sábado, 16 de janeiro de 2016

"Dia D" para o levantamento das sanções ao Irão está iminente RITA SIZA Agência Internacional de Energia Atómica pode confirmar este fim-de-semana o cumprimento de todas as obrigações negociadas para a limitação do programa do Irão. Preço do petróleo cai para mínimo histórico.

O levantamento das sanções é um óptimo trunfo político para o Presidente Hassan Rouhani JEWEL SAMAD/REUTERS
O primeiro e mais imediato sinal das enormes implicações da reentrada do Irão nos mercados globais, após o levantamento das sanções impostas à república islâmica como penalização pelo desenvolvimento do seu programa nuclear, foi a queda  de 4.5% no preço do petróleo, que depois de 12 anos se fixou, esta sexta-feira, abaixo dos trinta dólares por barril.
Os mercados anteciparam-se à Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), que se presumia poder divulgar antes do fim do dia o seu relatório com a confirmação do cumprimento de todos os passos negociados pelo chamado grupo 5+1 de aliados ocidentais com o Irão, aquando da assinatura do histórico acordo para a limitação e escrutínio do seu programa nuclear. A apresentação do documento acabou por ser adiada – mas nem por isso os investidores (e os especuladores) deixaram de se comportar como se o Irão já tivesse sido formalmente autorizado a retomar as exportações.
De todas as consequências que o levantamento das sanções terá no curto prazo, a descida do preço do crude era das mais previsíveis. No decurso das negociações, o regime fez saber que tinha condições para aumentar a produção em 500 mil barris por dia mal findasse o embargo, e que em menos de um ano alcançaria o anterior volume de 3,4 milhões por dia. Os analistas consideram estas metas excessivamente optimistas, mas sabem que qualquer acréscimo significativo da oferta petrolífera só pressionará ainda mais para baixo o seu valor de mercado (que desde meados de 2014 caiu 70%).
Ligeiramente menos previsíveis são os efeitos do colapso do preço do petróleo em países produtores cujas economias estão muito dependentes deste recurso, e que atravessam um período de crise e instabilidade política – em particular a Venezuela, Rússia e Nigéria. O que se espera é que essas duas variáveis venham a deteriorar-se nos próximos tempos.
Mas quanto a outros impactos resultantes do fim do isolamento comercial, financeiro e diplomático de Teerão, são mais as dúvidas do que as certezas. É de supor que a nova liquidez do regime, que voltará a ter acesso aos bens congelados pelas sanções bancárias (estimados em mais de cem mil milhões de dólares) e deixará de ter as transferências internacionais bloqueadas, tenha como efeito a dinamização da economia, e em função disso, uma melhoria das condições de vida no país. É menos um motivo de tensão para o regime, e um “bónus” para as pretensões políticas do Presidente Hassan Rouhani e a sua ala moderada, a cerca de um mês das eleições legislativas.
À “pacificação” interna poderá, no entanto, corresponder uma maior volatilidade externa. Afinal, é no tabuleiro da geo-estratégia que é mais difícil calcular as movimentações iranianas. Teerão tem interesses directos, e está actualmente envolvido, nos conflitos em curso no Iraque e na Síria (onde, em nome próprio ou através do Hezbollah, suporta o combate ao Estado Islâmico e apoia o regime de Damasco) e também no Iémen, onde está do lado oposto ao da Arábia Saudita. Aliás, nas últimas semanas, o braço-de-ferro silencioso entre os dois regimes xiita e sunita, respectivamente, deu lugar à hostilidade aberta.
Neste puzzle, ainda há outra peça difícil de encaixar: Israel. O Governo de Benjamin Netanyahu reagiu à iminente “reabilitação” financeira e diplomática do Irão com a intensificação dos seus esforços para fortalecer a ligação aos Estados árabes do Golfo, e também ao Egipto, segundo o The Wall Street Journal.
A Casa Branca disse estar consciente de “importantes progressos nos esforços de Teerão para a implementação do acordo nuclear”, mas não deixou de considerar a república islâmica como um parceiro instável. “Há muitas razões para não confiar no Irão”, afirmou o porta-voz da Administração, Josh Earnest. O mesmo responsável sublinhou que o documento que se espera da AIEA é mais do que “um simples relatório técnico”, para justificar o facto de não ter sido apresentado no final da reunião de sexta-feira em Viena. A expectativa é que a divulgação ocorra “nos próximos dias” – possivelmente ainda durante o fim-de-semana –, bastante mais cedo do que se estimava quando o compromisso foi firmado.

EUA emitem alerta de viagem a América Latina e Caribe por vírus Zika sábado, 16 de janeiro de 2016 09:21

(Reuters) - Autoridades de saúde dos Estados Unidos emitiram na sexta-feira um alerta de viagem a 14 países e territórios da América Latina e do Caribe onde a infecção pelo vírus Zika é um risco.
Os Centros para Prevenção e Controle de Doenças dos EUA alertaram particularmente mulheres grávidas a não viajarem para essas áreas, já que o Zika tem sido ligado a sérios problemas de nascença.
O alerta de viagem se aplica a Brasil, Colômbia, El Salvador, Guiana Francesa, Guatemala, Haiti, Honduras, Martinica, México, Panamá, Paraguai, Suriname, Venezuela e Porto Rico.
O vírus Zika é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, que também transmite dengue e chikungunya.
(Reportagem de Deena Beasley)

Cerco ao hotel no Burkina Faso fez pelo menos 26 mortos 11:31 Económico

Ministro do Interior anuncia fim da operação que durava desde sexta-feira num hotel frequentado por estrangeiros e diplomatas, na capital do país, Ouagadougou. Al-Qaeda reivindicou ataque que vitimou quatro dos seus supostos combatentes.
Cerco ao hotel no Burkina Faso fez pelo menos 26 mortos
O cerco ao Splendid Hotel, na capital do Burkina Faso, terminou, após as forças de segurança invadirem o edifício que estava cercado desde a noite de sexta-feira. O anúncio foi feito pelo ministro do Interior daquele país da costa oeste de África, citado pela Reuters.
Até ao momento estão já contabilizados 26 mortos, quatro dos quais atacantes supostamente ligados à Al-Qaeda, enquanto 126 pessoas foram salvas pela operação das forças de segurança. Destas, 33 estão a ser tratadas a ferimentos.
Antes, o presidente Christian afirmara haver pelo menos 23 pessoas de 18 nacionalidades distintas mortas no ataque terrorista.
Em frente ao hotel, no centro da capital Ouagadougou, foram encontrados 10 corpos, indicou ainda o ministro, que explicou estarem a decorrer movimentações das forças de segurança, apoiadas pelo exército francês, no hotel Yidi, nas redondezas do Splendid, de modo a fazerem sair terroristas aí escondidos.
A Al-Qaeda do Magrebe islâmico reclamou responsabilidade pelo ataque na capital do Burkina Faso, direccionado ao hotel de 147 quartos, popular entre estrangeiros e diplomatas. Antes da invasão ao Splendid, um café de fronte para o hotel foi palco de tiroteio.
Em Novembro, também a capital do vizinho Mali viveu um episódio semelhante, com o ataque ao Radisson Blu de Bamako, onde foram feitos mais de centena e meia de reféns e se registaram 19 mortos.

Sábado, 16/01/2016, às 06:00, por Sérgio Nogueira Acordo ortográfico: o que muda a partir deste mês?


O acordo ortográfico começou a valer em janeiro para todos os países
da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP). Neste mês, destacamos no blog o que mudou e o que não mudou em nosso idioma.
1. ACENTUAÇÃO GRÁFICA – parte 2

As regras que sofreram alguma alteração.

B) – Regras especiais

1ª) Regra dos hiatos (abolida pela reforma ortográfica):

Como era?
Todas as palavras terminadas em “oo(s)” e as formas verbais terminadas em “-eem” recebiam acento circunflexo:
vôo, vôos, enjôo, enjôos, abençôo, perdôo; crêem, dêem, lêem, vêem, relêem, prevêem.

Como fica?
Sem acento:
voo, voos, enjoo, enjoos, abençoo, perdoo; creem, deem, leem, veem, releem, preveem.

O que não muda?
a)    Eles têm e eles vêm (terceira pessoa do plural do presente do indicativo dos verbos TER e VIR);
b)    Ele contém, detém, provém, intervém (terceira pessoa do singular do presente do indicativo dos verbos derivados de TER e VIR: conter, deter, manter, obter, provir, intervir, convir);
c)    Eles contêm, detêm, provêm, intervêm (terceira pessoa do plural do presente do indicativo dos verbos derivados de TER e VIR).

Como fica?

ELE/ELA        ELES/ELAS        ELE/ELA        ELES/ELAS
-ê                    -eem                   -em/-ém         -êm
crê                  creem                  tem                têm
dê                   deem                   vem               vêm
lê                     leem                   contém          contêm
vê                    veem                  provém          provêm


2ª) Regra do “u” e do “i” (parcialmente abolida):

O que não mudou?
As vogais “i” e “u” recebem acento agudo sempre que formam hiato com a vogal anterior e ficam sozinhas na sílaba ou com “s”:
Gra-ja-ú, ba-ú, sa-ú-de, vi-ú-va, con-te-ú-do, ga-ú-cho, eu re-ú-no, ele re-ú-ne, eu sa-ú-do, eles sa-ú-dam;

I-ca-ra-í, eu ca-í, eu sa-í, eu tra-í, o pa-ís, tu ca-ís-te, nós ca-í-mos, eles ca-í-ram, eu ca-í-a, ba-í-a, ra-í-zes, ju-í-za, ju-í-zes, pre-ju-í-zo, fa-ís-ca, pro-í-bo, je-su-í-ta, dis-tri-bu-í-do, con-tri-bu-í-do, a-tra-í-do...

Observações:
a)     A vogal “i” tônica, antes de “NH”, não recebe acento agudo: rainha, bainha, tainha, ladainha, moinho...
b)    Não há acento agudo quando o “u” e o “i” formam ditongo e não hiato: gra-tui-to, for-tui-to, in-tui-to, cir-cui-to, mui-to, sai-a, bai-a, que eles cai-am, ele cai, ele sai, ele trai, os pais...
c)    Não há acento agudo quando as vogais “i” e “u” não estão isoladas na sílaba: ca-iu, ca-ir-mos, sa-in-do, ra-iz, ju-iz, ru-im, pa-ul...

O que mudou?
Perdem o acento agudo as palavras em que as vogais “i” e “u” formam hiato com um ditongo anterior: fei-u-ra, bai-u-ca, Bo-cai-u-va, Guaiba, Guaira...

Como era/ como fica?
Feiúra – feiura;
Baiúca – baiuca;
Bocaiúva – Bocaiuva:

3ª) Regra dos ditongos abertos “éu”, “éi” e “ói” (parcialmente abolida):
Como era?
Acentuavam-se todas as palavras que apresentam ditongos abertos:
ÉU: céu, réu, chapéu, troféus...
ÉI: papéis, pastéis, anéis, idéia, assembléia...
ÓI: dói, herói, eu apóio, esferóide...

Observações:
a)    Não se acentuam os ditongos fechados:
EU: seu, ateu, judeu, europeu...
EI: lei, alheio, feia...
OI: boi, coisa, o apoio...
b)    No Brasil, colmeia e centopeia são pronunciados com o timbre aberto.    
 
O que mudou?
Perdem o acento agudo somente as palavras paroxítonas: ideia, epopeia, assembleia, jiboia, boia, eu apoio, ele apoia, esferoide, heroico...

O que não mudou?
O acento agudo permanece nas palavras oxítonas: dói, mói, rói, herói, anéis, papéis, pastéis, céu, réu, troféu, chapéus...

“Regras europeias não podem mudar consoante o Governo que está em funções” Marisa Matias afirmou esperar que as instituições europeias não tenham “dois pesos e duas medidas” ao incluir o BANIF no défice de 2015, e lembrou que “Bruxelas tem que aprender de uma vez por todas que o que vale é a vontade democrática de quem vive neste país”.

Foto de Paulete Matos
Confrontada com as declarações do Ministro das Finanças, esta quinta-feira, que disse que a intervenção do BANIF “dificulta” a saída de Portugal do Procedimento de Défice Excessivo em 2015, Marisa Matias afirmou esperar que “Bruxelas não faça opções ideológicas” e mude “as regras consoante o Governo que está em funções é mais ou menos simpático para aquilo que ditam as regras de Bruxelas”.
Recorde-se que Marisa Matias já havia criticado, no início do ano, a forma de cálculo dos défices, em que o dinheiro dos contribuintes usado para salvar a banca não conta para o cálculo do défice, mas por exemplo os três mil milhões que faltaram ao serviço nacional de saúde já contam. Marisa criticava, assim, os critérios diferenciados estabelecidos por Bruxelas, aparentemente com base em opções ideológicas, usados como “uma absoluta desculpa apenas para continuar a política de austeridade em Portugal”.
Assim, se em nenhum outro país europeu, inclusivé Portugal, no caso do BES, se corrigiu o défice com base nessa intervenção, Marisa disse não esperar outra coisa senão que “as regras sejam as mesmas”.
"O défice, em outros períodos, em outras alturas, foi calculado a partir das instituições de Bruxelas tendo em conta um conjunto de critérios. Se olharmos para o que se passou com o BES verificamos que houve critérios que foram tidos em conta. Se olharmos para o que se está a passar com o BANIF já vemos que há uma tentativa de alteração das regras", explicou, denunciando que já "está a haver um tratamento muito diferenciado e muito desigual".
A candidata presidencial recordou, igualmente, que Bruxelas e Berlim estiveram “muito confortáveis com oito pedidos de resolução que não foram resolvidos relativamente ao BANIF”, deixando “que se arrastasse o problema da responsabilidade do Governo anterior até este Governo” tomar posse.
"A escolha dos portugueses foi acabar com a austeridade e votar em todas as alternativas que existiam em relação a um Governo que trouxe o ciclo de empobrecimento. Bruxelas tem que aprender de uma vez por todas que o que vale é a vontade democrática de quem vive neste país", concretizou.

Sinais dos Oceanos Um dos argumentos mais repetidos sobre os impactos das alterações climáticas é a ameaça de elevação do nível do mar, mas indicadores de outra natureza têm sido apresentados pelos mídia e por uma rede de cientistas de todo o mundo, que vão muito além do nível das águas. Artigo de Ricardo Barreto.

Foto de Gemma Stiles/Flickr
Um dos argumentos mais repetidos sobre os impactos das alterações climáticas é a ameaça de elevação de nível do mar, pelo derretimento das calotes polares. Esse não é um indicador desprezível, certamente, como bem alertaram as nações insulares que participaram da COP 21. Um caso recente e dramático é do Atol de Biquini, parte das Ilhas Marshall, que gerou um pedido aos Estados Unidos para abrigar toda a sua população, uma vez que já não vê condições de continuidade na ilha, constantemente invadida pelas águas do mar. O caso noticiado pela BBC mostra para os deslocamentos humanos forçados por impactos ambientais que devem tornar-se mais frequentes com as alterações climáticas.
Indicadores de outra natureza têm sido apresentados pelos mídia e por uma rede de cientistas de todo o mundo, mostrando que as mensagens vindas dos oceanos vão muito além do nível das águas. O aumento da temperatura no Pacífico Norte é um deles, conforme alerta a National Oceanic and Atmospheric Administration dos EUA, registrado pela revista Rolling Stone. A reportagem destaca o depoimento de cientistas e pescadores, classificando o fenómeno como “jamais visto antes”, e mostra um amontoado de morsas numa das poucas praias do Ártico que subsiste para descanso dos animais durante o degelo de 2015.
A Universidade de Southern California já identificou também uma disrupção no ritmo reprodutivo da bactéria thricodesmium, em consequência das alterações climáticas. Segundo a reportagem da revista Scientific American, essa bactéria é fundamental para a vida marinha, pois converte o nitrogénio da atmosfera numa forma de nitrogénio que pode ser absorvida pela cadeia alimentar.
Um estudo do ARC Centre of Excellence for Coral Rief Studies da Universidade de Queensland, Austrália, mostra que toda a biodiversidade marinha está a ser afetada de modo geral e que sofrerá impactos ainda maiores com o agravamento do aquecimento global. Publicado na revista científica Nature Climate Change noticiado pelo Science Daily, o estudo aponta, entre os desdobramentos, a migração de espécies para outras regiões, impondo nova competição e predação com espécies já existentes. Também fala em menos diferenciação de comunidades biológicas de uma mesma região, o que pode causar o declínio de espécies.
E ainda o relatório da agência norte-americana NOAA, que mostra a forte queda nos stocks pesqueiros, segundo notícia do The Sault. Entre as razões, a redução do fitoplâncton – alimento base para a maioria dos filhotes de peixes. O Atlântico Norte é apontado como o local onde este efeito das mudanças climáticas está mais intenso.
Mas a ciência ainda não tem uma noção completa do comportamento dos oceanos face à mudança do clima, o que traz mais incertezas sobre o futuro. Um exemplo vem de estudo publicado na Science e noticiado pelo Guardian. Os pesquisadores constataram um novo ciclo de absorção de carbono no oceano do hemisfério Sul do planeta, um dos principais sumidouros de gases de efeito estufa da Terra.
Outra descoberta que traz uma certa esperança em relação ao sequestro de carbono veio de uma pesquisa feita com bactérias Thiomicrospira crunogena, encontradas nas profundezas do oceano. Cientistas da UF College of Medicine, que descobriram que ela produz anidrase carbónica, uma enzima que ajuda a remover o dióxido de carbono de organismos. A ideia é estudar a aplicação dessas bactérias em processos industriais para reduzir a emissão de CO2, explica o artigo do Tech Times.
Enquanto essa e outras soluções não se concretizam, os oceanos continuam o processo de aquecimento das águas e de acidificação e os sinais multiplicam-se à velocidade da Internet.

Ministério Público quer tabelar os lucros de postos de combustíveis Promotor espera somente a conclusão da denúncia criminal contra os envolvidos no suposto cartel de pontos de venda de gasolina para entrar com a ação. O órgão pode até pedir a dissolução de grupos societários a fim de fazer o preço do produto cair

 Helena Mader
Carlos Moura/CB/D.A Press
 

O alto preço dos combustíveis nos postos do Distrito Federal, motivo de reclamação constante entre os brasilienses, será avaliado pela Justiça. O Ministério Público do Distrito Federal vai entrar com uma ação para pedir o tabelamento da margem de lucros dos empresários do setor. Para o MP, os ganhos dos donos de postos são exorbitantes, o que prejudica o consumidor da capital federal.

Este mês, as revendas reajustaram os preços e a gasolina custa hoje, em média, R$ 3,97 na cidade — um dos valores mais altos do Brasil. Essa medida foi adotada no DF em 2011, quando a Justiça limitou a margem de lucro dos postos em um patamar de 15,8% durante um período de um ano. Mas, ao fim da restrição, os empresários voltaram a impor as próprias regras, combinando preços e elevando os valores cobrados dos brasilienses.

O promotor de Defesa do Consumidor Paulo Binicheski, que analisa o caso, diz que aguarda apenas a conclusão da denúncia criminal contra os acusados de envolvimento no cartel de postos do DF para entrar com a ação de tabelamento — apontados na Operação Dubai, realizada em conjunto pela Polícia Federal e pelo MP no fim do ano passado — no Tribunal de Justiça do DF. “Temos informações de que a margem de lucro dos empresários do setor supera 20%. Como o inquérito está sob sigilo e não temos acesso a todas as provas, é preciso aguardar a denúncia para entrarmos com essa ação”, explica o promotor.

De acordo com Binicheski, o MP não descarta adotar outras medidas contra o cartel. “Vamos analisar a possibilidade de pedirmos uma indenização pelos prejuízos causados aos consumidores. Esse valor deve ser equivalente a 10% do lucro dos empresários nos últimos cinco anos. O Ministério Público também pode pedir a dissolução de grupos societários, para que haja a venda de parte dos postos”, acrescenta o promotor de Defesa do Consumidor.

Concorrência
Paulo Binicheski lembra, entretanto, que a eficácia do processo judicial pode demorar. “A ação anterior levou três anos para ser julgada. A forma mais efetiva de reduzir os preços a curto prazo seria a ampliação da concorrência com a instalação de postos em estabelecimentos, como supermercados”, assegura. Mas o promotor critica a lei sancionada esta semana pelo governador Rodrigo Rollemberg e garante que as exigências impostas pela nova legislação podem inviabilizar a implantação de postos. “A lei diz que a mudança de alteração de uso tem que ser de relevante interesse público e deve ser feito um estudo prévio de viabilidade técnica. Mas não explicita quem ficará responsável pela elaboração desses levantamentos”, aponta.