quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Republicano Santorum desiste de candidatura à Casa Branca e declara apoio a Rubio quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016 08:24

Republicano Rick Santorum, que abandonou a corrida pela Casa Branca. 31/01/2016 REUTERS/Brian C. Frank
WASHINGTON (Reuters) - Rick Santorum abandonou na noite de quarta-feira a corrida para ser o candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos e disse que vai apoiar o senador Marco Rubio na disputa pela Casa Branca.
Santorum, ex-senador de 57 anos, venceu a disputa republicana em Iowa quatro anos atrás, mas recebeu apenas 1 por cento dos votos no caucus de segunda-feira no Estado que abre a disputa pela indicação do partido.
Em participação na emissora Fox News para anunciar sua desistência e o apoio a Rubio, Santorum descreveu o senador da Flórida como "um homem jovem tremendamente talentoso... um líder nato".
Ele disse que Rubio pode "unir o país, não apenas moderados e conservadores, mas jovens e velhos".
Rubio, de 44 anos, terminou em terceiro na disputa de Iowa na segunda-feira, na primeira disputa Estado a Estado na batalha que decidirá o indicado republicanos para disputar a eleição presidencial de novembro.
O senador Ted Cruz, do Texas, ficou em primeiro em Iowa, impondo uma derrota ao magnata Donald Trump, apontado como o favorito pelas pesquisas.
(Reportagem de Eric Beech; Reportagem adicional de Mohammad Zargham)

“Estamos perante algo que pode mudar a história da SIDA” O esquerda.net entrevista o médico Bruno Maia sobre a profilaxia pré exposição para o VIH (PrEP), alcunhada de "a pílula contra a SIDA" por ser totalmente eficaz a evitar a sua transmissão.

Linfócito infetado com VIH. Foto de NIAID/Flickr.
O esquerda.net entrevistou o médico neurologista e ativista pelos direitos LGBT, Bruno Maia, sobre a profilaxia pré exposição (PrEP) para o VIH. 
A PrEP consiste numa combinação de antirretrovirais que se revelou ser cem por cento eficaz para evitar a transmissão de HIV. Em Portugal, as novas infeções por HIV estão a aumentar, infeções essas que seriam totalmente evitáveis se a PrEP fosse comercializada. Para ultrapassar o atraso governamental, há redes informais de utilizadores que se organizam para obter o genérico e informações precisas sobre a profilaxia.
Como e quando surgiu a profilaxia pré exposição (PrEP) para o VIH?
O advento dos antirretrovirais para tratar o VIH teve a sua explosão nos anos 90. Na altura foram introduzidos no mercado para tratarem pessoas infectadas e o seu sucesso mudou radicalmente o curso da infecção. Passámos de um paradigma de “morte anunciada” para a doença crónica e depois para o estatuto de “portadores saudáveis”. E foi nessa mesma década que alguns investigadores puseram a hipótese dos antirretrovirais, além de tratarem pessoas infectadas, terem a capacidade de bloquear a entrada do vírus no organismo dos não-infectados.
Foi nos anos 90 que alguns investigadores puseram a hipótese dos antirretrovirais, além de tratarem pessoas infectadas, terem a capacidade de bloquear a entrada do vírus no organismo dos não-infectados.
Foram feitos testes laboratoriais em macacos que comprovaram essa potencialidade. A aplicação dos testes em humanos foi feita mais tarde. É em 2010 que surge o primeiro ensaio clínico nos Estados Unidos, chamado iPrexa que utilizou o Truvada®, composto por dois antirretrovirais, o Tenofovir e a Emtricitabina num grupo de homens que têm sexo com homens (HSH) negativos para o VIH e demonstrou uma eficácia muito elevada na prevenção da infecção. Desde então, surgiram mais de uma dezena de estudos, em todo o mundo, dirigidos a diferentes populações – HSH, transgéneros, casais serodiscordantes (em que um dos elementos é VIH positivo e o outro é negativo), trabalhadores sexuais ou utilizadores de drogas endovenosas – que vieram confirmar a elevada eficácia da PrEP.
Como funcionam, biologicamente, os medicamentos antirretrovirais?
Há várias classes de antirretrovirais, com mecanismos de acção distintos sobre o VIH. Atualmente, para tratar pessoas que vivem com VIH, utilizam-se combinações de diferentes classes, normalmente três a quatro substâncias diferentes. O Truvada® junta duas substâncias da mesma classe e atua bloqueando a entrada do vírus nas nossas células do sistema imunitário.
O vírus para se reproduzir e estabelecer precisa das nossas células e utiliza-as para se reproduzir. Se impedirmos a sua ligação a essas células ele acaba por perder essa capacidade e ser eliminado, não se estabelecendo assim a infecção. Para além disso, o Truvada® distribui-se no nosso sangue e atinge altas concentrações na mucosa rectal e vaginal, os locais de aquisição da infecção mais frequentes pela via sexual.
Truvada®. Foto de bangkok-buyers-club.net
Têm efeitos secundários ou a longo prazo?
Tenho repetido muitas vezes que a época do AZT já acabou. Com isto quero dizer que temos hoje em dia uma panóplia de antirretrovirais muito diferentes do “velhinho” AZT, o primeiro a ser utilizado no início da epidemia. Nessa altura os antirretrovirais causavam muitos efeitos secundários, alguns dos quais visíveis exteriormente, como anomalias na distribuição da gordura corporal. Mas isso mudou muito com os novos fármacos que têm muito poucos efeitos secundários, a maioria passageiros e muito bem tolerados por quem os toma.
No caso específico do Truvada®, uma pequena percentagem de pessoas relata um desconforto gástrico nos primeiros cinco dias da toma, que entretanto desaparece com a continuação do medicamento. A longo prazo estão descritas alterações na função renal e desmineralização óssea. Mas convém referir que estamos sempre a falar de percentagens pequenas de pessoas que experienciam estes efeitos porque a grande maioria não vai relatar nenhum efeito secundário associado à toma desta medicação.
Pode haver algum aumento de resistência do vírus?
A questão das resistências é mais complexa. Em primeiro lugar se a pessoa é realmente negativa para o VIH essa questão não se coloca – se não é portador do vírus, ele não existe, logo não pode ganhar resistência.
Os raros indivíduos positivos que iniciaram PrEP e desenvolveram resistências, viram as resistências desaparecerem ao final de 6 meses de descontinuação do medicamento.
O que pode acontecer é vermos indivíduos infectados recentemente que, achando que são negativos iniciam a toma da PrEP. E como a PrEP consiste em apenas uma parte da combinação necessária para tratar os infectados, isso pode tornar estas pessoas mais susceptíveis de desenvolverem resistências. O que sabemos nos estudos de aprovação da PrEP é que os raros indivíduos positivos que iniciaram PrEP e desenvolveram resistências, viram as resistências desaparecerem ao final de 6 meses de descontinuação do medicamento.
É o mesmo medicamento que tomam as pessoas infetadas e as pessoas não infetadas que tomam o medicamento por profilaxia?
Sim, nos dois casos toma-se o Truvada®, que consiste em Tenofovir + Emtricitabina e em que se toma apenas 1 comprimido por dia. É este porque foi aquele que foi testado em ensaios clínicos e demonstrou ser eficaz. É possível que no futuro sejam testadas outras substâncias que venham a ser utilizadas como profilaxia.
A grande diferença é que para a profilaxia, basta tomar o comprimido Truvada® para permanecermos negativos, enquanto que nas pessoas infectadas, é necessária uma combinação com outros antirretrovirais para os níveis virais permanecerem indetectáveis.
De que forma atua nos dois grupos de pessoas?
A diferença é que para a profilaxia, basta tomar o comprimido para permanecermos negativos, enquanto que nas pessoas infectadas, é necessária uma combinação com outros antirretrovirais.
Biologicamente, o mecanismo é o mesmo – impedir a replicação do vírus, o que resulta na sua eliminação. Nos indivíduos negativos isto significa que eles não serão infectados, isto é, o vírus não permanece no organismo.
Já em indivíduos positivos o significado não é o mesmo. Nestes, apesar de ser eliminada a quase totalidade do vírus no organismo (a carga viral do indivíduo fica indetectável), permanece sempre uma pequena quantidade de cópias de vírus em alguns locais no organismo. Se a medicação for suspensa, o vírus pode voltar a reproduzir-se e a causar problemas. Em ambos os casos – negativos ou indetectáveis – os indivíduos não transmitem o vírus a outras pessoas.
As novas infeções por HIV têm aumentado, sobretudo no grupo de homens que têm sexo com homens (HSH). Porquê?
Por razões de ordens diferentes. Em primeiro lugar, pela biologia. A mucosa rectal e anal é muito frágil e rica em células do sistema imunitário, o que significa que é mais susceptível de ser “invadida” pelo VIH. Isto quer dizer que quem pratica sexo anal “receptivo”, está em maior risco de ser infectado.
Depois, as razões de ordem social e de discriminação. Existe uma clara deficiência nas estratégias de prevenção em relação a este grupo. Porque há especificidades nas relações entre dois homens que não são abordadas e incluídas na educação sexual, na educação para a saúde ou nas grandes campanhas de prevenção. A informação disponível é escassa e muito mais inacessível. Ao mesmo tempo, a homofobia invisibiliza uma parte importante dos HSH e ao fazê-lo afasta-os nos centros de decisão em relação às políticas de saúde públicas.
Há especificidades nas relações entre dois homens que não são abordadas e incluídas na educação sexual, na educação para a saúde ou nas grandes campanhas de prevenção. A informação disponível é escassa e muito mais inacessível.
Por fim, há as questões da acessibilidade aos serviços de saúde. Não temos profissionais, sobretudo médicos de família, formados e preparados para lidar com as questões sexuais dos HSH. Simultaneamente a discriminação, ou o medo dela, quebram a relação de confiança entre o utente e o profissional, o que faz com que muitos problemas sejam escondidos ou dissimulados.
Um exemplo disso é a existência do CheckpointLX, um centro comunitário de rastreio e tratamento de infecções de transmissão sexual, onde os HSH da região de Lisboa têm acorrido em massa, por se sentirem mais confortáveis ao serem atendidos por outros HSH. A experiência deste centro tem sido um sucesso, tendo já sido referido como exemplo de boas práticas pela OMS (Organização Mundial de Saúde) e pelo ECDC (Centro Europeu para a Prevenção e Controlo de Doenças). Penso que é neste contexto que deveremos iniciar a implementação da PrEP em Portugal.
A PrEP está disponível nos Estados Unidos há cinco anos, acabou de o ser em França e a Holanda, Bélgica e a Alemanha estão a estudar a sua implementação. O Estado gasta milhares de euros no tratamento por VIH e o número de pessoas infetadas continua a aumentar. Se a PrEP é uma solução 100% eficaz para evitar novas infeções, porque é que a sua utilização ainda não foi aprovada e implementada?
Tal como a pílula anticonceptiva no passado, a PrEP traz consigo um conjunto de preconceitos morais e faz temer muita gente que, uma vez seguras, as pessoas tenham mais sexo, sejam mais promíscuas.
Infelizmente a PrEP traz consigo um conjunto de preconceitos morais que entram em conflito com a aplicação de uma estratégia de prevenção comprovadamente eficaz. Tal como a pílula anticonceptiva no passado em relação às mulheres, a PrEP faz temer muita gente que, uma vez seguras, as pessoas tenham mais sexo, sejam mais promíscuas, entre outras barbaridades que são ditas.
E o preconceito torna muita gente, inclusive alguns HSH, cegos perante toda a evidência científica atual que não deixa qualquer dúvida sobre a necessidade urgente de implementarmos esta estratégia. E para além da ciência, existe o argumento económico: se conseguirmos diminuir a taxa de novas infecções, tal como acontece atualmente nos Estados Unidos onde a PrEP está disponível há já cinco anos, vamos reduzir os encargos futuros do SNS com essas infecções evitáveis.
Se conseguirmos diminuir a taxa de novas infecções, vamos reduzir os encargos futuros do SNS com as infecções evitáveis.
Até à data ainda não existiu qualquer iniciativa para a implementar porque o atual Coordenador Nacional para o VIH sempre nos disse que isto não era uma prioridade. Apesar de todos os meses vermos uma dezena de novas infecções nesta população que seriam totalmente evitáveis. E apesar do recente anúncio num jornal diário de que o Sr. Coordenador iria avançar com um projecto piloto de PrEP, até à data nem as ONGs da área, nem os Hospitais receberam qualquer informação sobre o como, o quando e o onde será aplicado esse projeto. Falta vontade política e pressão pública, mas falta também sentido de urgência, porque a cada mês que passa sem PrEP vemos surgirem novas infecções que seriam evitáveis.
Alguém que queira começar a tomar o Truvada®, como o pode fazer?
Bem, neste momento não pode. O que está a surgir de forma cada vez mais frequente são HSH que, reconhecendo a potencialidade da PrEP, estão a encomendar o genérico do Truvada® que é produzido na Índia e comercializado através de uma farmácia on-line. O mesmo acontece no Reino Unido e um pouco por toda a Europa, onde a PrEP tarda.
Estamos perante algo que pode mudar o rumo desta epidemia. Algo que pode mudar a história da SIDA e torná-la apenas isso, parte da história. E no entanto é a sociedade civil que está a fazer esse percurso, ao passo que os Estados teimam em fechar os olhos.
Em certo sentido começa a surgir uma “comunidade” de utilizadores europeus que vão estabelecendo redes informais entre si e que trocam informação sobre as dificuldades com a importação do genérico, os efeitos secundários da medicação, os preços, as negociações em cada país, etc. As pessoas estão mais informadas, mais conscientes do seu risco e melhor preparadas para o enfrentarem do que os Estados e as farmacêuticas. Foi assim durante toda a história de SIDA e, infelizmente, continua a ser.
O risco desta “PrEP selvagem” é que esta medicação necessita de um seguimento médico, análises de rotina, entre outras coisas que, obviamente, a farmácia online não vai fornecer. Em Portugal o CheckpointLX está a tentar identificar todas as pessoas que estão a importar PrEP e a aconselhá-las a fazer esse seguimento médico no próprio CheckpointLX. Tudo isto à custa de voluntariado e sem apoio.
Estamos perante algo que pode mudar o rumo desta epidemia de uma forma muito significativa. Algo que pode mudar a história da SIDA e torná-la apenas isso, parte da história. E no entanto é a sociedade civil que está a fazer esse percurso, ao passo que os Estados teimam em fechar os olhos à evidência. Neste momento a PrEP só está disponível nos EUA, em França, no Quénia, no Uganda e na África do Sul.

Papa volta a surpreender e faz convite especial a duas crianças Crianças passeiam com Papa Francisco

Papa volta a surpreender e faz convite especial a duas crianças

Na manhã desta quarta-feira (3), o Papa Francisco voltou a surpreender ao convidar duas crianças para passearem a bordo do seu papa móvel, quando deu a volta à Praça de São Pedro, no Vaticano.

Os meninos seguiram viagem sentados no carro e o líder máximo da Igreja fez questão de falar com eles durante grande parte do tempo, enquanto cumprimentava a multidão. Durante a viagem acabou ainda beijando um bebê, algo que faz regularmente.

Os meninos seguiram viagem sentados no carro e o líder máximo da Igreja fez questão de falar com eles durante grande parte do tempo, enquanto cumprimentava a multidão. Durante a viagem acabou ainda beijando um bebê, algo que faz regularmente.
Quando o papa móvel se aproximou do altar, o Papa despediu-se das crianças carinhosamente e estas, sorridentes, saíram do veículo, tendo sido uma experiência que dificilmente irão esquecer.

Dilma diz que não tem informação a prestar sobre suposta venda de MP Presidente enviou resposta por escrito a juiz da Operação Zelotes. 'Não tenho qualquer declaração ou informação a prestar', escreveu Dilma.

A presidente Dilma Rousseff, em documento por escrito entregue á Justiça Federal, afirmou que não tem nenhuma informação para prestar sobre suposta venda de medidas provisórias investigada pela Operação Zelotes.
Dilma foi ouvida como testemunha arrolada pela defesa de um dos réus, o empresário  e advogado Eduardo Valadão. O juiz da 10ª Vara da Justiça Federal do Distrito Federal, Vallisney de Souza Oliveira, havia autorizado o depoimento da presidente sob o argumento de que é direito do réu escolher suas testemunhas.
Duas medidas provisórias editadas no governo Lula e uma editada no governo Dilma fazem parte das investigações da Zelotes, que apontam que havia colaboradores dentro do Palácio do Planalto para que MPs fossem elaboradas com o texto favorável aos interesses de companhias montadoras de veículos.
"Considerando os termos do ofício destacado à epígrafe e com o propósito de colaborar com celeridade na prestação jurisdicional, esclareço à Vossa Excelência que não detenho qualquer informação ou declaração para prestar acerca dos fatos narrados na denúncia ofertada aos autos da ação penal em curso neste juízo, ou sobre as pessoas indicadas na referida denúncia", escreveu a presidente Dilma para o juiz Vallisney.
O documento em que Dilma responde à Justiça tem a data do dia 29 de janeiro. Junto com o ele, foi enviado também ao juiz Vallisney um ofício assinado pelo Subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Jorge Rodrigo Araújo. O texto pede que, considerando a resposta de Dilma, o juiz dispense a presidente de eventuais novos pedidos de esclarecimentos.

Epidemia do zika poderá acelerar 'ressurreição' do mercado global de vacinas Fernando Duarte Da BBC Brasil em Londres

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Image captionMercado de vacinas triplicou de valor entre 2005 e 2014
Na última quinta-feira, a empresa farmacêutica americana Inovio anunciou planos de desenvolver uma vacina contra o vírus zika, que soaram promissores por causa dos prognósticos de testagem em seres humanos já no final de 2016 - muito mais rápido do que as estimativas mais otimistas feitas previamente por outras companhias e instituições de pesquisa.
E um detalhe curioso é que os planos do laboratório foram divulgados pela revista de economia e negócios Fortune.
A epidemia do vírus no Brasil e em pelo menos outros 20 países das Américas, junto ao surgimento de casos nos EUA e na Europa, poderá alimentar uma "corrida do ouro" no mercado global de vacinas, segmento que passa por uma espécie de ressurreição depois de por décadas ter sido, segundo observadores, negligenciado pela indústria farmacêutica.
De acordo com dados de uma série de consultorias americanas e europeias, as vacinas movimentaram cerca de US$ 24 bilhões em 2014, ante US$ 8,9 bilhões em 2005.
Embora o volume seja uma parte ínfima da registrada pelo mercado farmacêutico global anualmente - US$ 300 bilhões, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) -, o crescimento anual tem sido de 10% a 15%, superando a taxa dos remédios (5% a 7%).

Lucros

"O surto do zika é, sem dúvida, uma oportunidade de negócios que antes não parecia existir porque a doença parecia 'benigna' o suficiente para não justificar o investimento em curas ou prevenção. A suspeita de que o vírus causa microcefalia, porém, criou novo interesse e agora companhias estão anunciando que estão desenvolvendo vacinas", explica Ana Nicholls, analista de indústria farmacêutica da Economist Intelligence Unit, em Londres.
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Image captionBilionário Bill Gates tem financiado programas de vacinação
No passado, algumas grandes companhias farmacêuticas chegaram a se desfazer de suas divisões de vacinas, mas, segundo analistas, o setor ganhou novo impulso graças a uma combinação de fatores.
A começar pelo surgimento de novas oportunidades de financiamento, sobretudo doações filantrópicas - em 2010, por exemplo, o bilionário da informática Bill Gates anunciou planos de investir US$ 10 bilhões no desenvolvimento de vacinas.
A evolução na tecnologia de produção e pesquisa também tornou o mercado mais atrativo, ainda mais depois da descoberta das chamadas vacinas blockbuster, mais voltadas para o mercado adulto e que podem ser vendidas a preços mais salgados.
Algo bem diferente do antigo paradigma da produção de vacinas: com custos de pesquisa e desenvolvimento mais altos e regulamentação mais complexa, elas não eram tão lucrativas para companhias farmacêuticas quanto remédios comuns - em especial as usadas apenas uma vez.
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Image captionApenas cinco empresas controlam 75% do mercado mundial de vacinas
Mas na última década as grandes se lançaram sobre o mercado. Hoje, cinco delas dominam 75% das vendas de vacinas.
"Em um mundo globalizado, doenças transmissíveis também oferecem riscos para países mais ricos, e isso também é uma oportunidade de negócios", completa Nicholls.
Outro determinante foi o crescimento da demanda global por vacinas, em especial nos países em desenvolvimento, que também viram sua produção de vacinas crescer.
Um exemplo é a indiana Bharat Biotech, que nesta quarta-feira anunciou ter entrado com o pedido de patente de dois tipos de vacinas "candidatas" para o zika junto ao governo indiano e que começará os testes em animais "nas próximas semanas".
No Brasil também há movimentação. Foi criada uma força-tarefa de cerca de 40 laboratórios por conta do zika, e uma das linhas de pesquisa averigua se a tecnologia da imunização à dengue (em fase de ensaio clínico no Instituto Butantan) poderia ser adaptada contra o zika.
E no final do ano passado, a Anvisa (agência nacional de vigilância sanitária) aprovou vacina contra a dengue da Sanofi Pasteur, divisão de vacinas da francesa Sanofi - que, aliás, também entrou na corrida por uma vacina contra o zika vírus.

Lobby

Enquanto entidades internacionais como a OMS e a Aliança Global para as Vacinas e a Vacinação (GAVI) adotam certa cautela diante dos anúncios de novas iniciativas, o mercado parece gostar.
No dia em que anunciou os planos para sua vacina genética contra o zika, a Inovio viu suas ações na Bolsa de Nova York subirem 8%. E em tempos de preocupação com o avanço do vírus e de mais pessoas expostas as suas possíveis complicações, anúncios do gênero também podem despertar a atenção de autoridades públicas de saúde.
DivulgaçãoImage copyrightInovio
Image captionJoseph Kim, fundador da Inovio, acena com vacina genética
"Mas é preciso que as pessoas entendam que estamos comprometidos em fazer a vacina chegar o mais rápido possível às mulheres que podem estar em situação de risco por causa do zika", afirma Joseph Kim, fundador da Inovio, cujo valor de mercado é de US$ 500 milhões - bem menor que a cotação de quase US$ 115 bilhões da Pfizer, uma das maiores pharmas do mundo, que na semana passada anunciou a intenção de produzir uma vacina.
"Por isso estamos abertos a parcerias com o governo, sobretudo para buscarmos investimentos para o programa de desenvolvimento da vacina. Não somos uma gigante farmacêutica."
AFPImage copyrightAFP
Image captionVacina contra o ebola teve parceria entre a iniciativa privada, governos e entidades internacionais
Uma fonte ligada à comunidade internacional de saúde disse à BBC Brasil que a gravidade da epidemia do zika deverá fazer com que interesses humanitários e comerciais andem de mãos dadas nos esforços de desenvolvimento de uma vacina.
Algo já visto, por exemplo, no recente surto do ebola na África, em que autoridades de saúde assumiram partes dos custos para que laboratórios desenvolvessem vacinas e tratamentos para uma doença que não tinha o que se pode chamar de um mercado lucrativo para a indústria farmacêutica - o ebola ficou confinado a países pobres do continente.
No entanto, um relatório da ONG Médicos Sem Fronteiras, divulgado no ano passado, estimou que, em média, o custo de vacinação de crianças nas regiões mais carentes do mundo cresceu quase 70 vezes desde 2001. Estimativas informais de analistas do mercado farmacêutico são de que uma vacina contra o zika poderia custar entre US$ 10 e US$ 50 por dose.
"Por isso, é bastante importante que os esforços contra o zika não se resumam ao desenvolvimento de vacinas. O vírus também oferece oportunidades para empresas voltadas, por exemplo, para a erradicação do Aedes aegypti. Há diferentes interesses em jogo e isso pode dar margem para muito lobby", avalia Ana Nicholls.

'Vai ser o médico mais bem vestido', diz alfaiate sobre filho 1º lugar na USP Diego foi aprovado pela segunda vez na USP, onde cursou engenharia. Após estudar a vida inteira em escolas públicas, começa novo curso.

Engenheiro civil recém-formado, o vestibulando que conquistou o primeiro lugar no vestibular de medicina da Universidade de São Paulo (USP) em 2016, tem motivos para se orgulhar da trajetória e para não se preocupar com ternos, jalecos e afins.

Basta um cliente entrar na oficina de Ildo da Silva, de 59 anos, pai de Diego Ohara Silva, de 29 anos, que o alfaiate conta as novidades, que segundo ele, o fizeram chorar. “O coração não aguentou”, lembra o pai emocionado. Ildo se orgulha em dizer que vai fazer as roupas de trabalho do filho. “Vai ser o médico mais bem vestido de São Paulo”, afirma.
Mas foi outra a engenharia inicialmente escolhida por Diego Ohara depois de anos de ensino público e muita dedicação para recuperar deficiências no ensino. Tanto que Ohara conta que não sabia da existência da USP (onde inicia em fevereiro a caminhada para o segundo diploma) até sair da escola, em 2003.O alfaiate conta que seu principal ensinamento para Diego foi de que as conquistas são resultado de processos. “É como plantar uma árvore, adubar e colher os frutos. Fazer o trabalho bem feito”, resume o alfaiate. O filho brinca que, se dependesse da quantidade de vezes que ouviu falar dessas árvores, trocaria a medicina por engenharia agronômica.
Diego Ohara, de 29 anos, estudou em escolas públicas, se formou em engenharia na USP e passou em 1º lugar em Medicina em 2016 (Foto: Marcelo Brandt/G1)Diego Ohara, de 29 anos, estudou em escolas públicas, se formou em engenharia na USP e passou em 1º lugar em medicina em 2016 (Foto: Marcelo Brandt/G1)
Trajetória no ensino público
Ohara, que estudou até o fim do ensino médio em escolas públicas, não tinha ideia de que faculdades também poderiam ser gratuitas e ninguém nunca o avisou.

“Quando você faz escola pública, ninguém te encaminha para um vestibular e te incentiva. No meu último ano, a professora falou que a gente tinha que estudar porque existiam as escolas técnicas. Eles nem cogitam a possibilidade de a pessoa fazer uma faculdade”, diz.

Ohara passou por três escolas públicas durante sua formação. Começou em uma municipal na Zona Sul, foi para uma estadual na Zona Norte e cursou o último ano do Ensino Médio em uma escola na região central. Em seguida, emendou a formação em um curso técnico de administração, que ele “curtia, mas não abriu muitas portas”.
O ensino público é muito defasado. Comecei estudando do zero para o vestibular porque não sabia acentuar uma palavra. O pessoal ficava brincando que eu escrevia em inglês"
Diego Ohara, de 29 anos
Foi um professor da escola técnica que falou da USP. Diego então fez o cursinho popular criado por alunos da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), mas não conseguiu passar no curso de economia.

“O ensino público é muito defasado. Comecei estudando do zero para o vestibular porque não sabia acentuar uma palavra. O pessoal ficava brincando que eu escrevia em inglês”, conta.

Tentou outro vestibular e, em 2013, foi aprovado em engenharia civil na USP. Ao se formar, no entanto, já sabia que não queria trabalhar na área após uma experiência de estágio em uma empresa do ramo foi frustrante.

“Vi que trabalhava muitas horas para gerar um lucro que não rendia nenhum bem social. Não queria trabalhar para alguém ganhar dinheiro”, explica.
Diego em uma das salas onde tinha aulas preparatórias para o vestibular (Foto: Marcelo Brandt)Diego em uma das salas onde tinha aulas preparatórias para o vestibular (Foto: Marcelo Brandt)
Medicina
Diego Ohara acabou tendo a atenção despertada para outra atividade que havia iniciado em 2010. Depois de fazer o cursinho da FEA, passou a dar aulas de ciências exatas para jovens como ele e viu que não queria mesmo trabalhar como engenheiro. “Pensei ‘você vai ficar fazendo isso pro resto da sua vida?’. Não entreguei um currículo quando me formei”, diz Diego, que atualmente dá aulas particulares.

Segundo ele, precisava “fazer algo bom, que gostasse, ajudasse sua família, amigos e gerasse um bem social e financeiro”. Decidiu estudar para ser médico.
Com a base de exatas do curso de engenharia, investiu nas matérias em que sabia que teria dificuldades e conseguiu uma bolsa no cursinho Poliedro. “Assistia aulas de português, biologia, geografia. Tinham aulas de exatas em que eu sabia bem o conteúdo e usava esse tempo para estudar outras coisas”, diz o estudante.

Para ele, não há receita fácil, mas o principal é o vestibulando identificar quais temas e disciplinas são seus pontos fracos e investir tempo de estudo neles. De alguma forma, lembra o conselho do pai alfaiate: encontrar a semente certa, plantar e cuidar bastante para ter chance de frutos.
Ildo da Silva, pai de Diego, fala emocionado da conquista do filho (Foto: Marcelo Brandt)Ildo da Silva, pai de Diego, fala emocionado da conquista do filho (Foto: Marcelo Brandt)
Aguiasemrumo
Que orgulho passar pela segunda vez no vestibular mais difícil do planeta. MEDICINA!  UNICA PROFISSÃO QUE NÃO FICA DESEMPREGADO EM NENHUM LUGAR DO MUNDO.

Igor Tokarski vai à Câmara após flagra no qual disse que não iria “nessa porra”

Manoela Alcântara/Metrópoles


Depois da declaração, via WhatsApp, em referência à reunião de distritais na terça (2/2), o secretário adjunto de Relações Institucionais do GDF participou da sessão desta quarta-feira (3) e se explicou aos parlamentares pessoalmente


Um dia depois de dizer, em um grupo de WhatsApp, que não iria “nessa porra”, em referência à primeira reunião de líderes da Câmara Legislativa do ano, o secretário adjunto de Relações Institucionais, Igor Tokarski, esteve frente a frente com os parlamentares nesta quarta-feira (3/2). Na Casa, houve um misto de constrangimento e brincadeiras. 
O articulador do Executivo na Casa usou a expressão chula após questionar a pauta e os nomes de quem fazia parte do encontro. E teve que se explicar. Mesmo depois de mandar mensagem aos distritais, alegando que o palavrão foi enviado ao grupo errado, foi abordado por todos que estavam em plenário. Eles comentavam sobre a mensagem e, entre sorrisos e abraços, Igor se explicava. Manteve a versão de que a enviou ao grupo errado, dada ontem ao Metrópoles e aos parlamentares.  
O assunto repercutiu de tal forma que dois dos oito deputados presentes na Casa o comentaram em plenário. O líder do PT, Wasny de Roure, com seis mandatos na carreira, deu uma bronca no secretário no primeiro discurso desta quarta-feira: “Que isso sirva de lição”, disse.
Wasny ainda completou ao se dizer incomodado com a declaração. “Quem deveria respeitar o Legislativo faz um comentário desse. O Legislativo, para mim, é um espaço nobre, de excelência do ponto de vista de acompanhamento da população. O Igor tem todo um futuro pela frente, mas esse futuro depende da trajetória e da construção com o Legislativo”, afirmou.
O desconforto foi evidente. No entanto, com o decorrer da tarde, o assunto virou brincadeira entre os parlamentares. Durante a sessão, os distritais falavam sobre o caos na saúde do DF. O comentário era sobre o caso da mulher grávida de cinco meses que perdeu o bebê depois de ser atendida e liberada no Hospital Regional de Ceilândia (HRC).
Os deputados questionavam por que nunca conseguem ser atendidos pelo secretário de Saúde, Fábio Gondim, para reivindicar melhorias no sistema, quando as brincadeiras começaram. “Duvido que o secretário de Saúde me atenda se eu ligar pedindo para melhorar a situação. Eu vou é ligar para ele nessa porra”, brincou Wellington Luiz (PMDB), arrancando risos de alguns presentes.
Por fim, os parlamentares levaram na esportiva. Igor, também. A expectativa era de que a sessão não tivesse quórum para ser aberta nesta quarta. Mas pelo menos oito deputados foram ao plenário e abriram as discussões.
Confira o que alguns parlamentares pensam sobre a declaração do secretário:
Rodrigo Delmasso (PTN): “Foi um comentário infeliz”.
Wellington Luiz (PMDB): “O comentário foi infeliz, mas o remédio foi muito pior. A tentativa dele de justificar foi o mesmo que tentar menosprezar a inteligência dos deputados”.
Júlio César (PTB), líder do governo na Câmara: “Ele explicou que estava falando em outro grupo. Não me senti ofendido. Eu mesmo já mandei fotos em grupos errados”.
Reginaldo Veras (PDT): “Não vejo nada demais. Foi uma interjeição, a expressão de um pensamento da alma. Não prejudica minha relação com ele. Pelo contrário, só tenho elogios”.

Chico Vigilante (PT): “Foi uma brincadeira de mau gosto. De vez em quando, as pessoas falam essas pérolas”, afirmou.