terça-feira, 7 de julho de 2015

Novas regras para reduzir cesáreas nos planos de saúde entram em vigor

Propostas da ANS e Ministério da Saúde têm como objetivo diminuir cesáreas desnecessárias (Foto: ALBANE NOOR / BSIP)Resolução da ANS têm como objetivo diminuir cesáreas desnecessárias (Foto: ALBANE NOOR / BSIP)
Entrou em vigor nesta segunda-feira (6) a nova regra da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para estimular o parto normal nos planos de saúde. A Resolução Normativa nº 368 prevê, entre outras coisas, que a gestante tenha o direito de saber a porcentagem de partos normais e cesarianas de seu plano de saúde, de seu hospital e de seu médico.

Veja abaixo 6 perguntas sobre os motivos e o funcionamento dessa resolução:
O que muda para a gestante com plano de saúde?Qual é o objetivo da Resolução Normativa nº 368?
O objetivo das novas regras é diminuir a porcentagem de cesáreas desnecessárias e aumentar a de partos normais nos planos de saúde. Em 2013, do total de 541.476 partos pagos por planos de saúde, 84,5% foram cesáreas, segundo informações divulgadas pela ANS. No SUS, segundo o Ministério da Saúde, esse índice é menor que 40%.
A partir de agora, a gestante tem o direito de pedir a seu plano de saúde a informação sobre qual é o índice de cesáreas e partos normais de seu plano, de sua maternidade e de seu médico. A ideia é que, com essas informações, ela possa tomar decisões mais conscientes sobre seu parto. 
Ela também deve receber o Cartão da Gestante, documento que traz os principais dados de acompanhamento da gestação. O cartão deve ficar em posse da gestante e ela pode apresentá-lo nos estabelecimentos de saúde em que for atendida para que os profissionais que tiverem contato com ela possam se informar sobre o andamento de sua gravidez.
Faz parte do Cartão da Gestante a Carta de Informação à Gestante, documento que dá informações básicas sobre pré-natal, gestação e direitos das gestantes, como o de ter um acompanhante de sua escolha durante o parto.
O que muda para médicos e hospitais?
Além da obrigatoriedade de fornecer o Cartão da Gestante, médicos também passam a ter de preencher o partograma. Trata-se de um documento que detalha o andamento do trabalho de parto. Se for necessário fazer uma cesárea ou recorrer a outras intervenções durante o parto, esse documento deve dizer por que esses procedimentos foram necessários.
Segundo César Eduardo Fernandes, diretor-científico da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (Sogesp), tanto o cartão da gestante quanto o partograma são ações que já vinham sendo feitas mesmo antes da resolução da ANS. O que muda é que, agora, a operadora só vai pagar o médico pelo procedimento quando ele apresentar o partograma ou um relatório médico, quando não for possível fazer o partograma.
Os médicos veem com ressalva a divulgação das taxas de parto de cada profissional. "Isso é uma medida discriminatória", diz Fernandes. Em nota, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) afirma que pode haver obstetras que tenham índices altos de cesáreas porque são especializados em partos de alto risco, por exemplo. Por isso, a entidade pede que as gestantes avaliem essas informações junto às operadoras de saúde.
E quando a mulher optar por cesárea, mesmo tendo condições de fazer parto normal, os planos de saúde cobrirão o procedimento?
Sim, a gestante pode optar pela cesariana agendada mesmo tendo condições de fazer o parto normal. O plano de saúde deve cobrir o procedimento. O que muda é que a gestante deve assinar um "Termo de Consentimento Livre e Esclarecido", em que declara que está ciente dos riscos associados à cesárea. Esse termo deve ser anexado ao relatório médico sobre o parto que será entregue à operadora de saúde no lugar do partograma.
Como o texto da resolução cita a obrigatoriedade do partograma – que só é possível fazer a partir do momento em que a mulher entra em trabalho de parto – alguns médicos interpretaram que a resolução impedia que a grávida optasse pela cesárea, segundo Etelvino Trindade, presidente da Febrasgo. Detalhamentos da resolução publicados no site da ANS, porém, deixam claro que a mulher pode optar pela cesariana.
Parto (Foto: Reprodução/TV Globo)Parto cesariano (Foto: Reprodução/TV Globo)
Por que o número de cesáreas é tão alto no Brasil?
Segundo Fernandes, os altos índices de cesarianas nos planos de saúde envolvem vários fatores, entre eles maternidades com estruturas voltadas para o parto cesáreo, comodidade no agendamento do parto e remuneração baixa dos médicos para o parto normal.
Além de equipar maternidades para a realização de partos normais, ele considera importante haver campanhas educativas para a população sobre os benefícios do parto normal, fazer treinamentos com os obstetras e criar um programa de incentivo com remuneração melhor para parto normal.
A nova resolução não prevê que os hospitais criem estruturas adequadas para a realização desse procedimento. “Menos de 20% das salas de parto das maternidades estão preparadas para fazer parto normal”, diz Fernandes.
“A ação que realmente pode ser definidora de uma mudança de cultura é a ambientação do parto. Se a mulher entender que ela será bem atendida no hospital, que tem uma equipe que vai entendê-la, que ela conhece e reconhece, isso vai permitir que ela se sinta confortável para escolher o tipo de parto”, diz Trindade, da Febrasgo.
Entre as mães que já passam pela experiência de fazer parto normal pelo plano de saúde, também há relatos sobre a falta de adequação das maternidades ao procedimento. É o caso de Simone Queiroz Bueno Peffer, de 27 anos. Grávida do segundo filho, desta vez ela optou por um parto domiciliar para não ter de repetir a experiência ruim do primeiro parto, que fez em uma maternidade particular pelo plano de saúde.
O médico que faria seu parto demorou para chegar ao hospital e, enquanto isso, ela se sentiu pressionada pela equipe médica da maternidade para a realização de intervenções que não estavam previstas em seu plano de parto. “Meu marido teve que ficar brigando para que nossas exigências fossem atendidas. Gera uma tensão. Nosso médico ficou preso em um trânsito terrível e ficamos duas horas com a equipe de plantonistas. Foi um terror.”
Qual seria a porcentagem ideal de partos normais?
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o ideal seria que apenas 15% dos partos fossem cesáreas. Médicos dizem, porém, que esse índice não é praticado nem em países com sistemas de saúde considerados como modelo, como a Inglaterra. Lá, o índice é de 22%. “Locais onde menos de 15% dos partos são cesáreos têm também maior morbidade materno-fetal”, diz Trindade.
Bebê em maternidade (Foto: Reprodução/TV Globo)Bebê em maternidade (Foto: Reprodução/TV Globo)

segunda-feira, 6 de julho de 2015

'Nem conto o que se passou comigo em 11 anos', diz Barbosa em mensagem de apoio a Maju

Por Fausto Macedo e Julia Affonso
O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa usou o Twitter no domingo, 5, para mandar duas mensagens de apoio à jornalista Maria Júlia Coutinho, a Maju, do Jornal Nacional, da TV Globo. Ela foi alvo de comentários racistas na noite de quinta-feira, 2, na página oficial do telejornal, no Facebook. Internautas escreveram posts pejorativos sobre a cor da pele da repórter em uma publicação que continha a foto dela com a previsão do tempo para o dia seguinte. 
"Pois é, Maju. Aqui é assim. O pior é que boa parte dessa gente ainda se acha relevante, tem veleidades de ser vista como pessoas civilizadas", disse Barbosa no primeiro post.
Publicações em defesa de Maju logo surgiram após as críticas. Na tarde de sexta-feira, 3,, um usuário do Twitter postou uma crítica ofensiva à jornalista, que foi rebatida por ela. "Beijinho no ombro", respondeu Maju.
"Adorei tua resposta, Maju. Nem te conto o que se passou comigo nos 11 anos em que ocupei posição de alta responsabilidade e visibilidade...", afirmou o ex-presidente do STF.
Joaquim Barbosa ficou onze anos no Supremo, entre 2003 e 2014. Ele presidiu a Corte máxima no julgamento do Mensalão, a histórica Ação Penal 470 que levou para a cadeia quadros importantes do PT, inclusive o ex-ministro-chefe José Dirceu (Casa Civil no goverro Lula). Barbosa não entrou em detalhes, porém, sobre o que ele viveu naqueles onze anos na Corte máxima.
Na sexta-feira, o Ministério Público do Estado (MPE) do Rio informou que instaurou um procedimento investigatório criminal para apurar os comentários racistas contra Maju. Em nota, a TV Globo informou que as mensagens racistas contra Maju haviam sido retiradas da página do Facebook do Jornal Nacional.
O âncora do Jornal Nacional William Bonner, a apresentadora Renata Vasconcellos e a equipe do telejornal fizeram um vídeo em resposta aos comentários preconceituosos. Sem citar a polêmica, Bonner falou: "A gente queria dar um recado para vocês. E o recado é esse aqui, ó: 'somos todos Maju'". A hashtag "SomosTodosMajuCoutinho" ficou em primeiro lugar nos Trend Topics do Twitter.

MP denuncia mais 2 suspeitos cinco anos após morte de Eliza Samudio Promotoria ofereceu denúncia contra policial aposentado e outro da ativa. Goleiro Bruno e mais cinco já foram condenados por envolvimento no caso.

José Lauriano de Assis Filho (Foto: Reprodução / TV Globo / Fantástico)José Lauriano de Assis Filho
(Foto: Reprodução / TV Globo / Fantástico)
Cinco anos depois da morte de Eliza Samudio, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou mais duas pessoas por envolvimento no assassinato da jovem. O goleiro Bruno Fernandes e mais cinco pessoas foram condenadas por participação no caso.

A Promotoria ofereceu denuncia contra o policial aposentado José Lauriano de Assis Filho, conhecido como Zezé, e o policial da ativa Gilson Costa.

Segundo consta na denúncia assinada pelo promotor Daniel Saliba de Freitas, Zezé poderá responder por homicídio triplamente qualificado, sequestro e cárcere privado de Eliza e do filho, ocultação de cadáver, corrupção de menor majorada, corrupção de menores, além de uso de violência ou grave ameaça. Já Gilson Costa foi denunciado apenas por este último crime.
Gilson Costa (Foto: Reprodução / TV Globo / Fantástico)Gilson Costa (Foto: Reprodução / TV Globo / Fantástico)
De acordo com a denúncia, no dia 4 de junho de 2010, Zezé sequestrou Eliza Samúdio e o filho dela, então com quatro meses,  com a ajuda do primo de Bruno, Jorge Luiz Lisboa Rosa. Ainda segundo o MP, a ação foi acertada com o goleiro e Luiz Henrique Romão, o Macarrão.
Zezé também teria ajudado a manter Eliza e o bebê em cárcere privado até o dia 10 de junho quando a vítima foi assassinada. O denunciado ainda teria participado da morte dela ao lado do já condenado Marcos Aparecido de Souza, o Bola.
O MP sustenta que Zezé corrompeu o então adolescente Jorge Luiz Lisboa Rosa a ajudá-lo a ocultar o cadáver de Eliza.
Ainda segundo a denúncia, com medo de também ser incriminado, Zezé pediu ajuda a Gilson. O policial teria dito a Jaílson que ele tinha três opções: mudar o depoimento, fugir ou ter a esposa assassinada. A testemunha chegou a escapar da penitenciária, sendo recapturado posteriormente, vindo a relatar a coação sofrida, de acordo com o MP.No dia 16 de julho de 2011, Zezé e Gilson Costa teriam ameaçado a testemunha Jaílson Alves de Oliveira dentro da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Belo Horizonte. Ele havia sido companheiro de cela de Bola na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.Por causa disso, Jaílson ficou sabendo de detalhes da morte de Eliza.
O caso
Eliza desapareceu em 2010 e seu corpo nunca foi achado. Ela tinha 25 anos e era mãe do filho recém-nascido do goleiro Bruno, de quem foi amante. Na época, o jogador era titular do Flamengo e não reconhecia a paternidade.

Condenados
Bruno Fernandes foi condenado a 22 anos e 3 meses pelo assassinato e ocultação de cadáver de Eliza Samudio e também pelo sequestro e cárcere privado do filho, Bruninho. A pena é de 17 anos e 6 meses em regime fechado por homicídio triplamente qualificado (por motivo torpe, asfixia e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima), a outros 3 anos e 3 meses em regime aberto por sequestro e cárcere privado e ainda a mais 1 ano e 6 meses por ocultação de cadáver. A pena foi aumentada porque o goleiro foi considerado o mandante do crime, e reduzida pela confissão do jogador.

Já Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, foi condenado a 22 anos de prisão pela morte de Eliza Samudio e pela ocultação do cadáver da ex-amante do goleiro Bruno. A pena, determinou 19 anos de prisão em regime fechado pelo homicídio e mais três anos de prisão em regime aberto pela ocultação do cadáver.

Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, foi condenado a 15 anos de prisão - pena mínima por homicídio qualificado em razão de sua confissão. Conforme a sentença da juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues, Macarrão foi condenado a 12 anos em regime fechado por homicídio triplamente qualificado (por motivo torpe, asfixia e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima) e mais três anos em regime aberto por sequestro e cárcere privado. Ele foi absolvido da acusação de ocultação de cadáver.

Fernanda Gomes de Castro, ex-namorada do goleiro, foi condenada a 5 anos de prisão pelos crimes de sequestro e cárcere privado, de Eliza Samudio e de seu filho, Bruninho, condenada à pena de 2 anos e 3 anos respectivamente, ambas em regime aberto.

Elenilson da Silva e Wemerson Marques – o Coxinha – foram considerados culpados pelo sequestro e cárcere privado do filho da ex-amante do goleiro. O primeiro foi condenado a 3 anos em regime aberto e o outro, a dois anos e meio também em regime aberto.

Cai a ficha, e Dilma vê a crise

Focada nas pedaladas matinais que têm feito muito bem à sua saúde, Dilma parecia não enxergar que  os problemas políticos se acumulavam.
No último domingo, contudo, depois de uma barulhenta convenção do PSDB, ela viu a necessidade de se movimentar: determinou a ministros que fizessem a defesa do governo e convocou duas reuniões para esta segunda feira. A primeira da chamada articulação política e no começo da noite do conselho político, que reúne os presidentes dos partidos aliados.
O primeiro sinal veio depois da viagem aos Estados Unidos, que integrantes do governo consideraram um sucesso (ela recebeu seguidos elogios de Barack Obama e do vice Joe Biden), mas tudo acabou ofuscado pelos problemas internos.
Durante a viagem, Dilma insistiu em falar de problemas internos, como comentar trechos da delação premiada do empresário Ricardo Pessoa, alvo de investigações na Operação Lava Jato. O que poderia ganhar com a viagem, Dilma perdeu ao não se desligar dos problemas internos.
Nesse ambiente, o governo começou a ver sua base parlamentar se esfarelar no Congresso. Perdeu duas votações importantes  o fim do fator previdenciário e o reajuste do Judiciário.
Ao mesmo tempo, na Câmara, foi aprovada emenda que reduz a maioridade penal. Embora não seja assunto de governo, Dilma citou a proposta como uma vitória (que durou menos de 24 horas, quando a primeira proposta foi rejeitada na Câmara). Na segunda, a derrota mostrou a fragilidade da base, ou falta de capacidade de iniciativa.
 
Na reação organizada para esta segunda-feira, Dilma obteve bom resultado: o vice Michel Temer  que na semana passada não quis comentar a sugestão de Eduardo Cunha para que se afastasse da articulação política (ele disse que continuará trabalhando para articular a base do governo) – e vários líderes de partidos aliados deixaram de lado o silêncio e saíram em defesa do governo. 
 
Ponto para Dilma. Afinal, outros dois problemas não dependem de um movimento tão rápido. São eles, a crise econômica que está levando o Brasil ao crescimento negativo, e a popularidade de um dígito, que assusta qualquer governante.

Polícia derrete mais de 3 mil armas apreendidas em Los Angeles Metal será reaproveitado na construção de pontes e estradas. Em 22 anos, mais de 180 mil armas já foram destruídas.

Um policial joga armas em uma grande pilha antes delas serem derretidas em uma usina siderúrgica de Rancho Cucamonga, na Califórnia. Cerca de 3400 armas confiscadas foram derretidas e o seu metal será utilizado na construção de estradas e pontes (Foto: Nick Ut/AP)Um policial joga armas em uma grande pilha antes de elas serem derretidas em uma usina siderúrgica de Rancho Cucamonga, em Los Angeles, na segunda (6) (Foto: Nick Ut/AP)
Quase 3.400 armas foram derretidas em Los Angeles na manhã de segunda-feira (6), em uma ação promovida pelo Departamento de Polícia do Condado de Los Angeles. As armas foram apreendidas pelo departamento e por outras dez agências legais, segundo o xerife Jim McDonnell.

Esta foi a 22ª edição do “Annual Gun Melt”, no qual armas apreendidas são destruídas e o material resultante é transformado em barras de metal que posteriormente são usadas na construção de pontes e estradas.

Os armamentos foram derretidos na usina siderúrgica Gerdau Strett Mill, em Rancho Cucamonga, que há 20 anos cede suas instalações e funcionários para a ação. De acordo com o xerife, nesse período foram destruídas mais de 180 mil armas.

“As armas destruídas jamais serão usadas novamente para cometer um crime, ou para ameaçar, intimidar ou ferir uma vítima inocente”, afimou McDonnell em um release para a imprensa sobre o “Annual Gun Melt” deste ano.

General Santos Cruz


Ter um animal de estimação traz alegria, qualidade de vida e saúde

  • Para os humanos, a relação com seus animais de estimação é como um resgate da natureza
    Para os humanos, a relação com seus animais de estimação é como um resgate da natureza
Um casamento pode se desfazer em pouco tempo. Já a relação entre um humano e seu bicho de estimação, quase sempre, cumpre o "até que a morte os separe".  É assim há pelo menos 10 mil anos, desde que o homem domesticou cão e gato.  Aos poucos, tornaram-se companheiros inseparáveis e essa relação foi evoluindo ao longo do tempo.

Filmes como "Marley e Eu" e "Para sempre ao seu lado", que mostram o relacionamento entre os humanos e seus animais de estimação, não só foram sucesso de bilheteria como levaram plateias às lágrimas.

Hoje, pesquisas e estudos em todo o mundo demonstram que a convivência com os animais traz tranquilidade e bem-estar às pessoas.  Alexandre Rossi, especialista em comportamento animal e atualmente com o programa "Missão Pet" no canal a cabo Nat Geo, vivencia de perto essa interação benéfica.

"Quando levamos cães em locais com pessoas doentes, em especial crianças, e  idosos, constatamos a alegria que trazem. A relação é muito diferente se há apenas humanos nas visitas", relata Rossi.

O zootecnista lembra-se, em especial, de um golden retriever. "Era muito interessante, porque ele sempre dava carinho e atenção à criança que mais parecia triste. Ficava do lado e, aos poucos, ela começava a brincar."

Uma extensão de si mesmo
  • Detento convive com gato em penitenciária dos Estados Unidos; segundo pesquisas, os felinos ajudam a trazer o lado sensível destes homens
Rossi explica que, ao contrário dos visitantes que se comovem com as histórias e muitas vezes não conseguem dar força às crianças e velhinhos, os cães trazem leveza ao ambiente.  "Eles brincam, fazem algo engraçado e proporcionam momentos de muita descontração."

Para quem perdeu a capacidade de se locomover, por acidente ou até mesmo pela idade avançada, estar perto de um animal é se realizar através dele. "Quando essa pessoa vê um cachorro brincando e correndo como louco, é como se fosse uma extensão dele", analisa Rossi.

Além disso, para quem quer emagrecer, ter um cão é uma excelente pedida. Isso porque é necessário fazer passeios diários, assim, sem perceber, a pessoa está se exercitando. Sem contar que, no caminho, vai fazendo amizades e conhecendo gente nova.

Relacionamento saudável
 

VOCÊ É GATEIRO OU CACHORREIRO?

  • Você já parou para pensar por que gosta mais de cachorro ou gato? Por que se identifica mais com Garfield ou Odie?
    Segundo o professor Carlos C. Alberts, a diferença de comportamento dos dois animais pode explicar essa preferência. "O cachorro vê o ser humano como um líder. Em uma matilha, todos os cães querem agradar o líder, o veneram e são condicionados a ele", comenta. Geralmente, uma pessoa que não se incomode com essa relação de dependência, se dará melhor com um cão.
    Um gato visualiza o dono mais como uma mãe ou irmão mais velho. "Sua célula social é a família. Ele é amoroso, mas faz o que quer, tem certa independência", explica o professor. Nesse caso, alguém que tenha as mesmas características escolherá um felino.
Que conviver com animais desde cedo faz bem à saúde, proporcionando o aparecimento de anticorpos e, deste modo, evitando futuras alergias, já está comprovado cientificamente.

Agora, estudos já demonstraram que o contato com os animais aumenta a produção de endorfina no organismo, o hormônio que causa prazer e sensação de bem-estar. Além disso, o convívio com um cão ou gato diminui a pressão sanguínea, os níveis de colesterol e do estresse e também reduz o risco de problemas cardiovasculares.

Nos Estados Unidos, cachorros e gatos têm sido usados em prisões como forma de melhorar o clima interno. Em uma penitenciária feminina de Bedford Hills, as detentas ajudam a adestrar filhotes de labradores e golden retrievers. Após um ano, eles são doados a pessoas com deficiência físicas ou com estresse pós-traumático, como ex-veteranos de guerra.

Em prisões de vários Estados, graças a parcerias com abrigos de animais, gatos que estavam prestes a serem sacrificados são enviados para que os prisioneiros cuidem deles. Muitos destes, no corredor da morte. Para as autoridades locais, os gatos trazem o lado sensível daqueles homens, como se fossem crianças. Além disso, a presença dos felinos alivia a raiva e tira o estresse e a agressividade destes condenados.  

CUIDE BEM DE SEU PET

Alexandre Rossi dá dicas de como ter uma relação equilibrada com seu bichinho:
Não mime seu cão ou gato. Isso não é saudável nem para o animal, nem para você. Contrariado, ele pode ter atitudes agressivas
Não facilite a vida de seu pet. Ele precisa preservar os instintos. Faço-o farejar o que quer, use brinquedos que soltem a ração aos poucos
Caminhe, brinque com bolinha, faça com que ele se exercite. Isso é fundamental para a saúde dos animais
Se você tem um cão, leve-o para passear, assim ele mantém contato com outros de sua raça
Lembrem-se de que os animais, assim como os humanos, gostam de atenção e carinho
Resgate da natureza

Segundo a Abinpet  (Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação),  até o fim do ano, teremos 37,1 milhões de cachorros e 21,4 milhões de gatos espalhados pelo país.  É só andar pelas ruas ou visitar casas e apartamentos para confirmar esses números.

Essa grande quantidade de pets na vida das pessoas talvez seja a busca de algo que se perdeu com a vida corrida e estressante.  "Hoje, vivemos em um mundo com aspecto artificial, rodeado de tecnologia e praticamente sem natureza por perto. A relação com os animais é uma forma de resgatar esse contato. É a ligação do ser humano com algo mais natural", explica Carlos C. Alberts, professor de zoologia da UNESP no campus de Assis.

Muitas vezes as pessoas estão cansadas de interagir umas com as outras e elegem os animais para ter uma relação mais estável e até prazerosa. "Os animais têm um comportamento automático. Quando percebem que outro é mais forte, eles se submetem. Aí não há conflito e a relação torna-se mais fácil", comenta o professor Alberts.

E não deixa de ser muito prazeroso chegar em casa e ser recebido com lambidas e pulos dos cães ou daquele entrelace dançante entre as pernas que só os gatos sabem fazer.

CÃO DE MORADOR DE RUA LEVA FACADA PARA DEFENDER O DONO DE LADRÃO

  • Pessoas que circulam pelo bairro da Saúde, em São Paulo, se comovem com a relação de Sebastião Palermo e seus cães, Fred (à direita) e Diana. Morador de rua há 20 anos, Sebastião considera os animais como sua família.
    O sentimento de fidelidade e amor pode ser traduzido pela atitude de Fred, que levou uma facada só para defender o dono de um ladrão. "Estava dormindo em frente a uma loja e um homem veio me roubar. O Fred percebeu, foi em cima dele e acabou levando a facada", relembra.
    O cachorro foi ajudado por moradores do local e, após passar por cirurgia, está bem. Sebastião cuida dele desde quando era filhotinho. "O Fred é filho da Diana. Eles são fundamentais na minha vida. Não sei o que seria de mim sem os dois"
Percepção que ajuda e salva

Além de proporcionar bem-estar psicológico, os animais também podem ajudar os seres humanos de formas surpreendentes. Pesquisas comprovaram que cães ajudam a detectar cânceres precoces. Por seu olfato apurado, os cachorros descobrem a doença pelo cheiro alterado das pessoas que apenas eles conseguem sentir.

Mas os felinos não ficam atrás. O professor Alberts relata a história de um homem de 60 anos que descobriu estar com um tumor graças a seu gato. De uma hora para a outra, o animal começou a colocar a patinha próxima ao peito do dono e a miar sem parar. Fez isso várias vezes, sempre no mesmo lugar.  "A pessoa ficou cismada, procurou um médico e recebeu o diagnóstico de um tumor que começava a se formar."

Já especialistas do Centro de Pesquisa do Hospital de Brest, na França, comprovaram que crianças autistas que passaram a ter um cão ou um gato, quando já tinham mais de cinco anos de idade, têm mais chance de apresentar melhora no relacionamento com outras pessoas se comparadas a outras que já nasceram em lares com a presença algum bicho ou que passaram a vida sem conviver com um.

Lorcan Dillon, um garoto inglês de sete anos, diagnosticado como portador de mutismo seletivo ainda aos três anos de idade, começou a se relacionar melhor com outras pessoas após ganhar uma gata. Sua mãe conta que ele costuma dizer à gata "Eu te amo, Jessy", fora que a felina participa com ele de atividades e o ajuda a ter mais autoconfiança.

Também não é incomum vermos casos de animais que alertaram seus tutores em casos de incêndios e até em terremotos e tsunamis, como os do Japão. E, assim, conseguiram salvar suas vidas.
  • Letícia Cristina de Souza Teixeira, aos quatro anos, e sua gata Marie "Cristina" em sua casa, em São Bernardo do Campo (SP), em foto de setembro de 2009. A menina que nasceu com hidrocefalia e faz fisioterapia desde os 4 meses de idade passou a ser mais persistente no tratamento depois que ganhou o bichinho de estimação