domingo, 29 de novembro de 2015

Reparações e explicações O caso Volkswagen mostra que a Europa precisa de um novo padrão de controle de emissões e de um sistema dissuasivo de sanções Volkswagen perde 7,2 bilhões de reais pelo caso das emissões


Detalhe de logotipo da Volkswagen . EFE/Arquiivo
fraude dos motores adulterados em alguns modelos da Volkswagen (VW) para dissimular emissões de materiais poluentes também se espalhou a outras marcas do grupo como Audi, Seat e Skoda. A pressão investigativa também levantou suspeitas sobre outras marcas de automóveis, cujos modelos estariam excedendo os limites de emissões permitidos. O impacto público do escândalo da Volkswagen se manifesta hoje na informação insuficiente fornecida pelo grupo aos seus clientes, no temor pela diminuição de investimentos da VW (Wolfsburg já anunciou que os investimentos previstos na Espanha não serão afetados) e na lentidão da justiça para determinar as responsabilidades pessoais e corporativas na fraude.

A VW ainda tem muitas coisas a explicar, da projeção de suas contas em função do impacto da fraude nas suas receitas às disposições corporativas adotadas para evitar a manipulação dos testes de seus veículos. Quase tantas quanto os Governos europeus, começando pelo da Alemanha, que não tinham conhecimento do engano e que estão reagindo praticamente às cegas; ou as autoridades europeias, na mesma situação de ignorância prática. A Europa precisa de um novo padrão de controle de emissões e de capacidade para aplicar sanções dissuasivas em caso de descumprimento.O grupo alemão se permitiu uma pausa para anunciar que já existe um procedimento para colocar dentro da norma os motores 1.6 e 2.0 litros afetados pela manipulação. Trata-se, de acordo com a VW, de um reparo simples que requer apenas uma hora de trabalho. Está bem que seja assim, mas convém lembrar que mesmo um reparo de uma hora implica em inconvenientes para os proprietários dos veículos, que já estão irritados com a terapia de silêncio aplicada pela empresa alemã que estão suportando desde setembro.

Nada justifica comportamentos condenáveis contra a Mãe Terra! Vamos agir com responsabilidade, compreendendo nosso planeta como um ser vivo, que respira e tem direito a vida.  Aguiasemrumo

“Até aqui, a Europa agiu como se fosse invulnerável ao caos do mundo”


TÁBUA RASA. “Devemos olhar o mundo com olhos novos”
JOSÉ CARLOS CARVALHO

Dois dias após os atentados de Paris, Boubacar Boris Diop participou num colóquio na Fundação Gulbenkian sobre Media e Desenvolvimento. Sob o signo da influência dos meios de comunicação na construção da imagem do outro, Diop falou ao Expresso sobre os atentados de Paris. Tinha voado para Lisboa diretamente da capital francesa, onde também se encontrava a 7 de janeiro, por ocasião do ataque ao “Charlie Hebdo”.
Como avalia a cobertura mediática dos atentados de 13 de novembro?
O que mais me impressionou, no 7 de janeiro e no 13 de novembro, foi o contraste radical entre o silêncio da população, que se cruzava nas ruas sem reagir, chocada, e o barulho dos media. Sou também jornalista, sigo os media, leio, reflito e, enquanto observador não francês, vejo que este tipo de acontecimentos aprofunda a clivagem entre a população e o establishment oficial e mediático, que exorta à guerra e ao fim da liberdade dos inimigos da liberdade.
Coloca os media ao lado do Governo?
Sim, em França não vejo exceção. O que os media fazem é ir no sentido daquilo que eles pensam ser a opinião do público. Depois há a questão do medo. Os jornalistas são seres humanos e têm medo. A sociedade francesa tem tabus, coisas que toda a gente pensa sobre o Islão e sobre o mundo árabe e sobre os magrebinos - as “comunidades”, como eles dizem - e que saltam à superfície detonadas por situações como os ataques de Paris. Eu fico chocado e infeliz com este radicalismo islamita, as pessoas que o seguem são doentes. O que me choca nos atentados de 13 de novembro é a quantidade de jovens que foi morta!
Quer isso dizer que o Governo e os media franceses não representam a população?
Os media não cumprem a sua obrigação de esclarecimento lúcido. É preciso ultrapassar a leitura das consequências para mostrar os mecanismos. Há cidadãos baleados e ninguém explica porquê. Não se relaciona o presente com a invasão do Iraque em 2003, uma lição da História que não aprendemos. Em segundo lugar, penso que se deveria mostrar à opinião pública ocidental a ligação entre o global e o local, ainda que eu ache que a Europa e o Ocidente estejam prestes a descobri-la. Nós já o sabemos há muito tempo.
Nós, os africanos?
Nós, os africanos e todos os povos que foram conquistados, sabemos há muito tempo que podem vir pessoas de muito longe e transformar as nossas sociedades e as nossas vidas. Até aqui, a Europa agiu como se fosse invulnerável ao caos do mundo. É por isso que cada vez que há um debate sobre a guerra no Iraque a questão que se levanta é sempre sobre moral. A Europa considerava-se uma fortaleza. Destruiu-se a Líbia, a seguir a Síria e a consequência é esta crise de refugiados que os países europeus não querem. Mas que vão ter de aceitar por força do desespero. Esta crise vai mudar a forma que a Europa tem de olhar o mundo. É preciso que os cidadãos europeus pensem a política global em função da sua vida. Não se pode pôr o mundo a ferro e fogo e os europeus ficarem tranquilos a preocupar-se com a crise económica e com a idade da reforma.
O acolhimento dos refugiados diferenciou os governos das sociedades civis?
Por muito respeito que tenha pelos cidadãos comuns, que seguem os seus corações e não fazem cálculos políticos, estamos na quadratura do círculo. E tenho medo. É nobre e louvável o exercício dos cidadãos que acolhem pessoas e as ajudam, mas é um contributo limitado, principalmente quando os partidos políticos dos países cada vez mais dizem que essa situação não é tolerável. Ao lado dos cidadãos que os aceitam há os que dizem “não”. Tenho medo que isso faça explodir a xenofobia. Espero enganar-me. Mas acho que estamos a caminhar para o fim de Schengen.
O que se pode fazer para evitar a estigmatização?
Tem de se educar os olhares. Quando se é africano, oriental, indiano etc, nota-se logo. Quando se é branco é como se fosse normal. Como reconhecer o humano no outro? No fundo, é preciso fazer um esforço sobre si mesmo, considerando que somos todos humanos sobre a mesma Terra e que os acidentes da História nos fizeram percorrer percursos singulares... o que não faz que o sírio ou o africano seja um ser humano incompleto. Há duas formas de validação destes preconceitos: a espontânea, como a dos tipos nos estádios que gritam como macacos para gozar com os jogadores negros; e há o racismo sofisticado dos intelectuais, aquele que reina nos meios de comunicação.
O que quer o Daesh? Que futuro acha que tem a organização?
Todas as ideias de terror que conhecemos até hoje partiam da ideia de que os outros deveriam morrer e os terroristas sobreviver. Entrámos numa nova dialética em que jovens na força da vida se fazem explodir para levarem o maior número de gente com eles. Não compreendo! É inaceitável que a vida tenha perdido a importância. O Daesh pode ter métodos sofisticados, mas está condenado a ser destruído. Só conta com o apoio das monarquias do Golfo e como ataca em todas as direções - Europa, Japão, China, Estados Unidos... -, tem o mundo todo contra si. Eles sabem-no, por isso têm uma tática de terra queimada. Diz-se que eles utilizam novas tecnologias de forma muito sofisticada, mas os serviços secretos dos países fazem o mesmo. Toda a gente utiliza a internet e as redes sociais para manipular a informação, são meios tão poderosos quanto o provam o Wikileaks, o Snowden... Porém, há atores espantosamente silenciosos de quem não se fala e que deveriam estar no centro do debate. A chave da situação internacional está na Arábia Saudita e no Qatar, mas ainda são intocáveis. E entretanto, enquanto nos distraímos com o Daesh, a Al-Qaeda reorganiza-se e ganha tempo. Acho que a procissão vai no adro e não há líderes políticos à altura do desafio.

Juíza libera integrantes de cartel dos combustíveis e proíbe empresários de gerenciar os negócios A magistrada não renovou o decreto da prisão temporária que mantinha os empresários presos desde a última terça-feira (24/11)

Rafaela Felicciano/Metrópoles
Os sete acusados de integrar um cartel para controlar os preços dos combustíveis no Distrito Federal não poderão gerir seus próprios negócios. Essa é a determinação da  juíza Ana Cláudia Morais Mendes, da 1ª Vara Criminal de Brasília. A magistrada decidiu pela liberação dos presos na Operação Dubai e não renovou o decreto da prisão temporária que mantinha os empresários atrás das grades desde a última terça-feira (24/11).
Pela decisão da Justiça, os sete presos que estão no Centro de Detenção Provisória (CDP), no complexo penitenciário da Papuda, poderão deixar a prisão às 0h deste domingo (29/11). Embora ganhem a liberdade,  os empresários não poderão, sequer, entrar nos escritórios em que comandavam suas redes de postos. Caso a Polícia Federal identifique que algum deles tentou interferir ou se envolver em decisões corporativas, serão presos novamente. Nenhum deles pode deixar o país ou viajar para outro estado sem que haja liberação da Justiça.
De acordo com uma fonte da Polícia Federal ouvida pelo Metrópoles, os sete envolvidos serão acompanhados de perto pelos investigadores. Qualquer ação para tentar prejudicar as investigações ou atrapalhar o curso do inquérito também irá resultar em prisão. “Orientações ou determinações corporativas repassadas por telefone, internet ou qualquer outro meio serão vistas como uma quebra de decisão judicial”, afirmou.
Serão libertados os presos na Operação Dubai: Antônio José Matias de Souza, sócio da maior rede de postos de combustíveis do DF, a Cascol; Cláudio José Simm, proprietário da rede Gasolline; José Carlos Ulhôa Fonseca, presidente do Sindicato dos Donos de Postos de Combustíveis. Além dos outros quatro envolvidos: Marcelo Dornelles Cordeiro, administrador da rede JB, e José Miguel Simas Oliveira Gomes, funcionário da Cascol; André Rodrigues Toledo, gerente de vendas da Ipiranga e Adão do Nascimento Pereira, gerente de vendas da BR Distribuidora no DF, preso no Rio de Janeiro.
Dubai
Deflagrada na última terça-feira (24/11), a ação desarticulou um cartel de combustíveis no DF e no Entorno. Donos e funcionários das principais redes como Cascol, BR Distribuidora, Ipiranga e Gasolline foram detidos. Segundo as investigações da PF e do MPDFT, o valor da gasolina era elevado em 20% para os consumidores. Além disso, o preço do álcool era aumentado para inviabilizar o consumo do combustível nos postos da capital.
Na ação, sete pessoas foram presas e 25 levadas à Superintendência da PF para prestarem depoimento. De acordo com a investigação, o sindicato perseguia os empresários que decidiam deixar o cartel. O prejuízo que apenas uma das redes investigadas causou para os brasilienses é de, ao menos, R$ 1 bilhão por ano.
Cicero Lopes/Metrópoles

Rio Doce e o caminho da lama - Dia 5: G1 percorre as cidades atingidas pelo rompimento de barragem em Mariana.

Flávia Mantovani e Alexandre Nascimento

Dejanira Krenak, de 66 anos, pertence à aldeia Krenak. Idosos da comunidade indígena choram ao ver a tragédia que atingiu o Rio Doce (Foto: Flávia Mantovani/G1)Dejanira Krenak, de 66 anos, pertence à aldeia Krenak. Idosos da comunidade indígena choram ao ver a tragédia que atingiu o Rio Doce (Foto: Flávia Mantovani/G1)
No quinto dia de cobertura pelas margens do Rio Doce o G1 chegou a Minas Gerais. Na cidade de Resplendor está localizada a reserva indígena da tribo Krenak. Os indígenas consideram o curso d´água sagrado e estão chocados com o ocorrido.

Os idosos da comunidade choram ao chegar perto do rio e constatar que o "watu é kwen" (o rio morreu). Há alguns dias os índios fecharam uma ferrovia da Vale em protesto contra a contaminação das águas.
A equipe do G1 está percorrendo 680 km em 10 dias, parando em ao menos 5 cidades, para mostrar a situação das pessoas afetadas pela queda da barragem em Mariana (MG).
Acompanhe a cobertura em tempo real e veja a seguir um resumo do 5º dia.
QUEDA NO TURISMO
Cartaz mostra diversas atividades turísticas noRio Doce em Resplendor. Agora tudo está suspenso por tempo indeterminado. Um senhor que fazia pesseios contou que recebia entre 100 e 150 pessoas aos sábados. Hoje haviam 92 turistas agendados, mas após cancelamentos sobraram apenas 18.
Cartaz mostra passeios turísticos no Rio Doce em Resplendor (MG) (Foto: Flávia Mantovani/G1)Cartaz mostra passeios turísticos no Rio Doce em Resplendor (MG) (Foto: Flávia Mantovani/G1)
ECONOMIA DE ÁGUA
Avisos como o da foto abaixo, pedindo que os hóspedes economizem água, estão presentes em todos os hotéis por onde o G1 passou durante a reportagem.
Aviso em hotel de Regência, em Minas Gerais, pede que hóspedes economizem água por causa do desastre ambiental no Rio Doce (Foto: Flávia Mantovani/G1)Aviso em hotel de Regência, em Minas Gerais, pede que hóspedes economizem água por causa do desastre ambiental no Rio Doce (Foto: Flávia Mantovani/G1)
MUDANÇA NO ECOSSISTEMA
O ajudante de manutenção Ricardo Barros conta que, após a chegada da lama, as capivaras, os peixes e até os pássaros sumiram. (veja o vídeo).
 PRÓXIMOS PASSOS
 Neste domingo (29), a equipe do G1 segue para Governador Valadares (MG).

Mapa - DIA 5 - Caminho da lama (Foto: Arte/G1)

“Chega”, diz Obama após massacre em clínica de aborto no Colorado Autoridades evitam especular sobre as razões do homem que matou três pessoas a tiros Três mortos em ataque contra uma clínica de abortos nos EUA

Foto policial de Robert Lewis Dear, de 57 anos, preso pelo massacre / AFP
massacre na sexta-feira em um centro de planeamento familiar em Colorado Springs, Estados Unidos, voltou a provocar neste sábado a condenação frustrada do presidente Barack Obama, que em uma declaração disse que o país precisa “fazer algo sobre o fácil acesso a armas de guerra nas nossas ruas por pessoas que não têm nenhum motivo para carregá-las”. “Chega”, acrescentou Obama, que depois do massacre em outubro passado no Oregon, visivelmente irritado,disse que suas próprias declarações sobre esta questão tinham se tornado “rotina”.
O único vestígio biográfico do suposto assassino é que viveu em uma cabana sem eletricidade ou água nas montanhas da Carolina do Norte, do outro lado do país. Os investigadores interrogaram o detido, mas no sábado pela manhã sua declaração ainda não tinha sido divulgada. Seus vizinhos, citado pela Associated Press, dizem que era uma pessoa reservada, cujas raras conversas eram caóticas. No dia seguinte ao ataque ainda é desconhecido se ele tinha alguma ligação com essa clínica ou com Colorado Springs. Dear está detido sem fiança e será apresentado ao juiz na segunda-feira.Três pessoas, incluindo um policial, foram mortas na sexta-feira no ataque a tiros contra um centro de planejamento familiar em Colorado Springs, Estados Unidos. Um homem identificado pela polícia como Robert Lewis Dear, de 57 anos, entrou armado no centro de planejamento familiar depois de disparar contra os carros do exterior. Ele permaneceu entrincheirado mais de cinco horas até que a polícia conseguiu entrar, falar com ele e conseguir que se rendesse. Nove pessoas, incluindo cinco policiais, ficaram feridos por balas, mas estão fora de perigo.
Embora os motivos do agressor ainda não estavam definidos no sábado, o fato de ser uma clínica de Planned Parenthood disparou os alarmes sobre a segurança de alguns centros que são constantemente difamados pela direita fundamentalista cristã que possui uma grande influência sobre uma parte do Partido Republicano. O presidente evitou, na sua declaração, referir-se aos motivos do assassino. Nem a polícia nem a própria organização de planejamento familiar quiseram, em um primeiro momento, especular sobre o motivo do assaltante.
A sexta-feira não foi um dia mais em um país onde cerca de 10.000 pessoas por ano morrem por armas de fogo. O prefeito de Colorado Springs, John Suthers, disse no sábado que o motivo do massacre podia ser “inferido a partir do lugar onde aconteceu e como aconteceu”. A polícia de Nova York, por exemplo, reforçou a segurança dos centros de Planned Parenthood na cidade na sexta-feira assim que ficou sabendo do ataque. Este é o primeiro ataque a uma clínica de abortos em seis anos, de acordo com a Reuters.
O nome de Planned Parenthood é citado sem exceção por todos os candidatos republicanos à presidência dos Estados Unidos nos debates, competindo por mostrar sua contundência contra a organização e prometendo retirar todo o financiamento federal que ela recebe para prestar assistência médica a mulheres com poucos recursos (cerca de 500 milhões de dólares por ano) nas 700 clínicas que possui em todo o país. Em outubro passado, esses fundos estiveram no centro da discussão pública sobre o orçamento, a tal ponto que os republicanos ameaçaram bloquear novamente o Governo federal. Os republicanos usam uma controversa investigação com câmera escondida na qual, de acordo com a interpretação deles, foram reveladas práticas comerciais macabras de tecidos fetais.
Colorado Springs, que está a cerca de 100 quilômetros ao sul de Denver, Colorado, é um bastião da direita cristã nos Estados Unidos, tem uma grande população de militares e é sede de congregações religiosas influentes. A clínica de Planned Parenthood na cidade é alvo regular de protestos e recentemente se mudou para sua atual localização nos subúrbios.

sábado, 28 de novembro de 2015

Intelectuais pedem a Maduro respeito ao resultado das eleições na Venezuela Manifesto contra abusos do governo venezuelano foi apresentado em Madri neste sábado

Dez dos membros da Caravana pela Liberdade, nesta sexta-feira em Madri. / SANTI BURGOS
Pelo menos quarenta intelectuais e artistas latino-americanos e espanhóis, entre eles Mario Vargas Llosa, Fernando Savater, Félix de Azúa, Andrés Trapiello, Santiago Roncagliolo, Fernando Iwasaki e Alberto Barrera, assinaram o manifesto Intelectuais pela liberdade na Venezuela, que será apresentado neste sábado, em Madri, e exige respeito do governo de Caracas aos direitos humanos, à liberdade de expressão e aos resultados das eleições legislativas que serão realizadas no próximo dia 6 de dezembro naquele país.
assassinato a tiros, na tarde da última quarta-feira, do dirigente de oposição da Ação Democrática, Luis Manuel Díaz, enquanto ele participava de um comício eleitoral junto com Lilian Tintori, esposa do líder preso da Vontade Popular, Leopoldo López, exacerbou todos os ânimos, a nove dias de eleições cruciais. “Repudiamos a politização dos poderes públicos, que impede a existência de um controle ao presidente, uma justiça real e um árbitro imparcial para as eleições, que garanta o cumprimento da Constituição”, afirma o início do texto, que alerta sobre a “corrupção que se instalou na Venezuela” e o “colapso das instituições”.
O manifesto que, segundo os organizadores, surgiu espontaneamente depois da morte de Díaz, é parte dos atos da chamada Caravana pela Liberdade na Venezuela, que nos últimos dias percorre Lisboa e Madri com várias atividades. Na sexta-feira à tarde, no Círculo de Belas Artes da capital espanhola, sete intelectuais e artistas venezuelanos — os escritores Alberto Barrera, Domenico Chiappe e Juan Carlos Méndez Guédez; o cineasta Oscar Lucien, o fotógrafo Alexander Apóstol, a cantora lírica Elvia Sánchez e a artista plástica Diana López, irmã de Leopoldo López — compareceram para denunciar a grave situação que o país vive. “Os tiros contra Luis Manuel Díaz respondem ao ‘vale tudo’ de Nicolás Maduro para ganhar as eleições”, disse Barrera.
A iniciativa foi promovida por Maite Pagazaurtundua, porta-voz da UPYD (União Progresso e Democracia) no Parlamento Europeu, que também assinou o manifesto, e pelo eurodeputado português José Inazio Faria, do Partido da Terra. Os autores da carta fazem referência à insegurança cidadã na Venezuela que, segundo suas palavras, funciona como um sistema de “coerção social” e fazem alusão ao sistema que obriga os cidadãos a registrar suas impressões digitais em máquinas controladas por “aparatos de repressão estatal” para as atividades mais básicas, desde o direito ao voto até a compra de alimentos.
Contudo, a maior exigência dos que assinaram o manifesto — alguns obrigados a viver fora do país por causa da situação política e que pedem a volta dos exilados — é que o Governo de Maduro, cujo regime qualificam como “estado de desamparo”, respeite a dissidência e por uma lei de anistia para presos políticos — calculados em dezenas — e cidadãos comuns, cujo único delito foi expressar uma opinião contrária nas redes sociais.

França considera cooperar com as forças de Assad contra o ISIS Ministro francês das Relações Exteriores indica que será necessária uma ação terrestre Declaração é bem recebida em Damasco

A reunião entre o presidente russo, Vladimir Putin, e o francês,François Hollande, rendeu um primeiro resultado: o ministro francês das Relações Exteriores, Laurent Fabius, indicou na sexta-feira que Paris pensa em cooperar com as tropas do regime sírio na ofensiva contra o Estado Islâmico no marco da transição política que a comunidade internacional impulsiona na Síria. Fabius afirmou que os bombardeios não são suficientes, que é necessária uma ação terrestre, e que nela pode ter um papel o regime de Bashar Al Assad. Damasco deu boas-vindas à declaração.
Esta é a primeira vez que o Executivo francês manifesta de forma explícita a possibilidade de cooperar sobre o plano militar com as forças do regime.Depois dos atentados de 13 de novembro, o Governo francês intensificou os bombardeios sobre posições do ISIS na Síria e no Iraque e lançou uma ofensiva diplomática para obter uma maior coordenação internacional nas operações contra o grupo terrorista. Entretanto, não pretende colocar suas tropas em terra, uma faceta da ação militar que Paris considera indispensável para o sucesso. “Devem ser tropas sírias, árabes, curdas...”, indicou Laurent Fabius, ministro francês das Relações Exteriores, em uma entrevista a cinco jornais europeus, entre eles o EL PAÍS. Fabius esclareceu posteriormente que seu Governo considera a possibilidade de “cooperar com as forças do Exército sírio no marco de uma transição política confiável”.
Para Fabius, entretanto, não se trata de uma mudança de posição porque a cooperação estaria condicionada a essa transição política síria, em que, considera, não pode participar Bashar Al Assad. O Governo de François Hollande admite, contudo, “elementos do regime” nessa transição.
A prioridade do Governo de Hollande, agora, é atacar duramente o ISIS e somar aliados a uma grande coalizão global. “A França lutará até o fim e ganhará sua batalha contra o terrorismo”, afirmou o presidente francês na sexta-feira durante a emocionante homenagem às 130 vítimas dos atentados de Paris. Moscou, que anteriormente bombardeou a oposição ao regime, foi sensível às demandas de Paris após os atentados e começou a coordenar suas ações com a França. Segundo Fabius, Putin e Hollande concordaram em “estabelecer um mapa das forças que não são terroristas e que combatem o ISIS”. Moscou se absterá de bombardear essas forças.
A possibilidade de que as tropas do regime sírio combaterem em terra com tropas aliadas contra o ISIS foi bem recebida em Damasco. “Antes tarde do que nunca”, respondeu em Moscou o ministro das Relações Exteriores sírio, Walid Mouallem. “Se Fabius for sério quanto a trabalhar com o Exército sírio, e com tropas em terra contra o Daesh [sigla árabe pejorativa em referência ao ISIS], damos boas-vindas à proposta”. No entanto, o ministro fazia ressalvas em suas declarações indicando que, para isso, seria necessária “uma mudança fundamental”.
“Por mudança fundamental, faz referência a uma mudança radical na política francesa em seu apoio a países como Turquia ou Arábia Saudita, que alimentam o terrorismo na Síria”, avalia em uma conversa por telefone Bassam Abu Abdallah, analista e professor de relações internacionais na Universidade de Damasco. “E isso inclui não interferir nos assuntos internos sírios como a eleição do presidente”, acrescenta. Para Abu Abdallah, as recentes visitas de três delegações parlamentares francesas à Síria evidenciam uma mudança “na atmosfera política francesa com relação à Síria”, exacerbada após os ataques de Paris.
O desenvolvimento da posição francesa se encaixa no esforço dos principais atores internacionais para impulsionar uma transição política na Síria. Recentemente o Irã se incorporou às conversações e os analistas observaram, nos últimos tempos, uma moderação das chamadas das potências ocidentais a uma imediata saída de Bashar Al Assad do poder.
Moscou foi a penúltima etapa de Hollande em sua ofensiva diplomática em busca de apoio à coalizão global contra o ISIS. Depois de encontrar-se com os mandatários de Reino Unido, Estados Unidos, Alemanha e Itália, receberá neste domingo em Paris o chinês Xi Jinping.
Quatro países (Reino Unido, Alemanha, Finlândia e Irlanda) já ofereceram seu apoio ao projeto. O reforço das tropas no Malialiviaria a carga francesa na região para poder se concentrar no Oriente Médio. A Alemanha ajudará em ambas as frentes. O Reino Unido, estendendo, se seu Parlamento permitir, os bombardeios à Síria (agora só o faz no Iraque). A Finlândia oferece apoio logístico em Erbil, no norte do Iraque, e também no Mali. Neste último país também poderiam acrescentar-se tropas irlandesas.
O reforço da chamada operação Chammal no Oriente Médio deixou a França no limite de suas capacidades militares no exterior. Paris mantém na região 3.500 efetivos e um grande arsenal bélico (38 aviões) que lhe permitiu nos últimos dez dias, desde 15 de novembro, realizar 106 voos sobre a Síria e o Iraque e lançar 20 bombardeios contra o ISIS. São operações que se desenvolvem paralelamente em outro barril de pólvora terrorista, o Sahel, onde a França manté 4.500 soldados.

Apoio alemão

A Alemanha é o país que pôs sobre a mesa a proposta mais concreta, ao aceitar enviar 650 soldados ao Mali, um país desestabilizado por grupos terroristas onde as tropas francesas brigam junto aos capacetes azuis da ONU. Além disso, Berlim enviará para o Oriente Médio entre quatro e seis aviões de reconhecimento Tornado, aviões-cisterna e uma fragata para defender o porta-aviões Charles de Gaulle.
O Sahel é um vespeiro. No dia 20, um grupo terrorista matou 19 pessoas em uma tomada de reféns no hotel Radisson Blu da capital malinesa Bamako. Graças às forças que mantém ali, a França pôde enviar imediatamente a 40 peritos antiterroristas que participaram na libertação dos reféns.
As últimas operações francesas no norte do Mali resultaram na morte de dois terroristas e na detenção de vários deles. A missão no momento é destruir os refúgios dos grupos terroristas, segundo informa o Ministério da Defesa, e tentar que não consigam reconstrui-los.
Essas operações contam com a aprovação da população francesa e de todo o arco político no parlamento. Na quarta-feira passada, a Assembleia Nacional aprovou quase por unanimidade (515 votos a favor contra quatro) o reforço da presença militar francesa no Oriente Médio.