virá uma pacificação. Não virá. Quando você rompe um contrato dessa magnitude, que é um contrato base do presidencialismo, 54 milhões de votos, você rompe contratos em geral. Você rompe a base da estrutura democrática do país”, acusou.

A petista também criticou a tramitação de propostas no Congresso, as chamadas "pautas-bomba", que aumentam a instabilidade na economia. “Há uma proposta que é uma pauta bomba de hidrogênio ao transformar a correção da dívida dos estados em juros simples. Eu pergunto, quem consegue empréstimos hoje a juros simples?”

Por Aguiasemrumo: Romulo Sanches de Oliveira

Todo esse mar de lama de corrupção, enriquecimentos ilícitos, nos dar a certeza da putrefação da política já que não existe ideologia. Um mandato parlamentar concede ao mau político a fazer negociatas com o erário público de interesses pessoais, sem o mínimo interesse com os sérios problemas e dificuldades enfrentadas pela nação, se esquecendo de que a pátria não é um sistema, nem uma seita, nem um monopólio, nem uma forma de governo; é o céu, o solo, o povo, a tradição, a consciência, o lar, o berço dos filhos e o túmulo dos antepassados, a comunhão da lei, da língua e da liberdade. O voto no Brasil precisa deixar de ser obrigatório, pois a democracia séria e justa contempla esses benefícios a todos que não se identifiquem com as propostas de candidatos.

“Provérbios 12,34. A Justiça faz a grande a Nação, o pecado é a vergonha dos povos.”

Paulo Octávio nega irregularidade e anuncia venda de imóvel em Miami


Rafaela Felicciano/Metrópoles



Ex-governador mostrou ao Metrópoles documentos para atestar que o apartamento foi adquirido legalmente


O apartamento de luxo em Miami que expôs o nome do empresário e ex-governador do Distrito Federal Paulo Octávio aos holofotes da mídia internacional agora tem destino certo: será vendido. Algumas horas após o Metrópoles repercutir reportagem que vincula o empresário a um suposto esquema de lavagem de dinheiro em solo americano, Paulo Octávio revelou que vai se desfazer da propriedade. E negou irregularidade nas transações realizadas no condado americano. Segundo reportagem do jornal Miami Herald publicada no domingo (3/4), Paulo Octávio teria se valido da intermediação do escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca para a abertura de offshores suspeitas no exterior e a compra de uma propriedade luxuosa em Miami, avaliada em US$ 3 milhões.

O empresário confirmou ao Metrópoles ser o proprietário de uma das empresas citadas na reportagem, mas assegurou que o pagamento do imóvel não foi feito em dinheiro, como afirmou o periódico norte-americano. Ele garantiu que a transação foi acompanhada do devido recolhimento de impostos e de declaração ao Fisco.
Em entrevista ao Metrópoles na manhã desta segunda-feira (4), Paulo Octávio mostrou os comprovantes de remessas ao exterior feitas, por meio do Banco do Brasil, para o pagamento do imóvel. Foram quatro parcelas, sendo a primeira em fevereiro de 2011 e a última no começo de 2012. Paulo Octávio também apresentou as declarações de Imposto de Renda, nas quais constam o apartamento e a empresa que aparece como dona do imóvel, a Mateus 5 International Holding. O ex-governador, entretanto, não autorizou que a reportagem reproduzisse os documentos. “São dados pessoais que prefiro não expor”, disse.
O ex-governador disse que comprou o apartamento em Miami para o filho André morar enquanto estudava na Lynn University. A formatura do jovem ocorreu no fim do ano passado. Agora, segundo o empresário, o apartamento será vendido. “Não faz mais sentido mantê-lo”, justificou.
Paulo Octávio admitiu que, após comprar o imóvel, a transferência dele para uma offshore teve o propósito de evitar o pagamento de impostos que poderiam chegar a 50% do valor do bem. Em 2011, ano em que o empreendimento ainda estava em construção, o apartamento foi comprado no nome de Paulo Octávio e da mulher, Anna Christina Kubitschek.
Reprodução Miami HeraldREPRODUÇÃO MIAMI HERALD
Por recomendação da corretora, segundo o empresário, após a aquisição, o casal abriu a empresa Isaías 21 Property. Ela tem como responsável legal a firma Mateus 5 International Holding, também de Paulo Octávio, com sede nas Ilhas Virgens britânicas, um paraíso fiscal. Assim que o apartamento ficou pronto, foi transferido para a Mateus 5.

Segundo Paulo Octávio, não se tratou de uma manobra para sonegação de impostos ou lavagem de dinheiro, mas uma forma de garantir que seus herdeiros paguem menos impostos em caso de morte do empresário. “Se acontecesse alguma coisa comigo ou com minha mulher, meus filhos teriam que pagar taxas de 50% para transferir o bem. Com o imóvel em nome da empresa, eles já são automaticamente beneficiários. Isso não é ilegal. Fiz tudo declarado”, afirmou o empresário.
Não é ilegal ter uma offshore, mas ela precisa ser declarada no Imposto de Renda do proprietário. O Metrópoles teve acesso aos documentos mostrando que a Mateus 5 International Holding está entre os bens relacionados na prestação de contas de Paulo Octávio ao Fisco brasileiro. Segundo o empresário, a Isaías 21 Property está declarada às autoridades fiscais dos Estados Unidos.
Esses documentos, no entanto, não foram citados na reportagem do Miami Herald, que se valeu de duas premissas para incluir o empresário entre os alvos do suposto esquema de lavagem de dinheiro em território estadunidense: o fato de ele responder na Justiça brasileira por crime de corrupção e a informação de que o empresário se valeu da Mossack Fonseca como intermediadora para a compra de seu imóvel em Miami. A Mossack Fonseca tornou-se, no domingo (3), pivô do maior vazamento de dados sobre corrupção da história.
Sobre a Mossack Fonseca, Paulo Octávio disse nem sequer conhecer a companhia, especializada na abertura de offshores: “Nós escolhemos o imóvel e a corretora nos indicou um advogado para a criação da offshore. Ele resolveu os procedimentos. Não sei nem o que é Mossack Fonseca”. A mesma reportagem do diário americano que expõe Paulo Octávio também menciona o nome do dono de postos de combustíveis no DF Marcos Antônio Lombardi. Ele também foi citado nesse contexto do uso supostamente ilegal das offshores nos Estados Unidos. Mas o empresário, por meio de sua assessoria, negou qualquer transgressão às regras brasileiras ou americanas e afirmou ter comprovações de que a seus imóveis estão “todos devidamente registrados”.
Panama Papers
A matéria publicada no Miami Herald que cita Paulo Octávio e Marcola faz parte de uma série de reportagens, intitulada Panama Papers, que começou a ser divulgada no domingo (3) e apontou 128 políticos e funcionários públicos de diversos países entre supostos envolvidos em um esquema de corrupção mundial.
A série denuncia a abertura de offshores para lavagem de dinheiro e sonegação de impostos, entre outros crimes. O escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca é um dos maiores criadores de offshores no mundo e foi contratado por vários políticos e empresários para intermediar negócios suspeitos.
As informações foram obtidas pelo jornal alemão “Süddeutsche Zeitung” e compartilhadas com o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ). Uma força-tarefa formada por 370 profissionais de 76 países obteve acesso a todos os documentos desse escritório de advocacia do Panamá, entre 1977 e o fim de 2015. No Brasil, repórteres do UOL, de O Estado de São Paulo e da Rede TV ajudaram a apurar e a divulgar as milhares de informações colhidas durante mais de um ano de trabalho.
Em meio aos citados, há vários nomes de líderes políticos mundiais, empresários e artistas, como os presidentes da Rússia, Vladmir Putin, o da Argentina, Mauricio Macri, o dos Emirados Árabes, Khalifa bin Zayed bin Sultan Al Nahyan, e o primeiro-ministro da Islândia, Sigmundur Davíð Gunnlaugsson.
Também foram mencionados políticos brasileiros, como o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o ex-deputado João Lyra (PTB-AL) e o senador Edison Lobão (PMDB-MA).

Marina Silva cobra novas eleições para presidente: quais as chances de isso ocorrer?

Ex-candidata vai a Brasília pressionar por julgamento da chapa Dilma-Temer pelo TSE, ainda sem data
Michel Temer e Dilma Rousseff, em agosto de 2015
A ex-senadora pelo PT faz referência ao processo que tramita no mais alto tribunal da Justiça Eleitoral que questiona a chapa presidencial eleita em 2014. Unificado a partir de quatro ações movidas pelo PSDB, o texto dos tucanos argumenta que tanto Dilma Rousseff quanto seu vice Michel Temer devem ser cassados caso o TSE concorde que infrações cometidas durante a campanha, incluindo a acusação de que fundos desviados da Petrobras foram usados, contaminaram o resultado das eleições. O problema, no entanto, é que a decisão da corte não parece ser uma realidade para agora. O processo, como um todo, é lento, não tem data para começar e pode se arrastar durante 2017 inteiro, o que jogaria a resolução da crise para 2018, ano eleitoral.Desde que se falou pela primeira vez em uma candidatura sua à presidência da República, a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (REDE), colou-se na ideia da "terceira via". Foi assim em 2010, quando concorreu comJosé Serra (PSDB) e Dilma Rousseff, e foi assim também em 2014, na reeleição da presidenta, quando o outro adversário era Aécio Neves (PSDB). Agora, a recente movimentação da REDE, que inicia nesta terça uma campanha defendendo o afastamento de Rousseff e de Michel Temer (PMDB) em favor da convocação de novas eleições, é a prova de que, mais uma vez, Marina quer colocar a "terceira via" definitivamente na mesa. "O partido acha que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é a instituição com legitimidade para decidir sobre a cassação da chapa Dilma/Temer", disse a sigla de Marina em comunicado.
O tempo, neste caso, importa e muito. Se uma sentença cassar a chapa ainda em 2016, ou antes da metade do atual período de Dilma, assumiria o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), ele próprio alvo de investigações, que teria de convocar novas eleições presidenciais em até 90 dias. Se a decisão do TSE só acontecer a partir do ano que vem e a chapa for cassada, é o Congresso quem elege, indiretamente, o novo presidente que terminará o atual mandato.
No momento, o que está na mesa é a guerra do impeachment. Se a oposição, ao lado do recém desembarcado PMDB, conseguir os votos necessários no Congresso para afastar a presidenta, Temer assume. E, com planos para seu possível ministério sendo discutidos abertamente na imprensa, ele não parece exatamente aberto a considerar um afastamento voluntário. Salvo uma reviravolta que acelere o TSE ou uma reviravolta igualmente relevante para aprovar uma inédita e controversa legislação no Congresso para mudar a Constituição, a situação, nesse ponto, está assim: só há novas eleições se houver uma renúncia coletiva de Dilma e Temer e, potencialmente, outros na linha de sucessão, ou se o peemedebista deixar o posto após a eventual posse, quer por renúncia ou novo impeachment.
Dilma tem repetido que jamais renunciará. Disse a jornais estrangeiros, entre eles o EL PAÍS, que considera a proposta de que ela deixe o cargo voluntariamente uma tentativa da oposição de evitar "o constrangimento" de levar adiante um processo de impeachment que ela considera legalmente frágil e, portanto, um "golpe". "Eu não renuncio, não. Para me tirar daqui vão ter de provar que eu tenho que sair", disse a petista, eleita há pouco mais de um ano com 54 milhões de votos.

Termômetro popular

Seja como for, a possibilidade tem alimentado alguns debates. Desde o editorial da Folha de S. Paulo, no último domingo, que pedia renúncia de Dilma, a uma proposta de introduzir a figura do recall (referendo de um mandato) na Constituição feita pela Rede e pelo PSOL no mês passado. Nos últimos dias, houve referências na imprensa a conversas nos bastidores para formular uma proposta de mudança constitucional para ter novas eleições. Nesta segunda, foi a vez de Valdir Raupp (PMDB-RO) usar a tribuna do Senado para defender que haja eleições presidenciais antecipadas em outubro deste ano, coincidindo com a votação para a escolha de novos prefeitos.
Na semana passada uma pesquisa telefônica elaborada pela consultoria Ideia Inteligência também aventou a hipótese. Ao serem perguntadas se preferem uma nova eleição ou um Governo peemedebista, 55% das pessoas optaram por um novo pleito, 33% não souberam opinar e apenas 12% expressaram apoio ao vice. Os resultados da pesquisa – elaborada a partir de um pedido do Brazil Institute, ligado ao Wilson Center (think tank de Washington em memória do ex-presidente americano Woodrow Wilson) –, contudo, têm de ser analisados com cuidado.
Apoiando-se em metodologias diferentes das tradicionais, o levantamento ouviu, entre 28 e 29 de março, cerca de 10.000 pessoas via telefone fixo, em 82 cidades brasileiras. Maurício Moura, economista e diretor da Ideia Inteligência explica: “Pegamos informações abertas de bancos de dados para conseguir os telefones, cruzamos endereços com informações do IBGE sobre moradia e faixa de renda e, por fim, usamos uma mensagem eletrônica para os questionamentos”. Para um especialista na área ouvido pelo EL PAÍS, no entanto, apesar da amplitude não é possível ter uma amostragem válida do Brasil com esse método de pesquisa.Para além das questões metodológicas, o estudo levanta a pergunta: e se essa hipótese de novas eleições estivesse em jogo, ela teria mais aceitação popular do que as atualmente na mesa? 
Os sinais de que a vida de um possível Governo Temer não seria fácil, e talvez nem longa, vêm de longe. Nas manifestações pró-impeachment, por exemplo, não raro os depoimentos colhidos mostram pessoas sem a noção exata do que esperar depois do impedimento de Dilma Rousseff. Pesquisa do Datafolha de 19 de março revela que, apesar de 68% serem favoráveis a saída da presidenta, apenas 16% acreditam que um eventual Governo peemedebista seria ótimo ou bom. A intensidade dos protestos contrários ao impeachment – que no dia 31 de março colocaram novamente milhares de pessoas nas ruas – são outros indício claros de que o almejado Governo de coalizão sonhado por Temer continuaria sendo questionado. Além de seguir com a ameaça do julgamento do TSE sobre sobre a cabeça, o atual vice também teria, em tese, que lidar com os avanços da investigação da Lava Jato sobre o PMDB e aliados, sem falar de que pode enfrentar processo de impeachment - um novo pedido de afastamento do vice-presidente foi entregue por Cid Gomes na sexta-feira passada.

A aposta de Marina  

Essa seria uma eleição solteira, em que só a presidência estaria em disputa. A única vez em que isso aconteceu, acabou ganhando umoutsider
MARIA HERMÍNIA TAVARES (CEBRAP)
Num cenário com novas eleições, Marina Silva seria, de partida, a mais beneficiada. Na pesquisa Datafolha de março, que questionou os eleitores sobre o pleito de 2018, a política do Acre apareceu na frente, com entre 21% e 24% das intenções de voto, dependendo de quem for o candidato do PSDB.
A fortaleza eleitoral da ex-senadora, porém, não é um consenso. Maurício Moura, da Ideia Inteligência, repetiu, em um painel que discutiu o monitoramento telefônico de sua empresa, que a rejeição de Temer é o mais importante dado do levantamento: “Acho que a Marina tem tudo para ser essa terceira via que a sociedade busca, mas como candidata ela já se mostrou fraca. Para mim, o interessante do resultado da pesquisa, na minha opinião, é mesmo o fato de que Temer é rejeitado, principalmente quando a possibilidade de uma nova eleição é aberta”.
Para a cientista política e pesquisadora do Cebrap, Maria Hermínia Tavares, a solução do novo pleito presidencial talvez fosse a menos traumática, já que sobre o impeachment não há consenso nem entre juristas nem na sociedade. "Contudo, essa seria uma eleição solteira, em que só a presidência estaria em disputa. A única vez em que isso aconteceu, acabou ganhando um outsider(Collor), porque esse é um tipo de pleito em que a força partidária conta menos, já que não estão em disputada cadeiras no Congresso", comenta. O perigo para Tavares é que a vitória de um outsider se repita. "Isso é bem possível considerando como os partidos e políticos estão desacreditados. Agora imagine uma figura sem representatividade partidária lidando com os mesmo deputados que já se mostraram tão hostis ao longo dessa crise".

Primeiro a ter união estável com 2 mulheres no Rio fala sobre a relação Os três já vivem juntos há dois anos e meio e se casaram na sexta-feira (1º). Famílias das duas mulheres ainda não aceitam o relacionamento do trio. Alba Valéria Mendonça Do G1 Rio



A tabeliã Fernanda Leitão celebra a primeira união poliafetiva com um homem e duas mulheres, do Rio (Foto: Simone Goldstein/ Divulgação)A tabeliã Fernanda Leitão (primeira mulher à esquerda) celebrou a primeira união poliafetiva de um homem, Leandro, e duas mulheres,Yasmin e Thais, do Rio (Foto: Simone Goldstein/ Divulgação)
O ditado diz: um é pouco, dois é bom, três é demais. Mas, para o funcionário público Leandro Jonattan da Silva Sampaio, de 33 anos, sobra mesmo é o amor que o uniu oficialmente a duas mulheres na sexta-feira passada (1º), no 15º Ofício de Notas, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. Trata-se do primeiro trio – formado por um homem e duas mulheres – a formalizar a união estável poliafetiva, no estado, como antecipou a coluna Ancelmo Gois, do jornal "O Globo".
Se você coloca três ou quatro cães que não se conhecem diante de um bife, eles vão se morder e brigar pelo bife, porque não conseguem se comunicar. Com o ser humano é diferente, a gente conversa e tenta se entender"
Leandro Jonattan,
funcionário público
Para Leandro, dividir a vida com duas mulheres – a desempregada Thais Souza de Oliveira, de 21 anos, e a agente de negócios Yasmin Nepomuceno da Cruz, de 21 anos –  é uma questão de hábito e maturidade. E olha que no caso dele são três mulheres, já que ele tem uma filha biológica de 2 anos com Thais.
“Minha mãe acha que é uma tarefa difícil. Mas é como digo para ela, é tudo uma questão de costume, de adaptação. Se você coloca três ou quatro cães que não se conhecem diante de um bife, eles vão se morder e brigar pelo bife, porque não conseguem se comunicar. Com o ser humano é diferente, a gente conversa e tenta se entender. Não vejo como não pode funcionar”, explica Leandro, que vive maritalmente com as duas mulheres na mesma casa há dois anos e meio.
Bem tranquilo, o funcionário conta que já tinha experiência com relacionamento múltiplo. Ele e a mulher com quem foi casado por 11 anos já se envolviam com outras pessoas, até que há cinco anos ele conheceu Thais. Leandro expôs a situação, contou que era casado e a jovem topou encarar o relacionamento a três. O convívio durou dois anos.
“Não vou dizer que não deu certo porque vivemos em harmonia durante 11 anos. Fomos muito felizes, mas houve um desgaste natural na relação. Hoje ela é casada com outra mulher e vive muito feliz. Somos muito amigos”, contou Leandro.
Não é porque dei um beijo em uma que a outra também tem de ganhar um beijo. Não é assim que funciona. Mas procuro ser o mais justo possível com elas"
Leandro Jonattan,
funcionário público
Mas a relação entre ele e Thais logo ganhou uma nova integrante. Cerca de um mês depois da separação da primeira mulher, em setembro de 2013, ele conheceu Yasmin. Conversa vai, conversa vem, ela contou que já tinha se relacionado com mulheres e ele a convidou para integrar a sua nova família.
“Ela disse que tinha curiosidade de saber como era essa relação e veio morar com a gente. Foi um processo muito natural. E hoje já estamos os três juntos há dois anos e meio. Não vou dizer que não há confronto. São pessoas com gostos diferentes, que pensam diferente, mas nos entendemos muito bem. Tudo é uma questão de saber ceder (...) Rola ciúmes externos, de gente da minha faculdade, por exemplo”, diz Leandro, que cursa psicologia.
Ele conta que tudo na pequena casa,de apenas um quarto, em Madureira, no Subúrbio do Rio, é dividido, mas não com o rigor de 50% para cada uma. Todos têm tarefas.
“Não é porque dei um beijo em uma que a outra também tem de ganhar um beijo. Não é assim que funciona. Mas procuro ser o mais justo possível com elas”, explica o funcionário.
Agora, depois da união oficializada, e da lua-de-mel curtida no fim de semana em Miguel Pereira, no Sul Fluminense, os três vão esperar a situação financeira se estabilizar – Thais está em vias de conseguir novo emprego e no ano que vem vai fazer vestibular para biologia – e Yasmin concluir o curso de técnico de enfermagem para pensar em mais um filho. Desta vez, o papel de mãe caberá à Yasmin.
Estranhamento é uma palavra que não faz parte do cotidiano do trio. Segundo Leandro, vizinhos, amigos, colegas de trabalho aceitam bem e respeitam o relacionamento deles. Os colegas de faculdade reclamaram que não foram chamados para a oficialização da união no cartório. Mas as famílias de Thais e Yasmin, mais conservadoras, têm pouco contato com o genro.
As meninas se curtem, então entrar uma outra mulher, não feriria ninguém. Mas sou hétero. Um outro homem não seria legal, iria causar desconforto. Não é preconceito, mas uma questão de gosto. E eu não gosto"
Leandro Jonattan,
funcionário público
“Também espero, ainda em breve, conseguir juntar as famílias. A minha família, que é evangélica, depois de uma década já se acostumou com meu relacionamento. Minha mãe, quando soube da oficialização da união, me desejou boa sorte. Conheço cada família e sei que são pessoas maravilhosas, mas elas ainda não aceitam bem nossa união”, lamentou Leandro.
Ele faz questão de frisar que a tabeliã Fernanda de Freitas Leitão, do 15º Ofício de Notas foi fundamental para a união. Ele a procurou depois de saber que ela tinha realizado a união estável de três mulheres em outubro de 2015.
“Ela foi fantástica com a gente, nos acolheu super bem. Ela tem um trabalho muito importante no que diz respeito a união homoafetiva e poliafetiva e muito nos ajudou, nos deu todo o apoio. Queria muito oficializar a união por dois motivos: para dar segurança ao nosso relacionamento no que diz respeito a questões previdenciárias, de plano de saúde, e tornar a nossa união legal, e também por uma questão ideológica, de mostrar que o diferente também pode ser legal e tem de ser respeitado, tem direitos e deveres”, enfatizou.
Mesmo com a união oficializada entre os três, Leandro diz que o relacionamento não está livre de que mais uma pessoa integre a família. Mas, como heterossexual, diz que isso só será possível com uma mulher. Homem nem pensar.
“As meninas se curtem, então entrar uma outra mulher, não feriria ninguém. Mas sou hétero. Um outro homem não seria legal, iria causar desconforto. Não é preconceito, mas uma questão de gosto. E eu não gosto”, concluiu Leandro
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Dilma conhece avião militar KC-390 em Brasília Presidente participa de cerimônia nesta terça-feira na capital. Segundo Defesa, aeronave será a maior já fabricada no Brasil. Felipe Matoso Do G1, em Brasília Dilma conhece avião militar KC-390 em Brasília

Dilma apresenta avião cargueiro projetado pela Força Aérea do Brasil (Foto: Filipe Matoso/G1)Dilma apresenta avião cargueiro projetado pela Força Aérea do Brasil (Foto: Filipe Matoso/G1)
A presidente Dilma Rousseff conheceu nesta terça-feira (5), em cerimônia na Base Aérea de Brasília, a aeronave militar KC-390, fabricada pela empresa brasileira Embraer em parceria com a Argentina, Portugal e República Tcheca.

O contrato entre o governo e a companhia prevê a aquisição de 28 aeronaves como a apresentada nesta terça, totalizando investimentos de R$ 7,2 bilhões.

Segundo o Ministério da Defesa, o KC-390 é uma aeronave de transporte militar, construída para realizar operações de evacuação, busca, resgate e combate a incêndios florestais.

Além disso, informou a pasta, é um avião tipo cargueiro que também pode ser usado para reabastecimento de helicópteros e caças de alto desempenho.

"Com 35,2 metros de comprimento e capacidade para transportar até 26 toneladas de carga, o KC-390 é o maior avião já desenvolvido no Brasil. Mais de 50 empresas brasileiras participam do projeto", informou a Defesa.

Segundo a Defesa, o KC-390 atinge uma velocidade de 870 km/h e pode operar em pistas não pavimentadas.
Ainda conforme o ministério, a aeronave fez o primeiro voo em janeiro do ano passado e está na fase de testes e a entrega para uso deverá ocorrer no primeiro semestre de 2018.