quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Mulher de João Santana admite ter recebido dinheiro da Odebrec

A PF e os procuradores da Lava Jato suspeitam que os US$ 3 milhões pagos pela Odebrecht a João Santana teriam relação com campanhas petistas e com desvios da Petrobras
A publicitária Mônica Moura, mulher do marqueteiro João Santana, admitiu à Polícia Federal nesta quarta-feira (24) que US$ 3 milhões que a empresa do casal recebeu via caixa dois da Odebrecht em conta do exterior eram pagamentos de dívidas de campanhas realizadas em Angola, Panamá e Venezuela.
Segundo o jornal Folha de S. Paulo, Mônica revelou em depoimento prestado em Curitiba, que os US$ 4,5 milhões pagos pelo lobista Zwi Skornicki também têm origem em negócios no exterior. De acordo com ela o MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola), partido para o qual Santana dirigiu a campanha presidencial em 2012, teria dito que o pagamento seria realizado por Skornicki.
Na terça-feira (23) Santana e Mônica foram presos pela PF, após terem prisão decretada pelo juiz federal Sergio Moro, sob acusação de recebimento de US$ 7,5 milhões (R$ 30 milhões) ilegalmente no exterior. Tal valor não foi declarado à Receita Federal nem pelo casal, nem pelas empresas das quais eles são sócios. A Operação foi batizada de Acarajé, porque era esse o termo que funcionários da Odebrecht usavam para designar propina, de acordo com a PF. A 23ª fase da Operação Lava Jato prendeu também Skornicki .Engenheiro e lobista, ele representa no Brasil os interesses de um estaleiro de Cingapura, a Keppel Shipyard.
Mônica afirmou não saber quais eram os interesses comerciais do lobista no país africano. O estaleiro para o qual ele trabalha tem contratos naquele país para fornecer plataformas de exploração de petróleo em alto mar, segundo o site da Keppel.
Um contrato assinado em 2012 para a reforma de plataformas que seriam alugadas por 12 anos, foi de US$ 170 milhões (R$ 673 milhões, em valores atuais). Em maio de 2015 a Folha de S. Paulo investigou o envolvimento do marqueteiro com Angola, sob lavagem de dinheiro, mas ele nega.
A Polícia Federal e os procuradores da Operação Lava Jato suspeitam que os US$ 3 milhões pagos pela Odebrecht a João Santana teriam relação com campanhas petistas (Lula em 2006 e as de Dilma Rousseff em 2010 e 2014) e com desvios da Petrobras, o que a defesa do marqueteiro desmente. Desde 2002 Santana já recebeu do PT R$ 229 milhões, em valores atualizados.
A suspeita dos investigadores baseia-se em anotações encontradas no celular de Marcelo Odebrecht, ex-presidente do grupo homônimo, preso desde junho de 2015. Os supostos valores a "Feira", um codinome para designar o marqueteiro, em referência à cidade Feira de Santana (BA), vizinha do local onde ele nasceu, chamada Tucano. Perguntado sobre o significado pela PF, o advogado de defesa de Marcelo solicitou que ele tenha acesso às investigações para depois se explicar.
O advogado de Santana e Mônica, Fabio Tofic Simantob, afirmou que o único crime que o casal cometeu foi manter valores não declarados no exterior. "Não existe nenhum brasileiro preso por manter contas no exterior. Os recursos que eles receberam eram lícitos, por trabalhos que eles prestaram em campanhas políticas", afirmou Simantob.O marqueteiro elegeu sete presidentes na América Latina e na África. Em 2014, ele comandou a campanha de José Domingo Arias à Presidência do Panamá e foi derrotado.
A PF preferiu ouvir primeiro a sua mulher porque ela é a responsável pela administração e da contabilidade das empresas do casal, enquanto ele responde pela parte criativa e estratégica das campanhas. O depoimento de Santana está marcado para hoje (25).

PARTIDO DOS TRABALHADORES Crise do PT não é apenas de imagem, mas também financeira Por irregularidades, partido deixará de receber 27 milhões e pagará multa de 4,9 milhões

O presidente do PT, Rui Falcão
O presidente do PT, Rui Falcão, em Brasília.  REUTERS
Com parte de seus quadros investigado pela operação Lava Jato, o PT passa por uma profunda crise de imagem. Mas a percepção negativa não é o único problema da sigla: nos próximos três meses, o partido estará em uma situação financeira complicada. Seu diretório nacional deixará de receber toda a verba do fundo partidário a que tem direito e, para completar, terá de pagar uma multa milionária.
A situação se deu porque, no ano passado, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reprovou parcialmente as contas de 2009 do partido. Os ministros do tribunal entenderam que o PT usou recursos do fundo partidário para pagar um empréstimo fictício contraído no Banco Rural (a mesma instituição financeira envolvida no escândalo do mensalão, descoberto em 2005). O resultado foi uma sanção de 4,9 milhões de reais, além da suspensão dos cerca de 27 milhões de reais do fundo partidário deste trimestre.
A fatura chegou agora e o partido teve de se reestruturar para os tempos de vacas magras. Seu diretório nacional, por exemplo, entregou algumas das salas que ocupava em um prédio do Setor Comercial Sul de Brasília e fechou o auditório com capacidade para 140 pessoas que era usado para as reuniões do diretório nacional. Além disso, reduziu os valores gastos com passagens aéreas e outras despesas de viagens de seu corpo de funcionários. Entre as sedes de Brasília e de São Paulo, quase cem pessoas prestam serviços ao PT.
Outra mudança foi na escolha de marqueteiros. Após ganhar duas campanhas presidenciais com Dilma Rousseff (2010 e 2014) e uma com o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (2012), aumentando o preço de seu passe, o publicitário João Santana foi substituído. Antes de ter seu nome envolvido oficialmente pela Lava Jato nesta segunda-feira, onde é suspeito de movimentar irregularmente 7 milhões de reais, Santana foi trocado por Maurício Carvalho e, neste ano, por Edson Barbosa, que já havia trabalhado para o partido antes de prestar serviços para o ex-governador pernambucano Eduardo Campos (PSB), morto em 2014.
Os eventos partidários também sofreram com a crise. O próximo, que ocorrerá nesta semana no Rio de Janeiro, foi reduzido em um dia. Deveria ocorrer em quatro datas, contando as reuniões preparatórias, mas será em apenas três, sendo um deles bancado pela Fundação Perseu Abramo, um dos braços do PT que tem recursos próprios.
Em junho do ano passado, o partido lançou uma campanha de arrecadação, com o lema “Seja companheiro”, destacando a necessidade de financiamento de seus militantes após decidir que não receberia mais dinheiro de empresas privadas, uma resposta às denúncias cada vez maiores de troca de favores entre doadores e políticos. Esse tipo de doação depois acabou proibido pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Congresso. “É preciso que criemos condições para financiar nossas ideias, nosso partido”, justificou, na ocasião, o presidente da legenda, Rui Falcão. Como gesto simbólico, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi um dos primeiros a doar e relembrou as campanhas feitas pela sigla em 1982 e em 1989, quando, ainda no início, a sigla precisava muito da ajuda de seus apoiadores.

Petrobras não será única operadora no pré-sal, entenda o texto aprovado

A proposta prevê que o governo leiloe as áreas onde há petróleo para ser explorado por outras empresas
O Senado aprovou, nesta quarta-feira (24), o fim da obrigatoriedade da Petrobras de manter uma participação mínima de 30% nos consórcios de exploração do pré-sal.
No total foram 40 votos a favor, 26 contra e duas abstenções. A proposta do senador José Serra (PSDB-SP) teve placar folgado, destaca a Folha de S. Paulo.
O texto segue agora para a Câmara. De acordo com o documento, a Petrobras deixará de ser a única operadora do pré-sal. A Folha explica que o texto cria condições para que empresas estrangeiras participem sozinhas dos próximos leilões.
O que deve mudar
A publicação explica quais as mudanças deverão acontecer na participação da Petrobras no pré-sal.
1. Concessão
O governo passará a leiloar as áreas onde há petróleo para entregar a exploração e a produção. Assim, cabe ao governo a cobrança de tributos e royalties. Quanto maior for o preço do petróleo, mais o governo irá receber.
2. Partilha
Até agora, a Petrobras é a única operadora do pré-sal. O vencedor do leilão de exploração pode ser um consórcio com outras empresas, mas a estatal precisa ter pelo menos 30% do negócio.
Dessa forma, o governo irá licitar ou contratar a Petrobras para explorar a reserva. O petróleo continua pertencendo ao Estado, que irá remunerar a petroleira com parte da produção.
Ou seja, o projeto do senador José Serra (PSDB-SP) prevê que a Petrobras deixe de ser a única operadora do pré-sal.

Caixa aprova financiamento da casa própria e não libera dinheiro no prazo Mutuários relatam que tiveram o financiamento aprovado, mas na hora de fechar o negócio o banco se recusou a liberar o dinheiro.

Edição do dia 25/02/2016
25/02/2016 07h45 - Atualizado em 25/02/2016 08h12

Mutuários da Caixa Econômica reclamam do prejuízo e constrangimento. Eles relatam que tiveram o financiamento aprovado, mas na hora de fechar o negócio o banco se recusou a liberar o dinheiro. São mais de 20 queixas por dia. A Caixa alega que o dinheiro disponível caiu drasticamente e que zerou o que tinha para emprestar este ano









Mutuários da Caixa Econômica reclamam do prejuízo e constrangimento. Eles relatam que tiveram o financiamento aprovado, mas na hora de fechar o negócio o banco se recusou a liberar o dinheiro. São mais de 20 queixas por dia. A Caixa alega que o dinheiro disponível caiu drasticamente e que zerou o que tinha para emprestar este ano.


Vale registra prejuízo de R$ 44,2 bilhões em 2015 No ano anterior, mineradora havia tido lucro líquido de R$ 954 milhões. Mineradora minimiza perdas com desastre em Mariana. Do G1, em São Paulo. 25/02/2016 06h42 - Atualizado em 25/02/2016 07h37

A Vale anunciou nesta quinta-feira (25) ter registrado prejuízo de R$ 44,2 bilhões em 2015. No ano anterior, a minerada havia tido luco de R$ 954 milhões. No quarto trimestre, as perdas foram de R$ 33,156 bilhões. No mesmo período de 2014, chegaram a R$ 4,761 bilhões.
Vista geral da mina de Carajás, da Vale, no Pará. (Foto: REUTERS/Lunae Parracho)Vista geral da mina de Carajás, da Vale, no Pará. (Foto: REUTERS/Lunae Parracho)
Entre os fatores para essa piora a companhia cita os maiores "impairments" no ano passado – instrumento que adequa o ágio pago nas aquisições no exterior à realidade atual do mercado – e à depreciação de 47% do real contra o dólar.
Em novembro deste ano, uma barragem de rejeitos da mineradora Samarco, cujos donos são a Vale a anglo-australiana BHP, causou uma enxurrada de lama que inundou várias casas no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais, deixando quase 20 mortos e feridos.
No balanço divulgado ao mercado, a Vale afirma que a produção de Mariana sofreu uma redução, mas foi compensada por outras minas. A empresa ainda reconhece que a Samarco teve despesas e destruição de ativos, mas que esses impactos negativos "estão limitados à participação da companhia no capital social" da subsidiária. 
Investimentos
Os investimentos da Vale, divulgados em dólares, totalizaram, em 2015, US$ 8,4 bilhões em 2015 – uma redução de US$ 3,6 bilhões em comparação com 2014.
Em execução de projetos, os investimentos também recuaram, passando de US$ 7,9 bilhões em 2014 para US$ 5,5 bilhões em 2015, "com a conclusão de projetos, otimização de escopo e impacto positivo da depreciação do real".
Receita
Segundo a Vale, a receita bruta foi de US$ 26,047 bilhões em 2015, uma queda de US$ 12,189 bilhões em comparação com 2014. O recuo foi causado pelos menores preços de minério de ferro (US$ 8,614 bilhões), pelotas (US$ 2,030 bilhões), níquel (US$ 1,394 bilhões) e outros.
A queda nos valores foi parcialmente compensada por maiores volumes de venda (US$ 2,060 bilhões). Já os custos e despesas, descontada a depreciação, totalizaram US$ 18,846 bilhões em 2015, reduzindo em US$ 5,908 bilhões em relação a 2014.
"Reconhecemos os desafios adicionais trazidos pelo declínio dos preços das commodities e seu impacto direto na nossa geração de fluxo de caixa. No entanto, estamos confiantes na nossa habilidade de ultrapassar esses tempos mais difíceis com base em nossa disciplina operacional e na coragem para executar as ações estratégicas que se fizerem necessárias", afirma a Vale em nota.
Dívida
Ao final de 2015, a dívida bruta da companhia somava US$ 28,853 bilhões, um aumento em comparação aos US$ 28,675 bilhões de 30 de setembro de 2015, e em linha com os US$ 28,807 bilhões de 31 de dezembro de 2014.
Após o pagamento de dividendos no valor de US$ 1,5 bilhão em 2015, a dívida líquida totalizou US$ 25,234 bilhões.

Polícia realiza 6ª fase da Zelotes com 18 mandados de busca e apreensão Também há mandados de condução coercitiva, mas nenhum de prisão. Um dos alvos desta etapa da operação é o grupo Gerdau. Camila Bomfim Da TV Globo, em Brasília

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A Polícia Federal realiza na manhã desta quinta-feira (25) a 6ª fase da Operação Zelotes, que investiga fraudes em julgamentos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), ligado ao Ministério da Fazenda. Agentes saíram às ruas para cumprir 18 mandados de busca e apreensão e 22 de condução coercitiva (quando a pessoa presta depoimento na delegacia e depois é liberada), mas nenhum de prisão.
A polícia também tem mandado para cumprir duas oitivas com pessoas que já foram presas na Zelotes e estão no presídio da Papuda, no Distrito Federal.
Um dos alvos desta etapa é o grupo siderúrgico Gerdau. A suspeita é que o grupo, com atividades em 14 países, tenha tentado interferir no Carf no pagamento de multas que somam R$ 1,5 bilhão.
Há um mandado de condução coercitiva é para o presidente do Conselho Consultivo do Grupo Gerdau, Jorge Gerdau. Ele faz parte do Conselho de Desenvolvimento Econômico, o "Conselhão", ligado à Presidência da República. Gerdau era um dos convidados na última reunião do conselho, em janeiro, comandada pela presidente Dilma Rousseff.
Segundo a polícia, o grupo fechou contratos com escritórios de advocacia que atuaram de maneira ilícita para manipular o andamento de julgamentos e decisões no Carf.
As ações desta quinta ocorrem nas cidades de São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Recife e Brasília.
A Zelotes foi deflagrada há um ano, em março de 2015. Segundo a PF, mesmo depois do início da operação, as investigações encontraram indícios de que os crimes investigados continuaram a ser cometidos.
Inicialmente, a Zelotes apurava o esquema em que, segundo a polícia, empresas atuaram junto a conselheiros do Carf para que multas aplicadas a elas fossem reduzidas ou anuladas.
Depois, a Zelotes descobriu que uma das empresas que atuava no órgão recebeu R$ 57 milhões de uma montadora de veículos entre 2009 e 2015 para aprovar emenda à Medida Provisória 471 de 2009, que rendeu a essa montadora benefícios fiscais de R$ 879,5 milhões. Junto ao Carf, a montadora deixou de pagar R$ 266 milhões.
Em 4 de dezembro, 16 pessoas suspeitas de participar do esquema se tornaram réus depois que a Justiça Federal aceitou denúncia do Ministério Público Federal no Distrito Federal.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

FRAGA BALANÇADO